There is always hope for Love
16 I gave you my soul and my heart
Notas iniciais
Deixe que as profundezas falem do meu amor, deixe que levem meu sussurro.
Sinta cada gota salgada em seus lábios, esse é o sabor das minhas lágrimas perdidas.
Anjo você pode me alcançar aqui? Anjo eu preciso da sua força.
Quando o oceano se tornar tão pequeno diante de ti, lembre-se, ele já é para mim.
Meu amor não cabe em suas aguas.
(June Oliveira)
Em algum lugar no oceano...
Um dia depois da partida do Conde Drácula para a Romênia...
As ondas batiam contra o casco do navio de forma violenta, muitos homens trabalhavam avidamente para fazer tudo funcionar como devia, o Conde não poupou gastos com a tripulação, ele sabia que quando se tem donzelas a bordo é melhor deixar os instintos de um homem por ouro satisfeitos de tal forma que ele não pense em nada além das moedas em seu bolso. Peter e Josep estavam ajudando a tripulação também, o que de fato era muito bom, isso ajudava a manter os ânimos controlados, eles estavam de olho em tudo.
—Você não acha que todo esse cuidado é exagerado? — Disse Kim com uma expressão preocupada, mas Vlad apenas sorriu acariciando o rosto da noiva.
—Minha doce Kimberly, você é inocente, não entende os problemas que podemos ter com esses homens. — Disse o Conde no momento em que ambos embarcaram. —Todos os homens que acabam trabalhando em navios o fazem por não ter muitas opções de trabalho, isso é uma pena de fato. Mas muitos também estão fugindo da justiça, alguns são criminosos perigosos, são homens acostumados a péssimas condições, por isso escolho sempre bem o Capitão, é ele que fará toda a diferença entre uma viagem segura e uma viagem problemática. — Disse Vlad parecendo muito seguro enquanto Kim observava um homem de um olho só.
Fazia menos de um dia que Vlad e os outros haviam deixado a tão sonhada Londres para dirigir-se ao mundo desconhecido da Romênia, eles só esperaram o navio abastecer os mantimentos e partiram, claro que, acabou sendo um pouco mais tarde do que Vlad esperava, por ele, teriam partido no meio da noite, logo após o ataque de David a sua casa, mas infelizmente ainda restava fazer o enterro de Beth, não podia partir sem prestar sua homenagem formal a empregada, por mais que Beth tivesse sido uma mulher oferecida e mexeriqueira por toda a estadia em suas terras, ele havia prometido proteção a ela, e por culpa de sua noiva e seus problemas pessoais a mulher havia sido morta tão jovem. Vlad foi pessoalmente ao tumulo depois de buscar Andrea em sua casa juntamente com Peter, depois deixou uma boa quantia em dinheiro para a igreja local, e pediu ao Padre que cuidasse daquele tumulo colocando flores e fazendo orações por aquela alma, era o mínimo que podia fazer.
Ao descobrir que a viagem do Conde seria minimamente adiada, Thomas até tentou impedir a partida do grupo mandando seus homens atrás do Conde enquanto ainda estava no porto mais para sua tristeza e fúria, o Conde conseguiu partir sem maiores problemas. Cristian pagou alguns homens que estavam por perto para descobrir o destino daqueles infames e não foi muito difícil conseguir uma resposta, naquela cidade, principalmente nos arredores do cais, todos falavam na presença do ouro.
—Nós vimos sim. – Disse o homem com uma grande barba e roupa de pescador, parecia sujo e com dentes podres, havia sangue em seu casaco mais provavelmente de animais, talvez estivesse pescando no momento em que o navio partiu.
—E o que vocês viram? Nós já sabemos que o navio partiu, isso não nos interessa, só queremos saber o destino. – Disse Cristian de forma calma enquanto o irmão parecia irritadíssimo.
—Se me der mais uma moeda eu posso lembrar a direção. – Disse o homem rindo discreto enquanto outros homens atrás dele começaram a rir também, as pessoas mais pobres daquela região não costumavam ter a chance de zombar dos nobres, e quando isso acontecia era um prato cheio para todos.
—Ora seu... – Thomas deu um passo largo na direção do homem pronto para puxar sua pistola escondida entre o casaco, mas seu irmão se posicionou primeiro, eles estavam em menor numero, não iriam muito longe daquela forma, e Cristian sabia o quanto a população odiava a sua família.
—Calma. Assim não vamos conseguir nada. – O homem enfiou a mão no saco de moedas e entregou mais uma moeda dourada para o pescador que mordeu a mesma para ver se era ouro de tolo, por fim ergueu a moeda mostrando aos outros e riu feliz.
—O Conde saiu daqui pela manhã com mais três mulheres e dois homens, sendo que um parecia muito ferido, das três mulheres duas eram donzelas, uma parecia um saco de batatas podre. – Disse o homem fazendo seus amigos rirem. – E o outro homem era jovem, forte, provavelmente mais forte que o seu irmão. – O pescador falou afrontando Thomas que sentiu um ódio tomar seu coração, depois disso, Cristian apenas fez sinal para que o homem fosse embora dali e resolveu amparar á ira de Thomas.
—Não se preocupe irmão, nós vamos dar um jeito de recuperar a sua honra. — Disse Cristian para Thomas que parecia possuído ao ver o navio sumir no horizonte, eles foram para um bar local, coisa que não fazia muito o feitio deles, eram nobres, não gostavam de se envolver com a pequena sociedade suja, mas naquele momento era necessário.
—Aqueles malditos só vieram para criar problemas, vamos ter que resolver muitas coisas para concertar isso, ou serei uma piada para o povo assim que a noticia se espalhar. — Disse Thomas enquanto uma mulher de seios fartos se aproximava trazendo uma bebida para ambos.
—Tenho certeza que ninguém será louco o suficiente para falar qualquer coisa que seja em nossa presença. Precisamos agir de forma exata. — Cristian tinha planos em mente e Thomas sabia que não podia ser coisa boa, mas desta vez, ele próprio queria puxar o gatilho.
—Só existe uma forma de fazer isso irmão, e é com sangue. — Disse Thomas apertando com força o punho da arma escondida em seu casaco, algumas pessoas olharam assustadas, mas como Cristian havia dito antes, ninguém se atreveria a falar qualquer coisa que fosse. —Vamos, temos muito trabalho pela frente. — Eles saíram do cais sendo observados por todos os presentes, alguns ousaram rir do homem, mas ele daria um jeito sim, em todos os seus inimigos, principalmente em Peter.
O cheiro de agua salgada invadia toda a proa, era uma sensação grande de maresia e o céu estava brilhantemente azul, Vlad permanecia em silencio observando as gaivotas que presenteavam os viajantes com a sua presença, seu coração batia muito forte com a proximidade de sua terra, o povo da Transilvânia sempre foi inimigo dos turcos, eles tiveram batalhas épicas, batalhas que Vlad jamais iria esquecer. Para evitar que a população fosse massacrada, o rei da época, no caso seu pai, aceitou entregar aos turcos, centenas de crianças, entre elas estava seu próprio filho, Vlad Tepes, Vlad aprendeu com os turcos a arte de guerrear, sua ferocidade em batalhas vinha daquela época perdida, e não apenas isso, ele não era só mais um, Vlad ganhou fama pela ferocidade nas batalhas e também por empalar os derrotados.
De volta à Transilvânia, foi nomeado príncipe e governou em paz por 10 anos. Só que o rei Mehmed, mais uma vez exigiu 100 crianças aos turcos. Vlad se recusou, e com isso, veio mais uma guerra, a guerra que mudou sua vida para sempre, que lhe deu força e também partiu seu coração pela eternidade. Para vencer, ele recorre a um ser das trevas que vivia pela região, depois de tudo o que houve Vlad não tinha certeza se a criatura, o maldito Nosferato, ainda vivia naquele local, de qualquer forma ao beber o sangue dele, Vlad se tornou o que seria chamado de VAMPIRO no futuro, e ganhando poderes e se tornando mais imbatível que um exército inteiro. Infelizmente, nem todo o poder do mundo foi capaz de salvar sua bela esposa, e nem pode lhe dar a alegria de ver seu filho crescer, agora, perdido em uma época que não era sua, só restava ás lembranças de uma vida que se perdeu.
Ele iria precisar contar a verdade sobre sua origem e sobre quem realmente era, dizer a Kim o quão horrível sua história podia ser, como seu passado foi abominável e o pior, quantas vidas já havia ceifado, ele teria que ser honesto sobre tudo, encarar de frente aquela mulher nos olhos e assumir sua face de monstro, a mesma face que encarava todos os dias no espelho.
Kimberly era sua alma gêmea, isso não havia duvida, mas até o momento ele sabia tudo sobre ela, seu passado triste, sua mãe doente, seu pai irresponsável, ele sabia sobre todas as dores, os medos, os desafios, sabia sobre como David havia tornado a vida dela um verdadeiro inferno, sabia tudo, e sabia que dentro daquele coração puro só havia espaço para ele, por isso precisava ser verdadeiro, por isso precisava dizer tudo, e nesse momento só podia desejar que ela compreendesse sua situação.
—Como está o vento capitão? — Disse o Conde animado ainda focado nas aves, tentando esquecer os problemas, principalmente o sol, ele se protegia bem ali, com vários casacos e um chapéu que mais o fazia parecer um pirata, aliás, a figura daquele homem forte vestido de negro tão firme e confiante chamava a atenção de todos os marujos no convés, era como se Vlad tivesse sido feito para velejar.
—Esta tudo indo bem Conde, não se preocupe com nada. – Disse o capitão de forma confiante também, o homem era um velho lobo do mar, acostumado com viagens entre países a mais de 10 anos, e não era louco de questionar as ordens do Conde, o capitão sabia que o homem na sua presença era um demônio, já havia visto-o agindo em outras viagens.
—Confio em você capitão, tenho certeza de que vai dar tudo certo. – Vlad falou enquanto caminhava sobrenaturalmente sobre um mastro até parar frente a frente com o homem. –Tenho certeza que nenhum dos meus convidados terão problemas com os seus marujos, principalmente as damas presentes. – Vlad encarou o homem com um sorriso discreto, o homem apenas engoliu em seco sabendo que qualquer descuido poderia significar a morte de todos.
—Não, não se preocupe Conde, eu já falei com todos, e desde que o ouro esteja em seus bolsos nada vai fugir do controle. – Disse o homem mais uma vez demonstrando um pouco de nervosismo o que já deixava todos os outros desconfiados, mas ainda sim, quietos.
—Pois então eu digo, que se tudo correr como se deve cada um de vocês ganhará o dobro quando atracarmos na Romênia. – O Conde valou alto com um grande sorriso para os homens a bordo e todos gritaram festejando, era como o capitão dizia, com ouro, sem problemas.
Kim permanecia na cabine do capitão, de lá ela podia ouvir a gritaria do lado de fora e aquilo a fez sorrir, no momento ela usava um vestido de linho leve, havia um delicado colar de perolas em seu pescoço, presente que Vlad lhe deu assim que entraram no navio, ela tinha a pele muito rosada pela força do sol, nunca havia saído de Londres antes, então, normalmente parecia como qualquer outra pessoa de lá, branca e apática, mas o sol dos mares lhe trouxe uma beleza ainda maior, ela sorria tentando olhar pela pequena janela da cabine, local separado por Vlad para uma viagem tranquila, a cabine tinha um grande espaço, era localizada na parte de trás do navio e tinha uma janela feita em vitrais espanhóis, uma arte muito valorizada na época.
Toda aquela beleza mostrava a Kim o poder de Vlad, aquilo de certa forma assustava um pouco, era normal que como Conde ele ser rico, mas ás vezes era como se houvesse uma fortuna sem limites escondida na Romênia, ele não poupava gastos e tinha sempre o mundo em suas mãos, o Conde era admirável e Kim sentia-se imensamente feliz por tê-lo ao seu lado.
Outro quarto foi separado para Anastácia, Andrea e Peter, era um pouco menor mais igualmente aconchegante, Vlad havia escolhido aquele navio justamente por saber que havia espaço para a privacidade.
Peter tinha medo que Lady Andrea não conseguisse aceitar as limitações da viagem, mas tudo o que ela precisava fugir do pesadelo no qual vivia, estar ali com Peter era novo, muito diferente do que a alta sociedade esperava dela o que tornou as coisas um pouco emocionantes para a jovem que jamais havia estado na presença de um homem antes, principalmente em uma viagem tão longa, por isso, a pedido de Andrea a Kim, Anastácia ficou em seu quarto e não com ela, afinal, Anna era a dama de companhia de Kimberly agora, ou como Vlad queria que ela fosse chamada, Lady Drácula.
Mansão de Don. Jonathan — Londres
Thomas estava parado na frente da casa grande, o pátio principal era enorme, assim como o jardim que rodeava toda a casa, os muros de tijolos eram baixos, cercados por uma grade espaçada com pontas em formato de lança, um corredor comprido de pedras polidas levava até a entrada principal e as janelas dos quartos ficavam no andar de cima. Parado ali ele imaginava o local exato onde devia ser o quarto de Andrea, e sentia-se um imbecil por nunca tê-la deflorado, ele devia ter tomado o que era dele por direito, ele jamais devia ter permitido que ela saísse sozinha, que ela entrasse em contato com outros homens, ela era sua noiva á três anos, como foi tolo em pensar que a honra habitava no coração feminino, todas as mulheres deviam ser tratadas como mereciam, no caso de Andrea, como uma meretriz.
Havia algumas pessoas curiosas o suficiente para permanecer ali diante do que iria acontecer, as mulheres tapavam os olhos das crianças, mas muitas corriam para as arvores na tentativa de ter uma melhor posição visual, uma execução era sempre bem vinda.
—Parem, por favor. — Disse a mulher desesperada saindo de forma atropelada enquanto vários capangas arrastavam-na para fora, Mary caia entre as pedras, sentia os joelhos doloridos, mas não se importava com aquela dor, tudo o que queria era fugir, pois sabia o que a aguardava. -Não pode fazer isso, não ficara impune Thomas, a polícia real vai saber disso, nós não somos moradores do cais, somos parte da corte tanto quanto vocês. — A mulher falou de forma desesperada, quase sem voz, esforçando-se para não ter a roupa rasgada, tentando não ser mais humilhada do que já estava sendo, ela sabia que aquela situação seria inevitável.
Honra se paga com sangue.
— Não adianta gritar, sua filha é a causadora de toda essa desgraça, e agora só existe uma coisa a se fazer. — Thomas falou puxando a arma que mantinha presa na cintura preparando a mesma enquanto seus homens chegavam com o pai de Andrea jogado no lombo de um cavalo, com um tiro no peito. Morto.
—NÃO!!!! — Gritou a mulher desesperada ao ver o sangue do seu marido escorrendo pela cela do animal ate o chão. — Seu monstro, como pode, Jonathan era um homem bom, não merecia isso. – Mary falou sentindo uma dor no peito maior do que qualquer outra, ela temeu naquele momento pelo futuro de sua filha, tinha medo que Thomas não parasse nunca de persegui-la.
—Chega. Sua filha e seu marido desonraram um compromisso com a minha família, e todos sabem que isso é inadmissível. NINGUÉM, simplesmente ninguém desonra um compromisso com os Milton.
—Não importa o que aconteça comigo Thomas. — Disse a mulher erguendo a cabeça e limpando as lagrimas do rosto, ela estava se esforçando para permanecer firme diante daquela cena demoníaca. -O que importa é que Andrea esta livre de você, jamais será obrigada a se casar com um homem cruel e monstruoso como você, ela está livre e feliz, eu jamais deveria ter concordado com essa loucura, Jonathan estava sem juízo quando resolveu aceitar esse matrimonio. – Disse a mulher com um sorriso fraco. –Minha filha será feliz sim, você não vai poder impedir isso.
—Isso é o que pensa, mas quero que saiba que eu matei o seu marido, eu vou matar você e destruir o que resta da sua história, e quando encontrar Andrea vou possuí-la de todas as formas que desejar, vou fazer o que quiser com ela e farei aquele garoto que pensa ser um homem assistir a tudo, depois vou deixar que meus homens possuam ela e só então eu o matarei, vou fazer Andrea ver seu amantezinho miserável perder a vida, e Andrea será levada para um bordel onde passará o resto de sua vida, sendo abusada por homens asquerosos, muito mais asquerosos do que eu, você não sabe do que sou capaz de fazer. – Thomas disse suas palavras com um ódio quase palpável, Mary tremeu com as ameaças, e rezou em silencio uma ultima oração, não em seu nome, mas sim pela segurança da filha.
Houve um minuto de silencio, as pessoas foram fechando suas janelas, era como se todos estivessem se preparando para o inevitável, poucos curiosos ficaram ali, eles sabiam que os Milton não medem esforços para apagar as evidencias, e diante de tudo aquilo, ninguém queria ser uma evidencia. E aconteceu.
Um tiro.
Um minuto.
O sangue manchando as roupas até tocar o chão.
A mãe de Andrea caiu morta na frente do Duque, ninguém diria nada sobre aquilo, ninguém jamais diria, Thomas não estava feliz, ele não queria chegar até aquele ponto, não queria puxar o gatilho para o peito de uma mãe, mas algumas coisas marcam a vida de um homem, e da mesma forma que no passado seu pai o fez fazer coisas horríveis para provar ser digno, ele precisava mostrar a si mesmo que ainda era capaz, agora não era por seu pai, ou seu irmão, ou quem quer que fosse, era por ele, precisava lavar a honra da família.
—Quero que façam uma varredura pelo local, todas as famílias aqui presentes devem saber que ninguém mexe com os Milton. Depois quero que falem diretamente com o chefe do regimento real, ele vai manter seus homens sobre controle, devemos manter as pessoas na linha, e todos sabem que boas moedas de ouro resolvem qualquer problema. – Thomas falou enquanto seus homens riam satisfeitos, a maioria de seus capangas estava no serviço por questões financeiras, poucos ali faziam aquilo porque gostavam.
—O que faremos com os corpos senhor? — Disse um dos capangas do Duque que gostava do serviço, ele era conhecido por já ter matado mais de 50 pessoas em menos de três semanas, um homem com apenas um olho e várias cicatrizes pelo corpo, seus cabelos eram bem compridos, quase na altura dos ombros, ele dava medo em qualquer pessoa que se aproximasse.
—Coloque-os dentro da casa e toquem fogo em tudo, quero que matem os animais, os empregados, tudo, todos. Não quero que sobre nada, nem mesmo uma moeda. – Ao dizer aquilo alguns homens se entreolharam e Thomas entendeu sobre o que se tratava, a ganancia de um homem pode não ter fim. -Se alguém se interessar por alguma velharia pode levar, até mesmo os animais, realmente é uma pena matar animais tão belos, mais nunca, jamais deve dizer que conseguiu a peça desta casa entendeu? – Disse Thomas encarando cada um dos homens presentes. –Não devemos deixar rastros de nada aqui, deixe que o fogo cuide dos nossos problemas, depois avise os homens, nos vamos fazer uma longa viagem.
Em algum lugar no Oceano...
A noite chegou e Vlad aproveitou para sentir o luar em sua pele, a luz da lua sempre fazia bem para as criaturas da noite. Pela primeira vez Kimberly saiu da cabine para passear no convés, sua pele translucida ganhava uma iluminação sobrenatural com as estrelas que pareciam sorrir para a jovem. Ela viu a imagem estonteante do Duque que permanecia de braços abertos sentindo a lua lhe tocar, ele ainda usava o grande casaco negro com bordados italianos, mas agora, sua camisa branca de manga longa estava desabotoada revelando um tórax trabalhado, muito mais musculoso que qualquer outro homem de Londres, os ingleses costumavam ser magros, ou gordos demais, nenhum homem que não fosse militar tinha uma postura tão esbelta, mas Vlad era um homem deslumbrante, um homem capaz de arrebatar qualquer coração.
—Abraçando a noite meu amor? — Disse Kim encarando o homem que sorriu. –Pensei que passaria o dia comigo, mas não o vi a tarde toda. – Kim falou calma, sem demonstrar desapontamento, ela sabia que as tarefas dele não eram poucas, mas pensou que poderia dormir em seus braços uma vez mais.
—Não precisa ter ciúmes da lua Kim, ela jamais teria o brilho seu. — O Conde andou rapidamente ate a jovem que sorriu corada. –Nada no mundo poderá um dia roubar minha atenção, pois nada que eu conheça é tão belo quanto essa pele prateada ao clarão das estrelas, para mim, você é como as ninfas dos contos antigos. – Vlad depositou um beijo delicado nos lábios rosados da jovem que sentiu o coração parar por alguns segundos.
—O senhor sempre me encanta. – Disse deixando que sua mão tímida tocasse pela primeira vez e por sua vontade o peito nu do homem a sua frente. Discretamente ela mordeu os lábios, enquando acariciava quase com as pontas dos dedos o abdome definido deslizando a mão até parar onde seria o coração de Vlad e constatou um pouco assustada que o mesmo não batia.
Vlad pegou gentilmente a mão da jovem e a levou até os lábios beijando delicado, a ponta de seus dedos, ele estava sentindo que já havia esperado por tempo demais para conquistar de vez aquela que devia ser sua para sempre.
—Então, deixe-me encanta-la um pouco mais. — Vlad segurou firme a jovem em seus braços de uma forma que deixava claro o seu desejo por ela, ele encaixou seus corpos deixando a mesma sentir toda a masculinidade de seu corpo, assim como ele podia sentir o coração dela batendo freneticamente, depois como se voasse flutuou até o mastro mais alto do navio, enquanto Kim ria sem medo de acordar os homens do local, era o lugar de onde podia ser visto qualquer coisa além do horizonte. Kim ficou extasiada, ela sorriu ao ver que os olhos do Conde ganhavam um brilho sobrenatural com a chegada da noite, era uma coisa que admirava nele.
—Eu te amo Vlad. Jamais pensei que um dia poderia me apaixonar dessa forma, jamais pensei que existisse um homem que pudesse ser tão bondoso quanto você — Disse a jovem de forma serena fechando os olhos para sentir o perfume amadeirado de seu amor, era algo inebriante, uma mistura de almíscar com sândalo, algo que provavelmente refletia nas origens dele. –Desejo viver ao seu lado para sempre.
—Eu sempre te amei Kimberly, desde o primeiro instante no cais quando você tentou me roubar. — Disse o Conde rindo deixando Kim com uma expressão jocosa e constrangida, era verdade, seu primeiro encontro com o Conde tinha sido uma tentativa de rouba-lo.
—Mas eu não consegui. — Kim falou fazendo um bico que na opinião do Conde a deixou ainda mais encantadora.
—Não fique aborrecida por não ter conseguido roubar minhas moedas, no final você roubou uma coisa muito mais valiosa. — Disse o homem para a jovem que sorriu travessa.
—E o que eu roubei exatamente? – Kim ergueu seu rosto para o homem esperando pelo que viria a seguir.
—O meu coração. – Vlad beijou Kim de forma ardente, ele sabia que não havia mais espera, Kim deveria ser sua diante das estrelas, diante de Deus e de todo o firmamento, sem dizer nada ele a segurou mais uma vez firmemente para leva-la até a cabine. Ao entrar pela porta e garantir que a mesma estava trancada o homem retirou seu casaco colocando em um pequeno sofá diante de uma mesa, ele olhou para a mulher a sua frente e Kim sorriu deixando uma lágrima caindo displicente, ela tinha certeza daquele amor, tinha certeza de sua felicidade, queria aquele homem tanto quanto ele a queria.
—Você é meu e eu sou sua e quero sentir isso dentro de mim. – Kim falou olhando para o homem que terminou de tirar sua camisa revelando seu corpo orgulhoso da mulher que ali estava, Kim havia amadurecido muito mais do que ele podia esperar.
Kimberly começou a desabotoar o vestido branco deixando o mesmo ir ao chão revelando uma pequena camisola intima que ela havia ganhado de Andrea no começo da viagem, na verdade, Kim precisava sentir que estava tomando as rédeas daquele momento, sentindo que estava entregando seu corpo pela primeira vez por amor e não por dinheiro.
Vlad foi até ela, e a pegou com apenas um braço, ele a levou até a cama coberta com várias peles de animais, quando se está no mar as vezes a noite é fria, mas naquele momento não havia frio apenas o ardor de uma paixão que queimava a muito tempo. O Conde retirou a pequena peça da jovem com cuidado e delicadeza, por mais que seus instintos fossem acelerar o processo, ele queria dar a ela a melhor noite de sua vida, e lentamente começou a beijar todo o corpo tremulo que ele tanto admirava.
—Você será minha rainha nessa e nas outras vidas, para toda a eternidade. – Vlad disse ao beijar os seios até então intocados de Kim que nunca sentiu um prazer tão grande, era algo que podia levar uma pessoa a loucura. Ela apertou os lençóis sorrindo como uma criança, contorcendo seu corpo enquanto o homem deslizava sua língua pelos bicos agora endurecidos e ansiosos, cada mordida leve arrancava um gemido desesperado da garganta da jovem que percebia um calor crescente em suas partes intimas, então aquilo era o desejo que tanto as pessoas falavam? Aquele era o prazer á união carnal?
Mas Vlad estava apenas no começo, ele beijou mais uma vez os lábios ardentes de Kim enquanto sua mão descia por entre o ventre da mulher passando pela coxa e abrindo as pernas da jovem que ainda mantinha as mesmas fechadas tentando controlar os espasmos de prazer.
—Precisa confiar em mim. – Disse Vlad ao ouvido de Kim que deixou mais uma lágrima cair, mas estava decidida, ela não iria voltar atrás agora.
—Eu confio, não tenho medo de você. – Kim falou com um sorriso solto enquanto o homem deslizava sua mão por entre as intimidades de uma jovem virgem. Delicadamente ele começou a mover seus dedos de uma forma tão calma e gentil que Kim ficou surpresa pela leveza presente. Cuidadosamente ele desceu até a fenda úmida e deixou a ponta do dedo brincar em círculos buscando toda aquela umidade até tocar no ponto mais alto, um local onde Kim jamais esqueceria, ela gritou como nunca havia gritado antes, e não havia terminado, aqueles movimentos pareciam a tortura mais abençoada pela qual já havia passado, ele movimentou os dedos gentil de varias formas, até acelerar um pouco mais e nesse momento o corpo de Kim parecia fora de controle.
—Não sei o que dizer. – Disse com a voz embargada, estava presa em uma onda delirante que não cabia em seu corpo agora suado.
—Não diga nada. Apenas sinta. – E naquele momento Vlad beijou mais uma vez os seios de Kim enquanto movia sua mão dando o máximo de prazer a ela e sem conseguir se conter Kim gritou extasiada sem se preocupar se alguém pudesse ouvir, ela sentiu pela primeira vez o que era o prazer sexual que tantos falavam, mas o Conde não se preocupava apenas com o seu prazer, ele queria que ela também lembrasse daquela noite como algo único.
Depois da explosão do orgasmo sentido por Kim, Vlad terminou de se despir, mas não deixou a jovem se constranger, então jogou uma manta aveludada por cima do deles abraçando Kim que sentia o membro de um homem pela primeira vez roçando seu corpo.
—Vai doer? – Disse Kim mordendo os lábios.
—Só o necessário, prometo que não vai sofrer como imagina. – Kim fechou os olhos enquanto o homem puxava suas pernas uma para cada lado, ele beijou o ventre dela e a puxou para si encaixando seu membro cuidadosamente no local certo, lentamente ele começou a se mover tentando não causar muito desconforto a jovem, mas Kim estava indo bem, parecia tão delirante que a dor não parecia incomoda-la. Por fim, Vlad penetrou a jovem deixando apenas um lampejo de dor tomar-lhe a alma e aquilo realmente partiu seu coração, ele não queria que nada fosse ruim, mas para uma virgem aquela dor era inevitável.
Ele a beijou mais uma vez, e outra, e outra e outra, movendo seu corpo compassado, lento e forte enquanto Kim dizia palavras desconexas, nada fazia sentido, ela não sabia ao certo o que pensar ou dizer, era um prazer ainda maior do que havia acabado de sentir, assim como Vlad parecia ter mudado um pouco, seu olhar agora escurecido anunciava um desejo sobrenatural, um furor que ela jamais havia visto, seu corpo a puxava para si cada vez mais, cada vez mais fundo, até que o prazer foi inevitável. O orgasmo do homem tomou conta do local fazendo Kim estremecer uma segunda vez em plenitude, não havia palavras para descrever.
Os corpos nus sobre uma cama cheia de peles de animais a luz de velas, o frescor do mar entrando pela janela tocando suas almas, tudo era exatamente como Kim desejou mais jamais poderia ter imaginado. Vlad não se levantou, nem deixou que Kim o fizesse, eles ficaram abraçados, juntos, fazendo suas juras de amor eterno.
O sangue de Kim nos lençóis comprovava sua pureza e Vlad jamais esqueceria aquele momento, possuir uma mulher pela primeira vez é uma conquista para poucos. É uma honra aos seus olhos. Depois dessa primeira experiência nada foi dito, mas Vlad sorriu agradecido, Kim era cheia de paixão e ardor, com o tempo ela seria a melhor amante de sua vida e eles poderiam viver um amor completo, adulto e leal, e ele estaria ali sempre, para protegê-la diante de Deus e do mundo.
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