There is always hope for Love
17 Blood in your dress
Notas iniciais
“Vi teu sangue arrastando minha alma, como poderia reagir?”
“Como poderia dizer adeus? A neve tingiu-se de vermelho, a terra germinou meu sofrer.”
“Quando amamos de forma gêmea, o reflexo da morte não é apenas de um ser.”
“Sinto o vento soprando para o Norte, sinto a noite que cai em mim.”
“Quando fechar meus olhos não sei se poderei partir.”
(June Oliveira)
Constanta – Romênia
Uma Semana Depois...
O cheiro do Mar Negro envolvia todo o cais, as gaivotas preenchiam o silencio com seus gritos agudos na esperança que conseguir algum peixe para se alimentar, era quase como se os humanos não estivessem presente, enquanto faziam sua dança antiga. Por uma longa extensão navios lutavam contra as ondas agitadas da maré alta em busca de um porto seguro para os próximos dias, muitos homens de aparência rude desciam dos navios em grande agitação, estavam animados com a possibilidade de passar a noite com boa bebida, musicas de sua terra e mulheres de seios fartos. Muitos marinheiros passavam meses fora de casa e só a menção da possibilidade de se aquecer no corpo de uma bela mulher era suficiente para animar qualquer um.
Thomas estava enojado com os comerciantes próximos do cais, ele odiava aquele tipo de gente que passa a vida vendendo mercadorias roubadas para distrair os visitantes enquanto alguém mais inteligente se prepara para roubar suas sacolas de dinheiro. Aquele povo com aspecto cigano só alimentava o desejo de destruir a felicidade de sua noiva, Andrea provavelmente não sabia o que tinha acontecido com seus pais, e esse prazer ninguém tiraria dele.
—Precisamos descobrir para onde eles foram nesse país miserável. – Thomas matou um mosquito que voava ao seu redor, ele estava tentando não tocar nas pessoas que vinham em grande fluxo de todas as direções. –Só quero acabar logo com isso e voltar para a civilização de Londres. – Thomas falou colocando um lenço de seda sobre o nariz e a boca. –Andrea exala os ares de Londres, seria impossível ninguém aqui ter visto uma jovem alva, de longos cabelos loiros e sotaque inglês.
—Se acalme Thomas. Não queremos chamar mais atenção do que já estamos chamando, precisa ser mais inteligente que isso. – Cristian falou enquanto comprava um lenço negro para enrolar em seu pescoço quebrando um pouco a aparência requintada que usava. –Se eu fosse você faria a mesma coisa, não estamos em nosso país, ás pessoas aqui são mais selvagens, se por alguma razão aquele Conde for amado por seu povo, isso pode significar problemas pra nós. Pense com a cabeça.
—Eu só acredito no poder do dinheiro. – Disse o mais jovem com ar arrogante enquanto uma prostituta esbarrava nele tentando alcançar sua bolsa de moedas, mas Thomas foi mais rápido de desviou no momento certo encarando a mulher envelhecida pela vida dura com um ar de desprezo que ela provavelmente conhecia bem.
—Mesmo assim. Precisamos descobrir para onde aquele grupo foi, temos que descobrir onde fica a residência do Conde. – Cristian falou enquanto puxava as rédeas de um cavalo com cuidado para sentir a força do animal. Eles provavelmente iriam precisar de toda a ajuda necessária.
—Não acredito que um Conde possa se esconder facilmente. – Thomas falou enquanto eles andavam em volta dos cavalos para ver se os animais valiam a pena, provavelmente teriam que percorrer um longo trecho de estradas de terra e desfiladeiros, só bons animais conseguem andar por essas estradas perigosas sem criar acidentes. –Vlad pode até ter alguma paixão pelos pobres, mas diante do seu titulo, deve morar em um Castelo ou algo do tipo, esse povo miserável provavelmente deve saber.
—Já disse para não ser idiota. Pare de chamar as pessoas de miseráveis e foque suas energias no Drácula. – Disse Cristian um pouco irritado com a postura infantil de seu irmão.
—Drácula? – Disse uma voz em um beco escuro escondido entre as tentas de tecidos, uma voz masculina que parecia estar indagando algo mais do que obvio. Aquele homem conhecia o Conde.
—Quem está ai? Diga-nos tudo o que sabe. – Thomas foi adentrando o beco enquanto seu irmão fazia sinal para seus homens ficarem atentos. Cristian sabia que o irmão estava louco por vingança e que não iria descansar até que o sangue de Peter e Andrea fosse derramados, mesmo que pra isso ele precisasse derramar o sangue de Vlad junto.
—Creio que você seja um homem que possa pagar por informação privilegiada. – Disse o cigano com um tapa olho escondendo o lado direito do rosto, ele tinha cicatrizes nos braços expostos e uma expressão de quem já tinha visto muita coisa na vida.
—Vejo que é um homem de negócios. – Disse Cristian se adiantando alguns passos com medo de seu irmão fazer alguma besteira. Thomas não tinha se dado conta quando entrou naquele beco, mas havia no mínimo uns oito homens escondidos entre os entulhos e as sacadas dos pequenos prédios feitos de barro e agua. –Eu sou Cristian e esse é meu irmão mais novo Thomas, sua noiva foi raptada e precisamos encontra-la antes que seja tarde demais.
—Entendo. Nesse caso posso oferecer meu trabalho e dos meus homens, trabalho honesto e bem pago, é claro. – Disse o homem com um olhar felino.
—É claro. – Cristian viu ali uma oportunidade de resolver todos os seus problemas, era visível que aquele grupo de mercenários estava louco para conseguir um bom emprego, e estando em um país diferente. Quanto mais conterrâneos ajudando melhor.
Cristian apertou a mão do homem e selaram um acordo, agora tudo estava se encaminhando como devia.
Mansão Drácula – Romênia
Kimberly ainda não havia se acostumado a ser tratada por Condessa. Isso era demais para ela ainda, mas devia confessar que estava amando aquele país e a hospitalidade dos empregados do Conde. Quando desceu daquele navio pensou que as coisas seriam muito difíceis e que jamais seria vista como a futura esposa de um nobre da região, mas ao contrario do que pensava foi acolhida por todos com grande carinho e ternura.
—Você parece pensativa. – Disse Andrea ao se aproximar da amiga que caminhava no grande jardim da Mansão. – Você e o Conde não parecem muito focados nos preparativos do casamento. – Desde a chegada deles a Romênia, tudo começou a ser preparado para o grande casamento do ano, e Andrea estava sendo a madrinha perfeita indo atrás de tudo o que precisava, incluindo alguém para produzir o melhor vestido de noiva da região, mas tanto Kim quanto Vlad não pareciam ansiosos por isso.
—Acho que...Bem, depois de tudo o que aconteceu no navio...Acho que isso não importa mais, Vlad e eu podemos esperar tranquilamente. – Disse Kim com o rosto ruborizado fazendo Andrea arregalar os olhos e gritar eufórica.
—Eu quero saber tudo. – Disse correndo até um banco entre as lindas rosas que só floresciam naquela parte do grande jardim. –Minha mãe nunca me revelou nada sobre essa parte, e provavelmente jamais irá revelar, ela diz que uma moça pura não pode se interessar por esses assuntos, mas quanto mais penso que vou viver com Peter e vamos nos casar em breve mais eu fico preocupada com...você sabe, a noite de núpcias. – Andrea falou com um sorriso esganiçado e totalmente abafado movido pela vergonha que fez Kim rir.
—Acho que se você ama Peter não tem com o que se preocupar, ele parece ser um ótimo homem e vai fazer a coisa certa. – Kim falou calma colocando a mão sobre o ombro da jovem que ainda parecia nervosa mais animada. –Quando o Conde...digo, quando Vlad me tocou eu senti como se não pertencesse mais a esse mundo, como se tudo não tivesse mais importância. Foi mágico e muito erótico. – As duas riram muito como á tempos não riam. – Acho que o amor é o segredo para que tudo de certo.
—Você parece tão segura Kim, eu queria tanto ser como você. – Andrea segurou as mãos da amiga e apertou com muita força, ela via na jovem uma irmã, alguém em quem podia confiar acima de qualquer coisa. -Mais você não tem medo de engravidar antes do casamento? Afinal quando um casal começa a viver juntos de corpo e alma isso é uma consequência inevitável, não sei como lidaria com essa situação se fosse eu. – Andrea perguntou o que qualquer moça com a sua criação perguntaria. As mulheres de Londres eram criadas para casamentos arranjados que fornecessem lucro para seus pais e maridos, elas eram apenas peças em um jogo de xadrez cruel, e o medo de envergonhar o nome da família era grande demais para deixar seus desejos falarem mais alto.
—Não posso responder a essa pergunta da forma que precisa, porque no meu caso isso não vai acontecer. Vlad não pode ter filhos. – Kim havia descoberto isso no momento em que pisou na Mansão de Vlad e teve a conversa mais decisiva de sua vida, a conversa onde ele disse a ela quem era exatamente.
Flash Back ON
A chuva caia forte do lado de fora da Mansão que um dia havia sido um Castelo suntuoso, Kim usava uma linda camisola de seda branca e andava pelas instalações carregando um castiçal dourado com suas velas acesas, Andrea estava em um quarto próximo ao de Kim no caso de precisar de alguém durante a noite, Anastácia e Josef foram para os quartos dos empregados e Peter também ganhou um quarto na ala especial, o que deixou o rapaz muito comovido. Mas desde a chegada Kimberly percebeu que havia alguma coisa perturbando seu Conde, alguma coisa estava criando uma nevoa em seus pensamentos e não podia ser apenas pelo fato dos preparativos do casamento deles e de Peter, muito menos alguma preocupação com os Milton, tinha algo a mais ali, e ela iria descobrir.
Quando chegaram, Vlad explicou para todos que diante da pobreza de alguns vilarejos ele não podia ficar inerte e com isso doou uma grande parte das terras que havia adquirido com o passar dos anos e por isso sua Mansão era o lugar mais seguro da Romênia, já que todas as pessoas que moravam ao redor tinham uma divida de honra com ele. Aquilo tocou o coração de Kim e agora, andando pelos corredores ela podia ver os homens do lado de fora, na chuva, trabalhando para manter os cavalos seguros.
—Eu sou um demônio das sombras. – Disse o Conde surpreendendo Kim quando ela passou em frente ao seu grande escritório. –Não existe uma forma fácil para começar essa conversa e eu sei que você quer explicações, desde aquele dia em que me protegeu do sol quando sofremos o acidente provocado por Thomas, desde aquele dia em que viu minha verdadeira face. – Kim se lembrava daquele dia, se lembrava de ver o belo rosto de Vlad tomar uma postura sombria e assustadora, mas mesmo com aquela visão, ela ainda podia conhecer o homem por trás dos olhos vermelhos e o desejo por sangue. -Sou muito mais velho do que pensa, e muito mais perigoso também. – Os relâmpagos iluminavam a face distorcida pela dor do homem que estava arriscando tudo em nome de seu amor verdadeiro.
—Vlad...
—Eu preciso que você entenda o perigo e a dor que isso vai nos causar. Eu nasci neste país e lutei em mais guerras do que pode pensar. Fui casado com uma grande mulher, alguém que a sua coragem e delicadeza me fizeram lembrar, no começo isso foi o motivo para manter você por perto, mas depois o meu amor cresceu de uma forma que não pude controlar. – Vlad falou se aproximando de Kim que deixava pequenas lágrimas escorrerem de seu rosto.
—Não precisa me dizer essas coisas meu amor...
—Você merece saber Kim. Eu sou um Vampiro. Não podemos ter filhos como os casais normais, não posso sair nos dias ensolarados, e preciso de sangue humano para viver. Se vamos nos casar quero que saiba a verdade. – Kim ficou imóvel por um momento, depois colocou o castiçal sobre a mesa de mogno e por fim sorriu desconcertando o homem a sua frente.
—Vamos procurar por orfanatos na região, tenho certeza de que existem crianças lindas para chamarmos de nossos filhos. – Kim viu um brilho nos olhos de Vlad que valeu por todas as dificuldades pelas quais passaram.
—Eu te amo Kimberly, você foi a joia neste mar de pedras que vivi. – Os dois se beijaram sem se importar com mais nada ao redor e isso era tudo o que eles precisavam.
Flash Back OFF
Escritório – Mansão Drácula.
Do alto, Vlad podia ver Kim e Andrea rindo e conversando animadas no belo jardim da casa, Peter estava um pouco afastado conversando com os homens que cuidavam dos cavalos, ele amava animais e isso não iria mudar, já haviam conversado sobre emprego e as possibilidades que ele podia ter ali. O que deixava Vlad satisfeito por ter dado essa força para o casal, afinal ele havia arriscado tudo por eles também.
Tudo parecia perfeito, as pessoas estavam felizes com a presença do seu mestre novamente, e Vlad não podia negar que retornar a Romênia com seu objetivo concluído não tinha preço, sua Kimberly o amava acima de tudo, ela não havia ficado com medo diante das dificuldades e isso ele jamais iria esquecer, ela era uma mulher de verdade.
As coisas estavam indo muito bem, exceto pela presença de Thomas entrando no jardim cercado por homens armados que partiram para cima dos seus funcionários despreparados. Só pelo simples vislumbre Vlad pode concluir que eram mercenários locais, homens com desejo por sangue inocente que não tinham mais utilidade depois do fim das guerras.
Um Ataque.
O homem apontava uma arma tremula para Andrea e era obvio o seu ódio, mas algo aconteceu antes que qualquer coisa pudesse ter sido feita por Vlad.
Um tiro, um grito de dor, um ato heroico.
Ainda em choque, Vlad viu Kimberly se jogar na frente de Andrea para protegê-la do tiro fatal e agora seu lindo vestido branco era manchado de vermelho. Vlad estava queimando de dor e ódio, e uma coisa era certa, aqueles homens iriam pagar com suas vidas.
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