There and Back Again
6 Trolls
Notas iniciais
Quando Thorin e Gandalf concordaram que já era hora de parar pra acampar o quarteto sentiu gana até de abraçarem os líderes da demanda. Estavam cansados e com dor, nunca haviam passado tanto tempo sob o lombo de um cavalo.
Lyn sentia que teve sorte, pois Gandalf era um cavalheiro e a ajudou a descer do cavalo. Estava dolorida e ficou um tempo massageando as próprias coxas da forma mais digna que podia, sempre sob o olhar avaliador do rei. Fig também teve sorte, pois ele e Bilbo conseguiram descer facilmente do pônei que montavam. Só uma pessoa parecia não estar revertendo a má sorte: Mi.
Quando Fili parou bruscamente o pônei, Mi o segurou com mais força, o que a fez se espetar em uma das adagas que o loiro escondia sob o casaco. Pulou do pônei por puro reflexo e só não caiu no chão porque foi amparada.
– Ow, vai com calma, garota — Disse Kili, segurando Mi por trás por debaixo dos braços, dando um leve empurrão em seguida só pra deixá-la em pé novamente.
– Culpa do loiro que parece um porco espinho! — Respondeu Mi, que teve como resposta a risada de ambos os anões.
– Desculpa, mas logo vai notar que a melhor coisa é ter armas escondidas... E só pra constar, meu nome é Fili, e este é meu irmão, Kili — sorriu, se colocando ao lado da garota.
– Sei como é — Mi levantou um pouco o casaco e tirou uma faca de uso culinário de dentro da blusa — Também tenho, só não saio por aí espetando ninguém.
Os irmãos olharam a faca e riram, chamando a atenção do resto da companhia.
– Garota inteligente, mas o que pretende fazer com uma faca de cozinha contra orcs? Os matar pela barriga literalmente? — Debochou Kili que, ao ver a garota um pouco sem graça, acabou lembrando de algo — Pera, vocês estão desarmados?
O trio se entreolhou e deram de ombros como forma de afirmar a suspeita do anão. Lyn e Fig também levantaram um pouco o casaco e tiraram as facas de cozinha de seus esconderijos. Os anões ficaram inconformados, teriam que tomar conta de humanos indesejados que ainda por cima se encontravam desarmados.
Como não viam outra forma de resolver a questão, Fili entregou uma de suas adagas pra cada um, fazendo-os jurar que devolveriam assim que conseguissem armas melhores. Thorin decidiu também que deveriam se organizar pra ensinar aos três humanos e ao hobbit lutar com as armas, simplesmente ignorando quando o trio tentou falar sobre luta corporal.
Os anões acenderam uma fogueira e o trio se ofereceu pra ajudar na preparação do jantar. Quando Mi foi mexer em sua mochila acabou achando seu celular e o pegou pra ver se ainda tinha bateria. Foi então que sentiu que seu mundo ruiu.
Sua tela de espera era a foto de suas gatas e, ao ver a foto, lembrou que já deviam estar em casa e que os mascotes poderiam estar sem comida. Começou a chorar, atraindo a atenção dos outros.
–Mika, pelos deuses, o que é que foi? — Perguntou Lyn preocupada, ficando ao lado da amiga.
– Minhas filhas, Lyn! Minhas gatas! Estão sozinhas e logo ficarão sem comida! E agora? — Respondeu, sendo abraçada por Fig, que segurava o choro pensando em seu próprio gato.
Lyn entristeceu pensando nos gatos, era crueldade do destino se, além de correrem o risco de nunca voltar pra casa, os animais que dependiam deles morressem. Não sabia bem o que falar, ficando em silêncio acariciando as costas dos amigos.
– Se acalmem, quem sabe vocês não voltam pra casa mais rápido do que imaginam! — Disse Bilbo, sorrindo gentilmente pro trio — Não sabemos o que tá acontecendo no mundo de vocês, talvez eles fiquem bem.
Mi tentou concordar, respirando fundo pra parar de chorar, precisava ser forte pelas suas gatas e quanto mais rápido fizesse o que tinha que fazer, mais rápido voltaria, embora não tivesse ideia de qual era a missão dos três neste mundo.
Enquanto isso Gandalf e Thorin estavam afastados discutindo. Não sabiam o que falavam, mas sabiam que estavam com os ânimos alterados, pois Gandalf olhava irado pro anão, que estava de costas pra eles.
Depois de um tempo Gandalf saiu andando falando sobre a teimosia dos anões. O quarteto se entreolhou em silêncio, imaginando se esta seria a primeira provação que sofreriam e rezando para que o mago voltasse logo.
Esperaram algum tempo antes de jantar pelo retorno do mago, mas pelo visto Thorin conseguiu deixá-lo irado, pois não tiveram sinal de Gandalf. Depois de jantar se dividiram em grupos pra limpeza dos utensílios, vigia e reconhecimento da área e logo cada um seguiu pra fazer o que foi combinado.
Aproveitando o momento de certa privacidade, o trio começou a sussurrar entre si, discutindo como era absurdo tudo isso e se perguntando se sairiam vivos dessa. O clima mórbido durou até que Dwalin, um dos anões mais musculosos, passou na frente do trio sem blusa.
– Gente... Que saúde — Deixou escapar fig olhando discretamente pro anão, que tentava fazer um remendo na própria blusa.
– Tava demorando! — Lyn riu, mas também havia notado.
– Falando em macho, viram os dois irmãos? Não sei qual pegaria primeiro — Brincou Mi, se aproximando mais dos amigos pra falar sobre os anões.
– Todo mundo pegaria aqueles dois! Eles e o Thorin são os mais pegáveis — Retrucou Lyn, olhando pros amigos e entrando na brincadeira.
– Nem vem, Lyn! Pode ficar com o Thorin, mas os dois são meus! — Riu Mi, levando uma cotovelada de leve da amiga — Ei! Sei bem que você quer!
– Ele é estupido, babaca, mas convenhamos... A boca ficaria ocupada — Lyn sorriu maliciosamente como resposta, arrancando risada dos amigos.
– E pra mim nada?! — Disse Fig, olhando os anões — Mika, divide um dos seus comigo!
– Vou pensar no seu caso, mas só porque é meu amigo — Brincou Mika.
– Será que vocês podem me ajudar aqui, por favor? — Perguntou Bombur, assustando o trio — Tem bastante coisa pra limpar e não tô dando conta.
O trio se levantou e foi se ocupar com a arrumação das coisas. Enquanto essa arrumação era feita, dois anões se preocupavam. Não eram estúpidos, sabiam contar, e tinham certeza de que dois pôneis haviam sumido. Bilbo, que foi até os garotos com restos de comida pra alimentar os animais, foi puxado pelos irmãos pra ver pra onde os bichos foram.
Chegaram numa clareira e lá haviam três grandes trolls e os pôneis desaparecidos, presos num curral improvisado, enquanto os monstros acendiam uma fogueira enorme.
Os dois anões pediram pra Bilbo ficar de guarda enquanto corriam pra chamar os outros e assim fizeram. Quando chegaram no acampamento e avisaram aos demais, logo foram pegar as armas para ir enfrentar os trolls.
Thorin, vendo que os humanos fizeram menção de se levantar pra acompanhar, os ordenou que ficassem, dizendo que já tinham um estorvo pra resgatar, despertando a raiva do trio. Estavam preocupados com Bilbo, mas se lembravam que ele sairia como herói disso. Porém, curiosos pra ver como tudo aconteceria de perto, o trio esperou os anões se afastarem e os seguiram em silêncio.
Ficaram nervosos com o que viram. Todos os anões e Bilbo foram amarrados e, pra desespero dos três, também foram amordaçados pelos trolls, sob alegação de que os anões falavam demais. Não podiam ficar apenas olhando, então, entre sussurros, combinaram que subiriam em três arvores diferentes.
Conseguiram a muito custo subir nas árvores, morrendo de medo de acabar chamando a atenção dos trolls, mas estes estavam tão entretidos planejando como fariam os anões que nem notaram. Aproveitando a deixa de que estavam falando em pisar nos anões e fazer geleia, começaram a manipular a conversa.
– Geléia? Olha o tamanho deles, não daria nem pra passar num dos pôneis! — Começou Lyn, imitando a voz de um dos trolls.
– William, pra quem não cozinha você reclama demais — Replicou Bert, que sempre preparava as refeições — Se pensa que sabe mais sobre preparo de comida, por que não faz você?
William ficou confuso, não lembrou de ter dito nada pro amigo, resmungou um bocado e se sentou perto dos pôneis.
– Boa Bert, agora mostrou quem manda — Fig continuou o plano e imitou a voz de Tom, que acabou levando um tapa de William.
– Por que fez isso?! — Gritou o verdadeiro Tom, revoltado enquanto massageava onde apanhou — Não disse nada!
– Disse apenas a verdade, que aqui quem manda sou eu — Respondeu Bert, que apontou um enorme cutelo pra si mesmo — E digo que faremos geléia.
– Mas não é melhor cozinhá-los antes? — Disse Mi, imitando William — Dizem que anões possuem vermes! Não quero ficar doente... E já sentiu o cheiro deles?!
Os anões ficaram revoltados com o que ouviram enquanto Lyn e Fig seguravam a risada.
– Calados! Ou começo arrancando a cabeça de vocês! — gritou Bert, ameaçando-os com um cutelo — Na minha cozinha mando eu!.
– Mas aqui não é uma cozinha, seu tonto! — Lyn imitou Tom.
A reação de Bert foi a melhor, que foi dar um tapa no companheiro. Irritado, Tom retribuiu o tapa e, quando Bert ouviu William rir, deu um neste também. Logo os três humanos tinham que de segurar pra não rir de cima das árvores, enquanto três trolls rolavam no chão se batendo.
Pro alivio de todos a voz poderosa de Gandalf se fez ouvir e logo a clareira ganhou três adornos pitorescos de pedra que um dia foram trolls.
– Bem, parece que acertei quando achei que vocês deveriam se juntar à companhia — Disse Gandalf sorrindo, olhando pras três árvores — Desçam e me ajudem a desamarrá-los.
Logo os três desceram e começaram a soltar os anões. Lyn quando chegou pra desamarrar Thorin parou por um tempo na frente deste, recebendo um olhar questionador do rei.
– Já vou te soltar, não se preocupe, só quero gravar essa imagem na minha mente com todos os detalhes possíveis — Respondeu Lyn, com um sorriso malicioso no rosto. Thorin ficou irado e começou a se debater, fazendo com que a menina risse — Vou só te desamarrar, a mordaça você mesmo tira, vai que você resolva me morder se eu a tirar.
Feito isso, Lyn se afastou o mais rápido possível do anão, principalmente depois deste tentar segurá-la pelo pulso. Uma vez solto, Thorin começou a gritar com a garota do quanto ela era petulante e que faria questão dele mesmo cortar sua cabeça quando tomasse a montanha. Lyn, por outro lado, só ria.
– Chega, Thorin, é graças a eles que vocês estão vivos, deveria agradecê-la e não ofendê-la — Disse Gandalf, que olhou a garota rindo com os amigos — ou ao menos tentar ofender.
– A bem da verdade devemos isso ao Bilbo — Retrucou Fig, passando o braço pelos ombros do hobbit, que ficou confuso — Tivemos a ideia de enganá-los por que era isso que estava no livro... Mas Gandalf estava certo, no livro você não foi amordaçado... Têm coisas diferentes acontecendo... Não temos mais certeza de nada.
Diante das explicações, o quarteto foi parabenizado pelos anões, que reconheceram que estavam mostrando que foram ótimas escolhas pra companhia, menos Thorin, é claro, que olhava Lyn com raiva.
– Você deveria mandar um beijinho, Lyn — Disse Mi rindo, se apoiando na amiga — O bico ao menos já tá enorme.
Lyn riu mais ainda e, quando viu que Thorin ainda estava olhando, piscou um olho pra ele, que ficou surpreso por um momento , antes de fechar a cara.
Gandalf, que conhecia a natureza dos trolls, afirmou que deviam procurar pela toca destes e logo se dividiram pra procurar. Um tempo depois a toca foi encontrada e todos entraram pra ver.
– Pelos deuses! Parece o Pântano do Fedor Eterno — Disse Fig, se referindo à um filme infantil — Ficaremos fedidos o resto da vida.
Enquanto os anões vasculhavam a toca, Kili se aproximou do trio.
– Falando nisso, qual de vocês falou que somos fedidos? — Disse olhando pros três.
Fig e Lyn deram risadas e apontaram pra Mi, que sorriu sem jeito. Kili apenas olhou e se afastou pra ajudar os amigos a esconder potes de ouro. Além do outro, três espadas foram pegas e o grupo saiu pro ar livre finalmente.
Para a surpresa de Mi, assim que saíram Kili segurou o pulso da garota e se aproximou bem dela., ate o rosto dela ficar perto de deu pescoço.
– Sente? Não sou fedido! Só pra constar! — Respondeu sorrindo, se afasta do da garota.
Lyn e Fig apenas sorriram maliciosos pra amiga, já prevendo que esta, que não rejeitava desafios, veria aquilo como uma provocação. Dito e feito, sorrindo de volta pros amigos, Mi apenas pensava que as coisas poderiam ficar bem divertidas.
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