There and Back Again
3 Problema...!!
Notas iniciais
Já caminhavam há bastante tempo quando alguém resolveu fazer verbalmente a pergunta que os outros também se faziam em silêncio:
– Já não devíamos ter encontrado a área de acampamento? — Mi não parava de olhar pros lados, procurando qualquer sinal de outras pessoas.
– Fig, você tem CERTEZA que estamos no caminho certo? — Lyn olhava o amigo preocupada, fechando mais o casaco por conta do frio do fim da tarde.
Fig não sabia o que dizer, olhava o mapa e olhava ao redor e nada parecia fazer sentido. Haviam seguido a trilha religiosamente, desviando apenas pra brincadeira dos pinheiros. De acordo com seus cálculos, já deviam ter chegado no acampamento a uma hora.
Desistindo de tentar segurar a situação, Fig parou na trilha e se virou pras suas amigas, que o olharam preocupadas pelo rosto sério e levemente assustado.
– Já devíamos ter chegado lá, me desculpem, eu não sei onde estamos... Não consigo nos achar mais no mapa.
– Puta que pariu — foi a única reação que Lyn conseguiu esboçar, passando a mão pelo cabelo preso.
– Você tem certeza disso Fig? — Mi olhava pros amigos, tirando a mochila das costas- Olha, estamos cansados, já tá tarde... Vamos comer? Esse tempo vai nos acalmar e ai olhamos de novo.
Fig apenas olhava pro chão, sem graça por ter que admitir que se perdeu e de quebra ainda colocou as amigas na mesma situação.
– Fig, a Mika tá certa, vamos comer, descansar, e ai vamos ver isso, procuramos sinal de celular e qualquer coisa ligamos pra emergência do clube — disse Lyn colocando a mão no ombro do amigo. — Vamos, não devemos estar longe do acampamento.
Se rendendo ao pedido das amigas, Fig começou a ajeitar as coisas pra preparar a janta, enquanto Lyn sentava em silêncio do lado e Mi olhava ao redor, ainda procurando algum sinal de outras pessoas.
Após comerem, o trio se juntou pra tentar ler o mapa.
– Devíamos estar aqui — Fig apontava uma área do mapa da trilha com uma área branca com um símbolo de barraca em preto — a ultima vez que olhei o mapa estávamos perto de chegar nesta curva uns quilômetros antes... Não sei o que deu errado.
– Também não acho que erramos, talvez o lugar só seja mais longe do que a gente imaginava, não? — Mesmo sabendo que essa explicação era infantil, Lyn ainda tinha esperança de que estavam perto do local certo.
– Bom, o que podemos fazer é dormir aqui mesmo, já que tá quase escuro, e amanhã de manhã podemos fazer o caminho de volta, não vai dar problema. — Mi começou a mexer na própria mochila, pegando uma lanterna.
A sugestão foi aceita pelos outros e logo começaram a preparar as coisas pra montar o próprio acampamento improvisado.
Estenderam finas mantas na grama sob a proteção de um grande pinheiro e ficaram sentados conversando enquanto escurecia cada vez mais até que, vencidos pelo sono, resolveram dormir.
Foram despertados em menos de três horas por uma forte chuva que em pouco tempo ensopou o trio.
– Desgraça pouca é bobagem! A maldita previsão do tempo não falou nada de chuva! Desgraçados! — Fig amaldiçoava a tudo e a todos enquanto corria pra guardar sua manta , cobrindo a cabeça com o capuz em seguida.
A chuva continuava forte e o trio foi obrigado a deixar o abrigo do pinheiro, colocando-se em marcha na trilha, tendo como esperança achar um abrigo melhor em pouco tempo.
Foi uma esperança em vão, andavam e andavam e nada e nem ninguém aparecia. Não bastasse a chuva, a trilha ainda começou a ficar irregular, com diversas subidas e descidas, além de curvas.
– A próxima vez que eu falar em acampar, me batam ou me façam beijar o concreto da cidade e falem que eu devia me sentir grata por estar na cidade, e não nessa merda!-Lyn já não aguentava mais tanta chuva e odiava a sensação de meia molhada.
– Caralho, aquele atendente da Secretaria de Turismo filho da puta deve ter errado o mapa, não é possível! É algum tipo de palhaçada com imigrantes! — Fig havia há muito perdido a esportiva, a trilha escorregava demais e toda hora ele tropeçava em algum galho.
– Nunca mais... Sério — Mi era outra que não mais aguentava essa situação, olhava pro céu como quem o amaldiçoa pela crueldade desnecessária.
A trilha em frente passava pelo topo de um barranco de terra, num percurso pequeno, mas que fez os três olharem pra baixo preocupados.
– Bom... Tem tudo pra dar merda — disse Lyn depois de um tempo, se agachando e se inclinando sobre o trecho pra tocar o piso de terra.
– Não temos escolha, ou vamos ou ficamos ao relento... Tem grama aí, não deve estar tão escorregadio... E é um pedaço curto, não vai dar muito problema.
– Acho que vai dar merda — Repetiu Mi, sem tirar os olhos da trilha.
Debateram por um tempo e as meninas decidiram acatar a sugestão de Fig e atravessar o pedaço com cautela e lentamente.
Formaram uma fila indiana, Fig foi em primeiro lugar, seguido por Mi e, por último, Lyn. De início a trilha se mostrou benevolente, apesar de a chuva continuar castigando-os, mas, de tempos em tempos, alguém tropeçava e amaldiçoava.
Quando Fig já se aproximava do fim do trecho o pedaço de terra onde pisou cedeu, fazendo com que esse desequilibrasse e caísse. Mi e Lyn gritaram pelo amigo e tentaram segurá–lo, mas a única coisa que conseguiram foi se desequilibrarem também na tentativa de segurar Fig e escorregarem com ele.
Não sabem por quanto tempo caíram, rolando barranco abaixo, tendo a sorte das mochilas aliviarem um pouco as pancadas que levavam, mas ao chegarem no final dele, o mundo escureceu pros três.
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