There and Back Again
4 Panis at Circenses-Terra-Médienses
Notas iniciais
Lyn não sabia quanto tempo ficou desacordada, sentia dores pelo corpo e uma mão em seu ombro a chacoalhando firmemente. Apesar de querer continuar deitada, foi obrigada a abrir os olhos pela insistência da pessoa que a chamava.
Assim que abriu os olhos a primeira coisa que viu foi a amiga debruçada sobre si. Mika estava com um corte superficial na bochecha e estava nervosa, mas não aparentava ter algum ferimento mais sério. Talvez a sorte estivesse chegando pra eles, pois ,além disso, a tempestade estava parando, restando apenas uma garoa.
– Caralho, Lyn, a próxima vez que você me assustar desse jeito eu te acordo na base da porrada! Pensei que você tivesse entrado em coma! — Mika ajudou a amiga a se sentar e tirar a mochila das costas. A sua própria mochila se encontrava entre elas e Fig, que ainda tava desacordado, de costas pra elas.
Vendo que os ferimentos de Lyn eram superficiais, tendo apenas ralado o queixo, a garota foi até o amigo desacordado, chamando-o pelo nome e o chacoalhando pelo ombro da mesma forma que fizera antes.
– Eu não disse que ia dar merda? — Lyn massageava os braços, sentia dores pelo corpo por conta da queda. Levantou o rosto pra ver Mika ajudando Fig a se sentar e tirar a mochila das costas.
– Lyn, não piora a situação vai... — Mika tinha notado que o amigo mantinha os olhos baixos, evitando encarar as amigas.
– Me desculpem meninas... Isso tudo é culpa minha... Se eu não tivesse nos perdido e insistido pra passarmos pelo maldito barranco, nada disso teria acontecido — Fig parecia segurar o choro, olhando as próprias mãos raladas na tentativa de se segurar no barranco.
Mika e Lyn trocaram um olhar significativo diante das desculpas do amigo, sabiam perfeitamente que o garoto reclamaria para si toda a responsabilidade do que aconteceu e do que passasse a acontecer. Lyn se arrependeu do comentário e se levantou lentamente pra se sentar do outro lado do amigo, de frente pra Mika, e colocou a mão no ombro do caçula do trio.
– Deixe disso, não é culpa sua e nem de ninguém, ficar se culpando por tudo é injusto, se for assim também tenho culpa por ter sugerido a trilha, e a Mika... Bem, nada ainda, mas depois achamos algo pra culpar ela também. – Disse Lyn na tentativa de animar o amigo, recebendo como resposta uma risada fraca deste, mas pelo menos era o começo.
– Me erra, Lyn, vocês vão passar dois meses pagando meus mangás por essa, se preparem pra falir — Mika entrou na brincadeira, rindo pros amigos — Brincadeiras à parte a Lyn tá certa, não tem nada a ver você se culpar. Veja, não nos machucamos muito, as mochilas aliviaram um pouco e as roupas evitaram mais cortes, no final até que foi de boa, embora não queira repetir a experiência, obrigada.
– Obrigado, meninas. — Fig sorria e finalmente encarou as amigas, ainda se sentia culpado, mas estava aliviado pelo apoio das duas. — Mas e agora? O que faremos?
O trio se entreolhou e por algum tempo ficaram em silêncio decidindo o que fazer. No final a fome falou mais alto e resolveram fazer uma refeição de leve, fazendo o máximo para economizar comida. Aproveitaram a chuva para pegar mais água, usando um pano na boca das garrafas pra filtrar a sujeira da água.
Resolveram olhar os respectivos celulares na esperança de conseguir o mínimo de sinal, o que foi infrutífero. Voltaram então a olhar o mapa, abrindo-o sobre uma mochila, com Fig o protegendo da garoa com o próprio casaco.
Pro desespero dos três, nem as curvas da trilha e nem o barranco estavam no mapa, o terreno em que estavam parecia muito diferente do mapa e não tinham a menor ideia da localização. Ficaram longos minutos em silêncio, vendo o céu começando a clarear.
– E se voltarmos pra trilha? — Disse Lyn, chamando a atenção dos outros dois. — Vejam, a trilha não está no mapa, mas perto da Floresta Negra tem muitas fazendas e mais umas cidades, mesmo que demore um pouco, vamos acabar encontrando alguma coisa.
– É uma ideia. — Respondeu Fig, olhando pro barranco — Acho que se seguirmos paralelamente o barranco, podemos achar algum lugar pra subir pro mesmo nível.
Mika concordou com os amigos e logo os três voltaram a andar, usando as lanternas apenas pra não ter risco de tropeçar em algum galho. Já começava a raiar o dia quando o trio parou subitamente.
– Vocês ouviram isso, né? — Mika olhava ao redor, jurava ter escutado vozes a uma certa distância.
Os amigos assentiram com movimentos com a cabeça e se puseram a escutar. É verdade que normalmente eram extremamente cautelosos, mas a situação já estava desesperadora, então resolveram que deveriam ir até as vozes, mas com as facas de culinária do Fig escondidas por baixo da roupa por garantia.
Foram caminhando em silêncio mais pra dentro da floresta, tentando visualizar os donos das vozes, que agora já sabiam que eram muitas e masculinas, o que aumentou o receio dos três. Estavam tão concentrados em fazer contato visual com os homens que falavam que não notaram que eram observados por alguém escondido nas árvores.
Pro susto dos três um longo assobio foi dado e, antes que conseguissem superar o susto, foram tomados por um sentimento de puro pânico. Pro horror do trio, vários homens armados surgiram diante deles, a maioria esmagadora era baixa, um era do tamanho de uma criança e o último era alto.
Pensaram em virar as costas e correr o mais rápido que podiam pra escapar daquele monte de armas apontadas diretamente pra eles que, aliás, eram bem exóticas, indo desde espadas até machados e um estilingue, mas foram frustrados pelo observador da árvore, um homem baixo de cabelos loiros, jovem, com bigode longo preso em duas tranças que se colocou atrás deles, logo sendo acompanhado de um moreno que apontava uma flecha.
– Quem são vocês e como nos encontraram? — A voz autoritária pertencia a um dos homens baixos e estava bem no centro do grupo, apontava uma espada pro trio, tinha cabelos longos escuros com várias mechas já grisalha, usava uma roupa azul escura com um casaco com golas de pele.
Os amigos não conseguiam nem pensar, quiçá responder o que lhes foi perguntado, tamanho o choque que tiveram ao se verem cercados por homens armados. Parecia que uma eternidade havia se passado quando o mais alto se aproximou um pouco do trio, ficando entre eles e o interrogador.
– Vamos, Thorin, olhe bem pra eles.. Estão desarmados e em pânico, duvido que consigam lembrar sequer de seus próprios nomes. — O homem era velho e usava roupas cinzas.
Apesar de ter intercedido pelo trio, nenhum dos três olhava pra ele, não conseguiam desviar o olhar das armas apontadas diretamente pra eles, com medo que, ao desviarem o olhar, fossem atacados. Porém, depois de serem bem observados pelo líder, conseguiram respirar um pouco aliviados quando este fez sinal de consentimento e guardou a espada, gesto seguido pelos demais.
– Que fique claro que ainda quero minhas respostas, a bondade do mago por pessoas perdidas não vai livrá–los disso. — Disse Thorin, ainda encarando os três.
– Nem todos que vagueiam estão perdidos, Thorin. — O velho sorriu gentilmente e, depois de ver o anão dar de ombros, voltou-se para o trio. — Não se preocupem, ninguém vai machucá–los.
Foi só então que olharam pro senhor que os ajudara, se sentindo mais seguros. Não demorou mais que alguns segundos para o trio ter um momento de epifania coletiva, reconhecendo aquele senhor e, depois de olharem pro grupo, saber quem era cada um.
– Gandalf! Deuses, não acredito nisso! — Lyn foi a primeira a se recuperar do susto, sorrindo abertamente para o mago, que a olhava com genuína curiosidade. — Não sabia que estava tendo um evento de LARP por aqui! Vocês têm noção do susto que nos deram, cara?
– Eu não vi nada sobre isso na programação, mas nunca fiquei tão feliz em ver um grupo de cosplay! — Mika também estava animada e sorria pra todos. — Principalmente um grupo brasileiro ainda! E aqui na Alemanha! É tão bom conversar com mais gente em português, as vezes alemão cansa! Vocês são de onde? Eu morava em Maceió, a Lyn é de São Paulo e o Fig é do Rio de Janeiro.
O grupo olhava os três com grande suspeita, apesar de terem guardado as armas era visível que se encontravam na defensiva. Os únicos que pareciam realmente curiosos eram o idoso e a criança.
– Que cosplay lindo que ficou o seu de Bilbo, menino. — Fig, na inocência, se aproximou da criança — Tão novo e já jogando RPG em plena floresta! Quantos anos você tem?
– Na verdade, meu caro, tenho 50 anos. — Respondeu Bilbo, envergonhado por ser confundido com uma criança, podia ver alguns anões dando risadinhas — Não sei o que é isso que você chama de cosplay, mas sou realmente Bilbo Bolseiro, como sabe disso?
Fig se assustou com a voz madura de Bilbo, tinha jurado que era uma criança, assim como as amigas. Talvez o homem tivesse um ananismo mais forte que os outros.
– Chega de conversa, temos mais o que fazer do que ficar perdendo tempo com três humanos. — Thorin já estava farto daquilo, queria partir e aqueles três ainda estavam atrasando-os. — Respondam logo antes que eu perca a paciência.
Diante da grosseria do anão, os três pararam de sorrir, irritados pela falta de educação. Agora a única coisa que queriam era sair daqui e mandar aquele pequeno arrogante pro pior lugar que pudessem lembrar. Respirando fundo, Fig virou para o anão e o mago e resolveu acabar com isso de uma vez.
– Olhem, não queremos problemas, só estamos perdidos. — Respondeu Fig de forma cortês — Começamos a trilha la no clube e acabamos nos perdendo, caímos de um barranco e chegamos a ficar desacordados... Só queremos saber se vocês sabem o caminho até a área de acampamento ou pelo menos da organização do evento de vocês, precisamos de ajuda pra voltar pra casa. Como dito antes, sou Fig, e essas são a Lyn e a Mika.
As duas mulheres apenas acenaram levemente pra atribuir nome à pessoa. Gandalf deu um aceno educado de volta, enquanto o resto parecia pensar que aqueles desconhecidos eram loucos.
– Sinto muito lhes informar mas as únicas cidades mais próximas são Bri e Valfenda, sendo que quando digo próximas, digo a dias de caminhada. — Respondeu Galdalf, cruzando os braços e se perdendo em pensamentos, ignorando o movimento de repulsa de Thorin ao mencionar o nome da casa de Elrond.
A situação estava parecendo ridícula aos três. Estavam perdidos, machucados e , quando encontram alguém, é apenas um grupo de idiotas que se recusam a ajudar.
– Sério, parem de palhaçada! Que merda! Não estamos pedindo dinheiro nem bosta nenhuma, a única coisa que queremos é que vocês parem com essa putaria e falem onde fica o caralho do acampamento, depois vocês podem jogar a porra do RPG de vocês ate a morte! — Lyn já havia perdido a paciência, aquilo era ridículo, julgava-os de nerds punheteiros que são tão alienados que não têm limites.
A reação às palavras de Lyn foram imediatas, todos olharam para seu líder, que fechou a cara e colocou-se a gritar para os três
– Quem vocês pensam que são pra ousar falar assim comigo?! Sabem com quem estão falando?! — Thorin gritava e se aproximava mais, peitando o trio.
Pra surpresa dos anões, que estavam acostumados a ver Thorin exercer seu poder sobre todos, notaram que nenhum dos três sequer recuou perante os gritos do rei. Era verdade que também estavam irados pela petulância daqueles humanos, mas não era todo dia que batiam de frente com Thorin.
– Com um toco de amarrar jegue! Um cretino alpinista de escada que não passa de um filho da mãe arrogante! — Lyn gritava de volta, dando um passo na direção do anão — Acha ainda que é o Thorin de verdade!
– Sou um REI! E posso muito bem mandar executá–los e pôr suas cabeças em estacas! — Thorin estava vermelho de raiva e se aproximava mais de Lyn, que já se preparava pra gritar novamente.
– Se você chegar mais perto dela eu vou te dar um chute tão forte no saco que você vai cuspir suas bolas! — Não foi Lyn que respondeu e sim Fig, que se colocou entre os dois — Acha que só você tem culhões aqui?!
– A conversa ainda não chegou em você, invertido, aberração! Gritou de volta o rei, que viu Fig segurar Lyn com força quando esta ameaçou a partir pra agressão física.
– Mas bem que chegou no chiqueiro, ou você não estaria nela!- Dessa vez foi Mika que respondeu, se aproximando dos amigos — A única aberração que vejo aqui é você, seu anormal, que não sabe mais a diferença entre realidade e fantasia!
– AGORA CHEGA! — Gandalf se colocou entre Thorin e Fig e afastou os dois — Isso é ridículo! Um rei não deve tratar assim pessoas necessitadas! E não é assim que pessoas necessitadas conseguem ajuda!
O clima hostil era palpável, o trio encarava Thorin com raiva, correspondidos na mesma intensidade. Kili e Fili haviam saído de trás dos três e se colocado de ambos os lados do tio, na defensiva. Os outros anões estavam com raiva, encaravam o trio como se fossem animais prontos pra atacar. O único que parecia assustado era Bilbo, que possuía uma natureza tranquila.
O silêncio durou algum tempo até que Gandalf, vendo uma melhora nos ânimos, se dirigiu novamente aos três humanos, sem deixar de notar que os três assumiram inconscientemente uma posição em que poderiam defender a si mesmos e seus companheiros. Haviam fortes laços ali.
– Agora me digam, crianças, por que nos julgam como falsos por esse tal cosplay? Como sabem nossos nomes? — O mago perguntou de forma tão gentil que os três relaxaram um pouco na postura.
– Por favor, senhor, eu entendo que cosplay é importante... O de vocês estão impecáveis, a indumentária está perfeita — Fig já estava cansado daquilo, passou a mão pelo rosto — Só queremos voltar pra casa...
– Por favor, insisto que me diga o que é cosplay, meu caro- Respondeu Gandalf gentilmente, arrancando um suspiro cansado dos humanos.
– Cosplay... Fantasias... Quando pessoas interpretam personagens de livros, filmes, desenhos ou animes... No caso, do livro O Hobbit, do Tolkien... — Respondeu Fig observando Gandalf arquear a sobrancelha e ouvindo o burburinho dos anões.
– Um livro? — Foi a única resposta de Gandalf.
– Sim, um livro... Você faz cosplay do personagem Gandalf, obviamente — Lyn sentou- se no chão, tirando a mochila das costas, e começou a apontar pra todos os anões, dizendo o nome de cada um — Thorin, Fili, Kili, Gloin, Balin, Bifur, Bofur, Bombur, Oin, Dori, Nori, Ori e Dwalin... Claro, e o hobbit Bilbo.
– Não somos personagens de livro, somos reais, senhorita — Bilbo se recusava a imaginar que era personagem de livro, possuía vários e nunca se imaginou em um.
– Claro, e seus pés são de verdade — desdenhou Mika, olhando o pequeno.
– Posso provar — Respondeu Bilbo, sentando no chão — Vamos, toque.
Não era o que a garota tinha em mente, mas queria acabar logo com isso, então deu de ombros e se aproximou de Bilbo, se ajoelhando de frente pra ele e puxando seu pé como se fosse um sapato. Puxou inicialmente com delicadeza pra não machucar, afinal ele foi educado com o trio, mas encontrando resistência do sapato que acreditava existir, começou a puxar com força, fazendo com que o hobbit se segurasse numa arvore próxima.
– Não pode ser... — Mika estava ficando assustada — Lyn, me ajuda aqui.
Parte dos anões, principalmente os mais novos, começavam a achar graça da cena, olhando a mulher mais alta se aproximar do hobbit, que tinha que se segurar na árvore pra não ser arrastado pela paraibana.
Lyn não tentou ser gentil, chegou puxando o pé do hobbit com força pra tirar logo o sapato do pequeno, lutando contra seu asco por aquela parte do corpo,o pé. Puxou várias vezes e com força, tanto que Bilbo não conseguiu mais se segurar na árvore e quase ficou de ponta cabeça quando Lyn e Mika puxaram seus pés com força.
– Caralho...- Fig começou a suar frio olhando pras amigas, que estavam de olhos arregalados olhando pros pé do hobbit.
– Ok, ele tem elefantíase — Teimou Lyn, levantando e se afastando rapidamente do hobbit.
– Precisam de mais provas, minha cara? Vou ajudar — Gandalf disse, chamando a atenção dos três, assim que o olharam, o mago bateu com seu cajado no chão.
Todos tiveram que fechar os olhos pela luz cegante emanada pelo cajado. A espera, entretanto, não foi tão longa assim.
– Você está louco, Gandalf? Denunciou nossa posição ao inimigo! — Disse Thorin inconformado, encarando o mago.
– Foi por uma boa causa, acredito que agora os convenci, não? — Gandalf tentava ficar sério, mas sentiu um leve gosto de vingança quando viu o trio petrificado, nunca haviam duvidado de quem era.
O trio ficou em silencio mortal de olhos arregalados, enquanto eram observados pelos anões. Fili e Kili riam de forma escancarada, enquanto os outros ainda tentavam segurar. Bilbo, compadecido pela situação dos humanos, se aproximou dos três.
– Essa situação deve ser absurda pra vocês pelo visto, mas...
Não chegou a falar mais nada, pois quando tocou o braço de Mika, a mesma deu um grito, o que desencadeou uma reação de pânico generalizado dos humanos.
– Caralho! Caralho! Caralho! — Lyn andava de um lado pro outro passando as mãos pelo rosto e pelo cabelo preso em coque — Nós morremos! Só pode ser! Fodeu!
– Puta que pariu! Não pode ser verdade! Puta merda! — Fig estava feito uma estátua, dizendo maldiçoes e impropérios repetidamente.
– Filho da puta! Por que não Hogwarts?! Eu nem gosto dos livros do Tolkien! — Mika quase chorava de nervoso, e a situação piorou quando Bilbo fez menção de tocar no seu braço para confortá–la, o que a faz dar um pulo pra longe – Sai caralho! Você não existe! Não encosta! Não fala! Só some!
Realmente a desgraça de uns é a diversão de outros, pois até mesmo Thorin sorria de lado vendo a crise do trio, sentindo um leve gosto de vingança pela discussão de momentos atrás. Bilbo, um pouco ofendido, se afastou de Mika, enquanto os anões riam e Gandalf sorria marotamente.
– Certo, certo, se acalmem... Não fiquem tão nervosos — Tentou dizer Gandalf.
– Nervosa? Eu não to nervosa! Eu to em PÂNICO! Não me droguei, não bebi, mas tô de frente pra personagens de livros! Acho que ter um ataque de pelanca é o mínimo! — Lyn gesticulava alucinadamente, enquanto andava — Ainda sou logo de cara ameaçada pelos personagens que eu adoro! E ainda descubro que o meu favorito não passa de um babaca! E não me olha com essa cara!
Lyn se referia ao Thorin que ao ser mencionado como o favorito da garota arqueou a sobrancelha e cruzou os braços, achava no mínimo pitoresco como os humanos demonstravam sua predileção, porém ficou quieto, ainda estava se divertindo. Gandalf, começando a ficar com pena, se aproximou de Fig, que continuava praguejando e tocou seus ombros, segurando com firmeza quando este fez menção de tentar pular pra longe.
– Vocês vão conosco — O mago sorriu pro garoto, que finalmente o olhou, além de conseguir fazer as outras duas pararem — Não estão mais sozinhos.
– Espera! Esta comitiva é minha! Não pode simplesmente chamar qualquer um pra nos acompanhar! — Thori deixou de sorrir e voltou com sua postura normal, desafiando o mago.
– Você não sabe os planos de Eru, Thorin... Olhe pra eles, até um cego pode ver que eles não são de Arda! Essas vestimentas são estranhas, os lugares que eles citam não existem aqui, e ainda falam coisas que não nos fazem sentido, apesar de fazer à eles.
O trio, um pouco mais calmos mas psicologicamente esgotados, desistiu de qualquer reação, apenas olhavam a discussão, quietos e tristes. Thorin os observou por um tempo e dirigiu seu olhar para Balin, numa procura silenciosa de conselho do velho anão, recebendo como resposta um aceno discreto do idoso, que voltou a observar o trio com compaixão.
– Você se responsabiliza por eles, mago? — Perguntou Thorin, olhando diretamente pros olhos de Gandalf.
Gandalf olhou para os três, refletindo sobre tudo o que aconteceu e o que sabia que aconteceria. Sabia que seria arriscado pros humanos seguirem essa viagem, e que teriam que demonstrar força, mas por algum motivo que ainda não soube especificar ele acreditava na força dos três. Seguro da escolha que fez, o mago encarou o rei anão nos olhos com a mesma firmeza com que este o olhou e finalmente deu sua resposta:
– Completamente.
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