Notas iniciais
Como será que vai ficar o climão? Gemt q tensõn! Se divirtam! o

Não sabiam ao certo se estavam seguros ou não, mas depois da afirmação de que Gandalf se responsabilizaria por eles, se deixaram guiar pelo grupo até onde estavam acampados. Estavam certos em relação à distância quando estavam perdidos pois se Fili não tivesse chamado os outros, os surpreenderiam em questão de minutos.

O acampamento estava uma bagunça por conta da correria pra atender ao chamado de Fili, mas nada havia sumido e os pôneis e o cavalo de Gandalf continuavam pastando como se nada tivesse acontecido. Os anões se organizavam pra arrumar as coisas enquanto Gandalf, ignorando o olhar de desconfiança e censura de Thorin, levava os três humanos e Bilbo pra uma pequena conversa.

– Estão um pouco mais calmos agora? — Disse ao trio, se sentando na grama e indicando para que fizessem o mesmo, sendo atendido rapidamente — Não se preocupem com os anões, são desconfiados e esquentados por natureza, mas possuem um bom coração.

– Sabemos disso... Ao menos na teoria — Respondeu-lhe Lyn com voz fraca, ainda abalada com tudo.

Bilbo, sentado a distância dos três por receio de assustá-los, trocou um olhar com Gandalf por alguns segundos antes de se voltar pro trio.

– Sinto muito por minha curiosidade, mas vocês disseram que somos apenas personagens de livro no, bem, mundo de vocês... Gostaria de saber qual o final dele — pediu Bilbo, com receio do que poderia ouvir, mas com a sua curiosidade falando mais alto.

Os três amigos enrijeceram a postura, seria complicado explicar aquilo e falar de acontecimentos futuros, principalmente quando sabiam detalhes e quem viveria ou não. Cada um pensava numa forma de fugir àquela pergunta mas, novamente, foram salvos pelo mago.

– Creio que esta não seja uma pergunta inteligente, meu pequeno amigo. Veja bem, mesmo que eles saibam o final, este pode ter mudado, afinal os três não estavam nele, lembra? — Dito isso, Bilbo suspirou e concordou com o mago, que voltou sua atenção a todos — O que quero falar com vocês é algo mais simples, e ao mesmo tempo complicado. Vocês, aos olhos da companhia, são estranhos, eles não têm motivo pra confiar em vocês e nem vocês neles. Provavelmente vocês passarão por provações ainda e queria pedir pra que se apoiem um no outro, já que estão sob minha guarda e que estão na mesma situação, isso facilitaria muito caso tenha que me ausentar.

Bilbo ficou em alerta na simples menção do mago se ausentar, afinal fora ele que foi até o Bolsão e acabou obrigando-o a participar dessa loucura, não poderia abandoná-lo nisso. Já o trio, que já sabia o que aconteceria, olharam pro hobbit de olhos arregalados, pensando nas palavras do mago.

Mi, arrependida por ter gritado com o pequeno, sorriu pra ele pra tranquilizá-lo, recebendo de volta um pequeno sorriso deste. Gandalf estava certo, se estavam no mesmo barco, era melhor se unirem. O velho, vendo a concordância silenciosa de seus protegidos, sorriu e se levantou, dizendo que já tinham se atrasado demais, que era hora de partir.

Foi aí que mais um problema apareceu, eram quatorze pôneis e um cavalo, e estavam em dezoito. Ninguém do trio se surpreendeu quando nenhum anão ofereceu a montaria, muito menos quando Thorin falou que o trio deveria ir andando.

– Eles são parte da companhia agora, Thorin, você querendo isso ou não — Repreendeu o mago, olhando secamente pro rei — Façamos o seguinte, vamos dividir as montarias. A mais alta vem comigo em meu cavalo, o garoto vai com o Bilbo, que é leve e a última, que é bem magra e pequena, vejamos....

Gandalf olhava os anões que estavam com menos carga. Aparentemente o que estava menos sobrecarregado era Fili que, ao ser citado pelo mago, lançou um olhar ao tio, perguntando se este autorizava que levasse a humana junto de si. Não vendo muita escolha, Thorin apenas assentiu, já montando em seu próprio pônei.

Para os três era muito estranho montar em animais de tão acostumados que estavam com andar em automóveis. Lyn recebeu a ajuda de Gandalf pra subir no cavalo, ficando sem graça quando o mago pediu pra que segurasse em sua cintura, Fig e Mi estranharam um pouco mais que a primeira, já que os pôneis são mais baixos que cavalos, obviamente, ficando com receio de se desequilibrar, o que os fez segurarem com um pouco mais de força na cintura dos parceiros de montaria.

Kili, vendo Mi segurar com mais força na cintura do irmão quando começaram a andar, abriu um sorriso malicioso pra esse e piscou um olho, como quem diz " se deu bem!", fazendo com que o mais velho sorrisse pela bobagem do irmão e articulasse discretamente a palavra "esquisita" pra este. Ora, era certo que havia muita diferença cultural entre o trio e os habitantes de Arda e agora que estavam caminhando, podiam observar melhor os estranhos.

Claro que já conheciam humanos — conviveram com estes -, mas o jeito daqueles era diferente. Todas as mulheres que viram usavam vestidos e cabelos longos e lisos, no máximo levemente ondulados, enquanto estas uma tinha cabelo curto, bem cacheado, e a outra não dava pra saber, já que estava com todo o cabelo preso pra trás. As roupas também eram estranhas, eram calças, mas não de um tecido que conhecessem; o sapato era uma bota curta demais pros padrões normais e eram peculiares; tinham adornos que não conheciam. As formas do corpo também eram diferentes, não voluptuosas como de uma anã, mas também não delicadas e delgadas como de uma humana ou elfa, pareciam mais atléticas, ao menos pela grossura das pernas. Apesar de estranhas, de altas pros padrões deles, embora a menor nem tanto, de serem desbocadas e agressivas, admitiam que tinham lá suas belezas, embora negariam até a morte se perguntassem.

Já o garoto conseguia ser mais pitoresco ainda pois, se não bastassem as roupas semelhantes ao das garotas, se comportava de forma feminina. Não possuía barba alguma no rosto, tinha o cabelo raspado bem baixo e andava todo de preto. Perto dos homens que tinham conhecido, o garoto parecia um adolescente pela altura e pela magreza do corpo, não parecia haver músculos como daqueles que lutavam. Chegava a ser no mínimo bizarro pensar isso mas, aos olhos deles, as pessoas mais fortes desse estranho trio eram justamente as mulheres. Não era feio, tinha um rosto bonito, embora pros anões combinaria mais com uma mulher que com um homem, e foi o que mais chocou os anões do trio.

Por outro lado o trio não se abalou tanto nessa questão quanto os anões uma vez que já tinham visto os filmes e os livros, só estavam sofrendo o baque de estarem dentro dele e de serem tão hostilizadas pelos personagens que ao menos dois gostavam. Mi, apesar de não gostar das histórias, fora obrigada a acompanhar por conta dos amigos, que as vezes faziam maratonas dos filmes na tradicional sexta de filmes com pizza deles, então já estava familiarizada, mas estava infeliz pois estava em território que não gostava, sendo hostilizada e com medo do que poderia acontecer.

Depois desse tempo de julgamento entre os grupos, o que os manteve em silencio enquanto tentavam entender que tipo de gente era aquela, os anões foram aos poucos se soltando e começando a conversar entre si e a cantar. O trio bem que queria fazer o mesmo, mas estavam longe um do outro: Lyn indo na dianteira do grupo com Gandalf e, pra sua raiva, Thorin; Fig no centro com Bilbo e Balin; e, quase no final, Mi com Fili e Kili. Poderiam se ouvir se gritassem, mas teriam que compartilhar a conversa com os outros, e realmente não entendiam nada.

– Vocês estão muito quietos — disse Gandalf, olhando pra Lyn por cima do ombro, falando alto o suficiente pro trio escutar — Por que não nos contam um pouco de onde vieram?

Os anões se silenciaram com o pedido de Gandalf, também estavam curiosos sobre isso. Lyn olhou pra trás e encarou os amigos, vendo também os anões e o hobbit esperando respostas.

– Bom, difícil explicar, mas vou tentar... Aqui é Arda, viemos da Terra, lá o mundo é dividido em continentes e cada continente tem seus países, que são divididos em estados, cidades e etc — Iniciou Lyn, falando em tom alto pra todos escutarem — Lembram que dissemos que viemos de lugares diferentes? Vivíamos no mesmo continente, no mesmo país só que em estados diferentes, eu era do estado de São Paulo e morava na capital de mesmo nome, o Fig morava no estado do Rio de Janeiro, capital homônima e a Mi morava no estado de Alagoas, também na capital de lá, que se chama Maceió.

– Se vocês não moravam no mesmo lugar, como acabaram juntos? — Perguntou Thorin, para a surpresa de Lyn que não notou que este prestava atenção.

– No nosso mundo a tecnologia é bem mais avançada que aqui, Thorin. Existe uma coisa lá chamada internet, é como se fosse um sistema de mensageiros como daqui, só que quando se manda uma mensagem ela chega pra outra pessoa instantaneamente, como se eu te passasse uma carta agora... É na mesma velocidade, não importa se você esta aqui ou do outro lado de Arda, foi assim que nos conhecemos, resumidamente.

– Vocês escrevem mensagens a mão e simplesmente a mensagem aparece pra outra pessoa? Isso é difícil de acreditar, apesar de parecer facilitar muito a vida de vocês — Dessa vez foi Balin quem falou, um sistema assim teria ajudado muito nos dias que foi conselheiro do rei.

– Não escrevemos cartas fixas, usamos isso — Lyn colocou a bolsa sobre um ombro e pegou o celular lá de dentro, um lumia, e acendeu a tela, colocando a senha , deixando a vista de todos — Praticamente todos na Terra têm um desse, ou outros modelos de tecnologia que servem pra isso, como computador. Escrevemos aqui e a mensagem vai pro aparelho da outra pessoa. Também podemos usar pra falar um com o outro, ouvir musicas e tirar fotos.

Todos se interessaram pelo aparelho na mão da garota, que emitia uma luz clara e tinha objetos coloridos na tela. Não sabiam o que era "ligar" ou " tirar fotos", mas aquela bruxaria parecia interessante. Depois com certeza iriam querer saber mais, mas se contentaram momentaneamente com a resposta.

– Você falou no passado quando disse de onde vieram, onde estão agora? — Perguntou Bofur, um pouco atrás de Mi.

– Nos formamos nas nossas faculdades que, pra resumir, é um estudo aprofundado pra exercer uma profissão e mudamos de continente, estamos num país chamado Alemanha, num estado chamado Baden-Württemberg, numa cidade chamada Freiburg in Breisgau, é uma outra cultura, outro idioma e pessoas diferentes. — Adiantou-se Fig ao ver que Lyn se atrapalhava um pouco pra guardar o celular na mochila.

– Estranho — Comentou Kili, arqueando a sobrancelha.

– Acredite, nada é mais estranho do que vir parar aqui — Retrucou Mi, dando de ombros pro anão.

Continuaram conversando sobre a Terra por um longo tempo, onde explicaram da forma mais simples possível sobre diversos assuntos, sobrecarregando os ouvintes com tanta informação. Ficaram particularmente mais interessados quando Lyn comentou que na faculdade dela estudou sobre metalúrgica e quiseram que explicasse tudo quando estivessem mais tranquilos.

Quando pararam pra almoçar já estava de tarde e todos estavam cansados, era complicado cavalgar por tanto tempo, mas Thorin insistiu que recuperassem o tempo perdido. Ao menos a convivência ficou um pouco melhor aparentemente, pelo menos o trio não se sentia mais sob tanta ameaça, embora a dor da cavalgada impedia de sentirem qualquer outra coisa.

Conversaram bastante no almoço e o clima se manteve, principalmente quando o trio ofereceu as provisões que tinham pra dividir com a companhia como prova de boa fé, o que foi visto com bons olhos pelos anões. Pra alegria do hobbit, Fig pegou o mapa da trilha e o esticou no chão, virando-o. Como de costume, na parte de trás do mapa havia um mapa mundi, onde puderam mostrar de onde vieram e onde estavam, e chocando-os quando explicaram o que eram aviões. A alegria do hobbit foi completa quando, depois de notar o olhar de Bilbo pro mapa e de lembrar a paixão dele por estes objetos, Fig prometeu que daria o mapa pra sua coleção depois que tirasse uma fotos pra se guiarem quando voltassem.

Limparam os utensílios usados e arrumaram suas coisas, agora com mais conversa e animação depois de uma pausa. Thorin, como sempre, insistia pra andar o máximo que pudessem antes de escurecer e acabou por ser obedecido apesar do suspiro dos quatro novatos que estavam com as ancas em brasas de tanto cavalgar.

E assim partiram entre conversas e cantoria dos anões e histórias do Condado e da Terra. O caminho seguia e o Sol foi baixando, logo teriam que montar acampamento pra passar a noite, mas essa já é outra parte da história.

Notas finais
Eieiei! Me chamaram de esquisita, não gostei, não! :s HUAHUAHUAHUAHU Acompanhem a minha revanche! (pq vai ter e_é)