Notas iniciais
As coisas agora começam a acontecer. O capítulo anterior foi mais para apresentar as personagens e situar o leitor na vida deles. Boa leitura e boas risadas! (assim esperamos...)

O sol nem havia raiado quando Fig passou pelos quartos pra acordar duas amigas.

– Quando eu disse cedo, não quis dizer de madrugada, cacete! — Lyn e seu mal humor matinal quando era acordada já era algo bem familiar ao garoto que, vendo a amiga se cobrir até a cabeça com a coberta, não conseguiu evitar de sorrir.

– Você inventou isso e eu e Mika concordamos, vamos logo e deixe de preguiça!

Sua única resposta foi um grunhido vindo debaixo das cobertas. Ia insistir mais uma vez mas parou quando viu que a amiga se descobriu, revelando sua cara de sono e a situação caótica que encontrava seu cabelo.

– As vezes eu te odeio com todas as minhas forças.

– Sou um ser iluminado! Ninguém me odeia!

Ainda era possível ouvir as risadas de Fig do corredor depois de ter corrido pra longe de Lyn, que atirou o travesseiro contra ele.

Fig entrou lentamente no quarto de Mi, vendo-a na cama com suas duas gatas aninhadas junto a ela, desperta, olhando pra ele.

– Ao menos uma não me dá problema. — Disse fig sorrindo, abrindo as cortinas do quarto.

– Acordei com a sua risada no corredor, o que houve?

– Acordei a Lyn, foi só mais um episódio matinal.

Mi se desvencilhou de suas gatas com cuidado, verificando se ainda continuavam dormindo.

– Vou ter que me acostumar com isso, não?

– Claro que vai! E a gente com você, mas vai dar tudo certo, a menos que dê errado.

Sorrindo e balançando a cabeça, Mi se levantou, passando a mão pelos cabelos cacheados, tentando domá-los.

– Trilha! Meu Deus, da preguiça só de pensar! Podia estar aqui linda lendo meu yaoizinho maroto mas não, vou pro mato.

– Já basta um mal humor matinal, vamos, vai ser divertido, depois podemos ir nas livrarias da cidade e ver que mangás vendem aqui, você vai precisar pra continuar suas coleções.

– Certo, vamos.

Já haviam se passado cerca de quarenta minutos, entre xingos e risadas quando o trio se juntou na cozinha aberta do apartamento, ao estilo americano. Combinaram entre si que todas as refeições seriam feitas com todos juntos, como Fig bem insistiu.

Terminaram o desjejum e fizeram lanches pra levar pra floresta, caprichando na quantidade tanto dos lanches quando de água, pois seria a primeira trilha que fariam por conta própria, sem a supervisão de guias, coisa praticamente impossível de fazer no Brasil, por conta da violência exacerbada que havia no país.

As mochilas já estavam na sala desde a noite anterior. Delas, só duas estavam cheias e fechadas. Fig, por precaução, achou melhor que as mochilas fossem divididas não por uso individual, mas coletivo, já que os três não iriam se separar, além, claro, do material de acampamento mesmo, como manta e lanterna.

A sua própria mochila, de cor neutra com uma estampa moderna, estava repleta de materiais pra primeiros socorros e de higiene, tendo a mais só uma garrafa de água pra seu uso, além de um carregador portátil compatível com o celular dos três, da mesma marca, de uma garrafa de água e dois cantis de bebida alcoólica, um com hidromel e um com tequila, por insistência de Lyn.

A mochila desta, diferente da de seu amigo, possuía uma cor de vermelho sangue, cor favorita da garota. Nela Fig colocou uma muda de roupa pra cada um, além de pequenas panelas de acampamento, isqueiro, pederneiras e um conjunto de facas de uso culinário. Também havia uma garrafa de água e dois cantis de tequila e hidromel.

A mochila de Mi, uma bonita mochila de tom escuro com buttons, foi a última a ser fechada, contendo diversos tipos de lanche feitos por Fig, além de alguns enlatados e uma garrafa extra de água, alem da de uso exclusivo de sua portadora. Havia comida o suficiente, diga-se de passagem, pra dias.

– Você não acha que tá exagerando um pouco? — Perguntou Mi, após levantar sua mochila pela alça pra verificar o seu peso.

Fig apenas deu de ombros, observando sua amiga, com um leve sorriso no rosto.

– Nunca se sabe, e se demorarmos mais lá? Não nasci pra passar necessidade no meio de uma trilha! Não esqueçam de ir com roupas confortáveis, serão longos tempos no mato!

Assim que o amigo virou as costas, Lyn se aproximou da amiga, que olhava Fig sair saltitando suavemente animado em direção ao próprio quarto, e falou junto ao ouvido desta, com um sorriso sacana estampado

– Viado tá animado porque vai voltar pro habitat natural.

– Eu ouvi isso! — disse Fig do meio do corredor, só ouvindo como resposta as gargalhadas das duas, que nem tentaram negar a brincadeira e nem fizeram questão de tentar escondê-la.

Uma hora mais tarde, com o sol começando a aparecer no horizonte, o trio se reuniu na sala pra acertar os últimos detalhes antes de sair. Mi usava uma calça longa de cor neutra, coturno, uma regata de cor amarela e um casaco escuro e estava no momento colocando bastante comida e água pros animais da casa, fez questão de ficar responsável por isso, pois tinha por suas gatas um amor maternal enorme.

Fig usava uma calça de algodão, com uma blusa de manga curta mais larga, coturno e um casaco, todos da cor preta, costume que adotou a anos, o de neutralizar as cores de suas roupas por conta da variedade de cores que tinha que trabalhar todos os dias em seu ofício. Se encontrava no centro da sala, observando o mapa junto com a Lyn, fazendo algumas marcações neste.

– Posso ficar com o mapa? Tenho mais senso de direção que vocês e consigo me localizar melhor aqui.

– Por mim tudo bem, só não perca, pelo amor dos deuses, porque eu não sei se lá tem sinal de celular. — Dizendo isso, Lyn entregou o mapa ao amigo, que lhe garantiu que poderia perder a cabeça, mas não o mapa.

Lyn usava uma calça de sarja marrom com coturno da mesma cor, regata vinho e um casaco preto. Depois de entregar o mapa a Fig, iniciou sua luta particular de tentar prender o cabelo , comprido até a cintura, num coque alto.

– Que vontade de meter a tesoura nesse maldito cabelo!

– Você diz isso há pelo menos cinco anos, amore, se não cortou até agora, não é por causa de um coque que você vai cortar — Mi ria da amiga enquanto se juntava com a dupla na sala, se jogando no sofá.

– Eu sempre falei pra ela cortar, mas ela nunca me escuta, agora fica ai reclamando. — Fig se juntava a Mi no sofá, brincando com o cabelo desta.

– Mimimi — Esta foi a única resposta que Lyn se dignou a dar aos amigos, quando finalmente terminou de prender o cabelo.

Finalmente prontos pra partir, os três colocaram a mochila nas costas e se despediram dos seus mascotes, trancando a porta do apartamento e seguindo em direção ao ponto de ônibus, atentos para a chegada daquele que levaria ao início da trilha.

Realmente foi um caminho rápido de casa para a trilha. Freiburg in Breisgau é cercada pela Schwarzwald,em português Floresta Negra, então foi fácil para o trio chegar até o começo da trilha, onde ficava um pequeno clube de ecoturismo da cidade.

Já conheciam um pouco como se movimentar pela cidade. Antes de mudarem o trio a visitou algumas vezes e, como bons turistas, conheceram a parte mais turística da cidade, como o centro velho e a imensa catedral em estilo gótico. Faltava apenas conhecer a cidade como cidadãos dela.

Desceram do ônibus e foram para a recepção do clube, onde assinaram termos de compromisso de não poluir a trilha e de deixarem dados pessoais para qualquer tipo de emergência. Sabiam que isso era um padrão nesse tipo de atividade e ficaram realmente mais tranquilos por saberem que, em caso de emergência, seriam acudidos pelo serviço de socorro do clube.

– Sigam-me os bons! — Disse fig, imitando um velho conhecido personagem na América do Sul, Chapolin.

– To falando... — Lyn apenas olhou pra Mi com um sorriso sugestivo de lado.

– Se ele não parar, podemos brincar de Bambi — respondeu a garota, sorrindo enquanto seguia os amigos pela trilha.

– Crime ambiental! Já disse, sou um ser iluminado, divo, e tenho proteção do ibama, não importa de estou no Brasil ou não! — Fig apenas se divertia, era bem verdade que gostaria de estar bebendo, mas também queria muito conhecer a floresta, seus novos objetivos de vida, mais ecológicos, o faziam se sentir mais atraído pela natureza.

Caminharam por longas horas, onde conversaram e brincaram e admiraram o cuidado com que a cidade preservava a floresta. Tudo era lindo, haviam árvores diferentes do Brasil, o clima era diferente, e essa junção de coisas novas tornaram a caminhada dos amigos mais leve e divertida.

Quando o sol já havia passado do ponto mais alto do céu, resolveram sentar pra se alimentar, noticia que foi muito comemorada por Mi.

– Vocês ainda me matam de fome! Eu não sei como vocês aguentam ficar tanto tempo sem comer! Já estava quase desmaiando!

– Dieta, minha amiga, por mais que já tenha acabado a uns aninhos, nunca mais voltamos a ter aquela vontade de comer de antes — disse Fig, tirando a mochila das costas e se sentando no chão — Lyn, me dá sua mochila que quero pegar umas panelas, vou fazer algo mais encorpado pra comermos agora antes de andar mais.

Lyn tirou a mochila das costas e passou para o amigo, se sentando com as costas apoiadas numa árvore próxima.

Alimentados e descansados, o trio voltou a se levantar, mesmo preguiçosamente, pra continuarem a andar. O Sol seguia seu rumo, de acordo com o celular, eram já 14:30 da tarde.

– A alguns quilômetros daqui é onde o clube disponibiliza uma área pro pessoal acampar, oferecem barracas la e tem um pequeno quiosque, devemos chegar la antes de anoitecer, é bom que não pegamos fila. — Disse Fig, consultando o mapa e o relógio do celular — Lyn você tava certa, aqui no meio não pega sinal de jeito maneira.

– Lá na área de acampamento deve pegar, se bobear deve ter até Wi-FI, ai podemos entrar no Skype e falar um pouco com o pessoal do Brasil.- Respondeu a morena, olhando o próprio celular, também sem sinal.

– Não tenho ideia de que horas são no Brasil, mas acho que dá sim, falarei pra mainha que fui arrastada pra Alemanha pra ser enfiada no meio do mato e quase morrer de fome- Mi estava apoiada numa árvore, olhando os amigos sorrirem brincalhões pra ela.

– Confessa, a floresta é linda, esses pinheiros são maravilhosos, altos pra caramba e escuros. — Lyn admirava um grande pinheiro escuro enquanto falava, passando a mão pelo tronco.

– Realmente lindo, e olha que tem mais cidades por perto, imagino quando povo começou a vir pra cá, dando de cara com uma floresta negra mesmo! Antes daqui, Floresta Negra era só o nome de um bolo que eu bem que comeria muito agora. — Sorriu Mi.

– Floresta negra sempre me lembra de Mirkwood. Imagina que delícia estar andando por aqui e dar de cara com o divo do Thranduil! Não ia embora nunca mais — Fig falava e gesticulava ao mesmo tempo, como bom descendente de família italiana.

Mi apenas revirou os olhos, não era novidade pra ninguém que ela não gostava dos contos de Tolkien. Lyn, que dividia esse gosto com o amigo sorriu.

– Espero que antes de encontrar as ARANHAS né? De qualquer forma prefiro Erebor, não sou uma anã, mas não gosto de elfos.

– Você teria uma bela barba se fosse anã — Fig e Mi riram diante da cara de nojo feita pela amiga — Tenho trauma de anões, mas acho que os três bonitinhos eu até topava ver.

– Prefiro Hogwarts... só digo isso — Disse Mi, andando ao lado dos dois.

– Podíamos ir ao parque temático no Japão, tem até o lago lá! E Lyn, já achamos Mirkwood, falta Rivendell e Lothlórien.- Brincou Fig.

– Queria ver os portões de Durin, acho tão lindo, queria pirografar o desenho e a frase na porta de casa- Respondeu Lyn.

– Eu lembro do desenho quando vocês me obrigaram a assistir o filme com vocês, mas não lembro de frase nenhuma — Mi consultou o relógio do seu celular e olhou pro céu- Já já vai começar a escurecer.

– Tem uma frase que acho bem legal Mi, você não prestou atenção no filme — Diante do sorriso de falsa culpa da amiga, Lyn suspirou — A frase diz "Fale, amigo, e entre", no bom português, claro, lá tá em élfico.

– Acho q lembro disso, que a resposta era a palavra em élfico não é? Não lembro a palavra, lembro que parecia nome de fruta.

Mellon , Mika, era isso — Dizia Fig, enquanto consultava o mapa.

– Sério? Só isso? Ta fácil entrar então, qualquer demente pode! vamos lá — Mi, brincando, correu ate entre dois grandes pinheiros que se uniam pelos galhos — Aqui é o portão do carinha lá...

– Durin, Mika! — respondeu Lyn rindo, entrando na brincadeira e puxando Fig pra ir pro lado da amiga.

– Que seja! Prontos? — ao ver os amigos assentirem com a cabeça, Mi falou alto entre de frente pras arvores — Fale, amigo, e entre!

Os três juntos falaram a palavra, "mellon", e passaram por debaixo das árvores, sem notar o vento frio que começou a bater.

– Viu? Tá fácil! Qualquer um entra, e agora, o que faremos? — Mi ria olhando os amigos.

– Hm... vamos saquear, pegar escravos e abusar do homens gostosos — Disse Lyn, gesticulando como se fossem ações simples e cotidianas.

– Norses! Não podem ver algo novo que já querem tacar fogo no cabaré! — Fig ria, se referindo à religião pagã que a amiga seguia- vamos andando, logo escurece e a gente brincando aqui.

Ainda brincando um com o outro, voltaram pra trilha que viram em frente.

Notas finais
Huhuhu o bixo vai pegar próximo capítulo! :9 Espero que estejam gostando da história tanto quanto nós! o/