There and Back Again
9 Bebedeira
Notas iniciais
O local em que teriam o jantar deixou o quarteto simplesmente maravilhado. Um grande terraço foi finamente decorado com folhas e flores silvestres, que exalavam um perfume aconchegante, era como estar em casa. Duas mesas foram montadas, uma para Gandalf e Elrond e outra para a comitiva. Eram belas, brancas como se fossem de mármore, contendo diversos tipos de saladas, massas folhadas e frutas, além de suco, vinho e água. Porém, nada era mais bonito do que a vista do terraço.
Lyn só não correu pra admirar a bela visão de Rivendell iluminada pelo sol de fim da tarde porque Fig a segurou com mais força pelo braço, lhe censurando com o olhar, olhando em seguida para Elrond.
–Bem vindos à Rivendell, espero que possam descansar de sua viagem — Disse Elrond educadamente, indicando a mesa da companhia.
– Agradecemos pela hospitalidade, senhor Elrond — Respondeu Fig com um delicado sorriso no rosto, recebendo como resposta um sorriso do elfo.
Foram se sentando aos poucos na mesa, adaptada pro tamanho dos anões. Eram um pouco baixas pros humanos mais altos, mas nada que atrapalhasse muito, a fome falava mais alto e os alimentos na mesa eram convidativos.
Por um momento Fig engoliu seco pois Lyn e Thorin acabaram sentando lado a lado, o que o levou a orar à todos os deuses egípcios de sua religião que dessem paciência pra garota. Olhou pra Lyn de forma suplicante, recebendo de volta um olhar raivoso da amiga, que balbuciou um "prometi" carregado de veneno. Confiava nela, não confiava era no rei.
Mi parecia estar se comportando também, lançando olhares discretos ao Kili, que parecia distraído olhando uma elfa tocando uma harpa, tendo que aguentar Dwalin mostrando que na verdade era um homem, deixando o príncipe no chão diante das risadas. Respirou aliviado e se voltou pra Bilbo, que ria do medo do garoto, achando engraçado como ele se preocupava com o bom comportamento das duas garotas.
– Você ainda não as conhece direito, Mi é doida, capaz de dar cantadas dignas de pedreiro no Kili... E se deixar, é capaz de Lyn brincar de arremesso de anão, ela é conhecida por ter pavio curto — Fig falava pra Bilbo, rindo das amigas.
– Acho que vou adorar conhecer mais sobre elas assim como estou adorando conhecer você, embora não entenda muita coisa do que diz — Riu Bilbo, com a mão no ombro de Fig — Logo nós quatro seremos mais inseparáveis que Fili e Kili.
Estavam adorando a comida, apesar da reclamação dos anões pela falta de carne. Quando alguns elfos começaram a tocar com instrumentos típicos da raça, Oin chegou a colocar um pano no seu rústico aparelho auditivo, ação que deixou Fig abismado. Ainda por conta da música, bem quis dar uns tapas em Mi, que disse que Lyn devia estar certa quando disse que haviam morrido e aquele era o funeral.
Tentando ignorar a situação cômica de Fig, Lyn resolveu observar mais o local. Adorava terraços abertos e estava achando tudo maravilhoso. Estava relaxada e até agora ela e Thorin não haviam trocado nem uma palavra, até porque Fig encarava tanto que ela tinha até medo de olhar pro anão. Foi então que viu um belo elfo alto, moreno de olhos azuis entrando no terraço com mais vinho, ele parecia brilhar com a luz do crepúsculo.
– Uau — Soltou Lyn , observando o elfo indo na direção de Elrond.
Foi a primeira"palavra" que a garota havia dito durante todo o jantar que não fosse para Balin, que estava sentado do outro lado da garota. Thorin, curioso, olhou pra garota e viu pra onde olhava, arqueando a sobrancelha quando viu o elfo.
– Sério? Um elfo? Sempre achei que havia muita coisa errada com você — Disse Thorin pra garota.
– Não importa se é elfo, ele é alto, moreno e tem olhos azuis, é o meu número — Respondeu Lyn, que tinha preferência por este estereótipo.
– É um elfo- Retrucou Thorin, olhando a garota de canto, tinha dois terços da preferência da garota.
– Tá, eu sei que eles são irritantes de tão frescos, Thorin — Respondeu Lyn revirando os olhos.
– Elfo!- Repetiu mais uma vez Thorin, segurando a risada por ouvir a garota criticando os elfos, simpatizava com qualquer um que o fizesse, mesmo ela.
– Caramba, eu sei! Mas talvez consiga ignorar o papo furado e a música! Tem coisas melhores pra se fazer com a boca! — Retrucou a garota, deixando o rei surpreso pela malicia e deixando mais difícil a tarefa de segurar a risada.
– Você não entendeu, mulher! Você teria que ser homem pra ter um elfo — Respondeu Thorin.
Lyn quase engasgou com a água, olhando diretamente pra Thorin por um segundo. Não aguentou e pela primeira vez o rei pode ver a humana gargalhando da forma mais escancarada possível, se apoiando no braço do anão, que ria de forma mais contida, só não chamando mais atenção para si pois Bofur, cansado da música, subiu na mesa e começou a cantar, iniciando uma guerra de comida, pra desespero de Bilbo e Fig, que xingava Mi por participar da atrocidade.
Depois da guerra de comida que deixou Fig irado resolveram fazer uma noite só pra companhia, pedindo para que os criados trouxessem barris de cerveja pro edifício. Quando Fig estava mais calmo (com ajuda de Bilbo e Balin, que se comprometeu a tentar por ordem nos anões) as amigas puxaram ele para beber com os anões.
Mostraram os cantis que trouxeram, era pouco pra tantas pessoas, tendo só um litro de hidromel e outro de tequila, mas conseguiram despertar a curiosidade dos anões e de Bilbo quando disseram que foi Lyn e sua irmã que fizeram o hidromel e que tequila só deixava a pessoa embriagada depois de algum tempo, sendo tomada junto com limão e sal. Sentiam falta de Gandalf, o mago se desculpou e se retirou pra ter uma reunião particular com Elrond, mas prometeu que beberia junto deles uma outra noite.
Os anões pegaram os barris trazidos pelos elfos e levaram pro terraço do edifício que Elrond cedeu pra companhia. Estava uma noite agradável, queriam aproveitar a brisa que batia e beberem o máximo que pudessem pra relaxar.
Lyn dividiu os dois cantis de hidromel em dezessete copos, não cheios, mas o suficiente pra que pudessem provar a bebida artesanal que fizera com tanto cuidado junto com sua irmã em comemoração à mudança pra Alemanha. Mal os serviu e os anões já haviam bebido o Hidromel.
– Não acredito que foi você que produziu isso! — Disse Dori, o mais críticos com bebidas da comitiva — Estava magnífico!
– Não fiz sozinha, minha irmã ajudou — Pensar na irmã doía, esperava viver pra contar o que os anões acharam da bebida.
Mi viu como a amiga parecia triste quando disse isso e, adivinhando o motivo do problema, passou o braço pelos ombros da garota.
– Pablo agora ia ser massa! Ver esses anões na sofrência, já pensou? Hahaha Vou dar um jeito de deixar esse tesouro aqui, principalmente pra Thorin, né — piscou pro Fig, depois olhou pra amiga, na esperança de ver um sorriso neles.
Lyn sorriu e olhou em volta, vendo Bilbo a observando, puxou o hobbit pra perto, ele era um deles agora. Precisava contar pra amiga sobre o jantar, mas ainda não havia conseguido chegar na menina.
–Aprendam a beber, demonhos! — Gritou Fig aos anões, com o rosto vermelho de bebida. Havia furtado uma garrafa de vinho enquanto andava enfurecido pela casa de Elrond e ainda aproveitou pra pegar um sobretudo negro de um varal, maravilhado com a indumentária élfica — Eu aposto um saco de balas que deixo vocês, anões, dormindo de bêbados!
Dizendo isso, os anões responderam com um brinde ao garoto, aceitando o desafio proposto por ele. Fig ria feliz, piscando confiante pras amigas. Viu Bilbo rindo e riu pro hobbit, apertando sua bochecha, arrancando altas risadas das suas amigas.
– Você vai misturar hidromel com vinho? Tá empolgado! — disse Mi, que tinha medo do amigo quando este se descontrolava com a bebida, pois sabia que alguém teria de ficar tomando conta dele. Como não bebia, Mi parou no copo de hidromel, que tomou só pra experimentar — Vou botar Britney pra tocar e quero ver você dançar na mesa, Fig! — Mi riu só de imaginar a cena.
– Pelo amor dos deuses! É capaz dele cair no colo de alguém! — Lyn tinha as bochechas vermelhas. Os anões estavam no momento virando uma caneca inteira de cerveja de uma vez — Morro afogada na cerveja se faço isso.
– Desce mais uma, garçom! — Já tinha roubado a caneca de Glóin que o olhava mortalmente, não ligava. Estava em Rivendell, cercado de elfos lindos e estava se divertindo. Definitivamente se acostumaria a morar lá. — Mais tarde tem que ter dança, só acho.
Lyn, vendo Gloin fazer menção de se levantar, passou a própria caneca pro anão, rindo do amigo.
– Bilbo, divide comigo? — Perguntou ao hobbit , que lhe sorriu e dividiu a bebida com a garota.
– Concordo totalmente, Fig. Vamos dançar melô e derrubar muitos forninhos! Hahaha — Ria Mi, os anões mais próximos nada entendiam, mas preferiam ignorar as expressões humanas, estavam num momento de descanso agora.
Os anões começaram a cantar novamente a mesma musica que cantaram durante o jantar com.Elrond, rindo e começando a trocar a letra, já haviam passado da sétima caneca. Fig ria e tentava cantar junto, enquanto furtava a caneca de Fili, que estava ao lado de Mi, quando a sua própria caneca ficou vazia, jogando-a do terraço.
–Ai meus deuses nórdicos! — Disse Lyn rindo, enquanto Bilbo corria pra dar a caneca pra Fili, vermelho da bebida e de rir, vendo se algum elfo foi atingido pela caneca vazia — E agora? Vou beber como?
– Thorin como você pode deixar uma dama sem bebida? — Mi fez uma cara de indignada, mas rindo. Estava louca pra ver a amiga bêbada e mais solta. — Ôh Fig, cade sua elegância de elfo agora? Bebe como um anão! Hahaha
– Admito que estou até ficando surpreso, você bebe bem, devia participar de alguma festa em Erebor — Disse Thorin, oferecendo o caneca pra Lyn, que tentou recusar — Beba, estamos merecendo um descanso.
Lyn bebeu o resto da bebida de Thorin, reenchendo a caneca em seguida e devolvendo ao rei quando Bilbo recusou beber, alegando que já tinha bebido o bastante e que queria cuidar de Fig.
– Nessa altura do campeonato, Bilbo, Fig esqueceu ate o próprio nome — Ria Lyn, já corada com a bebida, pois estava na terceira caneca.
– O que tem eu? — Disse aproximando-se da amiga, de olho na caneca. — Não é um sonho? Nós aqui! Precisamos tirar fotos! Lyn, pegue seu celular enquanto seguro isso para você. — Pegou a caneca da amiga já começando a beber enquanto empurrava a amiga para ir atrás do celular.
Rindo, Lyn pegou de volta a caneca e devolveu pra Thorin, enquanto Bilbo coria pra buscar alguma outra pro garoto.
– Ja basta um de nós sendo ameaçado de decapitação — Olhou pra Thorin rindo, que só sorriu, os dois estavam calmos, deixou os amigos e foi pegar o celular como Fig pediu.
– Esses dois estão tão calmos, não é, Fili? Será que alguma coisa aconteceu? — Mi comentou pro anão ao lado dela, tentando pensar em uma forma deles se agarrarem e acabarem com a tensão sexual que pesava nos olhares deles — Selfie no mundo do Hobbit, eu quero! Hahaha Vamos todos!
Fili olhou pra garota e deu risada
– Olha, ouvi Balin comentar com o Dwalin que Thorin brincou com alguma coisa durante o jantar, algo a ver com um elfo — disse baixo, olhando o tio observar a humana voltando com o estranho aparelho na mão — isso é seguro?
– Que evolução! Se a gente parar pra pensar desde que chegamos não ouvimos nenhuma ameaça vinda de nenhum deles. Isso é bom. — Vendo a preocupação do anão, Mi riu — Não se preocupe, é seguro sim! E qualquer coisa eu te protejo — deu uma piscadinha pro loiro.
Fili se colocou do lado da garota, sorrindo com a piscada. Lyn ja havia chegado com a máquina e se colocava no meio da companhia, entre Bilbo e Bifur.
– Vem gente! Ah, perai! Tenho uma ideia. — Lyn foi atá a copa pra pedir pra um dos serviçais que estavam no edifício tirar a foto, explicou todos os detalhes e o que tinham que fazer. — Pronto!
Fig tinha pegado uma tiara de um dos serviçais de Elrond e agora trajava a joia com sua calça de algodão com gancho baixo, blusa ajustada ao corpo e sobretudo folgado, se encontrava ao lado de Balin e Dwalin, sorrindo e colocando uma mão sobre o peitoral do anão, que o olhava desconfiado.
– Sabe o que faltava aqui? Um gim! — Lamentou-se Fig, fazendo as amigas rirem, não importa quantos anos passassem, o garoto continuava viciado na bebida.
Rindo, Lyn ajeitou a todos e pediu pra que a foto fosse tirada. O resultado, apesar de novidade pros anões, saiu bonito, o rosto de todos estava levemente avermelhado, mas pareciam de divertir, e era isso que importava. Teriam que repetir a foto quando Gandalf estivesse com eles, mas tinham três celulares, um carregador portátil, teriam bastante oportunidades.
Mostraram pros anões o resultado da foto e riram alto com a surpresa deles, que diziam que demorava semanas pra um pintor fazer o retrato de um anão, mais ainda se fosse colorido e com tamanha perfeição como o celular fazia.
– Pelo amor dos deuses do Duat... Vocês se chocam muito fácil, chega a ser fofo — Disse Fig rindo, atraindo a atenção dos anões — Meninas, imaginem se eles participam de algumas conversas nossas... Sairiam correndo.
Lyn estava vermelha, tinha sentado no chão e apoiado as costas na proteção do terraço, ao lado de Bilbo, tinha soltado todo o cabelo das tranças e das flores, pegando a que mais gostou e colocando no cabelo do hobbit. Thorin continuava em pé do outro lado da garota, bebendo ainda, mas olhando tanto Fig quanto a garota.
– Olha, melhor esperar um pouco a Lyn pra responder, faz tempo que ela não bebe — Ria Mi olhando a garota, que lhe mostrou a língua de forma infantil — Ao menos dessa vez ela não tá flertando com ninguém.
– Posso resolver isso rapidinho, gata — Brincou Lyn, jogando a franja pra trás. Mi adorava ver a amiga bêbada, ela ficava o oposto do que era normalmente, ficava descarada, maliciosa e engraçada – Que cantada de pedreiro que você quer?
Fig se animou, adorava esse tipo de brincadeira e ver os anões chocados seria bem divertido. Queria brincar com eles, mas tinha receio do quanto levariam na esportiva, achou melhor deixar as meninas começarem, enquanto bebia mais cerveja de uma caneca que Bilbo havia lhe arranjado quando tentou roubar a de Thorin.
– Claro! Não dá pra levar cantada a sério de uma pessoa bêbada! — Ria Mi — Mas assim vai ficar forçado, dá um tempo e você xaveca alguém, farei o mesmo.
Lyn concordou sorrindo maliciosa. Os anões e Bilbo não entendiam nada, mas devia ser algo no mínimo bizarro pra eles, já que a garota tinha que estar bêbada pra fazer. No final, Bilbo sabia que sobraria pra ele controlar os amigos.
Enquanto os anões e Fig se juntavam pra fazer uma competição de quem virava a bebida mais rápido, com Bilbo como juiz, Mi se sentou ao lado de Lyn.
– Um certo passarinho loiro me contou que teve algo diferente nesse jantar — Disse pra amiga, que lhe olhou.
– Sim, faltava carne — Respondeu Lyn.
– Conta, praga — Riu Mi, dando uma cotovelada de leve na amiga.
– Tipo, um elfo muito lindo entrou no terraço, do jeito que eu gosto... Moreno, alto dos olhos azuis... Deuses, pense num homem lindo — Disse Lyn, Mi acenou com a cabeça, sabia da preferência da garota — Thorin notou e começou a brincar comigo, disse que bem que sabia que eu tinha problemas, que ele era um elfo... E aí disse que pra eu ter um elfo, teria que ser homem.
Riu com a lembrança, acompanhada da amiga que ria junto.
– Ora, realmente, nunca vi elfo tão fresco como os elfos desse mundo! Mas sabe de uma coisa? — Mi parou de rir e Lyn a olhou, curiosa — Cheirou à ciúmes.
– Ah para, nem começa — Respondeu a amiga, quando viu que a amiga ia falar alguma coisa, a interrompeu — Sabemos o que vai acontecer Mika.
– Podemos evitar — Retrucou, olhando rapidamente os amigos todos molhados de cerveja no peito e Fig xingando que tinha sujado a belíssima roupa.
Lyn não respondeu e Mi achou melhor deixar a menina pensar no assunto, mas outro dia. Hoje ela queria ver os amigos caindo pelas tabelas, e foi por isso que se levantou e puxou a garota junto.
– Chupem! Consegui beber mais rápido que vocês — Gritou Fig, batendo a caneca na mesa.
– Não acredito! Ele ganhou até de mim! — Comentou Gloín, chocado — Como você consegue beber tão rápido?!
– Prefiro não comentar sobre meus poderes, criança — Ria Fig, que viu as amigas se segurando uma na outra rindo alto — Nem ousem a falar nada!
Fig ganhou um brinde dos anões, e se sentiu feliz quando Gloín passou o braço por seus ombros em um meio abraço e deu uns tapas de leve no peito do garoto, repetindo que o garoto surpreendeu. O garoto apenas riu e falou que anões eram inocentes demais.
Lyn se sentou do lado de Kili, procurando um pouco de bebida. O anão, notando a garota ao seu lado, ofereceu a própria caneca, o que foi prontamente aceito pela garota, que bebeu o resto da cerveja do príncipe.
– Opa, até que humanas bebem bem — Comentou o príncipe, pegando mais bebida.
– Sabe de nada, inocente — Sorriu a menina, dando uma cotovelada de leve no braço do moreno.
– Lyn, devíamos sequestrá-los e levar pra uma balada, aí sim eles veriam a que nível humanos podem chegar — Disse Fig rindo- Povo estranho, lerdos demais e inocentes demais.
– O que é uma "balada"? — Perguntou Ori.
– Lugar pra dançar e paquerar. Falando nisso, põe o som aí Mi!- Gritou Fig, ficando satisfeito quando a amiga correu pra pegar o próprio celular.
Mi resolveu ensinar os anões a dançar melô, uma dança famosa na cidade dela, Maceió. Queria que Kili dançasse com ela, mas vendo o anão rindo bobamente resolveu puxar Fili pra dançar. O anão quase pulou longe quando a garota o encochou e começou a rebolar.
– Calma garoto, é só uma dança — Disse rindo, e logo o príncipe sorriu e começou a dançar com ela.
Thorin achou a dança um pouco exagerada, via Mi rebolar junto ao seu sobrinho e, por reflexo, acabou olhando pra Lyn, pensando se a garota também dançava aquilo. A menina estava corada pela bebida e apenas estava sentada.
– Virjão — Disse Fig ao seu lado.
– O quê?- Olhou o rei.
– Nada não — Respondeu, acenando com a mão aleatoriamente .
Bilbo se sentou do lado de Lyn e ficou conversando com a garota, que ria feliz, parecia muito relaxada.
Mi havia parado de dançar com Fili, precisava de ar. Tinha que admitir que aquele loiro era lindo, e ainda aprendeu rápido a dançar com ela. Começou a ver o anão com outros olhos.
Se separaram um pouco e então viu que Lyn se mantinha conversando com o hobbit e Thorin conversava com o sobrinho. Queria aproveitar a bebedeira da amiga pra ver se rolava alguma coisa entre a amiga e o rei.
Deixou as músicas de seu celular tocando e foi pra perto dos anões. Resolveu testar o poder da tequila.
– Bora fazer shot de tequila? — Viu o brilho nos olhos da amiga, adorava aquela bebida.
– Só se for agora! — Gritaram Lyn e Fig juntos.
Dividiram a tequila entre todos e Mi pediu pra que elfos trouxessem limão e sal. Ensinou os anões a brincadeirinha que tinham que falar pra beber.
– Arriba, abajo, al centro e adentro! — Gritaram e beberam.
Os anões quase engasgaram com a bebida, que lhes desceu queimando garganta abaixo. Alguns até esqueceram do sal e limão, enquanto Lyn e Fig riam muito alto da reação deles.
– Se fosse absinto vocês morriam — Lyn disse rindo se sentando novamente.
– Tanto elfo por aqui e nada de tequila humana — Choramingava Fig, olhando o caminho por onde o elfo da copa saiu.
Mi riu e explicou pros anões o que era aquilo. Humanos eram ousados demais, tinham brincadeiras maliciosas, mas normalmente eram entre quatro paredes com sua parceira. Mi olhou pra Lyn rindo, a garota parecia estar com calor porque se abanava e ainda tentava levantar pra ir se deitar numas almofadas que tinha num canto do terraço.
Quando a amiga passou pela sua frente, Mi pisou na parte de trás do coturno da amiga, que tentou se segurar mas caiu no chão de costas. Mi chegou a prender a respiração pensando que tinha machucado a amiga de verdade, mas vendo que esta ria até chorar e que Thorin logo foi socorrer a menina, ficou tranquila.
– Você tá bem? — Perguntou o rei, debruçado sobre a garota.
– Uow, melhor que isso só se eu estivesse por cima — Tentou sorrir malicios,a mas não conseguia parar de rir, com algumas lágrimas molhando o rosto — Sabe que nesse angulo você fica bem interessante?
Thorin tentou manter a cara séria, mas falhou miseravelmente, rindo da situação da garota, limpou as lagrimas do seu rosto e a ajudou a sentar. Ouviu a garota soltar um gemido leve de dor.
– Tá machucada? — Perguntou-lhe.
– Nada que um beijo não resolva- Respondeu Lyn.
Mi e os anões mais perto observavam ansiosos, segurando a risada. Pra raiva da maioria, Ori, na inocência, achando que a garota estava realmente machucada, correu pra ajudá-la. Mi, revoltada porque o anão ia atrapalhar seus planos, puxou-o pelo braço, fazendo cara feia e resmungando algo como “Se liga!”. Ele, por sua vez, não entendeu o olhar indignado que recebeu dos companheiros e muito menos a reação da humana, mas obedeceu e ficou quieto calado junto aos outros. Fig deu um tapa na testa, reclamando da lerdeza desses seres de outro mundo.
– Você não tem limites quando o assunto é juntar aqueles dois, né? Quase mata a amiga e ainda solta um olhar fulminante pra um guerreiro — Disse Fili baixinho ao lado de Mi.
– Ainda consigo fazer esses dois se pegar, você vai ver — Respondeu a garota, rindo da confusão de Ori.
– Enquanto isso, que tal mais uma dança? — Perguntou o príncipe, estendendo a mão pra garota.
– Por que não? — Sorriu e segurou a mão do loiro, indo dançar.
O rei prestava ajuda à Lyn, que fingia estar com dores apenas para ter a atenção de Thorin e continuar tendo assunto com ele. Depois que o clima entre os dois melhorou ficou muito mais difícil manter qualquer conversa com ele, era muito mais fácil quando era ameaçada de ter sua cabeça cortada. Estava curtindo ficar conversando, flertando de leve com Thorin, despreocupadamente.
Mi e Fili dançavam, mas sempre de olho em Lyn e em Thorin, curiosos para saber o que ia acontecer. Vez ou outra Mi olhava pro Fig por cima do ombro do Fili pra reclamarem a lerdeza do casal e, depois de muito tempo com eles só na conversa, Mi e Fig perderam a paciência e foram curtir a festa. Fig puxou Bilbo e os outros anões pra virar shots de tequila e Mi continuou sem desgrudar do príncipe galego, que se mostrou um ótimo parceio pra seu estilo de dança preferido.
Enquanto os outros estavam curtindo a festa, no meio da conversa com o rei, Lyn começou a se sentir com muito sono por causa da bebida. Estava cansada por ter que andar tanto sem nenhum descanso praticamente e ter parado de beber depois de ter bebido tanto começou a deixá-la muito sonolenta. Sem querer interromper a conversa, tentou se forçar a ficar acordada, mas os olhos pesavam e sua mente ia perdendo o juízo perfeito de quem está acordado.
Deu por si olhando pros olhos do rei, nunca havia parado pra observar mesmo, mas eram de um azul bem bonito, ficou um tempo admirando até que viu seus lábios. Sempre imaginou como seria, por que não aproveitar a chance? Foi pensando assim que se aproximou do rei e lhe selou os lábios rapidamente.
Quando o rei pensou em como reagir, a garota já estava dormindo em seu ombro. Olhou ao redor e ninguém tinha visto. “Menos mal”, pensou. Não gostava de ter plateia e era incômodo como todos paravam tudo pra observar ele e a garota sempre que se aproximavam.
O grupo, que se divertia sem nem lembrar que o casal existia, não viu nada e perdeu a conta do quanto beberam. Fig estava com a moral no alto com os anões, que disseram que ele era um elfo na postura e um anão na bebida. O garoto levou como elogio e brindou aos amigos. Thorin anunciou que Lyn tinha caído no sono e disse que a levaria pro quarto com a ajuda de Bilbo, que se ofereceu para acompanhá-lo. Foi nesse estado que Gandalf encontrou sua companhia, preferiu não dizer nada, apenas aproveitar o momento, disputando quem bebia mais rápido com Fig, Gloín e Bombur.
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