Then Winter Comes To Trace Our Love

3 The offended & the offender


Notas iniciais
Olá leitor(a)! Venho trazendo o capítulo 3 nesta quinta-feira como havia combinado antes.
Amanhã será minha cirurgia uiuiui ;;
Esse aqui tá meio tristinho, viu? Não bata em mim pelo sentimentalismo, pelamour de dels. Lol
Mas o capítulo já começa pegando fogo. Uhuhu
✩ Eis aqui uma fanfic que recomendo MUITO a leitura e que vai surpreender muitos de vocês: http://fanfiction.com.br/historia/343149/Broken_and_Destroyed/
(fanfic da Flavs, aquela linda que fez propaganda da Then Winter, obrigada. ♥) é também Yullen e envolve todo o tipo de emoção. ✩
Bom, vejo você lá embaixo! Boa leitura. ♥
(p.s.: desculpa se houver alguma desconfiguração no texto, o Nyah não deixou eu centralizar minhas reticências, mas depois arrumarei esse pequeno detalhe.)

Allen adentrou o apartamento e se jogou no sofá; estava estranho; estava quente, ansioso, flácido. Suas pálpebras pesavam, não poderia dormir daquele jeito. Levantou sobre os joelhos. Sentava em cima de uma almofada, logo enxergou outras atiradas na sua frente e começou a devanear. Sentia o coração bater em um ritmo descontrolado, seus dedos coçavam; estava necessitado.

–Ah... –arrepiou assim que enfiou a mão embaixo da camiseta. Trouxe apenas seu tronco para frente, caiu sobre as almofadas de pena de ganso enquanto sua mão continuava a passear em seu abdômen.

Mordeu os lábios já não contendo mais a vontade de tocar-se. Sua respiração descompassava à medida que ia abrindo o jeans. Novamente ergueu-se sobre os joelhos e voltou a fitar as almofadas. “Há quanto tempo não fazia aquilo?” Perguntava-se. Era como se estivesse conservando seu corpo para uma situação especial; e estava. Allen já havia passado da fase de negar seu apetite sexual por aquele homem. Não há mais vergonha em admitir que está a fim dele.

–Kanda... –sussurrou querendo ele no lugar das almofadas. Tocou-se de imediato, mordendo os lábios com tanta força e temor que um rastro de sangue se formou por seu queixo abaixo.

Allen jogou-se novamente sobre o sofá, retirando as calças malditas e tornou a apalpar seu membro novamente. Estava tão envergonhado a ponto de morrer; um dos braços escondia sua visão de tal rebaixamento, humilhação.

O garoto apartou as pernas intensificando o ato, abafava os gemidos mordendo uma almofada; seus olhos já lacrimejavam devido à força com que os fechava. O calor invadiu seu corpo até que chegou ao ápice sentindo o líquido quente escorrer pela mão.

–Ah... Eu fiz de novo... –ria melancólico. –Porcaria... –fungou. Tratou de arrumar a bagunça, banhar-se e cair na cama, mas dessa vez para dormir.

...

Adentrou com o carro na garagem de casa aliviado de que finalmente chegara. Desligou o veículo saindo deste. Fechou a garagem e entrou na residência.

Largou os presentes na sala rumando para a cozinha a fim de encontrar algo para comer. Kanda abriu a geladeira para pensar e nada mais; sentou-se na cadeira da cozinha permitindo o cansaço tomar conta do seu corpo.

–Meow... –a gata se aproximava esfomeada. Yuu escorou o rosto sobre a mesa de vidro observando a felina enroscar o rabo entre suas pernas.

Mais um miado e ele tratou de levantar para alimentá-la. A gata morava consigo desde seu casamento; sua mulher tinha muito carinho por ela e sempre estimulou Kanda a continuar dando os devidos cuidados. Abriu um pacote novo de ração e depositou os grãos no pequeno pote metálico; checou água, caixa, estando tudo ok.

Subiu ao segundo andar da casa, onde ficavam os quartos. Retirou os sapatos deixando-os pelo caminho; jogou o sobretudo em cima da cômoda, afrouxou as calças retirando o cinto e deitou-se. Sobre o criado-mudo, do lado que deitava da cama, havia um porta-retratos com a foto da sua falecida esposa; fitou-o por longos minutos. No relógio eletrônico, também em cima da cabeceira, marcava quase meia-noite, contudo a imagem do babaca volta e meia surgia em sua mente o impedindo de descansar.

Kanda virou-se para cima, encarando o teto. Nem mesmo a televisão plana de setenta polegadas do quarto chamava sua atenção. Retirava aos poucos a blusa quente que vestia, sentindo o frio bater contra sua pele alva.

–Tsc, que merda. –sussurrou querendo dar um belo tapa naquele moyashi risonho.

O silêncio da noite invadiu seus pensamentos dando inicio ao sono; o ruído da gata mordendo a ração era manso, como se o levasse imediatamente ao mundo dos sonhos.

...

Já no horário de almoço, Allen avistou Lenalee e Lavi o esperando do lado de fora da Snow Kiss. Link observou o menor retirar o avental e sair. Os três haviam combinado de almoçar juntos naquela terça-feira.

–Conheço um restaurante bem pertinho, pode ser? –ajeitou algumas madeixas prateadas atrás da orelha enquanto aproximava-se do casal.

–Estamos por você. –Lavi envolveu o pescoço do amigo.

Não demorou muito e chegaram ao restaurante determinado, o Noah’s Ark, aquele da mesma quadra da confeitaria. Allen aproveitou para apresentar o casal ao cheff de cozinha, Tyki.

–Hm... Gostei do lugar! –Lenalee comentava enquanto observava ao redor.

–Não sei não, mas parece que o senhor Tyki não tira os olhos de mim. –Lavi desconfiou, fitando o moreno com o canto do único orbe à mostra assim que escolheram a mesa.

–Será que ele te conhece? –Allen arrastava a cadeira da mesa, sentando-se.

Um leve flashback cruzou as lembranças do ruivo; conheciam-se sim e, assim que deixou o colegial, tiveram um caso: nada mais que uma transa a fim de “tirar o atraso” após uma noite na boate e bebidas alcoólicas. Lavi não gostava de relembrar a cena; apesar de na época ter apreciado muito aquele momento, agora estava vivendo uma outra realidade.

–N-não. –negou escondendo-se atrás do cardápio já aberto.

–Mas então, Allen, conto com você pra arrastar o Kanda sábado? –a chinesa entregava o cardápio ao garçom que veio anotar as bebidas. –Vamos ao cinema, né?

–Assim espero! –Allen retirava os talheres de dentro da porcelana. –Espero...

–Nenhum progresso? –Lavi questionava tristonho, o menor acenou negativamente com a cabeça. Tanto o ruivo como a noiva sabia dos sentimentos do outro e que há tempo o amigo resguardava-os na mais profunda cavidade do peito. –Nadinha, nadinha?

–Beijo na bochecha conta?

–O que?! –Lenalee levantou bruscamente deixando a cadeira cair. –Ele ou você?!

–E-eu... Claro que fui eu! O BaKanda jamais faria isso! –acalmou a menina enquanto Lavi ria.

–Verdade... –agradecia o funcionário que levantara sua cadeira, sentando-se novamente. –Mas e qual foi a reação dele? –estava curiosa, pois até que enfim o amigo tomara iniciativa.

–Ah... Ele ficou parado, olhando pro nada. –o ruivo já não se aguentava com os comentários de Allen.

–Imagino a cara de taxo do Yuu! –Lavi concluiu.

Enfim discutiram sobre o encontro do fim de semana, conversaram e se deliciaram com os pratos da família Noah.

...

A semana agitada em Nova York acabou dando lugar aos poucos dias de descanso daquela gente; sim, o fim de semana; no entanto nem todos estavam calmos... A tarde de sábado iniciou com um inglês desesperado, tudo porque seu despertador não tocou no horário certo e perdeu muito tempo no banho.

–O Kanda vai me matar! –corria de um lado para outro do apartamento enquanto cantarolava a frase, aflito. –Ele já está aqui embaixo e vai me matar! –fazia questão de jogar as últimas palavras em uma nota bem aguda.

O celular vibrava, o carro buzinava, e Allen ainda procurava um par de calçados decentes.

Assim que terminou, deixou o edifício correndo em direção ao Honda. Senhora Campbell, vizinha do térreo, cumprimentou o atrasado enquanto pegava o jornal do lado de fora.

–Oh, bom-dia meu jovem. –disse a doce senhora aproximando-se.

–A-ah! Muito bom-dia senhora Campbell! –sorriu sem jeito, sabia que a idosa adorava puxar assunto.

–Aonde vai com tanta pressa meu menino? –ajeitava os óculos notando que o outro arfava intenso. –Você sabe, né? Temos que cuidar aonde andamos e-

Kanda buzinou mais de uma vez, abrindo o vidro do lado do motorista. –Vai enrolar muito com a velha?! –gritou.

–Kanda! –olhou indignado. –Mil desculpas, vovó, mas meu amigo tá com pressa... Qualquer dia passo aí para tomar chá e trago alguns doces, combinado? –gritou já abrindo a porta do veículo. A idosa sorriu diante da cena, dando tchau e desejando um bom passeio.

Eram quase três horas, pegariam a cessão das três e meia se o menor não tivesse atrasado tudo. O motorista arrancou assim que Allen fechou o carro; estava puto, o babaca tinha sempre que estragar alguma coisa.

O menor notou que o painel do automóvel estava mudado. Passou o dorso da mão sobre a superfície sentindo o revestimento.

–Whoa, que incrível!

–É. E, se você inventar de estragar esse aí, vai perder a garganta. –no mesmo instante Allen engoliu a saliva apalpando o pescoço com ambas as mãos. –Eu só espero que dê pra alcançar a cessão. –retrucou.

–Hm... Não estou muito preocupado com isso. Só teríamos que esperar Lavi e Lenalee saírem do cinema e inventaríamos outra coisa juntos. –batia os joelhos enquanto conversava.

–Esse é o problema. –encarou-o.

–Esperar?

–Não. –cortou. –Mas te aturar.

–Hum... Que coisa. –fez bico. –Aliás, o que achou do meu visual, hein? Acha que vou atrair alguma donzela? –se exibia.

–Pra variar... –bocejou. -... Ridículo. –sorriu sarcasticamente notando Allen dar outro bico e franzir o cenho. Era estranho gostar de vê-lo emburrado, de contradizê-lo; era divertido e causava uma vontade esquisita de beliscá-lo, tocá-lo, tê-lo.

Chacoalhou a cabeça a fim de retirar-se de tais ilusões; observava-o pelo canto dos olhos puxados. A mão direita que estava no volante desceu para o banco querendo saltar para o assento ao lado; cerrou o punho e agarrou novamente a direção.

Alguns minutos de engarrafamento não conseguiram atrasá-los o suficiente para que perdessem o filme. Ao chegar, avistaram o casal comprando os bilhetes da cessão.

–Estamos aqui! –Allen correu até eles deixando o japonês para trás. –Qual é o filme mesmo?

–Nós escolhemos um romance... Mas se quiserem pegar outro... –Lenalee afirmava encabulada.

–Ah... –o menor não deu muita importância.

–Já comprei o meu. –Kanda vinha ao encontro deles.

–Certo, vou pegar esse também... –Allen retirava a carteira do bolso quando Lavi interviu.

–Não, o Yuu vai pagar pra você. –apoiou-se no ombro do moreno. –Né, Yuu?

Kanda retirou o caolho de cima de si com uma joelhada quase crítica, passando de raspão na cocha dele. Os olhos fulminantes assustaram Lavi que foi para trás da noiva. O albino não deu muita importância, sabia que seria impossível fazer o estressadinho pagar seu bilhete.

Enfim adentraram a sala, Lavi e Lenalee decidiram ficar com as poltronas mais embaixo, até porque trocariam carícias e isso traria um clima chato para os outros dois.

Allen carregava o maior pacote de pipocas que havia, quase não enxergava onde pisava; refrigerante e alguns doces; sentou-se ao lado de Kanda. A cessão já estava repleta de casais.

–Por que não sentou ali? –Kanda bateu a mão contra a face.

–Ali aonde? –Allen tentava procurar o local, porém o pacote de pipocas atrapalhava. –Eu só te segui!

–Ali, ó! Ali! –assim que o menor enxergou, uma senhora ocupou o assento. –Merda. Você também não pensa!

–Mas o que quê tem, Kanda?

–“O que quê tem” que vou levar fama de viado. –agarrou o colarinho do outro, fazendo-o derrubar algumas pipocas.

–Ninguém aqui nos conhece, tá bom? É só fingir que não existo! –virou a cara enchendo-se de comida.

Assim que a película criou vida, as luzes do local apagaram-se de imediato, restando apenas as de emergência. Allen ofereceu pipocas para o mais velho, que ignorou mexendo na touchscreen do aparelho celular pondo no silencioso. Era possível enxergar a silhueta dos casais trocando beijos, até mesmo Lavi e Lenalee. Allen corava enquanto comia as pipocas; nervoso, mastigava uma após a outra, quase entrando no pacote imenso.

Já na metade do filme, Allen sentiu os olhos cansados; deixou o pacote vazio perto dos pés e ajeitou-se no banco; sua cabeça pesava e, sem pensar, deixou-se escorar no ombro do outro.

Kanda já não prestava mais atenção no filme, não valia a pena, segundo ele; assustou-se quando sentiu algo roçar em si. Allen aconchegou-se em seu braço pegando no sono em seguida. O maior fitou desentendido, porém não pôde evitar enterrar seu rosto nos cabelos macios dele, também entrando em alfa.

...

Logo o filme chegou ao fim; os casais beijavam-se vagarosamente enquanto os créditos rolavam na tela. Lavi e Lenalee não fizeram diferente; a chinesa acariciava a nuca do noivo durante o beijo e ele contornava a cintura dela com os dedos, o que provocava um leve arrepio na garota.

A cessão ia esvaziando e nada dos outros dois aparecerem. O casal não hesitou em subir os degraus camurçados e ir até eles.

Lenalee gesticulou para que Lavi não fizesse barulho, pois os amigos dormiam serenamente. Allen apoiava a cabeça no ombro do maior dominando o braço dele; já Kanda estava mergulhado naqueles fios prateados. Jamais viram o japonês tão sossegado como desta vez.

Sem muita escolha, trataram de acordá-los.

...

–Kanda...? –ouviu chamarem seu nome pela terceira vez. –Kanda? –era Lenalee tentando acordá-lo.

O moreno abria os olhos com dificuldade; assim que enxergou o claro, seus orbes arderam. Ajeitou-se no banco sentindo o ombro esquerdo pesar. Voltou o olhar para o lado em que Allen sentava.

–Já esvaziou aqui, só estamos esperando vocês. Vamos? –a menina manteve a voz baixa.

Kanda deparou-se com o menor agarrado em seu braço, dormindo; enquanto o perfume dele impregnava suas narinas. Empurrou-o instintivamente, sentindo o rubor dar cor a suas bochechas.

–O que esse cara tá fazendo no meu braço?! –encarou os outros dois, desconfiado de que soubessem de algo.

Allen despertou com o choque. –Hã? O-o que houve?

O japonês deu sua pior careta a ele; levantou e rumou para fora do cinema. Lavi foi atrás e a garota tratou de explicar o mal-entendido ao recém-acordado.

Yuu foi direto para o banheiro refrescar o rosto, seguido por um caolho intrigado.

–Quer parar de me seguir? –ordenava enquanto revestia o rosto com água gelada.

–Yuu... –aproximou-se recebendo várias gotas de água na cara.

–Sai, ou a situação vai piorar. –acusou mantendo a expressão agressiva.

–Não vou sair. Você é meu melhor amigo, mas assustar o Allen daquele jeito não foi legal.

–Huh? –agarrou algumas toalhas de papel.

–Peça desculpas...

–Pirou de vez, só pode! –secava o rosto sorrindo indignado. –Não tenho por que fazer isso.

–Tem: você gosta dele. –apoiou a mão sobre a pia, grudando seus olhos aos dele. –Eu e a Lena já notamos isso.

Kanda suspirou furioso, odiava quando Lavi começava a alucinar. –Eu?... –riu e apertou a trouxa de papel que tinha em mãos. -... Gostar dele? –suas mãos já estavam roxas pela falta de circulação. –Quero que fique bem claro aqui, que eu nunca na minha vida vou gostar de alguém como o moyashi.

Bastou o japonês citar tais palavras para que o sorriso de Allen, que abria a porta do banheiro no mesmo instante, desmanchar. O menor deslizou as mãos sobre a maçaneta prateada sentindo seu rosto febril.

–E-eu... –era difícil pronunciar enquanto algo dentro do seu peito despedaçava subitamente. –Acho que vim em uma péssima hora. – deu as costas não conseguindo conter as lágrimas.

...

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Notas finais
(Okay, a imagem também é pra estar centralizada...)
Lavi e Lenalee são muito danados, hm? Tirando foto dos amigos assim... Será que irá comprometê-los futuramente? Quem sabe... Agora o casal tem uma arma pra chantageá-los! Uhuhu
Bom, semana que vem sairá o próximo. Já aviso que estará chatinho. Sim, até vir a reconciliação, os personagens passam por uma depressão chata de encarar, mas como nem tudo na vida é um mar de rosas, vamos aceitar os fatos. (y)
Obrigada àqueles que estão acompanhando. Eram quatro, agora são cinco leitores e isso me deixa extremamente contente! *-*
Valeu e até a próxima quinta!