Notas iniciais
E aqui estou eu novamente postando mais um capítulo. Pois é, fui ninja o suficiente para terminá-lo a tempo!
Meus leitores queridos, espero que curtam o que tenho a lhes oferecer e se empolguem!

Bom, nos vemos lá embaixo. Boa leitura! ~ ★

Algumas semanas passaram-se desde então, adentrando o mês de Dezembro: o ápice do inverno nova-iorquino, uma época do ano bastante festejada. As ruas da metrópole iluminavam a cidade nas cores verde e vermelha junto de casas enfeitadas com o espírito natalino e seus quintais revestidos pela neve profunda.

Natal: alegria e correria de muitos; era no que se resumia Allen, inquieto, na véspera daquele dia que, coincidentemente, também seria seu aniversário.

O pequeno ia e vinha de um lado a outro preparando fornadas de doces, enquanto Link atendia no balcão da confeitaria e Miranda tomava conta do caixa... Uma multidão se formou dentro do estabelecimento, a fila de pessoas continuava até mesmo do lado de fora.

–Link, preciso de você pra montar as encomendas do Sr. Harris! –berrou da cozinha enquanto equilibrava as diversas fôrmas quentes. Logo o loiro se aproximou ajeitando as madeixas dentro da touca.

–Olha que você ainda me derruba isso! –brincou enquanto remangava a camiseta voltando-se à torneira. Allen mostrou a língua. –Hm... Certo, um bolo de abacaxi com nozes e outro de chocolate com bombom.

–Exatamente! –sorriu. –Ah, eu tava dando uma olhada nas minhas economias e... Em janeiro já vamos conseguir comprar essa loja! Só faltava eu, né?

–Isso é muito bom, Walker! Começar o ano sem pagar aluguel! –disse aliviado, a ideia de comprar o estabelecimento estava em pé há anos... –Aliás, amanhã é seu aniversário... Tava pensando em que te dar...

–Ah, nem se incomode, Link!

–Nada disso, Walker. –debruçou-se nos ombros finos dele. –Aqui ó. –revelou o que tinha nos bolsos. –Duas passagens pra Itália, Roma. Bonito, não? –dava as costas rindo.

–D-duas...?

–Sim, mas duvido que consiga arrastá-lo contigo.

–O-o Kanda? –surpreendeu-se.

–É. –Link continuava focado nos ingredientes do bolo. –Se ele não for, eu irei e pode avisá-lo.

–Link... –chamou atraindo o olhar dele. –Obrigado! –Allen foi choroso ao encontro do amigo que repugnou imediatamente.

...

Largou a confeitaria às oito horas da noite indo direto para casa, exausto. Tomaria um banho demorado; sairia perto das dez horas para ir à casa da amiga, Lenalee, onde fariam uma pequena reunião festiva.

Allen suspirou assim que pisou no apartamento, um pouco animado: iria vê-lo... A correria do fim de ano tomou conta de seus horários e não tiveram como se encontrar, desde a ida a casa dele. Porém o contato manteve-se em pé, trazendo brilho ao prateado daqueles olhos a cada segundo que ouvia a sms de Kanda chegar.

BaKanda

Ei... Não vai da p passar ai

Tive um imprevisto

Estamos tratando um cão aqui...

É deplorável

Poxa...

Td bem, eh a vida de um animal

Espero q dê tudo certo...

Desanimou um pouco se sentando no sofá retirando o coturno. Suspirou triste, porém não havia o que fazer, iria esperá-lo na casa da amiga.


BaKanda

Poxa...

Td bem, eh a vida de um animal

Espero q dê tudo certo...

Nos vemos na casa da Lena então

Bjs...

Allen enrubesceu atirando o celular longe; sentiu-se bobo, infantil... A verdade é que estava no ápice da sua paixão por ele, principalmente porque conquistou sua oportunidade.

Sem muita demora, ouviu-se o toque da sms:


BaKanda

Nos vemos na casa da Lena então

Bjs...

É..... Bj.


O coração disparou no mesmo instante. Certamente estava vivendo os melhores dias de sua vida.

...

Correu para o banheiro dando os últimos retoques nos fios prateados, encheu-se de perfume e rumou para fora do apartamento já com o pacote do amigo secreto em mãos.

Esperou poucos minutos até que o taxi viesse.

Allen tocou o interfone da casa da amiga, que demorou alguns segundos até atendê-lo. Dali uns instantes, saíram Lenalee e Lavi de dentro da residência com sorrisos estampados nos rostos.

–Allen! –a chinesa corria ao encontro dele. –Você está um fofo!

–E aí, cara. –brotou detrás da noiva. –A gente já tava preparando a comilança. –Allen riu da feição abobada típica do “coelho”, entregando-lhe a sacola com o presente. –Ué, cadê o Yuu? Até tinha manobrado o carro da Lena pro dele caber na garagem também...

–Ah... Ele teve um imprevisto na clínica... Parece que é um cachorro... –respondeu já adentrando a sala. –Disse que viria mais tarde.

–Oh! Que pena, então ele não vai poder jantar com a gente? –Lenalee sentou-se no sofá, chamando Allen para perto. –Fizemos cada coisa gostosa! Cheguei a improvisar um sobá... E você? Trouxe o bolo que havia prometido?

–O bolo! –exclamou desajeitado. –Ai... Esqueci o bolo... Foi tanta correria hoje que me esqueci. Me desculpem...

–Nem esquenta. –Lavi interviu. –Você pode prepará-lo agora.

–Agora?!

–Sim, nós temos o necessário. –a morena riu enquanto empurrava o menor até a cozinha. –Mãos à obra, Allenzinho.

–Ehhh?!

Enfim os noivos deixaram o amigo albino sozinho com os ingredientes enquanto tiravam alguns “amassos” no sofá. Allen não pretendia demorar, porém o doce requeria mais de uma hora até que ficasse completamente pronto.

–Ah... Vai demorar... A massa vai cozinhando, enquanto isso a gente podia jantar, hein? –sorriu implorando que aceitassem a ideia, encontrava-se vesgo de fome.

O casal assentiu sentando-se à mesa; Lavi ao lado da chinesa e Allen ao lado da cadeira desocupada...

O pequeno ainda não havia revelado as experiências que tivera com Kanda, queria primeiramente perguntá-lo se havia a possibilidade de abrir o jogo com os amigos, o que certamente o outro negaria.

Allen volta e meia levantava-se da mesa para visualizar sua obra de arte, o bolo, experimentando um pouco ali, retocando aqui, deixando-o deliciosamente impecável.

O relógio marcavam onze horas passadas, até o celular do albino despertar ao som de roque clássico; era Kanda e, assim que viu o nome dele gritado na touchscreen, atendeu de imediato.

–A-alô?

Ei...

–Kanda... O que houve? –o casal observava mudo.

Então, não vou poder ir aí. –o sorriso de Allen se desmanchou no mesmo instante. –Vamos fazer uma cirurgia no animal. A gente tava esperando vir um aparelho que tava em falta aqui na clínica pra começar o procedimento, aí atrasou, mas estou entrando na sala agora.

–Poxa... É crítico então...

É.

–Okay, Kanda... Nos vemos depois, sem problemas. Boa sorte...

Certo, vou desligar.

–Tá... –ouviu o outro lado da linha ser cortado seguido por uma leva de “tu, tu, tu” infinitos.

Permaneceu imóvel, nisso Lavi e Lenalee traziam as sobremesas da cozinha. O casal fitava desentendido enquanto Allen permanecia cabisbaixo.

–O que aconteceu, Allenzinho? –a amiga aproximou-se.

–Hm, nada! O Kanda não virá, só isso! –a mudança de humor repentina fez com que a morena desconfiasse intensamente. –Oba! Doces!

–“Nada”, sei... –lançou seu olhar desafiador.

–Bom, vamos comer que daqui a pouco será meia noite! –o ruivo servia. –Natal e aniversário do moyashi!

Moyashi que nada! Coelho bobo! –ria enquanto guerreavam com apelidos.

...

Não demorou muito para os poucos fogos de artifício surgirem colorindo a imensa escuridão. Era possível ouvir os vizinhos desejando feliz Natal, e o trio presente ali não agiu diferente.

A troca de pacotes se iniciou com Lavi de pé em frente aos outros dois sentados no sofá.

–Bom... O meu amigo secreto é... –pausa dramática. –Alguém que não tá aqui... –fez bico, queria implicar com o japonês.

–É o Kanda... –Lenalee e Allen disseram juntos.

–Lena, pode ir você. –o menor deu a vez.

–Okay! Meu amigo secreto é... Alguém que conheço há muito tempo! –os outros dois se entreolharam. –Hm... É meu amigo! –novamente Allen desconfiou junto do ruivo. –Tá... Gosta de criar apelidos...

–Lavi! –Allen adivinhou.

–Acertou! –os noivos trocaram um selinho enquanto Lavi pegava o pacote da mão da garota. –Bom... Agora já ficou óbvio quem tirou quem...

–Pois é. Eu tirei você, Lena. –abraçou a amiga. –Espero que goste do presente!

–Então o Yuu tirou o Allen. –o caolho complementou. –Deve ter sido por isso que ele não veio!

–Ha-ha-ha. Muito engraçado, Lavi! –Allen mostrou a língua recebendo o mesmo xingamento de volta.

–A gente repetiu quatro vezes porque o Allen só tirava o nome dele... E olha com quem foi parar. –a amiga também implicava. –Enfim, esse aqui é de aniversário. Parabéns!

Lenalee entregou-lhe um pacote pesado, uma caixa revestida com papel enfeitado, Allen ficou curioso.

Os olhos se arregalaram imediatamente ao ver a embalagem personalizada com a imagem de uma câmera Canon SLR digital. O casal ria da expressão boba do menor.

–Nossa... –lacrimejou. –É tão linda...

–Então, não vai registrar esse momento? –a amiga afagava os cabelos prateados enquanto Allen a abraçava.

–Muito obrigado, Lena! Irei registrar, com certeza!

–Ei, ei. O presente é meu e dela! –Lavi alertou beliscando a bochecha dele. –Mas, pra ficar legal, vou te entregar um pacote também, senão a Lena rouba a cena toda. –brincou trazendo um pacote menor e mais leve.

Allen desfazia o laço do presente entretendo-se com a curiosidade que o invadia, enquanto o ruivo retorcia-se segurando o riso.

–Uma caneca de bichinhos? –o menor questionou olhando torto.

–Não! Veja melhor. –Lavi não se conteve.

–Dangos! –e os três começaram a rir.

...

O inglês despedia-se dos amigos enquanto entrava no taxi que o levaria de volta para casa; Lenalee mandava beijos e Lavi acenava. Tiveram uma reunião bastante divertida.

Uma hora da madrugada e já sentia o peso das pálpebras atrapalhar sua visão; Allen bocejava seguidamente, curtindo o calor que o estofado do banco transmitia para seu corpo trêmulo; certamente a temperatura da noite registrava graus negativos...

Poucos minutos de estrada e já se situavam em frente ao edifício.

–Obrigado, tenha um feliz Natal. –o motorista disse contando as notas verdes.

–Igualmente. –sorriu guardando a carteira enquanto deixava o veículo.

Seus planos eram: ir direto para debaixo das cobertas, dormir que nem pedra e só acordar no meio-dia.

Adentrou o apartamento já se livrando das sacolas, assim como de seus calçados, indo preparar um chocolate quente; não demorou muito para que ouvisse o celular tocar.

–Kanda... –balbuciou. –Alô?

Oi.

–Kanda! –surpreendeu-se.

Você já tá em casa?

–Ah, estou sim, tava indo dormir... Como foi a cirurgia, deu tudo certo?

Sim. Ele ainda precisa ficar de repouso, e acalmar animal: só com anestesia.

–Tadinho...

Vou passar aí então.

–Aqui?! M-mas não tá tarde?

Tsc. Quando eu tiver aí embaixo, mando uma mensagem. Vou desligar.

–Kand- –fora cortado.

Os batimentos apressados machucavam o peito de Allen, que andava em círculos, ansioso; até bater o rosto na quina da parede enquanto dava mais uma volta.

–Ai... –correu entrando no banheiro. –Ótimo... –o reflexo no espelho revelava o arranhão no nariz arrebitado dele. –Vai ficar vermelho! Que vergonha... –passou uma água a fim de amenizar a dor.

...

Allen já se encontrava adormecido, sentado no sofá, quando o celular vibrou o despertando em alerta; ergueu o aparelho tentando decifrar o horário, porém os olhos adormecidos não ajudavam. Uma e quarenta da manhã e Kanda estava o esperando na calçada do edifício.

BaKanda

Desça


Sem queixa, o albino deixou o apartamento enquanto enrolava mais um cachecol no pescoço. Descia as escadas cambaleando junto de vários bocejos.

Assim que saiu pela portaria, enxergou o charmoso Accord EX estacionado em frente ao edifício; observou Kanda descer do veículo revelando cansaço nos olhos estreitos e a face pálida do frio.

O moreno vestia um sobretudo preto de lã grossa e camiseta básica de mesma cor; cachecol xadrez azul marinho, calças jeans e sapatos sociais beges. O casaco desabotoado revelava a frente do mais velho, fazendo com que Allen suspirasse admirado com o físico dele.

–Olá... –disse encabulado aproximando-se. –Está muito bonito, Kanda. –o moreno riu irônico, como se já soubesse de tal informação.

–Hey.

Entreolharam-se por longos segundos, calados, enquanto pequenos flocos de gelo davam início à tempestade de neve que viria logo em seguida. Os tufos níveos se camuflavam junto dos fios prateados de Allen.

–Seu nariz... Tá deplorável. –o moreno quebrou o silêncio com seu comentário adorável.

–E-eu arranhei! –virou o rosto, envergonhado, relembrando que a causa do ferimento fora ele: Yuu Kanda.

–Enfim, tenho algo pra você. –retirava a neve acumulada nos próprios cabelos.

–Ah, eu tenho algo pra você também! –mostrou-lhe a sacola com o presente; o outro permaneceu cabisbaixo. –M-mas, pode começar contigo!

–Que seja. –aproximou-se. –Admito que, há tempos, estou pra te dar isto...

–... –cerrou os olhos assim que sentiu o contato da palma dele sobre suas pálpebras.

–Feliz aniversário. –permitiu que o menor enxergasse a surpresa.

Allen congelou ao ver o que a pequena caixa camurçada escondia; a luz reluziu na joia refletindo em seus olhos já vidrados.

–K-Kanda... I-isto é... –tapou a boca com ambas as mãos.

Tomou o rosto avermelhado do pequeno para si, deixando que os lábios se encontrassem em um selinho demorado; Kanda afastou-se em poucos centímetros, finalmente proferindo:

–Case-se comigo, moyashi.

...

Notas finais
Ai... Finalmente... Finalmente, Kanda! Mostrarei a reação do moyashi só no capítulo que vem! Sim, sou cruel, e creio que a maioria já saiba disso. LOL

Próximo capítulo: LEMON ♥
Sim, prometo, o próximo é sem falta.
Por-tan-to não sei se vou conseguir terminá-lo quinta que vem, pois, assim como havia feito com o sétimo, ainda não deixei nada preparado e, como será lemon, a narrativa fica bem mais intensa.
Mas quem sabe não sai, hm?

Hasta la pasta!~ (Italy)