Notas iniciais
Olá, aqui estou eu trazendo o mais novo capítulo! Novamente narrado apenas entre Allen e Kanda. Maravilha, não? ♥

Oook, tenham uma boa leitura!

Onze horas e Allen aprontava-se para dormir enquanto Kanda preparava mais um chá quente, seria o último da noite.

–Toma. –entregou-lhe a caneca. –Tá muito quente, vai com calma. –deu as costas escondendo o embaraço. Era um tanto constrangedor ficar a sós com o moyashi, ainda mais depois de tal confissão.

–Obrigado. –sorriu o fitando. –V-você vai... Dormir aqui?

–Você quer o que? Já disse que vou cuidar do seu resfriado. –encarou. –Vou ficar na sala mesmo. –sentou-se no sofá tomando o controle remoto em mãos.

–Certo... Aquelas cobertas servem? –engoliu um pouco do chá forte.

Kanda acenou com a cabeça pegando as colchas de lã em cima da guarda do sofá concentrando-se na programação do televisor, enquanto Allen terminava de esvaziar a caneca, sentado ao balcão da cozinha que dava para a sala.

O menor examinava tudo naquele homem: os cabelos longos e negros presos num rabo-de-cavalo baixo e frouxo, o rosto sério, os ombros largos, a posição que sentava; tudo nele o fascinava. Corou voltando o olhar à caneca já vazia, passou uma água e deixou sobre a pia indo para o banheiro.

Preparou a escova com o creme dental, faria sua higiene para enfim deitar-se. Não demorou muito para notar o outro escorado na porta com o objeto também em mãos.

–Kanda? –disse já finalizando a escovação retirando a espuma. –Só um segundo... Pronto! Pode usar. –sorriu.

–Oi. –passou o indicador no canto dos lábios dele. –Não sabe nem escovar os dentes? –retirou a espuma acumulada ali. Allen enrubesceu enquanto o maior desviou fitando o espelho.

O coração do albino engatou a primeira acelerando em cerca de poucos segundos, novamente havia sido manipulado por ele... Acompanhou Kanda enxaguar a boca e secar o rosto largando a escova junto da sua.

–Pra casos de emergên- –fora calado por um beijo tímido e desajeitado do mais novo. Os orbes negros arregalados sossegaram à medida que o moreno ia curtindo o ato; semicerrados, ainda fitavam a pequena criatura à sua frente.

Allen agarrava-se no pescoço do amante entreabrindo os lábios, misturando seus hálitos. Antecipadamente estocou a língua na boca do maior, o chamando. Kanda, porém, não agiu, deixou que Allen fizesse seus próprios movimentos, revelando suas experiências.

Saboreavam o gosto de hortelã enquanto sugavam as línguas desesperadas. O maior tomou-o pela cintura, prensando-o no azulejo gelado da parede; Allen gemeu baixinho enquanto enroscava os dedos naqueles fios longos e lisos.

Kanda massageava o pescoço alvo do menor, ora beliscando, arrancando murmúrios dele; o marcava com as unhas enquanto o beijo se intensificava na presença de mordidas e chupões, tingindo os lábios com um vermelho intenso.

–Uuff... –lamentou a falta de oxigênio. –Kanda... –cessaram ali, permitindo que as bocas se encontrassem mais uma vez, finalizando o ato com um estalo forte.

–Chega. Vai dormir. –rumou para a sala.

Allen fitou Kanda ajeitar-se comodamente assistindo à televisão sem volume; escorou-se na quina do corredor admirando ele.

–Kanda? –chamou e, assim que o mais velho deu-lhe atenção, beijou o ar na esperança de que alcançasse o outro lado. –Boa noite.

No entanto o japonês voltou a atenção à programação e, quando fitou o corredor novamente, Allen já havia ido deitar. Yuu sorriu discreto, os lábios gesticulavam um “Boa noite” silencioso.

...

Mais uma segunda-feira amanhecendo na cidade agitada de Nova York, a avenida movimentada e barulhenta legitimava o recomeço da rotina. O céu acinzentado disfarçava os raios solares que, somado ao frio, dificultava ainda mais Kanda de se levantar.

Sem muita queixa, pôs-se de pé notando ruídos provindos do quarto do menor; rumou até o cômodo dele dando de cara com o albino trocando a camiseta. Fitou a criatura por alguns minutos examinando o pescoço fino, os ombros pouco largos, o tórax, as costas, e um pouco de delicadeza da cintura. Allen conseguia atrair sua atenção por ser tão esbelto... Apesar de irritar-se profundamente, a imagem dele enchiam seus olhos.

–Ei. –chamou baixo.

–K-Kanda! –berrou encabulado tomando as peças de roupa em mãos. –N-não entre assim do nada! –já não se podia distinguir Allen de um tomate ambulante de tão vermelho que se encontrava.

–E o que tem demais? –Allen acompanhou os orbes negros rolarem de cima a baixo, o fitando. –Vista-se e iremos pra casa. –deu as costas adentrando o banheiro enquanto uma das mãos afagava os cabelos.

–Como assim... –o seguiu, porém já havia feito a higiene matinal. –Kanda?

–Aff. –enfiou a escova de dente na boca. –Em casa eu tenho o que preciso pra cuidar de ti. –fitava o espelho enquanto pronunciava esquisito.

Allen não se manifestou; tornando ao quarto novamente, voltando a trocar-se; ora enfiava as calças, ora espiava Kanda do outro lado do corredor... Os lábios esboçavam um sorriso bobo até que não conteve a risada, fazendo o maior desconfiar.

–Oi. –alertou. –Quer parar com a palhaçada e aligeirar? –dava passos apressados.

–Que saco você, hein?! –fingiu a brabeza; estava contente, e muito.

Em pouco tempo já estavam prontos para partir. Allen vestia roupas quentes, junto de touca e cachecol; o nariz inchado e as bochechas avermelhadas desmentiam o resfriado.

–E seu trabalho na clínica? –o menor questionou enquanto trancava o apartamento do lado de fora.

–O que quê tem? –já se aproximava das escadas.

–B-bom, você está faltando por uma pequena cau- –imediatamente Kanda lançou seu pior olhar a ele, o assustando, deixando-o paralisado em frente à porta.

–Che. Você se declara, eu tento fazer algo por você e é assim que sou retribuído. Legal. –retornou aos degraus, indignado.

–N-não! Você entendeu errado! –seguiu. –Não foi isso que quis dizer...

–Cala a boca. Que saco. –ignorou a partir de então.

–Kanda! –encaixou sua mão na dele. –Eu fico extremamente contente por você fazer isso por mim, mas o que quis dizer é que não estou tão doente assim!... A ponto de você faltar ao trabalho. –escorou-se nele enquanto entrelaçavam os dedos. –Entende?...

–Já disse o quão chato você é, hoje? –parou já na escadaria do térreo juntando seus olhos nos dele. Sem entender, Allen obedeceu freando junto. –Se estou dizendo que vou te levar pra casa, é porque a situação não é tão simples assim.

–M-mas eu-

–Vem cá. –agarrou-o pelo colarinho do casaco, juntando as faces. –Seu rosto tá fervendo, então cala a boca que você não sabe de nada. –afastaram-se alguns centímetros ainda com os orbes colados, mesclando suas cores.

–Kanda... –os olhos sorriam, sua expressão era mansa; acabou por aceitar os cuidados do amado.

–Shiu. –beijou-o singelamente, apenas um selinho.

Allen estremeceu ao sentir os lábios do maior colados aos seus, cerrou os olhos com força sentindo o arrepio atravessar sua coluna dorsal, arqueando-se todo; estava dois degraus acima de Kanda, deixando-o mais alto que ele.

Romperam assim que o maior voltou a descer o restante da escadaria, porém o albino havia congelado; tocou a boca com o dorso da mão, em devaneio, curtindo aquela nova sensação.

–Ei. –chamou. Allen despertou dos pensamentos, envergonhado. Kanda riu, até que ofereceu a mão. –Vem.

Enfim chegaram ao veículo estacionado na calçada do edifício. Allen respirava com dificuldade, suas mãos gélidas tremiam; o maior ligou o ar condicionado do carro, em uma temperatura ambiente.

Kanda umedeceu uma pequena flanela, colocando-a em seguida na testa quente do menor, que tremeu ao sentir poucas gotas escorrendo do pano, criando um rastro fresco em seu rosto, acelerando suas trocas de calor; porém ele só relaxou depois que sentiu o motorista tocar sua mão.

Passados alguns instantes, Allen deixou o embalinho do carro levá-lo aos sonhos, dormindo em seguida. O maior livrou sua mão da dele tomando o volante, trazendo-o para a direita, na rua desejada.

Estacionou girando a chave e puxando o freio de mão. Kanda notou a toalha caída entre as pernas do menor.

Moyashi... –trouxe alguns fios prateados para trás da orelha dele, examinando o rosto delineado, gracioso. Separou as coxas dele fazendo o pano escorregar entre elas. –Merda. –tratou de retirá-lo dali.

Allen despertou com o japonês praticamente em cima de si. –Hm...? –disse a voz cansada, corava notando suas posições; o calor da mão dele era transmitido para suas pernas, o deixando sensível.

–Só um minuto. –afundou mais os dedos sentindo o tecido úmido; até que agarrou a ponta da flanela trazendo-a consigo, arrancando sua mão dentre as coxas dele. –Não é o que está pensando.

–Como? –fitou desentendido, ainda sonolento.

–Só ajo quando tenho compromisso. –desceu do veículo indo ajudá-lo. –Não vou te assediar. –abriu a porta o encarando, sorrindo sarcástico.

Sentiu seu peito fulminar, traçando um rastro quente até a região da nuca, sacudindo a cabeça logo então; Allen desviou o olhar para as próprias mãos.

–Eu n-não havia p-pensado niss-

–Anda, você precisa de medicamento. –deixou-o para trás.

Assim que entraram na residência, a gata veio à espera de carícias e seus preciosos grãos de ração. O menor admirou-se com a “fofura” da felina, porém esta se afastou dele, medrosa.

–Que gracinha. –disse sentando-se ao sofá da imensa sala, ainda fitando a gata. –Tem nome?

–Claro que tem, né. –respondeu da cozinha enquanto abria os armários atrás de antibióticos. –Lótus. –veio ao encontro do menor, entregando-lhe um copo com água e o comprimido. –Toma. Um antibiótico pra prevenir, agora que você está com a imunidade baixa.

–Lótus... –balbuciou ainda observando o animal. –Você sempre gostou dessa flor, né? –engoliu o remédio seguido da água gelada, o que provocou um pouco de dor de cabeça.

–A origem da flor é muito parecida à dessa gata. E se olhar bem... –aproximou seu rosto do dele enquanto falava. –... Ela tem alguns pelos brancos na testa que parecem uma flor de Lótus, então...

–É verdade...

–Vou medir sua febre. –Kanda alimentou a gata e logo subiu ao piso superior atrás de seu kit de primeiros socorros.

Sem muita demora, voltou ao primeiro andar trazendo termômetro, estetoscópio e um aparelho de pressão. Allen arregalou os olhos vendo todos aqueles objetos.

–P-pra medir a febre precisa disso tudo? –encolheu-se na guarda do sofá. –N-não gostei da ideia!

–Para de frescura. É melhor que não reclame. –encarou furioso. –Anda, tira o casaco, as blusas,...

Allen bufou retirando as mudas de roupa; o maior acionava o ar condicionado em 18°C. Kanda ligou o termômetro digital, ajeitando o aparelho entre o braço esquerdo de Allen, que arqueou com o choque térmico.

–Fique quieto. –ordenou. –Aliás, nunca entendi essas manchas no seu braço.

–Sempre as tive, desde que nasci. –disse imóvel. –Quando eu era menor, as outras crianças se surpreendiam com elas, algumas achavam interessante, outras me deixavam de fora das brincadeiras. –riu. –Os xingamentos diminuíram quando cresci.

–Hm... –completos três minutos, ouviu-se o apito; Allen levantou o braço deixando que o outro pegasse o termômetro. –38,3.

–Ah, nem é tão horrível assim. –sorriu.

–Tsc. –rebateu com o olhar, furioso. –Vou medir a pressão agora.

O menor amoleceu sentindo o contato direto do outro em sua pele, ele tinha as mãos quentes e toques cuidadosos; corou de leve ainda sorrindo enquanto observava Kanda preocupado consigo.

–Normal.

–Ufa, pelo menos algo tinha que estar normal! –brincou. –Papai tinha a pressão baixa... Ele desmaiava quase sempre, até que uma vez ele tava voltando de uma viagem com a mamãe e... –calou-se entristecido relembrando a tragédia familiar; tapava a boca com ambas as mãos resolvendo deixar o assunto de lado.

Kanda notou a mudança repentina no humor do outro, respirou fundo e deu continuidade aos tratamentos.

–Vem, deixa eu terminar logo com isso. –encaixou o estetoscópio nos ouvidos enquanto a outra extremidade tocava o peito do menor.

Os batimentos eram apressados, porém compassados. Kanda suspirou aliviado de que não havia alteração no ritmo cardíaco do outro; movia o aparelho, ainda sobre a pele clara, o fazendo arrepiar.

–Tá gelado... –murmurou.

–Respira fundo e devagar. –tornou a ponta do objeto para as costas de Allen, na altura dos pulmões.

Allen inspirou e expirou lentamente umas três vezes, até o maior satisfazer-se; vestiu as blusas quentes, desesperado, porém Kanda deu-lhe um peteleco em uma de suas mãos ordenando-o que não vestisse a jaqueta.

–E então? Algo de errado, doutor? –brincou.

–Não. –disse desfazendo-se do estetoscópio. –Os batimentos estavam ritmados, só rápidos demais. –devolveu a brincadeira e, sem perceber, já se aproximava dos lábios dele.

Beijaram-se ternamente, os braços finos envolviam o pescoço de Kanda; permitiram que a troca de salivas se iniciasse, enroscando as línguas moderadamente, curtindo o beijo já com os olhos fechados.

Allen deliciava-se com os gestos do mais velho, não contendo os poucos gemidos que escapavam quando ele afagava sua cintura; sentiu erguer-se: Kanda o chamava para seu colo, obedecendo sem esforços.

Fitaram-se apaixonados, o encaixe entre os dois era perfeito. Já com os lábios entreabertos, preparavam-se para mais um beijo: foi quando o estômago de Allen pronunciou.

–E-estou com fome! –tentava esconder a vergonha.

–Vai comer o que eu quiser que coma. –dirigiu-se à cozinha indo preparar uma sopa forte de vitaminas.

–Ah... –caiu sobre os joelhos lamentando-se.

...

A manhã aproximava-se do horário de almoço, tanto Allen quanto Kanda haviam informado que faltariam ao trabalho. O menor encontrava-se, agora, deitado no quarto do mais velho.

–O Link vai me odiar pra sempre agora... –murmurou aflito. –Eu prometi que ia ajudá-lo com a nova receita...

–Ei, você quer mais? –ignorou os comentários anteriores, Kanda não ia com a cara do colega de trabalho de Allen.

–Eu aceito, Kanda, tá muito gostoso! –sorriu mudando completamente o humor. –Você dá uma ótima esposa! –gargalhou levando um cascudo em seguida.

Yuu rumou para o andar de baixo bufando a cada passo que dava, irritado. Enquanto isso, Allen tornou o olhar para o retrato suspeito em cima do criado-mudo, o examinando em silêncio.

Havia a foto de uma mulher muito bonita, clara de cabelos lisos e dourados, presos em um rabo-de-cavalo. O sorriso da moça era cativante e lembrava ele próprio, Allen Walker.

Milhares de questões vieram à tona naquele instante: por que Kanda havia se casado, como se apaixonou por ela, por que era tão parecida consigo,... Entreabriu os lábios prestes a proferir, sorriu um pouco magoado e deu início à frase.

–Bom-dia, moça bonita. –sussurrou enquanto ajeitava-se sobre os cotovelos fitando a foto. –Você é mesmo muito linda. Kanda tem um bom gosto, né? –riu das próprias palavras. –Bem... Eu queria te agradecer por ter cuidado dele, mesmo que por pouco tempo... –deitou as costas no colchão fitando o teto. –Fico feliz de coração. E... Seria muito egoísmo da minha parte também querer tê-lo? –relaxou as pálpebras. –Eu amo muito seu marido... Me desculpe.

Kanda havia escutado o monólogo, escorado na parede do lado de fora do quarto; suspirou surpreso com a mais recente confissão, mesmo que indireta. Adentrou o cômodo marcando o chão com passos barulhentos, a fim de que o outro notasse sua presença e parasse de balbuciar abobrinhas.

–Toma. Tá quente. –alertou entregando a tigela. Allen assentiu com a cabeça enquanto erguia-se sentado.

Os olhos estreitos voltaram-se à pequena criatura e permaneceram fixos a ela, tentando entendê-la, curtindo examiná-la, transformando Allen no enigma mais interessante que Kanda já havia presenciado até então.

–Obrigado... –e novamente aquele sorriso o trouxe um gosto nostálgico. –... Kanda.

...

Notas finais
Bom, próximo capítulo não sei se sairá quinta que vem porque acabei me atrasando e tal. Mas espero que dê tudo certo e fique prontinho porque será o mais bonito, na minha opinião. ♥

E trago más notícias, ou boas(?): a fanfic tá chegando ao fim, pois é... Dará em torno de 9 capítulos. Mas foi muito bom voltar a escrever depois de mais de um ano "parada". ;u;

Mais uma vez agradeço a quem lê, quem acompanha e principalmente aos que deixam reviews comentando da fanfic, etc. ♥

Hasta la vista!