The warmth of Winter

9 Um pássaro brilhante


Notas iniciais
Boa leitura = )

Lala, por que não leva esse blusão? Ela o pega de minhas mãos.

Você é realmente exagerada, não vamos morar lá, é só o tempo da missão, mas te entendo, da um medo de faltar algo. Sorrio a encorajando, enquanto ela guarda a blusa na mala, que já está bem cheia. — Quer ajuda para arrumar a sua? Pergunta a loira.

Não, só estou meio ansiosa, sabe é nossa primeira missão, empolgante, né? Finjo meu melhor sorriso, ela larga a mala e me agarra.

Siiiim! Não da pra acreditar. Diz radiante, concordo com a cabeça.

Depois de mais alguns momentos de excitação pela viagem, consigo sair do quarto de Layla, ao chegar ao meu, arrumo uma mala mediana e coloco roupas de todas as estações, pego minha caixinha de musica e retiro todo o meu dinheiro escondido, o guardo em segurança dentro da caixa do meu óculos de sol e então retiro o dinheiro de meu bolso e o coloco junto, suspiro irritada, e prometo a mim mesma que irei devolver o dinheiro da Foster. Um dos motivos pelo qual fui a seu quarto, foi para pegar suas economias, eu sei que isso é errado, porém é por um bem maior, e é só temporário, sem dúvidas irei devolvê-lo. O segundo motivo é que eu precisava que ela exagerasse na mala, até por que, também pretendo pegar suas roupas, que espécie de pessoa terrível me tornei, estou afanando minha melhor amiga.

Ouço uma batida na porta, fecho a mala, e vou abrir a porta, do outro lado se encontra Cash, que segura uma longa embalagem plástica, do tipo que guarda roupas de gala.

É do pessoal da divisão de ciências, eles disseram que não tinha como você sair em missão sem isso. Ela me entrega o saco.

Obrigada! Digo sem saber o que fazer, será que minhas roupas estão assim tão ruins, penso comigo mesma.

E isso, é um segredo. Não fui eu quem te entregou e você não sabe da onde veio. A olhei completamente confusa, dessa vez ela me estendeu uma caixa pouco menor que uma de sapatos. — Certo? Exigiu ela, sem alternativa, concordei com a cabeça.

Assim que ela saiu corri para dentro do quarto, tranquei a porta e fui ver o que eram os presentes misteriosos, a embalagem plástica era nada menos que um uniforme, um uniforme estilizado e do meu tamanho, não pude evitar o momento garotinha, agarrei o uniforme e parei em frente ao espelho, notei que tinha um bilhete.

Use com o macacão.

Como sugeria o bilhete, vesti o macacão e por cima o casaco, ele era lindo, preto com detalhes em vermelho, igual ao de todos, porém não tinha mangas, e só fechava até a cintura, contudo, tinham pedaços que desciam dos dois lados e chegavam até o joelho. Junto vinham lindas luvas brancas que iam até metade do bíceps e terminavam com uma listra vermelha, uma preta e um babado vermelho. E para fechar com chave de ouro, botas pretas de cano extremamente longo, pois passavam do joelho. Não resisti e girei em frente ao espelho, absorvendo cada mínimo detalhe, quase cheguei a me esquecer do outro presente, mas precisava manter o foco, o que Cash me disse foi intrigante, eu precisava entender o porquê daquilo.

Abri a caixa, dentro tinha um cano escuro, era da grossura de uma shinai, pesava muito pouco, parecia ferro, pois era muito frio, girei de um lado para o outro, sem entender o que havia de mais no presente. Percebi então que havia um leve relevo, parecia uma flor, e tinha uma parte sobressalente, apertei-a, e gritei jogando o cano longe. Ele tinha dobrado de tamanho, e agora tinha uma ponta perigosamente afiada, me aproximei devagar, aquilo era uma lança, peguei-a, continuava pesando quase nada, fiquei a encarando por um longo tempo, sem entender a razão por trás daquilo. Uma lembrança pulou em minha mente, a algum tempo, Kanda havia me dito que quando fossemos sair, era melhor eu arranjar uma arma, uau, ele conseguira uma senhora duma arma, apertei novamente o relevo, encarei o pequeno tubo, cabia perfeitamente em meu bolso, todavia percebi que tinha mais coisas caixa, coloquei-o na cama e peguei algo que de primeira não pude reconhecer, mas a inocência me explicou, era um suporte, tudo fez sentido, essa era a razão do tecido que sobrava dos lados, eles o esconderiam, prendi o suporte na coxa e coloquei a lança lá. Suspirei, agora não tem mais volta, pensei puxando minha mala, e saindo do quarto.

P-E-R-F-E-I-T-O! Que lindo! Você está à coisa mais incrível que já vi. Por que não me contou antes que tinha um uniforme? Ri do entusiasmo da loira.

Acabei de ganhá-lo. Gostou? Pergunto girando, eu não me cansava de olhar para o casaco, ele era lindo.

Sim! É maravilhoso! Que inveja. Fala ela, fazendo bico.

O seu também é incrível. Layla recebera o mesmo modelo que Lenalee, o meu era o único exclusivo, eu podia entendê-la.

Vamos logo. Apressa-nos o general, seguimos para o portal, percebo então que esqueci minha senha.

Droga, eu vou atrasa-los, sem contar que Kanda vai usar isso como argumento para me deixar pra trás, nesse momento o guarda se vira para mim e pede a senha, sorrio constrangida, a inocência repete a senha, quase choro de alívio, digo a senha e saímos da igreja.

Nossa missão é muito simples, não tem modo de falharmos. Diz a Foster de forma convencida.

Por favor, não seja tão descuidada Foster-dono. Pede um dos finders que nos acompanha.

Impossível, está na natureza dela. Falo, sorrindo ao finder.

Vamos logo recuperar essa inocência. Responde o espadachim, já sem paciência.

A missão parecia simples, um pássaro que brilhava, foi isso que os aldeões relataram, finders vieram procurar e disseram que a única possibilidade é que seja um efeito da inocência. Faltava uma hora para anoitecer, até lá, podíamos gastar o tempo como preferíssemos, sem me dar tempo para pensar, a coração me ordenou a comer, passei a sugestão adiante, e todos aceitaram. Fomos para um bar, deixei que os finders fizessem o pedido, enquanto Layla tagarelava alegremente sobre aquela ser a primeira das nossas muitas aventuras, aquilo sempre me dava um nó no estomago, mas ignorei.

Por que será que o pássaro só é visível à noite? Questiona a loira, atacando uma asa de frango.

Talvez por que você não vai notar que algo brilha no claro. Sugere Kanda de modo sarcástico, sinto o clima esquentar, decido então que preciso interromper antes que uma briga comece.

Talvez ele seja como um vaga-lume. Um silêncio constrangedor se seguiu a meu comentário, senti minhas bochechas esquentarem. — Ou não… Completei encarando meu copo.

Layla é a primeira a rir, logo porém, ela é seguida pelos finders, o general não se junta a eles, mas vejo um esboço de sorriso em seu rosto, bom, ao menos não estão mais brigando, penso ainda sentindo minhas bochechas quentes.

Terminamos de comer e deixamos o bar, os finders dizem que é mais comum ver o pássaro no centro da cidade, por essa razão nos dirigimos para lá. Mesmo sendo uma cidade pequena, o centro é bem agitado, no meio a uma praça com muitas árvores que fazem sombra a banquinhos, uma capela, uma biblioteca, e muitos comércios de rua, parece que a atração da cidade é a feira noturna. Sem se conter a Foster corre para olhar as barracas, ela me chama, contudo sinto que como estamos em missão não devo me distrair, os finders sugerem que nos dividamos.

Você não pode senti-lo? Me pergunta Kanda, após uma hora de caminhada, na qual não vimos nada, eu ficara em dupla com ele, o finder chamado Pete ficara com Layla e o ultimo finder ficou sozinho.

É estranho, mas não, e isso não faz sentido, consigo saber exatamente onde Lala está, e consigo sentir a Mugen também, todavia não tenho nem sinal dessa inocência.

Tch. Mordo o lábio para não rir, ele se estressa tão fácil, eu podia muito bem passar a noite toda andando por essa feirinha. — Fuyuki.

Olho para o espadachim e percebo que paramos em frente a fonte, ele pega o golem e o desliga, suspiro e me sento na borda da fonte, ele me acompanha.

Quando acharmos o pássaro, entregaremos a inocência a Layla, farei com que ela e os outros achem que houve uma batalha e no separamos nela, eles voltarão com essa história convincente e nós partiremos em direção a Allen, por sinal, até mesmo ele, eu consigo sentir, não perfeitamente, graças ao Noah, contudo ainda consigo senti-lo. O moreno dá um aceno com a cabeça e volta a ligar o golem.

Vamos. Voltamos a passear pela feira caçando um pássaro brilhante.