The warmth of Winter

27 Um dia muito importante


Notas iniciais
Boa leitura = )

Layla Foster POV

Suspirei irritada, quanto tempo mais me prenderiam na enfermaria, eu estava bem, não há nada mais comum que nos machucarmos, não sei por que as enfermeiras fazem tanto barulho por isso.

Agora está bom. Fala a enfermeira terminando de amarrar a faixa em meu braço. — Você já pode ir, Layla.

Dou um aceno com a cabeça e deixo a enfermaria, me dirigindo para meu quarto, não estou com vontade de ir para a cafeteria, não estou a fim de rever aquelas pessoas, nem de ouvir suas fofocas cruéis.

Layla-chan! Droga, alguém me achou, penso desanimada virando-me, vejo Miranda sorrindo simpaticamente para mim, tento sorrir o mais simpaticamente de volta. — Está indo comer?

Indaga a morena se aproximando, sem escapatória, concordo com um aceno e a sigo para o refeitório, pelo jeito terei de aguentar mais um pouco de comentários venenosos.

Miranda, Layla. Diz Marie assim que chegamos a fila e paramos atrás dele.

Bom dia. Fala Krory que o acompanha, Miranda os responde igualmente simpática, novamente me contento em acenar com a cabeça.

Como foi a missão? Pergunta o Noise, tentando puxar assunto.

Tranquila, a general Nine deu conta da maior parte dos akumas. Caímos em silêncio novamente, dessa vez ele preferiu se juntar a Lotto e Arystar.

Mas ele é realmente lindo! Duas enfermeiras pararam atrás de nós na fila, elas pareciam extremamente eufóricas.

Sem dúvida é um nobre. Diz a morena, ao que a ruiva acena positivamente com a cabeça. — Será que é um novo exorcista?

Não, ele parece muito inteligente, talvez vá fazer parte da divisão de ciências. As duas pareciam soltar faíscas de tão animadas, e pensar que eu fazia exatamente isso, mas agora não tem mais ninguém para eu falar, porém, ver essas duas me trouxe memórias indesejadas, balancei a cabeça e saí da fila, ouvi os outros me chamarem, mas os ignorei.

Novamente rumei para meu quarto, minhas unhas cravadas em minhas palmas, eu não posso aceitar, não importa quantas provas me sejam dadas, eu não vou aceitar, não até vê-la, não até que ela me diga pessoalmente, o por que de ter me deixado para trás, fechei meus olhos com força chacoalhando a cabeça, abri-os tarde demais, eu estava entrando no corredor que levava ao elevador e alguém vinha saindo dele, fazendo com que fosse inevitável que nos chocássemos.

Ouch! Falo, pondo minha mão em meu nariz, e voltando alguns passos para trás.

Me perdoe! Estava distraído e não a vi, machuquei-lhe? Levanto meus olhos e sinto meu rosto esquentar, um homem muito bonito me encara, seus olhos de um lindo tom de castanho que se parece a chocolate.

Eu… É, eu… Respiro fundo, me obrigando a parar de gaguejar. — Me desculpe, eu também estava distrai…

Antes que pudesse terminar, ele se aproxima muito rápido e estica a mão em direção a meu pescoço, dou alguns passos para trás tentando evita-lo e paro em posição de combate.

Quem é você? O que pretende? Seus olhos continuam fixos em meu pescoço por um longo momento, então ele os sobe para os meus.

Onde conseguiu este colar? Seu tom me surpreende, não é nada doce e gentil como o que usou segundos atrás, este tom é frio e acusador, engulo em seco, sua expressão me faz pensar no que ele fará se não gostar da resposta, e por algum motivo, isso me assusta.

Uma amiga. Tento acalmar minha respiração, que agora estava acelerada em resposta ao medo. — Minha melhor amiga o deu para mim.

Fuyuki? Meus olhos se arregalam, ele a conhece, ele conhece Fuyu, talvez até mesmo saiba onde ela está.

Onde ela está, me diga, você sabe onde Fuyu está? Ignoro meu medo e me aproximo do moreno, não posso acreditar que depois de todo esse tempo, finalmente encontrei uma pista.

Hunf, então de fato ela não está aqui. Sua resposta me confunde, ele sorri de modo gélido e continua. — Então vocês eram amigas? O que sabe me dizer sobre o paradeiro dela?

O que você quer com ela? No exato momento eu não estava gostando nem um pouco da ideia de esta pessoa estar atrás dela, talvez ele fosse um infiltrado da central, não seria a primeira vez que me interrogam, achando que encobri a fuga dela. — Não importa quantas vezes vocês perguntem, eu não sei de nada, nós nos separamos em uma luta e depois eu os perdi.

Os? Perdeu? Acho que Leverrier não gostaria de assumir que deixou a inocência coração escapar por entre seus dedos, hunf, patife.

Meus olhos se arregalam, quem é este homem, e como ele pode saber pouco e tanto ao mesmo tempo.

Kanda Yuu POV

Abro a enorme porta da mansão e entro na sala, fora bom treinar novamente, desde o começo dessa viagem não tenho mais tido tempo para treinar. Sigo para meu quarto, e entro no banheiro, depois de tomar banho, decido descer para a sala de jantar, creio que hoje Fuyuki já foi liberada para comer lá.

Paro na porta, há uma grande agitação do lado de dentro da sala, suspiro incomodado, espero que não sejam muito barulhentos, eu ainda não comera com eles. Desde que chegáramos aqui optei por ficar no quarto da morena, exceto quando a irmã de Daniel insistia que eu saísse para troca-la, passei todo o meu tempo naquele cômodo.

SURPRESA! Várias pessoas gritam assim que abro a porta, sinto meu sangue ferver no mesmo instante, olho para cima, há uma grande faixa com os dizeres “Feliz Aniversário”.

Sinto vontade de cortar alguém com a Mugen, mas me contenho soltando um suspiro irritado, viro-me e faço o caminho de volta para o quarto, não consigo imaginar como alguém poderia ter tal ideia estúpida, eu prefiro esquecer esse dia, não há nenhum motivo para se comemorar.

Entro no quarto e bato a porta indo me sentar no peitoril da janela, talvez um pouco de ar me ajude a refrescar a cabeça. Após alguns minutos, ouço uma batida tímida na porta, sinto vontade de xingar a pessoa, mas sinto que sei quem é, suspiro derrotado.

Entre. Lentamente a porta se abre, revelando uma garota pequena segurando uma bandeja, com uma expressão de culpa estampada em seu rosto.

Eu juro que tentei para-los, eu disse a Arabela que você não gostava de festas, mas ela não quis me ouvir… Ela fechara a porta e se aproximara, largando a bandeja sobre a mesa de leitura, levantou seus olhos para mim e suspirou. — Ainda assim a culpa é minha, eu sinto muito.

Me mantive em silêncio, ela apertava as mãos no vestido e mordiscava o lábio olhando para todos os lados possíveis, tentando evitar meu olhar, suspirei novamente, não é como se ela tivesse feito de propósito, mas não consigo me ver a dizendo isso, ela deveria saber no que daria.

Hoje é um dia muito especial. Ela finalmente decidira me olhar, agora havia um sorriso plácido em seu rosto. — Mesmo se você o detesta, e mesmo se te faz lembrar-se de coisas ruins, ainda é um dia muito importante.

Ela se aproximara e parara de frente para a janela olhando as estrelas, mantive meu olhar fixo em seu rosto, depois de alguns instantes ela se voltou para mim, seu sorriso ainda maior que antes.

Talvez você ache besteira, mas eu não podia deixar passar em branco. Eu não sei o dia do meu aniversário… Mesmo que ela dissesse aquilo com um enorme sorriso, eu percebia a tristeza em suas palavras, é irritante o efeito da inocência, porém percebi que já não conseguia mais ficar bravo, se era assim tão importante para ela, eu simplesmente não poderia contradizê-la.

O dia em que eu fui para o orfanato, esse foi o dia em que decidiram fazer de meu aniversário, e mesmo não sendo o dia em que eu nasci, é um dia muito especial, foi o dia em que “renasci”, aquela é minha primeira lembrança, e também o dia em que conheci pessoas muito especiais. Então para essas pessoas, esse dia se tornou importante, pois é o dia em que elas podem comemorar a minha vida, foi isso que a minha professora me disse, essa foi sua explicação do por que de terem escolhido um dia para meu aniversário.

Mesmo se para você este é um dia qualquer, para mim é um dia muito importante, já que é o dia em que você nasceu, e eu agradeço muito por comemora-lo com você, já que você é muito especial para mim, obrigada. Sua voz transbordava ternura, e agora era eu quem evitava seus olhos, como alguém pode dizer algo tão piegas, ela realmente não tem limites. — Parabéns, Yuu!

Ela se inclinara e beijara minha bochecha, me deixando muito perplexo para reagir, afastou-se e seguiu em direção à porta, antes de sair, contudo, ela se virou de volta para mim, já segurando a porta aberta.

Eu espero que você goste, por mais que não esteja nem perto do que o Jerry faz, eu o fiz especialmente pelo seu aniversário.

Alguns minutos depois de sua saída, me levantei e fui até a bandeja, por mais que já imaginasse do que se tratava. Mesmo sendo completamente desligada, ela estava sempre atenta aos sentimentos dos outros, abri a tampa e ri, obviamente ela fizera soba.

Notas finais
Espero que o Kanda não tenha ficado muito OOC. Novas opiniões sobre o Aki?