Notas iniciais
Boa leitura = D

Seguíamos em direção ao trem, eu sentia dificuldade para respirar e meu coração parecia querer fugir do peito de tão rápido que batia, jamais imaginei que ficaria tal mal apenas por ter exagerado na inocência. Fora extremamente difícil conseguir convencer a todos de que eu estava em condições de viajar, Arabela é enfermeira e por essa razão ela sabia que meu caso era pior do que eu dizia ser, fazendo assim com que todos concordassem que eu deveria me manter na mansão até estar bem. Depois de outra semana trancada na mansão, finalmente consegui convencê-los que eu estava melhor, porém Arabela exigiu que Daniel mantivesse um olho em mim, já que ela se considerava em divida eterna comigo, e ele além de seu irmão, era quem tinha os melhores conhecimentos médicos do grupo.

Fuyuki-san. Virei-me para olhar para o loiro e acabei por tropeçar, quase indo de cara para o chão, porém ele me segurara. — Está bem? Seu rosto está muito vermelho.

Ele levara a mão a minha testa, não precisei perguntar, sua expressão já deixava bem claro que eu estava com febre, e isso também explicava meu cansaço.

Vamos parar um pouco, senhorita Fuyuki está febril. Suspirei desanimada, já paramos diversas vezes por meu estado debilitado, dessa maneira não conseguiríamos nem mesmo chegar à estação.

Você tá bem Fuyu, quer que eu faça algo por você? Indaga Beatrice se aproximando e pondo a mão em minha bochecha, sua expressão é de pura preocupação.

Não, muito obrigada. Digo balançando a cabeça negativamente.

Seguimos para algum lugar onde eu possa descansar, me abstenho da conversa e tento novamente me conectar com Lizzy, desde o acidente não a sinto mais, também não sou capaz de acessar nenhuma de suas habilidades, talvez isso seja devido ao fato de meu corpo ainda estar tão fraco, mas esse simples fato já é estranho o suficiente, eu não deveria ficar tão fragilizada por tanto tempo.

FUYU!

Fuyuki-san!

Não prestar atenção ao caminho mais febre, não é uma boa mistura, novamente tropecei e dessa vez me senti muito tonta para sustentar meu próprio peso, minha sorte é que os três já pareciam esperar por isso, e eu fui imediatamente amparada.

Você não está em condições de continuar caminhando, eu irei carrega-la, se não se importar. Fala o Smutter ajoelhando-se a minha frente, de costas, gostaria de poder recusar, mas sei que não estou em condições, então aceito sua oferta. — Está confortável?

Rio, e concordo com a cabeça, sabendo que ele irá sentir meu movimento, começo a me sentir sonolenta novamente, e o perfume de Daniel não ajuda em nada, o cheiro é suave e adocicado, algo extremamente relaxante e que parece me induzir ainda mais ao sono.

Akumas. Ouço Kanda dizer, sinto o loiro enrijecer e ele para bruscamente.

Senhorita Fuyuki, você…

Eu posso ficar em pé, não se preocupe. Interrompo-o, saindo de suas costas, sinto uma leve tontura, contudo respiro fundo.

Me surpreende o número de akumas, parece ter em cerca de oito ou nove, afasto-me um pouco, porém Beatrice e Daniel param a minha frente como se fossem uma barreira, assisto-os lutar e me sinto mais inútil que nunca, dois level dois conseguem se aproximar e acabam fazendo com que eles tenham que se afastar de mim.

SOCORRO!

Sinto meu sangue gelar, esta voz só pode pertencer a uma criança, antes mesmo que eu note, já estou correndo em direção a voz que pedira ajuda, outros gritos se misturam, estes dos meus colegas que me dizem para não ir.

Depois de correr por no mínimo dois minutos, finalmente encontro um garotinho, de alguma maneira, sei que a voz pertencia a ele, aproximo-me, agradecendo mentalmente por ter chego a tempo, um sorriso disforme se abre em seu rosto quando estou a apenas um passo de distância. Estranhamente não sinto medo, talvez por que já imaginasse que poderia ser isso, ainda assim, se de fato fosse uma pessoa eu precisava protegê-la.

Estico minha mão pegando minha lança, mas sei que não tenho chances, minha tontura havia se agravado e ficar de pé já era uma vitória, entretanto, não iria desistir sem lutar, devo isso a todos que me protegeram, o menino se transforma em um level 1 e mira seus canhões em mim, respiro profundamente, e ele dispara. Por algum motivo desconhecido para mim, não fui capaz de me mover, porém as balas ficaram paradas meio metro a minha frente, como se eu tivesse criado um escudo, o estranho é que sei que não criei.

Essa passou realmente perto. Uma voz masculina diz de trás de mim, viro-me e sinto meus olhos se arregalarem.

General Cross Marian. Digo não acreditando no que vejo.

Yo, heart-chan. Virei-me novamente ao ouvir uma explosão, essa proveniente do akuma, que se autoexplodira. — Não se importe com isso, tenho algo a falar com você, e não temos muito tempo.

Não pretende se juntar a nós? Indago mesmo já sabendo a resposta.

Não gosto de andar em grupos, mas eu não me importaria nem um pouco de viajar a sós com você. Rio de seu comentário. — Então, se importa de irmos a outro lugar?

Sem problemas. Respondo seguindo-o, me pergunto sobre o que ele gostaria de falar comigo e como me encontrou.

Vamos entrar aqui. O general aponta com a cabeça um bar, dou de ombros e entro no estabelecimento. — Que tal pedirmos uma bebida? Eu adoraria beber em sua companhia.

Eu creio que terminarei pagando, mas fique a vontade para beber, porém tenho apenas quinze anos, portanto optarei por um suco.

Você fala igual a ela. Fala o ruivo, indo até o balcão fazer o pedido, sento-me a uma mesa e aguardo seu retorno. — Eles trarão na mesa.

Ok, sobre o que queria conversar comigo?

Lizzy.

Você a conhece? Indago pasma.

Éramos bons amigos.

Mas, ela era… Tento achar sentido em sua frase, o que me deixa ainda mais confusa, Lizzy não é a inocência coração? Como eles podiam ter sido amigos. — Ela, ela é a inocência.

Notas finais
E então, alguém esperava rever o Cross?