The warmth of Winter
29 Mau presságio
Notas iniciais
Cross Marian POV
– É uma longa história, mas em resumo, Elizabeth Ichinose foi a última compatível a inocência coração. A boca da morena se abre em um perfeito “O”, rio de sua expressão. — Muito chocada?
– Como isso é possível? Questiona incrédula.
– Agora me diga, como você a conhece? Pergunto lembrando-me das palavras da loira, ela prometera que ajudaria o próximo compatível, e pela reação de Fuyuki, creio que o esteja fazendo. — Ela lhe aparece em sonhos?
– Não. Responde a garota, balançando a cabeça, sua expressão de completa perplexidade. — Ela é o coração.
Dessa vez sou eu que me surpreendo, como assim ela é o coração, antes que eu possa falar qualquer coisa, o garçom aparece com nossas bebidas, pego minha taça e dou um gole, vejo a morena virar seu copo de limonada e o devolver a bandeja pedindo outro.
– Então ela conseguiu. Digo mais para mim mesmo, porém reparo que Fuyuki ouvi.
– O que você quer dizer com isso, aonde quer chegar com essa conversa? Como Lizzy pode ter sido uma compatível se ela é a própria inocência?
– Ela, está ai com você? Pergunto me sentindo ansioso, será mesmo possível que ela tenha se fundido a inocência, jamais imaginei ter a chance de reencontra-la, contudo, vejo a garota baixar os olhos com um leve corado em suas bochechas.
– Eu não consigo usar a inocência há algum tempo, e nem mesmo senti-la.
– Parece que apareci em boa hora. Falo, acendendo um cigarro, vejo-a me olhar com curiosidade, mesmo sendo tão diferentes, ela ainda me lembra de Elizabeth, o que torna tudo mais complicado. — O que Lizzy te disse sobre a inocência?
– Eu já te disse… Ela inclina a cabeça para o lado o que a dá um ar infantil. — Ela é a inocência coração.
– Então isso foi o que ela te disse. Aceno com a cabeça, pensando em como começar. — Porém como te disse antes, ela era uma jovem dama, e foi a última compatível à inocência coração, foi ela quem me pediu que procurasse pelo próximo compatível e o auxiliasse.
Vejo que a morena não parece acreditar em mim, decido que é uma boa hora para mostrar-lhe o retrato da Ichinose, retiro-o de meu bolso e o entrego a ela, seus olhos se arregalam e ela agarra a foto, trazendo-a para perto de si.
– Eu a vi… A garota traça com os dedos o contorno da foto. — Eu já vi a mulher nessa foto, eu a vi em um sonho.
– Esta é Elizabeth Ichinose. Ela levanta os olhos para mim, depois de mais um minuto encarando a foto, e devolve-a.
– De alguma maneira, eu sei que é.
– Agora que acredita em mim, podemos prosseguir com a história. Termino minha taça de vinho e a coloco na mesa, não será nada agradável contar a ela a verdade. — Lizzy veio de uma família muito influente e poderosa, o clã Ichinose é muito reconhecido, e por essa razão, seus membros tem importantes cargos políticos e grandes posições sociais.
Fecho meus olhos, lembrando-me dos divertidos momentos que passamos todos juntos e de nossa juventude cheia de sonhos e ambições.
– O que os torna tão especiais é que a maioria de seus membros, nasce com dons especiais, telepatia, dom de cura, força ou agilidade acima do normal, premonições, entre outros. Sua expressão é demasiado calma para o que acabei de lhe revelar, fazendo com que eu decida ficar em silêncio, até que ela se pronuncie.
– Eu sinto que você já teve uma conversa muito parecida a essa, pouco tempo atrás. Seu novo suco chega, ela dá um gole nele e depois o deposita na mesa. — Eu também sou uma hospedeira para o renascimento de alguém, nesse caso, Elizabeth?
– Não! Rebato, chocado que ela tenha pensado tal coisa. — Lizzy jamais faria tal coisa…
Apago meu cigarro, não acho que fará bem a ela saber de tudo, sua expressão conformada é muito distinta da de Allen, Fuyuki não nasceu para batalha, isso é visível em seu olhar compassível, nem mesmo Elizabeth parecia tão deslocada, porém não saber de nada também a deixara em desvantagem, me pergunto se você já esperava por isso Lizzy.
FLASHBACK
– Marian! Marian, onde você está? A loira surge correndo de trás da casa. — Aí está você, finalmente.
– Você caiu? Pergunto, ao ver a quantidade de terra em seu vestido.
– Na verdade não, eu estava brincando com o cachorro e acabamos rolando no chão. Rio de sua falta de modos, ao que recebo um tapa no braço. — Ei, você não pode rir de uma dama.
– Muito dama você, com esse vestido coberto de barro. Sua expressão mostra que pagarei pelo meu comentário, então saio correndo, ao que a loira me persegue.
– Ei vocês dois, não estão muito velhos para brincar de pega-pega? Paramos e viramo-nos em direção ao moreno.
– Ele disse que não sou uma boa dama! Acusa Elizabeth apontando para mim.
– E isso é alguma mentira? Sua boca se abre de surpresa, mas logo sua expressão se torna ameaçadora.
– VOCÊS…
– Antes que você comece suas ameaças, o papai está lhe chamando, parece que surgiu um novo conflito, se não resolvermos seu casamento logo, irá se iniciar uma nova guerra.
– Pois que haja, não me importo de arriscar minha vida nas linhas de frente da batalha, mil vezes isso, a ser trocada como uma mercadoria, um casamento arranjado não resolverá nada, se querem a paz, terão de lutar por ela.
– Pelo jeito, ela lhe era muito especial. A voz da morena me tira de minhas memórias, volto os olhos a ela que me sorri docilmente.
– Ela era uma amiga próxima. Sinto como se pudesse contar toda minha vida a ela, parece que Fuyuki seria capaz de apagar todos os momentos ruins, respiro fundo me concentrando em minha missão, não posso me deixar levar pela influência da inocência coração.
– O que aconteceu a Lizzy?
– Ela perdeu o controle. Ela não parece satisfeita com a resposta, tento ganhar tempo acendendo um novo cigarro, mesmo sabendo que devo alerta-la, eu preferia não fazê-lo, é realmente terrível o efeito que o coração tem sobre nós. — A inocência coração a levou ao limite e então…
– Eu sinto muito, foi crueldade lhe lembrar de coisas tão dolorosas. Interrompe-me a morena, por um momento seus olhos parecem mareados, porém ela os abaixa para seu colo, não posso crer em sua reação, será que ela não entende o que isso quer dizer.
– Parece que você ainda não entendeu, esse é o destino daquele que for compatível à inocência coração. Ela levanta os olhos, sua expressão nada condizente com a anterior, agora Fuyuki parece determinada. — Quanto mais você usar a inocência, mais rápido será o processo, eu diria até que você já sofreu alguns efeitos, cansaço excessivo, fraqueza, confusão mental, tudo isso só irá piorar, conforme a batalha se intensificar, você irá afundar cada vez mais na escuridão da inocência, até o momento em que você não puder voltar mais.
– Não é como se houvesse outra escolha, certo? Um sorriso cálido estampa seu rosto. — Eu já sou compatível a coração, não é algo que pode ser alterado.
– Há um jeito. Seus olhos se arregalam. — Se você realmente quiser, você pode fugir, aproveite enquanto a inocência não despertou completamente e fuja, você nunca mais precisará ser exposta a dor e ao sofrimento causados pela guerra, eu posso ajuda-la.
A pequena morena se levantou, até mesmo sua figura não é condizente com uma guerra, seus grandes e gentis olhos castanhos, os longos e cacheados cabelos castanhos de aparência macia, o porte magro e baixo, e o sorriso afável, ainda assim a convicção que ela emana, faria com que qualquer acreditasse que ela tinha força para lutar contra o mundo.
– Obrigada general Cross. Ela faz uma reverência, se curvando, e depois de levantar a cabeça, ela completa. — Mas essa é a minha missão.
Sigo sua figura com os olhos conforme ela se afasta, será que eu deveria ter lhe contado sobre o resto, ou será que não deveria ter contado nem mesmo isso a ela, o quanto a verdade irá obscurecer seu coração, o quanto ela é capaz de aguentar, talvez, talvez vá ser ela, a pessoa capaz de dar fim a essa guerra, penso, lembrando-me das palavras de Lizzy.
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