Notas iniciais
Boa leitura = )

Cross Marian POV

É uma longa história, mas em resumo, Elizabeth Ichinose foi a última compatível a inocência coração. A boca da morena se abre em um perfeito “O”, rio de sua expressão. — Muito chocada?

Como isso é possível? Questiona incrédula.

Agora me diga, como você a conhece? Pergunto lembrando-me das palavras da loira, ela prometera que ajudaria o próximo compatível, e pela reação de Fuyuki, creio que o esteja fazendo. — Ela lhe aparece em sonhos?

Não. Responde a garota, balançando a cabeça, sua expressão de completa perplexidade. — Ela é o coração.

Dessa vez sou eu que me surpreendo, como assim ela é o coração, antes que eu possa falar qualquer coisa, o garçom aparece com nossas bebidas, pego minha taça e dou um gole, vejo a morena virar seu copo de limonada e o devolver a bandeja pedindo outro.

Então ela conseguiu. Digo mais para mim mesmo, porém reparo que Fuyuki ouvi.

O que você quer dizer com isso, aonde quer chegar com essa conversa? Como Lizzy pode ter sido uma compatível se ela é a própria inocência?

Ela, está ai com você? Pergunto me sentindo ansioso, será mesmo possível que ela tenha se fundido a inocência, jamais imaginei ter a chance de reencontra-la, contudo, vejo a garota baixar os olhos com um leve corado em suas bochechas.

Eu não consigo usar a inocência há algum tempo, e nem mesmo senti-la.

Parece que apareci em boa hora. Falo, acendendo um cigarro, vejo-a me olhar com curiosidade, mesmo sendo tão diferentes, ela ainda me lembra de Elizabeth, o que torna tudo mais complicado. — O que Lizzy te disse sobre a inocência?

Eu já te disse… Ela inclina a cabeça para o lado o que a dá um ar infantil. — Ela é a inocência coração.

Então isso foi o que ela te disse. Aceno com a cabeça, pensando em como começar. — Porém como te disse antes, ela era uma jovem dama, e foi a última compatível à inocência coração, foi ela quem me pediu que procurasse pelo próximo compatível e o auxiliasse.

Vejo que a morena não parece acreditar em mim, decido que é uma boa hora para mostrar-lhe o retrato da Ichinose, retiro-o de meu bolso e o entrego a ela, seus olhos se arregalam e ela agarra a foto, trazendo-a para perto de si.

Eu a vi… A garota traça com os dedos o contorno da foto. — Eu já vi a mulher nessa foto, eu a vi em um sonho.

Esta é Elizabeth Ichinose. Ela levanta os olhos para mim, depois de mais um minuto encarando a foto, e devolve-a.

De alguma maneira, eu sei que é.

Agora que acredita em mim, podemos prosseguir com a história. Termino minha taça de vinho e a coloco na mesa, não será nada agradável contar a ela a verdade. — Lizzy veio de uma família muito influente e poderosa, o clã Ichinose é muito reconhecido, e por essa razão, seus membros tem importantes cargos políticos e grandes posições sociais.

Fecho meus olhos, lembrando-me dos divertidos momentos que passamos todos juntos e de nossa juventude cheia de sonhos e ambições.

O que os torna tão especiais é que a maioria de seus membros, nasce com dons especiais, telepatia, dom de cura, força ou agilidade acima do normal, premonições, entre outros. Sua expressão é demasiado calma para o que acabei de lhe revelar, fazendo com que eu decida ficar em silêncio, até que ela se pronuncie.

Eu sinto que você já teve uma conversa muito parecida a essa, pouco tempo atrás. Seu novo suco chega, ela dá um gole nele e depois o deposita na mesa. — Eu também sou uma hospedeira para o renascimento de alguém, nesse caso, Elizabeth?

Não! Rebato, chocado que ela tenha pensado tal coisa. — Lizzy jamais faria tal coisa…

Apago meu cigarro, não acho que fará bem a ela saber de tudo, sua expressão conformada é muito distinta da de Allen, Fuyuki não nasceu para batalha, isso é visível em seu olhar compassível, nem mesmo Elizabeth parecia tão deslocada, porém não saber de nada também a deixara em desvantagem, me pergunto se você já esperava por isso Lizzy.

FLASHBACK

Marian! Marian, onde você está? A loira surge correndo de trás da casa. — Aí está você, finalmente.

Você caiu? Pergunto, ao ver a quantidade de terra em seu vestido.

Na verdade não, eu estava brincando com o cachorro e acabamos rolando no chão. Rio de sua falta de modos, ao que recebo um tapa no braço. — Ei, você não pode rir de uma dama.

Muito dama você, com esse vestido coberto de barro. Sua expressão mostra que pagarei pelo meu comentário, então saio correndo, ao que a loira me persegue.

Ei vocês dois, não estão muito velhos para brincar de pega-pega? Paramos e viramo-nos em direção ao moreno.

Ele disse que não sou uma boa dama! Acusa Elizabeth apontando para mim.

E isso é alguma mentira? Sua boca se abre de surpresa, mas logo sua expressão se torna ameaçadora.

VOCÊS…

Antes que você comece suas ameaças, o papai está lhe chamando, parece que surgiu um novo conflito, se não resolvermos seu casamento logo, irá se iniciar uma nova guerra.

Pois que haja, não me importo de arriscar minha vida nas linhas de frente da batalha, mil vezes isso, a ser trocada como uma mercadoria, um casamento arranjado não resolverá nada, se querem a paz, terão de lutar por ela.

Pelo jeito, ela lhe era muito especial. A voz da morena me tira de minhas memórias, volto os olhos a ela que me sorri docilmente.

Ela era uma amiga próxima. Sinto como se pudesse contar toda minha vida a ela, parece que Fuyuki seria capaz de apagar todos os momentos ruins, respiro fundo me concentrando em minha missão, não posso me deixar levar pela influência da inocência coração.

O que aconteceu a Lizzy?

Ela perdeu o controle. Ela não parece satisfeita com a resposta, tento ganhar tempo acendendo um novo cigarro, mesmo sabendo que devo alerta-la, eu preferia não fazê-lo, é realmente terrível o efeito que o coração tem sobre nós. — A inocência coração a levou ao limite e então…

Eu sinto muito, foi crueldade lhe lembrar de coisas tão dolorosas. Interrompe-me a morena, por um momento seus olhos parecem mareados, porém ela os abaixa para seu colo, não posso crer em sua reação, será que ela não entende o que isso quer dizer.

Parece que você ainda não entendeu, esse é o destino daquele que for compatível à inocência coração. Ela levanta os olhos, sua expressão nada condizente com a anterior, agora Fuyuki parece determinada. — Quanto mais você usar a inocência, mais rápido será o processo, eu diria até que você já sofreu alguns efeitos, cansaço excessivo, fraqueza, confusão mental, tudo isso só irá piorar, conforme a batalha se intensificar, você irá afundar cada vez mais na escuridão da inocência, até o momento em que você não puder voltar mais.

Não é como se houvesse outra escolha, certo? Um sorriso cálido estampa seu rosto. — Eu já sou compatível a coração, não é algo que pode ser alterado.

Há um jeito. Seus olhos se arregalam. — Se você realmente quiser, você pode fugir, aproveite enquanto a inocência não despertou completamente e fuja, você nunca mais precisará ser exposta a dor e ao sofrimento causados pela guerra, eu posso ajuda-la.

A pequena morena se levantou, até mesmo sua figura não é condizente com uma guerra, seus grandes e gentis olhos castanhos, os longos e cacheados cabelos castanhos de aparência macia, o porte magro e baixo, e o sorriso afável, ainda assim a convicção que ela emana, faria com que qualquer acreditasse que ela tinha força para lutar contra o mundo.

Obrigada general Cross. Ela faz uma reverência, se curvando, e depois de levantar a cabeça, ela completa. — Mas essa é a minha missão.

Sigo sua figura com os olhos conforme ela se afasta, será que eu deveria ter lhe contado sobre o resto, ou será que não deveria ter contado nem mesmo isso a ela, o quanto a verdade irá obscurecer seu coração, o quanto ela é capaz de aguentar, talvez, talvez vá ser ela, a pessoa capaz de dar fim a essa guerra, penso, lembrando-me das palavras de Lizzy.