Notas iniciais
Feliz Ano Novo!!! Eu não resisti, precisava postar mais um capítulo para fechar o ano. Espero que gostem do último capítulo do ano, boa leitura = )

Layla Foster POV

Fechei os olhos, queria poder parar de ouvir, infelizmente não é algo possível, suspiro irritada, voltando a abrir os olhos. Não quero me juntar a cerimônia que estão fazendo em honra aos que morreram, eu mal conhecia Beatrice, todos mal a conhecíamos, exceto por Fuyu, a Fontana me dissera que elas já estavam viajando juntas há algum tempo, imagino o como Fuyuki vai se sentir quando receber a notícia.

Puxo o pingente de dentro de minha blusa e o encaro, como será que Fuyu está, sei que ela não recebeu a notícia, mas ainda assim ela deve estar nervosa, quer dizer, não ter notícia nenhuma também não chega a ser algo confortante. Espero que o que Beatrice me disse seja verdade, bom, pelo pouco que vi, pareceu que de fato Kanda era mais gentil com ela, não quero imaginar o estado em que minha amiga vai ficar, então é bom ele ser no mínimo compreensivo.

Levanto o pingente e o giro em frente a meu rosto, uma folha de outono, outono, levanto-me, impossível, trago o pingente para mais perto e engulo em seco F.I, não pode ser. Corro para as escadas, as quais também desço correndo, havia me escondido no lugar em que fiquei durante o ataque, achei que ninguém pensaria em me procurar por lá. Lembranças de meu primeiro encontro com Akihiko passam por minha cabeça, ele quase arrancara o colar de meu pescoço, e foi por causa dele que eu descobri que ele conhecia Fuyuki, como pude ser tão lenta, Aki, essa palavra ecoava em minha mente, Fuyu só o chamava assim.

Onde está o Ichinose? Digo parando uma das funcionárias da casa, que me olha um pouco espantada, uma vez que entrei correndo e quase a derrubei.

Ichinose? Fala dando um sorriso tímido, e inclinando a cabeça para o lado, percebo o quão estúpida eu fui, devem ter uns quinhentos Ichinoses por aqui.

Akihiko.

Lorde Akihiko está descansando em seus aposentos. Continuo a encara-la. — É a terceira porta a direita no primeiro corredor do quarto andar, mas nã…

Não a deixo terminar, disparo escada acima, quarto andar, primeiro corredor, terceira porta da direita, abro a porta sem bater, não vou dar chance ao Ichinose para escapar de minh…

O que você pensa que está fazendo?! O moreno senta-se na cama, parecendo incrédulo, sinto meu rosto esquentar, por que raios ele está sem camisa? — Se importa de me responder, ou pretende só continuar olhando?

Aki. Digo, respirando fundo e me concentrando no que vim fazer. — Outono, certo?

Ele me olha como se eu estivesse louca, aproximo-me sem me importar, ele não vai fugir de mim, e é bom que tenha respostas satisfatórias.

F.I, você reconheceu este colar assim que o viu. Falo, puxando o pingente de dentro de minha camisa. — Ichinose Fuyuki.

Olho-o firmemente, ele se levanta da cama com uma expressão de descaso, contudo, minha atenção é capturada pela corrente em seu pescoço, sem pensar duas vezes sigo até ele e a agarro virando-a, ele afasta minha mão, mas não antes de eu ver o que queria.

A.I, Ichinose Akihiko, um floco de neve. Sinto meu coração apertar. — Como puderam abandona-la!?

O que?! Sua expressão de descrença me irrita, como ele pode ser tão dissimulado. — Você realmente adora tirar conclusões precipitadas, não?

Ambos nos encaramos com raiva, não creio que Fuyu esteve ao lado de sua família e não sabia, não creio que ele não contou nada a ela, como pode ser tão cruel, em primeiro lugar, como foram capazes de se desfazer dela daquele jeito, sinto tanta raiva que meus olhos se enchem de lágrimas.

Precipitadas?!? Grito revoltada, socando o moreno. — Vocês são família, você sabia quem ela era e não falou nada, você sabia sobre o passado dela e não a disse, vocês a abandonaram, vocês a deixaram sozinha acreditando que não tinha uma família, vocês…

Pare de gritar! Ele agarra meus pulsos. — E de me bater!

Você é um imbecil! Digo sem conseguir pensar em nada melhor.

Quer se acalmar?! Ele me puxa para perto de si, fazendo com que eu o encare, aos poucos vou me acalmando, seus olhos são tão bonitos, se parecem tanto com os da Fuyu. — Ótimo, agora eu gostaria de uma chance de me defender de todas as suas acusações sem fundamento.

Continuo muito concentrada em seus olhos para prestar atenção ao que ele diz, é incrível o como ele se parece a Fuyuki, foi idiotice minha nunca ter notado.

Sente-se um pouco Layla. Faço como ele sugeriu e me sento na cama, ele pega a camisa que estava jogada em uma cadeira e a veste, me sinto desapontada, era uma bela visão. — Abusada você, não?

Volto a meus sentidos e percebo que o estava encarando, sinto meu rosto ficar muito vermelho e me pergunto o como pude me distrair tanto, mentalmente o amaldiçoo, imbecil convencido.

Agora que já está de volta aos seus sentidos, deixe-me lhe esclarecer algumas coisas. Ele termina de abotoa-la e se vira para mim. — Primeiro de tudo, não sei como chegou a esta conclusão descabida, mas eu nunca abandonei Fuyu, eu jamais a abandonaria.

Abro a minha boca, entretanto ele me da um olhar cortante, fecho-a a contragosto, decido ouvir tudo e só depois rebater.

Muito sábio. Ele leu minha mente? — Continuando, eu também não deixei Fuyuki sem saber de nada, ela pode não ter te contado, mas eu e Natsumi a revelamos tudo. E somos irmãos gêmeos, antes que você pergunte, Natsumi é nossa irmã mais velha.

Olho-o pasma, eles se parecem, se parecem bastante, mas não diria que são gêmeos, bom, quer dizer, é complicado comparar uma garotinha fofa e delicada como Fuyu a um babaca arrogante como ele.

Obrigada pela parte que me toca Foster. O moreno fala dando um sorriso irônico.

E agora você lê pensamentos, é?

Não, sentimentos. Suspiro, que droga. Lembro-me então de minha principal questão.

Mas e quanto a Fuyu ter ido parar no orfanato, a história que nos contaram é que ela foi a única sobrevivente de um incêndio, mas a própria não tinha nenhuma memória do ocorrido, verdade seja dita, Fuyuki não tinha memória de nada. Era muito estranho, quando ela chegou, ela, não sei, ela não era ela.

Não é totalmente mentira.

Akihiko olha para o teto, ele aperta os dedos sobre as pálpebras, de repente ele parecia muito cansado, não parecia o babaca irritante que eu conhecia, mas sim o Aki do qual Fuyu parecia gostar tanto.

O que quer dizer? Pergunto temendo a resposta, ele tira a mão do rosto e me olha nos olhos, engulo em seco.

Houve um incêndio, e Fuyuki foi a única sobrevivente.