Notas iniciais
Boa leitura = D

Ray, Sue, Jane! Meu corpo responde mais rápido que minha mente.

Droga, eles já nos acharam. Kanda havia impedido o ataque, ele vira-se para mim e vejo que há um casulo a nossa volta.

– Estou bem. Respondo mentalmente, abrindo as asas que nem me lembro de ter invocado e soltando as crianças.

Vocês estão bem? Indago, checando-os.

Uau, a nee-chan tem asas! Diz Ray parecendo fascinado.

Outro ataque, desta vez, destinado à construção principal, crio um escudo em torno de toda a área.

Sensei, Clair, levem as crianças para dentro, nós tomaremos conta deles. Falo pegando os pequenos e os levando até as duas. — Kanda, eu…

É melhor ficar. Olho incrédula para o moreno, a barreira está sendo fortemente bombardeada, ele já havia liberado os insetos do inferno que destruíram alguns akumas, ainda assim, eram muitos. — Você já está usando bastante energia no escudo e será mais fácil mantê-lo de dentro.

Engulo em seco, não quero manda-lo sozinho para a batalha, não gosto nem um pouco da ideia de nos separarmos, ele suspira e me olha.

São os mesmos da mansão, vou destruí-los e logo estarei de volta. Você precisa proteger o orfanato, certo? Aceno lentamente com a cabeça, não quero que ele vá.

Tome cuidado. Digo sentindo um nó se formar em minha garganta.

O general deixa a barreira e eu corro para o interior do prédio diminuindo a área do escudo, de fato, quanto menor, mais fácil é mantê-lo. Logo sinto que os ataques cessaram, porém vejo que Kanda decidiu seguir alguns akumas que estavam tentando fugir, tento convencê-lo do contrario, mas ele não me dá ouvidos.

Fuyu-chan. Olho para professora Mary Anne, que me estica um xícara de chá, sorrio e a pego. — Olhar pela janela não vai fazê-lo voltar mais rápido.

Obrigada. Falo levantando a xícara e depois dando um gole da mesma.

As crianças já estão divulgando que a Fuyuki-nee-chan é um anjo. Rio, parece que essa é uma comparação frequente.

É a inocência. Explico.

Bom, você cura, tem asas e ainda cria enormes barreiras protetoras, acho que não é uma descrição tão descabida. Rimos juntas. — Realmente são habilidades incríveis, jamais imaginei que veria tal coisa na vida real.

São apenas habilidades de suporte. Digo colocando a mão no vidro, queria estar do lado de fora. — Meus amigos que lidam com toda a luta.

Oh, isto está me cheirando a alguém se menosprezando. Sinto minhas bochechas esquentarem. — Aposto que por mais incrível que ele seja na batalha, não pode fazer nada por alguém ferido.

Sei que ela está se referindo a Kanda, sorrio, não é exatamente verdade, mas de fato eu gostaria de ter melhores habilidades de combate, estou cansada de ser empurrada para fora do campo de batalha, e com o surgimento destes akumas, não consigo deixar de me perguntar o que aconteceu na mansão.

Sabe Fuyu, eu tomei conta de muitas crianças, cada uma é diferente da outra em muitos sentidos, mas crianças são crianças. Choram quando se machucam, riem quando algo as diverte, reclamam quando algo as incomoda, menos você.

Olhei-a sem entender, tudo bem que no começo eu não falava, porém com o tempo eu comecei a falar e me enturmar, até onde eu me lembro era bem comum.

Você não chorava quando se machucava, mas chorava bastante quando acontecia com alguém. Meus olhos se arregalam, não me lembro disso. — Não me lembro de ouvi-la reclamar uma vez se quer, e você sem dúvida sorria bastante, entretanto demorou a que o sorriso chegasse aos seus olhos.

Agora em compensação parece que você mudou bastante, está bem mais expressiva, bom, isso é normal. Pisco algumas vezes tentando entender, vendo minha confusão ela completa. — Já que ele é seu namorado.

Rio e ela me acompanha, não adianta discutir com Mary Anne, uma vez que ela decide algo não há quem a faça mudar de ideia. Lembro-me do que havia me trazido ao orfanato.

Professora. Ela me olha, como se dissesse continue. — Eu queria perguntar sobre quando cheguei aqui. Como foi que me encontraram?

Nós recebemos uma ligação do hospital. Começa ela, parecendo puxar da memória. — Disseram que havia ocorrido um incêndio, sua…

Noah! Sinto um suor frio escorrer por minhas costas.

Fuyu-chan?! A grisalha coloca a mão sobre meu braço, solto o ar que não reparara estar prendendo. — Está tudo bem? Eu…

Não deixe que ninguém saia do orfanato. Agarro seus braços e olho-a nos olhos. — De jeito nenhum permita que alguém saia!

Certo, certo, eu prometo. Largo-a e desato a correr. — Fuyuki-chan, aonde você vai?

Vou mantê-los do lado de fora! Digo já sacando minha lança e a liberando, desta vez não há mais ninguém, eu terei de detê-los.

Sinto o momento em que atravesso a barreira, mordo meu lábio, não é o momento para ter medo, parados em frente ao orfanato, como se estivessem me esperando, estão Road e Wisely.

Ohhh! A inocência coração é uma gracinha!

Uhum, ela realmente é fofinha, não é? Sinto-me levemente desconcertada, que espécie de reação é essa, eles podiam ao menos fingir me levar a sério, bom, vou ter que fazer com que levem.

Empunho a lança e me coloco em posição de combate, respiro fundo, já pensando em todas as possíveis estratégias, não vou perder, não posso fraquejar, dessa vez vou provar que sou capaz de protegê-los.

Hihihi, parece um filhotinho. Sinto minhas bochechas esquentarem, e começo a me sentir brava, ela é menor que eu, é impossível que eu pareça assim tão inofensiva.

Sabe, agora com as bochechas coradas você ficou ainda mais adorável, tem certeza que precisamos lutar? Eu não me importaria nem um pouquinho de…

O que vocês vieram fazer aqui?! Eu nunca fui uma pessoa muito orgulhosa, mas até meu pobre orgulho estava ferido com o descaso deles.

Obviamente viemos te ver. Diz Road com um enorme sorriso. — Sabe Fuyuki-chan nós estávamos te procurando há bastante tempo, você nos deu bastante trabalho.

Chan, eles realmente não pretendem me levar a sério, somos inimigos, por que me tratam como se eu fosse criança?

E o que pretendem agora que me encontraram? Indago franzindo o cenho, estou ficando cansada do tratamento amistoso.

Leva-la conosco, o Conde está louco para vê-la. Do jeito que eles falam até parece um reencontro de amigos.

Eu não pretendo ir a lugar nenhum. Eles olham um para o outro.

Tão fofinha! Dizem em uníssono, sinto meu sangue esquentar, isto realmente está me irritando. — Sabe, não é como se você tivesse muita opção.

Velas voam em minha direção, uso a lança para rebater algumas, e o escudo para impedir outras, finalmente estamos progredindo.

Talvez você não queira acreditar, mas seria muito melhor se viesse conosco. Tomo coragem e aproximo-me dos dois, Wisely se afasta e Road comanda mais velas para que me ataquem. — Fuyu-chan, isto não é sábio da sua parte, quanto mais lutar, mais pessoas irão se machucar.

As palavras de Road me atingem, porém continuo a progredir, não pretendo deixa-los fugir, mesmo que eu não queira machuca-los, também não posso fingir que não os vi aqui, eu preciso lutar, preciso enfrenta-los, mas acima de tudo, preciso destruí-los, preciso encontrar em mim a vontade de derrota-los.

Eu não vou permitir que machuquem ninguém. Falo, tentando me motivar a continuar, eles são inimigos, eles machucam as pessoas, eles…

Assim como não permitiu que machucássemos Beatrice? Viro-me para Wisely, péssima ideia, Road aproveita o momento de distração e as velas me atingem.

Caio de joelhos, largo a lança e arranco a vela alojada em meu ombro, logo depois retiro a de minha coxa, sai muito sangue, mas minha mente não processa a dor, o que houve com Beatrice?!

Ah, então você ainda não sabia, é terrível que tenhamos que ser os portadores de tal notícia, mas Beatrice Fontana está morta.