The warmth of Winter
36 Aquele que eu mais amo
Notas iniciais
Não estou acostumada a esta estrutura, sempre tive pernas longas e um perfil esguio, no exato momento me sinto atarracada, definitivamente ela não puxara a sua mãe. Salto sobre uma casa, e depois para o outro lado, não sei ao certo o que posso fazer para pará-lo, porém não podia permitir que ele o matasse, eu devo isso a ela.
– Não adianta correr. Diz o Apocrypho me alcançando, viro-me para ele, lhe lançado meu melhor olhar assassino. — Você é realmente um incômodo, garota Ichinose.
– Também é um desprazer revê-lo, Apocryphos. Digo do modo mais irônico que consigo.
– Dessa vez você não terá como fugir, e nem poderá contar com a ajuda do Noah. Anuncia ele, parecendo alegre com isso, solto um suspiro irritado, panaca.
Ele tem uma expressão sinistra no rosto, engulo em seco, preciso desesperadamente de um plano, lentamente vou recuando, passo a passo.
– Por que está vindo atrás de Fuyu? Pergunto, na esperança de ganhar tempo. — Ela não fez nada de errado.
– Ela ainda não havia feito nada, porém ninguém sabe do que ela seria capaz. O Apocrypho abre um sorriso satisfeito. — Ao menos, ela sucumbiu antes de causar qualquer problema.
Sinto-me enojada, ele realmente é desprezível, mas não era para se esperar menos, a cada vez a inocência vinha decaindo mais, contudo, eu tinha certeza que Fuyuki seria capaz de salvá-la, agora, porém, não há mais nenhuma esperança.
– Agora já chega de conversar. Ele começa a vir em minha direção, sinto minha respiração ficar pesada e meu coração acelerar. — Você é o último obstáculo entre mim e minha mestra.
Socorro! Penso desesperada. Alguém me ajude.
No momento em que ele investe contra mim, sinto-me saindo do lugar, como se por alguma força maior eu tivesse sido retirada do chão, olho para baixo, ele está metros abaixo de mim.
– Você está bem, Fuyuki-chan? Viro-me, muito chocada e descubro então que a força maior, tratava-se de Lenalee.
Ela aterrissa sobre um telhado, ainda a encaro pasma, será que as habilidades do coração ainda estão sobre meu controle? Percebo que ela me encara de volta, a espera de uma resposta.
– Sim. Digo, chacoalhando a cabeça. — Eu to bem.
– Quem é ele? Um Noah?! Pergunta a morena, espiando por cima do prédio.
– Na verdade, é mais complicado que isso. Respondo, suspirando. — Precisamos sair daqui. Você pode nos tirar daqui?
– Claro. Ela, no entanto, parece repensar. — Onde está Kanda? Eu achei que ele estivesse com você.
– É uma longa história, mas em resumo, este cara o atacou e foi por isso que eu fugi, agora se não se importa, podemos ir antes que ele nos encontre. Ela balança a cabeça, concordando.
A chinesa passa os braços em torno de minha cintura e salta conosco, contudo, sua inocência é desativada, fazendo com que desabemos, fecho os olhos assustada, maldito Apocrypho, xingo sob a respiração.
Sinto minha queda ser parada por algo, abro os olhos e descubro que meu salvador se trata de Akihiko, sorrio da ironia da cena, ele me coloca de volta no chão, vejo por minha visão periférica, a Lee e Kanda se aproximando, uau, eles foram rápidos em me encontrar.
– Quem é você?! Nossa, nem um oi, tudo bem? Que tom mais exigente, nem pareceu uma pergunta. — Responda.
– Calma. Digo, quando ele se aproxima mais de mim, esse Kanda não é brincadeira, mesmo, hein. Que faro!
Suspiro incomodada, não estamos exatamente na melhor situação para que eu me apresente, mas sei que ele não vai deixar para depois.
– Eu sou Elizabeth Ichinose, porém, acredito que você me conheça por Lizzy, afinal é assim que Fuyu se refere a mim. Sua expressão era letal, ele para a milímetros de mim, será que nunca ouviu de espaço pessoal, penso inconformada.
– Onde está Fuyuki? Ele agarra o meu braço, contudo, mantém sua força sobre controle, agradeço por estar no corpo de Fuyu, aposto que ele não seria tão gentil em outro caso. — O que você fez a ela?
– Nada. Bufo, irritada. — Caso você não tenha percebido, não estamos exatamente em uma situação propícia a explicações, mas em resumo, Fuyu foi engolida pela inocência coração.
– O que isso quer dizer? Pergunta Lenalee, visivelmente abalada.
– Exatamente o que você imagina. Suspiro entristecida, eu realmente achei que ela seria diferente. — Fuyuki não existe mais.
Os olhos da Lee se enchem de água, Akihiko parece desnorteado, a mão de Kanda aperta meu braço, mas logo o solta, mesmo sem permitir que sua expressão se altere, sei que ele também foi afetado.
Sinto antes de ver, salto para o lado, Kanda também saíra no momento certo, o Apocrypho acertara o lugar onde segundos atrás nós estávamos, deixando uma cratera no chão.
No instante seguinte, ele agarra meu braço, posicionando sua mão sobre meus olhos, sinto algo o acertar e aproveito para me soltar, vejo se tratar de ambos, Lenalee e Kanda, droga, eles não devem se meter nessa briga.
O guardião os arremessa longe, tento voltar a correr, mas ele me alcança antes que eu chegue a esquina, ele me puxa, segurando meus pulsos firmemente em uma de suas mãos, com a outra ele tampa meus olhos, começo a sentir a inocência reagindo, não, não posso deixar que ele a despert…
– A quanto tempo, Apocrypho. Sinto meus pulsos sendo liberados, abro meus olhos, mesmo já sabendo perfeitamente a quem aquela voz pertence, meus olhos se enchem de lágrimas.
– Nea! Minha voz não passa de um sussurro, sinto as lágrimas escorrem, quando ele se vira para mim e sorri.
– Parece que é tempo de reencontros, não Lizzy? Sem conseguir me conter, corro, me atirando em seus braços.
– Então você também conseguiu tomar o controle de Allen. Desenterro o rosto do peito de Nea e fuzilo o Apocrypho com os olhos, será que ele nunca vai nos deixar em paz. — É bom que estejam ambos aqui, assim acabarei com tudo, mais rápido.
Ele avança contra Allen, que se defende com sua espada, assisto dividida entre a aflição e a fascinação. Nea sempre fora ótimo lutador, em compensação o Apocrypho estava em outro nível.
– Allen-kun. Vejo Lenalee tentando se levantar, corro para onde ela está.
– Você está bem?
– Aquele não é… Grossas lágrimas correm de seus olhos. — O Allen-kun.
Sinto meu peito se apertar, eu fiquei tão feliz de rever Nea, que nem pensei no que isso significaria para os outros.
Volto minha atenção para a batalha ao ouvir um estrondo de algo se quebrando, meu coração despenca. O Apocrypho levanta Allen pelo pescoço, apertando seu pescoço, a espada cai ao seu lado, ele nem mesmo se debate, sinto como se fosse desmaiar.
– Nós podemos fazer um acordo. Meus olhos correm para a criatura. — Se você se entregar de livre e espontânea vontade, eu deixarei ele ir, por hora.
Engulo em seco, parece que não tem outra opção, me desculpe Fuyu, eu realmente não queria que você tivesse que passar por tudo isso, levanto-me. Ouço-os dizer não, não sei distinguir os donos das vozes, apenas sei, que se isso dará mesmo que uma mínima chance a ele, então estou disposta a entregar minha própria vida.
Paro em frente a ele, que sorri maldosamente, ele leva a mão a meus olhos, a última coisa que vejo sãos os olhos de Allen, suplicando para que eu fuja.
Sinto como se eu estivesse sendo sugada, porém, diferente do que eu esperava, não sumo, sou apenas arremessada para o fundo da mente de Fuyu, como quando dividíamos o espaço.
Sinto meu braço sendo levantado e vejo a Crown Clown cortando o braço que o Apocrypho usava para sufocar Nea, fazendo o Walker ser derrubado no chão, firmemente, a Crown Clown é apontada para o protetor da inocência.
– Eu não vou mais hesitar! Sinto meus lábios se mexerem, contudo, não são minhas palavras. Na próxima não será de raspão.
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