The unexpected
4 Imprevistos
Notas iniciais
O vento batia forte no meu rosto. Mas agora não estava mais no meu balanço. Estava correndo, correndo pela minha própria vida. O pior é que eu não sabia do que estava fugindo. Meu coração parecia que a qualquer momento iria explodir em meu peito. Meus pulmões buscavam ar em vão e mesmo com a adrenalina pulsando em minhas veias já sentia a fatiga me cansando.
Tentei olhar para trás mas só havia uma forte neblina. O céu foi iluminado por um raio que me fez correr mais depressa. Avistei uma cabana, ela não estava muito longe. Me enchi de coragem. Respirei mais fundo e torci para que as minhas aulas de educação física tenham válido a pena.
Chegando perto da cabana ouvi um Passos largos na grama que cercava o local. Mas os Passos não pareciam normais, eles tinham um som mais robótico. Arregalei os olhos quando vi uma figura conhecida sair por entre a neblina. Ele estava com os olhos vermelhos brilhantes, olhando para mim. Eu estava presa.
Olhei para os lados na tentativa em vão de tentar escapar. Eu não podia morrer. Não podia.Uma voz estridente falou dentro da minha cabeça : " Kayla Hanks, se renda agora e será poupada no julgamento final". Tapei os ouvidos com minhas mãos tentando tirar aquele som assustador da minha cabeça. Cai no chão de joelhos e lágrimas mornas esquentavam meu rosto frio. Estava gritando, mas não conseguia ouvir minha própria voz.
Abri os olhos assustada e olhei para o escuro. Ótimo, pelo menos não tinha acordado Lívia com meu pesadelo. Olhei para minha cabeceira e vi no relógio que ainda era de madrugada. Me sentei na cama e esfreguei os olhos para tentar acordar. A cena se repetia em minha cabeça a cada segundo.
Foi para cozinha e peguei um copo de água, precisava me acalmar. Quando voltei para o quarto vi que já estava quase amanhecendo então foi tomar um banho. A água quente em minhas costas me lembrava que aquilo tudo era real. Eram só pesadelos. Ou lembranças? Balancei a cabeça negando essa hipótese.
X
Na sala de aula, tentava prestar atenção no senhorzinho que explicava a matéria, mas eu ainda estava tentando ligar os pontos com toda essa história maluca. Por que justo agora eu começo a ter pesadelos com robôs me perseguindo?
Quando o sinal toca, me levando e vou em direção a saída e vejo John sorrindo para mim, ele estava apoiado na porta da sala com os braços fortes cruzados no peito. Seus olhos verdes me olhavam com curiosidade.
– Oi. — Eu disse tímida .
– Vem cá.- Ele me puxou para um abraço e me vi inalando seu estranho cheiro de perfume e metal. Olhei para seu rosto. Seus cabelos negros cacheados combinavam com os olhos verdes profundos e com o queixo Largo. Os lábios não tanto carnudos, mas divinos me fizeram lembrar de ontem. Sorri com a lembrança e acho que ele também lembrou , porque estava sorrindo também.
Ele se aproximou de mim e me beijou novamente e de repente já estava colocando meus braços ao redor de seu pescoço. Meu lado racional dizia que estava me entregando a ele e isso era perigoso, muito perigoso, mas meu lado emocional pedia mais e mais. Ele se afastou de mim mesmo eu tendo reclamado e sussurrou em meu ouvido.
– Você tem algo depois daqui? — Neguei com a cabeça.
– Quer ir pra minha casa depois então? — Sua voz rouca me hipnotizou e acenei rapidamente. O que estava havendo comigo?
– Ótimo! — Ele deu um beijo em minha bochecha e saiu andando me deixando sem reação.
X
Estava procurando Lívia no pátio da faculdade. Tinha que avisar que teria mais um encontro com John. Tentei achar a minha morena na multidão de estudantes, mas nada. Andei mais um pouco e avistei uma cabeça morena conversando com algum garoto da nossa sala. Me aproximei deles e puxei Lívia para um canto.
– Eu vou sair de novo com ele daqui a pouco. Você não se importa? -Perguntei receosa. Ela me olhou com aqueles olhos negros e sorriu maliciosamente para mim.
– Quer que eu espere acordada ou vai ficar por lá mesmo? — Meu rosto ficou totalmente vermelho.
– Não! Espera? Sim. Quer dizer... Argh, eu não sei. – Assumi. — Eu te aviso qualquer coisa. — Ela deu uma risada. Espera ela estava rindo de mim?
– Qual é a graça, criatura? – Perguntei, colocando as mãos na cintura de forma defensiva.
– Você! — Ela apontou para mim- Quem diria que você estaria apaixonada por algum garoto da faculdade. Quem mesmo disse que estava aqui “para desenvolver o intelecto, e não relacionamentos" — ela imitou minha voz (muito ruim por sinal) e fez aspas com os dedos. Revirei os olhos com aquilo. Fechei a cara e encarei Lívia.
– Tá, tá. Você venceu. Mas, — apontei para ela – eu não estou apaixonada por ele.
– Ainda. – Lívia deu uma gargalhada. Ela ia falar mais alguma coisa, mas vi John com seu carro olhando para mim.
– Tenho que ir. — Abracei Lívia e segui em direção a ele. No caminho esbarro com alguém. Já estava pedindo desculpas, quando olho para cima vejo que era Peter. Ele parecia apressado e não sabia o motivo, ele era um garoto estranho. Estava com vários papeis na mão e eu tinha quase certeza que não eram para a faculdade.
– Ahn, oi Kayla. — ele falou.
– Oi- falei meio desconfiada.- Desculpe qualquer coisa, tenho que ir. — Estava saindo quando ele segura meu pulso e me impede de continuar meu caminho.
– Você vai com aquele cara? — Ele apontou com a cabeça para John. Revirei os olhos e encarei o loiro.
– Sim. Algum problema?
Ele deu de ombros mas não tinha tanta certeza.
– Cuidado Kay, não confie em ninguém .- Ele falou essa última parte num sussurro e largou meu braço e sumiu . Que ódio! Por que ele fazia isso comigo. Estava tentando bancar o ninja para cima de mim. E aliás, por que ele tinha me chamado de Kay? Só minha família me chamava de Kay, ou seja, somente minha mãe. Tentei não deixar que aquelas palavras me afetassem e vi John me olhando quando me aproximei.
– Aquele cara estava te incomodando? – perguntou meio irritado.
– Não – O acalmei. — Ele só estava perguntando como eu estava. — uma mentirinha não mata ninguém, mata?
– Se é o que você diz. — Ele abriu a porta do carro preto e entrei. John deu a volta e foi sentar em seu banco. Olhou para mim antes de atacar meus lábios. Os lábios deles eram frios, mas macios. Mas, para a minha infelicidade ele se afastou e voltou sua direção para frente, ligando o carro e pisando no acelerador. Tentei relaxar, ouvindo uma música que tocava no rádio, e olhando para a paisagem.
John parou o carro quando o sinal ficou vermelho. Olhei para a paisagem que estava embaçada pela chuva que tinha começado. Estava nervosa, mas não sabia por quê. Eu sentia que algo estava errado ou iria dar errado. Tentei apagar esse pensamento da minha cabeça e olhei para John. Ele estava olhando com aqueles olhos verdes para mim, tentando decifrar o que eu estava pensando.
– Está tudo bem? — Perguntou com aquela voz rouca.
– Sim- menti- só estou um pouco cansada. — Em parte isso era verdade, pensei comigo mesma- Esse semestre foi difícil para mim. – Tentei me explicar.
Ele deu uma risada baixinha e pegou minha mão que estava inquieta no meu colo. Acho que me denunciei inconscientemente. Ele entrelaçou seus dedos nos meus e ficou me olhando. Me assustei quando alguém buzinou furioso dizendo que o sinal já tinha aberto. Ele voltou sua atenção ao trânsito, mas não desvinculou sua mão da minha. Aquilo me fez acalmar, mesmo que só um pouco.
Chegando na casa dele e percebi que era uma casa simples mas com uma garagem enorme. Pensei em quantos carros ele deveria ter. Será que ele morava com mais alguém? Perguntas começaram a surgir na minha cabeça.
Saímos carro silenciosamente e parei na porta de sua casa esperando ele abri-la. Ele sorriu e abriu a porta.
– Seja bem vida, ao meu esconderijo. – Ele sorriu e pude ser seus dentes perfeitamente alinhados. Ri com o nome que ele deu para sua casa. "Esconderijo", estranho. Tentei não me importar com isso é fui entrando no corretor de sua casa. Era uma casa comum por dentro e por fora. Muito quieta por sinal.
– Uau, você mora sozinho aqui? — Perguntei olhando a casa toda. Não encontro nenhuma fotografia nem de sua família. Curioso.
–Sim, mas não me importo. Eh mais calmo e posso me concentrar.
–Ahn claro, com certeza. Mas não é meio solitário. – perguntei curiosa.
Ele deu de ombros, mas depois deu um sorriso travesso e pegou minha mão.
– Quero te mostrar meu quarto. Você vai adorar. — Acenei e segui as escadas que davam para seu quarto. Algo dentro de mim estava martelando no meu cérebro para que eu saísse de lá o mais rápido possível, mas não me importei. Seu quarto era bem comum. Com uma cama e paredes brancas. Bem sem graça na verdade. Dei uma risada anasalada.
– Nossa, isso eu não esperava. – falei olhando para ele.
– Eu gosto de um quarto limpo e sem distrações. – deu de ombros.
– Percebi.
– Bem... — Ele deu um passo na minha direção- Estamos sozinhos agora. Finalmente. — Ele se aproximou mais de mim inclinado sua cabeça como se fosse me beijar. Estava me aproximando também, quase tocando seus lábios com os meus quando meu celular começa a tocar.
Dou um pulo para trás com o susto que levei, ele pareceu um pouco frustrado. Corro para pegar meu celular já pensando em mil palavrões que a pessoa iria escutar. Vejo na tela que era Lívia. Bufo irritada e atendo.
– Me dê um bom motivo para você me ligar justo agora. -falei brava.
– Ka – ela falou com uma voz um pouco tremula. — Peter está aqui no nosso apartamento e não quer ir embora. Ele está me perguntando onde você está e não consigo expulsa-lo de casa. Desculpa mesmo, mas você tem que vir. Agora. Eu não vou suportar mais um minuto vendo a cara dele.
– Sua voz estava firme mas percebi seu tom de desespero.
– Ok, estou indo. — Desliguei o celular e olhei para John. Ele aprecia bem frustrado na verdade. — Olha. – Comecei. -Me desculpe, mas aconteceu um problema e tenho que ir para casa, agora.
– Tem certeza que ela não pode se virar sozinha? — Ele me perguntou olhando como um gatinho abandonado na Rua. Estranhei, como ele sabia que era Lívia que tinha me ligado?
– Ela é minha melhor amiga. — Falei mais para mim porque John se aproximou mais de mim e pegou em minha cintura. Foco Kayla, ela precisa da sua ajuda. Ele estava quase me beijando quando ,relutante, me afasto dele.
– Eu preciso mesmo ir. Desculpa. — Estava descendo as escadas e ouço passos me seguindo.
– Eu posso te dar carona. – ele falou.
– Não precisa, eu pego um táxi mesmo. — Vai que eu mudo de ideia, né
– Ok — falou com um tom desapontado.
Virei para trás e disse
– Que tal amanhã? — falei num tom animado. — Vamos almoçar juntos? Que tal? — Ele me olhou com entusiasmo e concordou.
Saindo da casa de John, Acenei para um táxi que vinha vindo e ele parou. Entrei e disse meu endereço. o motorista acelerou e seguiu para meu destino. Encostei minha cabeça no vidro pensando como iria tirar Peter de casa. Ele iria ouvir muito. Ahn como ia. Já estava fazendo uma lista de xingamentos mentalmente quando cheguei no meu apartamento. Dei o dinheiro para o motorista que sorriu e percebi em seu olho direito que uma Luz vermelha piscou, bem rápido. Me assustei e fiquei encarando o senhor, para ter certeza que eu estava vendo coisas. Ele tossiu e voltei para a realidade. Estou ficando cada dia mais doida. Murmurei um obrigada e sai do carro.
Bati na porta e Lívia olhou aliviada para mim.
– Onde está aquele imbecil? — Já entrei pisando duro e encontro Peter sentando no sofá, bem confortável na verdade. O Incinerei com meus olhos e ele se levantou na hora. E começa a andar em minha direção.
– Escuta Kayla- ele começou. — Eu preciso falar com você. É urgente. — Ele falava como se sua vida dependesse disso.
Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha.
– Sério? — Falei ironicamente — então desembucha. – Já estava cansada dele.
Ele deu um suspiro e falou:
– Você não pode namorar John. – falou.
O que? – Falei furiosa. — Quem é você para falar uma coisa dessas? — eu estava irada, muito irritada.
– Eu conheço esse tipo de cara. Ele acha que as mulheres são troféus e quanto mais ele tiver, melhor.
– Ahn claro que você conhece. Você fez o mesmo que ele — Apontei para seu peito.
Ele suspirou cansado. Passou a mão no cabelo loiro deixando- o mais bagunçado do que já era.
– Eu sei, — ele confessou- e é por isso que eu te peço para tomar cuidado com ele. Por favor. — não entendi nada. Por que ele estava se preocupando comigo? Um trovão terminou com o silencio da sala, me tirando dos meus pensamentos.
Revirei os olhos e puxei seu braço o arrastando para porta .
– Está na hora de você ir embora. Já causou de mais para uma noite só. — Estava praticamente o empurrando para fora do meu apartamento.
– Mas ...- Bati a porta na sua cara, sem nenhum remorso. Suspirei cansada da discussão e vi Lívia olhando para mim com aqueles olhos negros como a noite.
– Me desculpe por te fazer sofrer de novo por causa desse idiota. — Me aproximei dela e a abracei com força.
– Eu acho que está tudo bem. — Estranhei sua calma e coloquei as mãos em seus ombros e olhei diretamente em seus olhos. Franzi a testa com desconfiança.
Mesmo? — Ela concordou com a cabeça e se afastou de mim indo para a cozinha. Ainda não acreditava nela.
– Foi ele que me perdeu. Aliás- ela pegou um salgadinho do armário e olhou para mim com um sorriso travesso. – Existem muitos caras gatos nessa faculdade.
– Essa é a Lívia que eu conheço. — Dei um beijo em sua testa e foi segui para o corredor. – Vou tomar um banho e ir dormir, ok? Me avisa se precisar de qualquer coisa.
X
Já na cama olhava para o relógio sem sono pensando nas palavras de Peter. "Tomar cuidado com ele", será que ele estava falando sério? Uma dúvida surgiu em minha cabeça. Me reprendi mentalmente por acreditar em alguma besteira que Peter falava. Fechei os olhos e torci para que não tivesse outro pesadelo com robôs assassinos de novo. Mas, infelizmente, eu estava errada.
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