"The taste of sin- O Sabor do Pecado"
1 Capítulo 1- " Sweet sin"
Notas iniciais
O despertador nem tinha tocado e eu já estava acordada, meu coração acelerado pois esse seria meu primeiro dia nas aulas de filosofia da Igreja, não conseguia esconder o medo e a insegurança que tinha , me levantei, fui até minha penteadeira e disse a mim mesma “ Não tenha medo Rita, os Santos estão ao seu favor”. Meu irmão abriu a porta
— Rita, mamãe mandou você levantar
— Já estou indo.
Ele saiu, e eu comecei meu banho. O dia estava nublado com a temperatura de 16ºC, minha roupa já estava arrumada em cima da cama, era básica, uma calça Jeans preta, uma blusa branca que ganhei do meu melhor amigo Matheus e pra terminar meu tênis pois não queria chamar atenção no meu primeiro dia, e ainda na Igreja. Penteei meu cabelo que era meio ondulado (o que me fazia odia-lo as vezes), peguei uma presilha e coloquei na franja e de maquiagem passei apenas meu batom nude.
Desci as escadas e dava pra ouvir minha mãe no telefone com meu padrasto, ela dizia “Sim amor, irei levar a Rita na Igreja e ficarei pra missa” “ Ela vai fazer filosofia” “ Quando chegarmos eu lhe aviso”. Minha mãe parecia bem mais animada que eu, seu sorriso era imenso, quase chorava de orgulho, pois qual mãe não se orgulharia de uma filha seguindo o Catolicismo?
— Oi mãe
Ela desligou o telefone
— Rita, vai querer oque de café? Tem torradas no microondas, pão em cima da pia...
— Vou tomar só um cafezinho- Peguei a xícara no armário.
— Ansiosa pra sua aula?
— Estou.
— Mal posso esperar pra você pegar seu diploma ao lado dos Padres...- Ela deu um sorriso imenso.
— Mãe... é só um curso de seis meses de filosofia, não é faculdade nem nada disso.
— Mas e se você quiser ser freira? Ou missionária? Ou qualquer coisa de lá?
— Mãe, acho que não.
Ela fingiu que não escutou.
—Vou pegar a chave do carro, tentar esquentar o motor, porque no frio já sabe né?
Ela saiu e foi pra garagem. Peguei meu celular e vi as mensagens, uma era do meu melhor amigo Matheus e ele dizia “ Olha quem vai estagiar... Espero que me mande fotos viu! Haha boa sorte sua louca ♥” .
Matheus era a melhor pessoa do mundo, era alto com o cabelo castanho enrolado, um ótimo poeta e meu melhor amigo desde quando tínhamos 12 anos, nossa amizade era tão grande que todos pensavam que éramos namorados. Matheus era a única pessoa que eu confiava 100%, ele trabalhava na padaria de sua mãe, sempre depois da escola eu ia lá fazer companhia. Pena que agora ele esta fazendo faculdade período integral, e nos fins de semana tem que fazer seus trabalhos e descansar. Só consigo ver ele uma vez por mês, oque me corta o coração.
— RITA VEM LOGO, VAI CHEGAR ATRASADA !
Minha mãe berrou do carro, já abrindo o portão. Eu peguei minha mochila, meu celular e tranquei a porta. Entrei no carro e disse a mim mesma “Não tenha medo Rita, os Santos estão a o seu favor”.
Taubaté ficava um pouco longe, no caminho inteiro fiquei apenas rezando pra dar tudo certo. Minha mãe escutava Victor e Leo, e cantava alto demais, oque já estava me irritando. Depois de 40 minutos...
— Chegamos Rita !
Minhas mãos tremiam tanto que tive dificuldade em abrir a porta do carro. Quando desci olhei pra Igreja, ela era enorme, três vezes maior que a matriz da minha cidade, cabia mais de 900 pessoas, ela fazia o estilo barroco, sua decoração era exagerada e chique parecendo Igreja de novela. Na porta da igreja estava um seminarista todo sorridente e ele veio falar comigo
— Veio para missa?
— Não — Apenas isso que consegui pronunciar
— Então pra filosofia certo? – Ele sorriu
— Sim
— Quer ajuda?
— Sim
Ele sorriu caminhou a minha frente, onde passamos pelo salão paroquial (que era gigante) até chegarmos a uma sala simples.
— É aqui, só esperar o professor – Ele deu um sorriso meio sarcástico, que na hora não entendi.
Eu apenas sorri, ele se virou e foi embora.
Entrei na sala de aula, fui para o fundo da classe. Aos poucos a sala foi ficando lotada, e todas as meninas um pouco eufóricas e eu não entendendo o motivo. O sinal bateu e uma menina deixou escapar “La vem o gatinho”, todos riram, tinha meninas arrumando os cabelos, passando batom, tirando fotos e a maioria dos homens rindo. E eu la quieta.
— Bom dia minha gente – A voz soou com um sotaque mineiro.
Ele entrou, meu queixo caiu e meu coração pulou, eu não acredito que era o Padre celebridade na qual minhas amigas eram todas apaixonadas por ele, inclusive minha mãe. Parecia um sonho, ele conseguia ser mais simpático fora das câmeras, eu parecia hipnotizada por seus olhos castanhos. Dava pra ouvir umas meninas do meu lado falando “Ele é mais lindo do que na TV”, “Meta de marido” “isso que é padre” e de coração espero que ele não tenha escutado. Ele sentou na cadeira e se apresentou
— Acho que já me conhecem, sou o Padre Fabio de Melo, mas aqui eu peço que me chamem apenas de Fabio, sou professor de filosofia e será uma honra dar aula pra vocês nesses períodos.... ahhhh e fotos só no final da aula viu!
Todos riram. E eu não estava acreditando nisso, parecia cena de filme minha mãe iria pirar, minhas amigas não iriam nem acreditar.. e isso explica porque a sala a maioria eram meninas da minha idade.
Ele começou a dar aula. Mas não prestei atenção, só ficava olhando pro seu rosto, ele parecia ser um ser humilde, como qualquer outro padre, ele era diferente fora da televisão, não estava usando ternos de marca nem de grife, estava vestido como qualquer padre, com uma calça preta e uma blusa estampada Nossa Senhora de Aparecida. Não sei se ele percebeu que eu o olhava sem parar, até que em um momento ele me encarou, meu coração saltou, dava pra sentir minhas mãos igual gelo, e a quentura no meu rosto. Até que o sinal tocou. “ahhh logo agora, quero estudar até no domingo” disse uma menina.
Depois da aula uma multidão ficou em volta dele, estava lotado o salão, cheio de fãs entre elas, minha mãe.
— Rita venha aqui tirar foto com o Fabio de Melo – Gritou minha mãe, eu me neguei, e fui pra fora do salão onde estava o mesmo seminarista que encontrei na porta da Igreja.
— Gostou das aulas? – Ele me perguntou
— Gostei.
— Antes de tudo, como é seu nome?
— O meu é Rita.
— Rita... o meu é Rafael, olha só nome de dois Santos. – Ele sorriu
— Verdade – Eu sorri de volta.
Rafael saiu e foi para a capela. Estava morrendo de fome, decidi pegar umas moedas da minha bolsa pra ir em um mercadinho ao lado, antes que minha mãe viesse.
Atravessei a rua e fui ao mercado, comprei um salgadinho. Quando acabei voltei a Igreja, decidi ir ao salão paroquial encontrar minha mãe, porem o salão estava vazio, fui então na capela tentar encontrar.
— Oi aluna – escutei a voz na capela, e quase não acreditei.
— Olá – Tomei coragem.
— Esta sozinha?
— Estou procurando minha mãe. – Ainda tremendo eu o encarei.
— Como é seu nome mesmo? – Ele disse pegando na minha mão que estava gelada.
— Rita.
— Rita... Santa Rita? De Cássia? – Ele abriu um enorme sorriso.
— Só Rita mesmo Fabio.
A porta da capela abriu e surgiu uma mulher dizendo “O bispo esta no telefone querendo falar com o Senhor padre.”
— Justo em uma conversa... Tchau Rita, até amanhã.
— Tchau Fabio.
Quando ele saiu, eu sai atrás e fui pra porta da Igreja onde estava minha mãe mexendo no celular.
— Oi mãe.
— RITA VOCÊ VIU QUEM ESTA AQUI?
— Não..- Eu tinha quase certeza que ela estava falando do Padre Fabio de Melo.
— Aquele Padre bonito... o tal do Fabio de Melo.
— Ahh sim, ele é meu professor. – Ela paralisou, ficou pálida.
— VOCÊ ESTA TENDO AULA COM O PADRE GATÃO?— Gritando.
— Sim.
Minha mãe não estava se contendo, então fui em direção do carro e ela me seguiu sem dar uma palavra, pois estava em choque. Entrei no carro e no caminho inteiro não conseguia parar de pensar nele, na sua voz, lembrei de seu perfume, suas mãos eram macias, seus olhos penetrantes, estava extremamente ansiosa para próxima aula, para que ele pudesse me perceber.
Pelo resto do dia, não consegui parar de pensar nele.
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