(POV Naruto)

Dois dias haviam passado e eu andava de um lado para o outro pela sala inquieto demais para me concentrar em alguma coisa. Não entendia aquela súbita vontade de interferir nos planos de Sasuke e resgatar Sakura, mas isso implicaria dar para trás em toda a vida que tinha conquistado até agora.

Meu serviço dependia de contatos e recomendações, e, a partir do momento que decidisse intervir por Sakura perderia toda a minha credibilidade no mercado, mas até esse motivo não parecia tão relevante no momento.

Sentei-me em frente ao notebook e pesquisei por Hinata Hyuuga sem realmente saber o que faria com aquela pesquisa. Ao fundo o noticiário local começou na televisão e a imagem de Sakura surgiu em primeiro plano. A polícia estava a todo vapor procurando por ela, mas tinha conhecimento do poder de Sasuke, e esse se estendia até policiais corruptos que com certeza desviaram as investigações para longe do verdadeiro culpado.

Fechei com força o notebook pegando as chaves do carro e saindo logo em seguida. Dirigi até uma quadra antes do cativeiro e estacionei por ali mesmo refletindo minhas opções. Não era indicado estacionar mais próximo que aquilo ou certamente seria pego pelas câmeras de segurança que o Uchiha instalou como prevenção. Felizmente conhecia aquela região como a palma da minha mão, só precisava desviar a atenção de Sasuke e seus capangas para conseguir invadir a casa.

— Gostaria de denunciar um assalto, próximo ao Pier 40 na esquina da Clarkson com a Washington. — Falei assim que a telefonista atendeu.

— Tudo bem, estaremos enviando uma viatura imediatamente.

Não demorou para que o barulho da sirene se tornasse audível, e como o previsto os vários sedãs pretos espalhados pela vizinhança sumiam rapidamente de vista. Não tinha tempo a perder, então corri até a casa que rondava meus pensamentos. Dei a volta indo direto para a porta do porão que ficava no quintal. Trancada.

Com um único tiro arrebentei o cadeado, escancarando a porta e descendo com pressa a escada velha de madeira. Lá embaixo o cheiro de mofo era predominante e apenas uma luz fraca iluminava todo o recinto.

Quase não a percebi jogada sobre um colchão velho com roupas maltrapilhas, não havia qualquer resquício da mulher que dançou comigo no baile. Me aproximei, soltando-lhe as amarras, mas a fraqueza era tanta que ela só abriu os olhos e me encarou fixamente. O brilho esmeraldino desapareceu por completo, era como se metade dela tivesse morrido durante aqueles dois dias.

A culpa agora me corroía de dentro para fora e soube, os sentimentos que lutei para não sentir durante toda a vida simplesmente sucumbiram diante dessa pequena mulher. Eu faria o que fosse preciso para que ela sobrevivesse a tudo aquilo.

Não conseguia subir aquela escada íngreme com ela em meu colo, optei pela porta interna e quando chegamos na sala um tiro foi disparado acertando em cheio minha panturrilha esquerda.

— Estou surpreso em vê-lo por aqui, Naruto. Imagino que as viaturas tenham sido ideia sua, estou certo? — Sakura resmungou ao meu lado no chão e percebi seu corpo retrair. Me apoiei em meus braços e encarei Sasuke que sorria tranquilo encostado no sofá— Não vai me dizer que veio resgatar a princesinha?

— Nos deixe sair Sasuke…

— Ou o que? Vai me matar? — Ele riu com desdém. — Sabe você não parece tão ameaçador assim. — Ele girou a arma em mãos e andou lentamente até mim. — O que houve em Naruto? Ficou com pena dela? — Estreitei meus olhos em sua direção— Não, eu realmente não achei que você fosse capaz de sentir qualquer coisa por uma pessoa que não fosse você mesmo. — Desviei o olhar, escutar aquilo tornava tudo ainda pior— Realmente surpreendente, Naruto Uzumaki é capaz de sentir culpa. Fascinante.

Sasuke foi até a janela, a postura rígida e sua expressão ansiosa denunciavam que apesar de bancar o todo poderoso ele estava mesmo preocupado. Aproveitei o momento que ele olhou para fora, provavelmente verificando se seus capangas estavam retornando, e busquei a arma no cós da minha calça.

Com um tiro em seu abdômen, Sasuke escorregou pela parede.

— Seu maldito! — Ele gritou com dor. Estava pronto para atirar mais uma vez, mas a porta da frente foi aberta e dois de seus seguranças entraram atirando. Com a troca de tiros consegui derrubar um deles, mas um dos tiros acertou em cheio minha mão direita jogando para longe minha arma.

Cai para trás pronto para morrer, mas o segurança que não foi atingido ao invés de vir terminar o serviço, seguiu em direção ao Sasuke. Não sei se ele já me considerava morto ou se as ordens eram para cuidar do chefe primeiro, o fato é que em poucos minutos a casa ficou silenciosa.

A dor era lancinante, e sentia que a cada hora eu poderia apagar. Desejava isso para ser honesto. Tentei me lembrar o porque tinha me submetido a passar por isso e procurei por Sakura.

Seu corpo não estava muito longe do meu, mas enquanto eu tentava não gritar com a dor, ela estava inconsciente sobre uma poça de sangue que ficava maior a cada segundo.

— Eu posso não sobreviver, mas prometo que irei te salvar. — Arfei, o gosto de sangue era terrível, mas um detalhe insignificante diante de todo o resto.

Eu não conseguia me arrastar, já estava sem forças e minha mão direita também latejava pelo tiro. Com um último recurso busquei meu celular com a mão esquerda, e me surpreendi ao perceber que estava tremendo.

— Droga Naruto! Ande, você precisa salvá-la. — Disquei para a emergência. E agora só me restava torcer para que eles chegassem mais rápidos que os outros subordinados de Sasuke Uchiha. — Sakura, me perdoe. — Estiquei a mão esquerda para tocá-la, mas não consegui alcançar. Sentia meu corpo adormecendo, a visão ficando turva até que tudo escureceu.