(POV Naruto)

Ao abrir os olhos a claridade era tão intensa que acabou me fazendo fechá-los novamente. O cheiro de limpeza era forte e irritante, e alguns ruídos de máquinas indicavam que eu estava em um hospital. Tentei mexer minha mão mas algo me prendia a cama e quando finalmente consegui me habituar a claridade enxerguei um par de algemas preso no meu pulso e na barra de segurança da cama.

— Mas que diabos! — Minha voz estava rouca pela falta de água. Há quantos dias estava ali? E Sakura? E Sasuke?

— Vai com calma Uzumaki. — Me virei procurando pela mulher que falava me deparando com a policial Hinata Hyuuga. — O médico falou que era bom você ficar calmo, ou iria piorar sua situação.

— Sakura? Ela sobreviveu? — Hinata me fitou por alguns segundos, nitidamente intrigada com a minha preocupação. No entanto eu não estava nenhum pouco interessado na sua surpresa. — Me responde Hyuuga!

— Sim, ela sobreviveu. A propósito Sakura me contou coisas interessantes sobre você.

— Não quero saber. — Ela me ignorou, é claro.

— Fiquei bem surpresa ao saber que voltou atrás para resgatá-la. A propósito, imagino que gostaria de saber que Sasuke passou por uma cirurgia, mas o tiro que você deu se estilhaçou dentro dele e os danos foram tão severos que ele não sobreviveu. — Percebi que ela analisava cada reação que eu pudesse ter sobre aquele assunto, mas não consegui não sorrir com aquela notícia.

— Era o mínimo. — Olhei em direção a porta do meu quarto e vi de relance dois policiais de guarda. — Creio eu que, assim que tiver alta, serei transferido direto para a prisão, estou certo?

— E se tudo correr como eu planejo, você jamais irá sair de lá. — Dessa vez foi Hinata a sorrir.

— É o preço que pagamos por tentar ser o herói. — Tentei dar de ombros, mas todo meu corpo parecia machucado e só consegui algumas caretas de dor.

— É o preço que se paga por ter cometido todos os crimes que cometeu. — Ela me corrigiu, mas não me importei. — Tenho detetives nesse exato momento revistando todo seu apartamento e com todo o caso que juntei contra você, imagino que seja só questão de tempo para receber a sentença de prisão perpétua.

— É incrível ver que você está satisfeita com esse desfecho. — Ela cruzou os braços e caminhou até estar bem próxima a minha cama. — Só precisa se lembrar que apenas conseguiu me alcançar porque eu assim decidi.

— Não me importa, só de saber que jamais voltará a sequestrar e matar já é o bastante.

Hinata se virou e saiu me deixando sozinho ali. Eu sabia que esse era o resultado, mas tinha que admitir que não estava nenhum pouco satisfeito. A única coisa boa nisso tudo era que Sakura estava bem, se recuperando em dos quartos daquele mesmo hospital.

(...)

Os dias seguintes foram complicados. Ninguém além de médicos e enfermeiras entravam no quarto, e esses tampoucos pareciam querer me tratar com o mínimo de dignidade. A cada oito horas a dupla de policiais que estavam de guarda no corredor eram substituídos e uma nova dupla se colocava no posto, como se eu tivesse qualquer condição de fugir. Minha mão continuava enfaixada sem conseguir mexer, segundo o médico talvez eu perdesse o movimento de alguns dedos pela bala ter acertado em cheio os nervos.

Já o tiro na minha panturrilha não tinha causado tantos problemas assim, mas mesmo assim seria uma longa recuperação.

— Posso entrar? — Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar no mundo. Abri meus olhos a tempo de ver uma enfermeira empurrar a cadeira onde estava Sakura pelo meu quarto.

— Sakura.

— Hinata me contou que você estava aqui.

— Sim, ainda estou me recuperando. E como você está?

— Já estive melhor. Mas não vim aqui para isso. — Ela abaixou o rosto, encarando as próprias mãos sobre o corpo. — Não sei porque você voltou atrás, mas sem dúvidas foi por esse motivo que sobrevivi a tudo isso. — Ela levantou os olhos, e fiquei feliz de ver que aos poucos o brilho de seus olhos estava voltando. Provavelmente ela demoraria a se recuperar completamente, mas saber que pelo menos teria essa possibilidade já fazia tudo valer a pena. — No entanto, tudo isso aconteceu porque você se dispôs a me sequestrar, então não consigo sentir qualquer gratidão ainda.

— Nem precisa. O que eu fiz foi imperdoável.

— Sim, foi.

— Acho que isso é um adeus. — Aquelas palavras machucaram bem mais do que eu imaginei ser possível.

— Sim.

— Espero que consiga se recuperar, Sakura. — Falei sincero.

— Eu também espero, Naruto.

E ao dizer isso sua enfermeira virou a cadeira de rodas e ambas saíram do quarto. Agora seria eu e a solidão pelo resto da vida. Era o que chamavam de justiça, então só me cabia respeitar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!