The light from her eyes - NaruSaku
1 Capítulo 1
(POV Naruto)
As instruções de Sasuke ainda ecoavam em minha mente, ele tinha sido bem claro quanto à discrição para realizar esse trabalho e, apesar de já estar acostumado com esse tipo de adrenalina, sentia algo a mais que não conseguia nomear.
O serviço era simples: sequestrar Sakura Haruno durante o baile de máscaras promovido pela empresa Sharingan.
Não precisaria ficar no cativeiro e tampouco me interessava em saber quais os planos de Sasuke Uchiha para com a mesma. Assim que recebesse meu dinheiro sequer me lembraria o nome da mulher.
Olhou uma última vez para o espelho ajeitando o terno feito sob medida. Essa era uma das minhas principais qualidades, ser capaz de me misturar em qualquer ambiente, desde a festa mais requintada ou até mesmo num bar desmantelado. Só dependeria do trabalho proposto.
No início me envergonhava apelar a esse tipo de serviço, mas precisava comer e ajudar meus próprios pais, então eu o fazia sem reclamar. Agora com os pais mortos não me sentia mal com meu ganha pão. Afinal os valores que passei a cobrar rendiam boas mordomias que dificilmente abriria mão.
Peguei minha máscara preta, simples e elegante e coloquei sobre o rosto. O contraste com os cabelos loiros me deixava ainda mais misterioso.
Assim que cheguei, passei facilmente pela segurança dando a identidade que Sasuke me fornecera. O salão estava lotado como era esperado, mas meu alvo era facilmente reconhecido pelos curtos cabelos róseos.
Na primeira volta pelo salão já a avistei conversando com uma mulher loira e uma de cabelos pretos, reconheci de imediato a morena. A Hyuuga poderia ser um problema para meu plano, e teria que lidar com isso. Hinata uma policial conhecida e que, para o meu azar, estava a minha caça, se as duas eram amigas como parecia, precisaria de uma distração para tirar Sakura dali.
Caminhei em meio a multidão me certificando de conhecer cada detalhe do ambiente, não podia me dar ao luxo de falhar, a proposta de Sasuke valia milhares de dólares.
Falando sobre o anfitrião da festa, não era difícil encontrá-lo. A forma como o Uchiha se portava se sobressaia perto dos acionistas que o cercavam como corvos atrás de comida. Bastou uma troca de olhares para que ele entendesse que precisávamos conversar.
Digitei uma única e curta mensagem, o bastante para explicar a situação. Alguns minutos se passaram com a confirmação de que ele mesmo se encarregaria de distrair a policial.
Durante a primeira dança formal da noite os casais rodopiavam pelo salão com destreza e suavidade, nada além do que o esperado para a classe alta de Manhattan. Andei em direção a Sakura que estava distraída ao lado da loira, olhei de relance para a pista de dança e pude diferenciar o casal em destaque, Sasuke girava Hinata com elegância e ela parecia absorta demais para prestar atenção ao redor.
— Me daria a honra dessa dança, senhorita? — Estendi a mão e sorri galanteador. Sakura trocou um breve olhar com a amiga antes de colocar sua mão pequena sobre a minha, aceitando o convite.
Ao contrário dos demais casais que se dirigiam para o meio da pista, eu a conduzi para o lado sul do salão onde ficava o corredor que levaria a saída principal. Ela não pareceu se importar já que trazia um sorriso genuíno no rosto.
— Posso ao menos saber o nome do cavalheiro que gentilmente me convidou para dançar? — Por um breve segundo meus olhos encontraram os dela me desconcentrando. Não costumava sentir qualquer coisa que não pudesse suprir com dinheiro, mas hoje aquele trabalho vinha me causando sensações estranhas desde o começo dos preparativos. Agora olhando nos belos olhos verdes do meu alvo, sentia-me ansioso.
— Naruto e o seu? — Ela mordeu o lábio inferior e podia jurar que por trás da máscara suas bochechas estavam coradas.
— Sakura.
— Combina perfeitamente, se me permite dizer.
A música acabou rapidamente e sugeri que dançasse mais uma comigo, o que ela aceitou de bom grado. Seu longo vestido preto tinha um decote generoso nas costas permitindo que minha mão em sua cintura desfrutasse da suavidade de sua pele.
Era terrível admitir que não queria interromper aquela dança, porém era preciso. Habilmente retirei da manga do terno um canivete deslizando pelas costas nuas da mulher.
— Se ousar abrir a boca, vou garantir que seja a última vez— Sussurrei em seu ouvido. Ela arfou em meus braços, mantive meu aperto firme em sua cintura. — Agora que tal sairmos daqui sorrindo?
— O que você…
— Ei meu bem, eu não disse que podia falar.
Passamos despercebidos pelas pessoas no corredor, mas Sakura estava assustada demais ao meu lado e isso nos denunciaria facilmente. A pressionei contra a parede mantendo meus olhos fixos nos seus.
— Eu falei que você devia sorrir. — Deslizei o canivete por cima do tecido fino em sua barriga. — Quer mesmo me deixar nervoso?
Naquele instante o medo em seus olhos me fez hesitar. Era a primeira vez que me sentia estranho com o que estava fazendo, mas já que havia começado era preciso terminar.
Tirei meu terno colocando sobre os ombros da mulher deixando minha mão em sua cintura ainda com o canivete. Os seguranças deram uma breve olhada em nossa direção então pressionei seu braço e pude ver um pequeno sorriso no rosto apavorado de Sakura. Era o bastante por enquanto.
No estacionamento praticamente vazio eu a guiei até o meu carro alugado e antes de fazê-la se sentar, tomei o cuidado para amarrar suas mãos com fita, a empurrei para o banco do passageiro deixando o terno por cima dos braços como se ela estivesse se protegendo do frio do ar condicionado.
Ao me sentar atrás do volante lhe mostrei a arma que carregava, com certeza bem mais eficiente do que um mero canivete. Se bem que ela estava tão assustada que eu duvidava ser capaz de tentar fugir.
Dirigi por ruas escuras e afastadas do grande centro, e o endereço que Sasuke havia me passado ficava próximo ao Pier 40.
— Você é incrivelmente silenciosa. — Comentei deixando minha mão pousar sobre sua coxa definida que aparecia pela fenda. Seu corpo se afastou por reflexo, ou por medo. Não era mesmo importante.
— O que você quer de mim? — A voz falhou ao terminar a pergunta.
— Eu não quero nada, mas meu chefe parece muito interessado em você— Dei de ombros despreocupado.
— Você trabalha para o Uchiha, não é mesmo? — Vacilei por um segundo e me recompus ainda mais rápido— Só ele seria capaz de uma atrocidade como essa.
Não respondi, mas me questionei mentalmente qual tipo de relação ambos tiveram anteriormente. Pelo choro silencioso e a forma como o corpo dela se encolheu no canto eu imaginava que Sasuke Uchiha já tinha mostrado a ela sua verdadeira face.
Estacionei o carro em frente a casa cujo endereço estava na mensagem e estava prestes a sair quando a mulher ao meu lado segurou meu braço com força me fazendo encara-la.
— Por favor, estou implorando! Não me entregue para ele! — As lágrimas desciam desenfreadas pelo rosto delicado, os olhos verdes brilhantes imploravam silenciosamente, e odiava como tudo aquilo parecia me afetar.
— Preciso terminar meu serviço— Falei simplesmente.
— Por favor!
Estava irritado por ser minimamente influenciado por ela, precisava tomar uma atitude. Peguei a fita e tirei um pedaço, grande o suficiente para colar em sua boca. O medo em seus olhos aumentou e as lágrimas cessaram.
A puxei para fora do carro sem me dar o trabalho de ser cuidadoso, quanto menos fizesse por ela, melhor seria depois quando tivesse que partir. Entrei na casa vazia e escura e a joguei contra o sofá prendendo também seus pés para que não tentasse fugir. Andei até a janela fechando as cortinas e sentei no sofá oposto ao que ela estava para esperar até que Sasuke chegasse.
Quase duas horas ali sentado esperando e nada do Uchiha aparecer, já começava a me perguntar se algo tinha acontecido na festa que o fizesse desistir, quando o barulho de pneus se tornou audível assim como o portão da garagem.
— A policial deu um pouco de trabalho agora no final, mas já foi tudo resolvido— Sua fala claramente era para mim, mas ele não tirou os olhos sedentos da mulher no sofá— Seu serviço por aqui está completo, e o pagamento já foi feito.
Assenti e sai, não sem antes escutá-lo tirar a fita da boca de Sakura e ela implorar para que ele não a machucasse. Acelerei o máximo que pude pela rodovia tentando me distanciar daquele cativeiro, e mesmo assim a angústia em meu peito aumentava a cada metro percorrido. Os olhos verdes tomados pelo desespero não saíam dos meus pensamentos.
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