Notas iniciais
Boa leitura = *

Nii-chan?! Viro-me lentamente, ainda descrente.

É a Yuki-chan! Sinto um sorriso se formar em meu rosto, é verdade, James abre os braços, corro me atirando contra ele. — Haha, você cresceu.

Claro, você não vem nos ver a três anos! Finjo um tom de reprovação, ele ri e me tira do chão, girando. — Nii-chan!

Tento fazê-lo parar, porém não consigo deixar de rir, ele finalmente me coloca de volta no chão afastando-se o suficiente para me olhar, mas ainda me mantendo em seus braços.

Uau! Ele tira uma mecha do meu rosto e corre a mão por meus cabelos. — Você ficou linda de cabelo curto.

Obrigada! Digo sorrindo de ponta a ponta, estava com saudades dele.

Alguém limpa a garganta atrás de mim, viro-me e me deparo com Kanda, sua expressão um tanto inquisitiva.

Ah, Jay, este é o Yu... Penso melhor, ele não gosta que o chamem assim. — Kanda.

James olha de mim para o moreno e algo em sua expressão muda, por algum motivo seu sorriso não parece mais tão brilhante, porém ele me larga e estica a mão para o general, com uma expressão simpática.

Eu me chamo James Knight, é um prazer conhecê-lo Kanda. Yuu o olha sem interesse, sinto minhas bochechas esquentarem, que comportamento infantil, puxo o braço do moreno e lhe dou um olhar duro, não acredito que ele pretende ignorar Jay.

Kanda. Ele responde, apertando a mão do loiro a contragosto, sinto-me ainda mais constrangida, ele ao menos podia fingir ter algum interesse.

Vocês estão aqui a passeio? Volto-me para o nii-chan e concordo com a cabeça, explicar a verdade levaria muito tempo. — Já tem onde ficar? O hotel já deve estar lotado, assim como as carruagens.

Nego com a cabeça, me sentindo bem azarada, é uma raridade coisas assim acontecerem.

Gostariam de passar a noite em minha casa? Ele olha de mim para Kanda e continua. - É próxima e eu já havia deixado uma carruagem alugada.

Tem certeza de que não vamos atrapalhar?

De jeito nenhum, além do mais, Catherine ficará muito feliz em revê-la. Se possível, me sinto ainda mais surpresa.

Kath está aqui?! Ele aquiesce. — Não acredito, eu adoraria vê-la.

Então está decidido. Sorrio, concordando com a cabeça.

Seguimos até a carruagem, Jay me ajuda a subir, sentamo-nos de frente um para o outro, ainda não consigo acreditar na sorte que tive. Quando começamos a nos mover, olho para fora, é quase impossível ver qualquer coisa, me pergunto que tipo de coincidência é essa, será que o destino de fato faz tudo certo, quer dizer, não teríamos para onde ir do contrário, e eu estava me sentindo realmente deprimida, mas rever Jay me deixou tão animada, talvez, balanço a cabeça, sem dúvida é um sinal para que eu deixe de me abater tão fácil, sorrio encostando a testa na janela, mesmo essa tempestade vai terminar uma hora.

Chegamos. Diz o loiro quando a carruagem para, Jay desce e abre um guarda chuva, ele estica a mão para mim, aceito-a e ele me ajuda a descer. — Vocês pod...

Sem dar chance a James, Kanda sai da carruagem e segue para a casa, respiro fundo, o que deu nele?

Kath? Chama o nii-chan quando entramos na casa, ouço passos no andar superior e levanto a cabeça, de repente surge uma pessoa no topo da escada.

Eu achei que você não conseguiria chegar, essa chuva... Ela para ao me ver, primeiro seu rosto mostra confusão, mas no segundo seguinte, um enorme sorriso se abre em seu rosto. — Yuki-chan!

Ela se joga contra mim, me abraçando apertado, sorrio devolvendo o abraço, fazia ainda mais tempo que eu não a via, porém ela continuava igual.

Minha nossa, como você cresceu! Rio, pensando que continuo pequena. — Você virou um mulherão.

Sinto meu rosto esquentar, havia me esquecido de sua tendência a dizer o que pensa sem nenhum filtro, igualzinha a mãe.

O que está fazendo aqui? Ela pensa por um segundo. — Você não deveria estar no orfanato ainda?

Eu saí mais cedo. Catherine tem razão, até ano que vem eu ainda poderia continuar no orfanato, já que a idade para saída é dezesseis.

Por quê? Indaga a ruiva curiosa, de repente seus olhos se arregalam e sua boca se abre em um perfeito “O”. - Não acredito que você se casou!

Minha expressão se torna igualmente chocada, que conclusão foi essa, como assim me casei? Ela me larga a e segue em direção a Kanda, ah, agora entendi.

Não. Respondo rindo, Kath sempre levava tudo ao extremo, já estava acostumada a perguntarem se éramos namorados, agora casados, só Kath mesmo. — Este é Kanda, ele é… trabalhamos juntos.

Todos têm expressões iguais, aposto que se pudesse ler seus pensamentos, todos seriam iguais, esta foi uma péssima mentira. O pior é que não chegava a ser totalmente mentira, mas a complexidade do nosso relacionamento, bom, levaria horas até explicar.

Trabalham juntos? Questiona Kath com uma sobrancelha erguida, definitivamente ela não acredita em mim.

Sim, na Ordem negra. Agora a expressão dela muda, seus olhos encontram os de Jay e ambos parecem perturbados.

Você entrou para a Ordem negra? Aquiesço, e os dois ficam lívidos, pisco algumas vezes, sem conseguir entender. — Yuki-chan…

Não. Kath estreita os olhos em direção ao irmão, sua expressão se endurece, enquanto a de Jay parece apenas magoada.

Você conheceu um homem chamado Edward Knight? Penso um pouco.

Não, por…

Eu o conheci. Todos nos viramos surpresos para Kanda.

Ele… James parece atordoado, nunca o vi em tal estado, o loiro sempre fora o exemplo da calma e bom humor agora, contudo, ele parecia desolado e perdido. — Como ele está?

Morto. Catherine não parece muito surpresa, no entanto, seu irmão parece prestes a desmaiar.

Meu pai está…

Sinto meus olhos se encherem de água, aproximo-me dele e passo meus braços em torno de sua cintura, ele devolve o abraço e enterra o rosto em meus cabelos. Agora me lembrei, a professora Mary Anne sempre disse que seu marido era um soldado e que seu trabalho era em tempo integral, por isso nunca tivéramos a chance de conhecê-lo, jamais imaginei que ela estivesse falando de um exorcista.