The first snow
19 James Knight
Notas iniciais
— Nii-chan?! Viro-me lentamente, ainda descrente.
— É a Yuki-chan! Sinto um sorriso se formar em meu rosto, é verdade, James abre os braços, corro me atirando contra ele. — Haha, você cresceu.
— Claro, você não vem nos ver a três anos! Finjo um tom de reprovação, ele ri e me tira do chão, girando. — Nii-chan!
Tento fazê-lo parar, porém não consigo deixar de rir, ele finalmente me coloca de volta no chão afastando-se o suficiente para me olhar, mas ainda me mantendo em seus braços.
— Uau! Ele tira uma mecha do meu rosto e corre a mão por meus cabelos. — Você ficou linda de cabelo curto.
— Obrigada! Digo sorrindo de ponta a ponta, estava com saudades dele.
Alguém limpa a garganta atrás de mim, viro-me e me deparo com Kanda, sua expressão um tanto inquisitiva.
— Ah, Jay, este é o Yu... Penso melhor, ele não gosta que o chamem assim. — Kanda.
James olha de mim para o moreno e algo em sua expressão muda, por algum motivo seu sorriso não parece mais tão brilhante, porém ele me larga e estica a mão para o general, com uma expressão simpática.
— Eu me chamo James Knight, é um prazer conhecê-lo Kanda. Yuu o olha sem interesse, sinto minhas bochechas esquentarem, que comportamento infantil, puxo o braço do moreno e lhe dou um olhar duro, não acredito que ele pretende ignorar Jay.
— Kanda. Ele responde, apertando a mão do loiro a contragosto, sinto-me ainda mais constrangida, ele ao menos podia fingir ter algum interesse.
— Vocês estão aqui a passeio? Volto-me para o nii-chan e concordo com a cabeça, explicar a verdade levaria muito tempo. — Já tem onde ficar? O hotel já deve estar lotado, assim como as carruagens.
Nego com a cabeça, me sentindo bem azarada, é uma raridade coisas assim acontecerem.
— Gostariam de passar a noite em minha casa? Ele olha de mim para Kanda e continua. - É próxima e eu já havia deixado uma carruagem alugada.
— Tem certeza de que não vamos atrapalhar?
— De jeito nenhum, além do mais, Catherine ficará muito feliz em revê-la. Se possível, me sinto ainda mais surpresa.
— Kath está aqui?! Ele aquiesce. — Não acredito, eu adoraria vê-la.
— Então está decidido. Sorrio, concordando com a cabeça.
Seguimos até a carruagem, Jay me ajuda a subir, sentamo-nos de frente um para o outro, ainda não consigo acreditar na sorte que tive. Quando começamos a nos mover, olho para fora, é quase impossível ver qualquer coisa, me pergunto que tipo de coincidência é essa, será que o destino de fato faz tudo certo, quer dizer, não teríamos para onde ir do contrário, e eu estava me sentindo realmente deprimida, mas rever Jay me deixou tão animada, talvez, balanço a cabeça, sem dúvida é um sinal para que eu deixe de me abater tão fácil, sorrio encostando a testa na janela, mesmo essa tempestade vai terminar uma hora.
— Chegamos. Diz o loiro quando a carruagem para, Jay desce e abre um guarda chuva, ele estica a mão para mim, aceito-a e ele me ajuda a descer. — Vocês pod...
Sem dar chance a James, Kanda sai da carruagem e segue para a casa, respiro fundo, o que deu nele?
— Kath? Chama o nii-chan quando entramos na casa, ouço passos no andar superior e levanto a cabeça, de repente surge uma pessoa no topo da escada.
— Eu achei que você não conseguiria chegar, essa chuva... Ela para ao me ver, primeiro seu rosto mostra confusão, mas no segundo seguinte, um enorme sorriso se abre em seu rosto. — Yuki-chan!
Ela se joga contra mim, me abraçando apertado, sorrio devolvendo o abraço, fazia ainda mais tempo que eu não a via, porém ela continuava igual.
— Minha nossa, como você cresceu! Rio, pensando que continuo pequena. — Você virou um mulherão.
Sinto meu rosto esquentar, havia me esquecido de sua tendência a dizer o que pensa sem nenhum filtro, igualzinha a mãe.
— O que está fazendo aqui? Ela pensa por um segundo. — Você não deveria estar no orfanato ainda?
— Eu saí mais cedo. Catherine tem razão, até ano que vem eu ainda poderia continuar no orfanato, já que a idade para saída é dezesseis.
— Por quê? Indaga a ruiva curiosa, de repente seus olhos se arregalam e sua boca se abre em um perfeito “O”. - Não acredito que você se casou!
Minha expressão se torna igualmente chocada, que conclusão foi essa, como assim me casei? Ela me larga a e segue em direção a Kanda, ah, agora entendi.
— Não. Respondo rindo, Kath sempre levava tudo ao extremo, já estava acostumada a perguntarem se éramos namorados, agora casados, só Kath mesmo. — Este é Kanda, ele é… trabalhamos juntos.
Todos têm expressões iguais, aposto que se pudesse ler seus pensamentos, todos seriam iguais, esta foi uma péssima mentira. O pior é que não chegava a ser totalmente mentira, mas a complexidade do nosso relacionamento, bom, levaria horas até explicar.
— Trabalham juntos? Questiona Kath com uma sobrancelha erguida, definitivamente ela não acredita em mim.
— Sim, na Ordem negra. Agora a expressão dela muda, seus olhos encontram os de Jay e ambos parecem perturbados.
— Você entrou para a Ordem negra? Aquiesço, e os dois ficam lívidos, pisco algumas vezes, sem conseguir entender. — Yuki-chan…
— Não. Kath estreita os olhos em direção ao irmão, sua expressão se endurece, enquanto a de Jay parece apenas magoada.
— Você conheceu um homem chamado Edward Knight? Penso um pouco.
— Não, por…
— Eu o conheci. Todos nos viramos surpresos para Kanda.
— Ele… James parece atordoado, nunca o vi em tal estado, o loiro sempre fora o exemplo da calma e bom humor agora, contudo, ele parecia desolado e perdido. — Como ele está?
— Morto. Catherine não parece muito surpresa, no entanto, seu irmão parece prestes a desmaiar.
— Meu pai está…
Sinto meus olhos se encherem de água, aproximo-me dele e passo meus braços em torno de sua cintura, ele devolve o abraço e enterra o rosto em meus cabelos. Agora me lembrei, a professora Mary Anne sempre disse que seu marido era um soldado e que seu trabalho era em tempo integral, por isso nunca tivéramos a chance de conhecê-lo, jamais imaginei que ela estivesse falando de um exorcista.
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