Notas iniciais
Antes de mais nada, quero pedir um milhão de desculpas! Sei que não muda nada, mas sinto-me na obrigação de lhes dar uma explicação, primeiro, eu tive O bloqueio, não conseguia escrever nem uma linha e isso deve ter durado em torno de um mês, se não mais. Segundo, andei passando por uma fase "agitada" no trabalho e isso também não ajudava em nada. Ainda assim, não foi justo ficar tanto tempo sem postar, mas espero que me desculpem por isso e não tenham abandonado a história. Agora sobre esse capítulo, mesmo antes, quando estava postando, não estava completamente satisfeita com meu trabalho, porém para não deixa-los sem capítulo, continuei a postar, creio que irão reparar que as coisas mudaram bastante, espero que gostem deste novo "arco". Perdão pela enorme nota inicial, mas eu tinha muito o que explicar, espero que gostem do capítulo e prometo que assim que conseguir, postarei um capítulo duplo. Boa leitura ♥

Pisco algumas vezes e sou incapaz de conter um bocejo. Branco, provavelmente estou na ala médica, viro-me na cama, porém o cenário difere do esperado. Parece uma espécie de quarto, mas também remete a uma enfermaria, que lugar é esse?

Sento-me, aparelhos apitando e fios conectados a meu braço, sem dúvida é um local de tratamento, mas não me lembro de já ter estado aqui antes, será que foi tão ruim?

Penso em me levantar da cama e desbravar o quarto, entretanto os fios conectados a meu braço irão atrapalhar, olho novamente para meu braço, levanto-o, isso não faz sentido.

Ichinose-sama. A porta é aberta com força, levanto os olhos surpresa, uma mulher de meia idade entra ofegante. — Como se sente?

Volto a piscar algumas vezes, provavelmente ela é uma enfermeira, médica ou curandeira, porém estou acostumada a tratar sempre com os mesmos. Será que aconteceu algo a Nina-sensei ou Tio Mark?

Senhorita Ichinose? Assusto-me ao perceber o como a mulher se aproximou.

Ah… Rio constrangida e coloco uma mecha para trás da orelha. — Estou bem.

Lhe sorrio cordialmente inclinando levemente a cabeça, porém sou surpreendida por meu cabelo caindo no rosto, levo a mão aos cabelos e não consigo deixar de soltar uma exclamação surpresa ao perceber que eles param na altura de meus ombros.

O que houve? A senhora questiona parecendo preocupada, pulo da cama e olho a minha volta, procurando por um espelho, mas ao virar-me de volta para a cama, uma nova sensação se apodera de mim.

Essa cama… Olho para baixo, isso não faz sentido, viro-me para a mulher. — Esta cama é rebaixada?

Ahm? Pela expressão da senhora, não.

Estico ambos meus braços e logo em seguida olho para minhas pernas, isso não faz absolutamente nenhum sentido. Será um sonho?

FUYU! O quarto é invadido por três homens, que quase colocam a porta a baixo, enquanto uma mulher vem logo atrás deles, tentando para-los.

A surpresa é tanta que faz com que eu caia sentada na cama, no momento seguinte, um deles me abraça com tanta força que quase me tira o fôlego.

Pare com isso! O rapaz é puxado, e seus braços se afrouxam. — Você vai machuca-la.

Eu não acredito! Vocês são incapazes de ouvir o que eu digo…

Mas eu queria muito vê-la, me desculpe…

Tsc!

Quase a esmagando…

Será que não pensam…

Minha cabeça começa a girar, apoio ambas as mãos na cama e respiro fundo, sinto meu estomago se contrair e minha cabeça latejar, fecho os olhos com força.

Você está bem? Uma mão toca levemente meus ombros, abro os olhos e me deparo com um dos rapazes que invadiu o quarto, nego com a cabeça, sentindo-me muito fraca para falar.

Eu disse a vocês para não virem. Não tento localizar a pessoa que disse isso, o garoto me ajuda a deitar, suspiro aliviada, o barulho havia cessado e isso já era de grande ajuda.

Ouço alguns murmúrios de desculpa antes de um por um eles se retirarem, sinto meus olhos começarem a se fechar contra a minha vontade, tento falar, porém meu corpo todo parece feito de chumbo, como se sabendo de minha intenção, o rapaz estica a mão e retira o cabelo que cai em meus olhos e me dando um sorriso, sussurra durma.

Novamente minha primeira visão é um teto branco, pisco tentando afastar o sono, decido não me sentar de pronto, pelo jeito estou sujeita a tonturas e enjoos, não que seja uma grande novidade, mas…

Ichinose-hime. Uma jovem mulher de cabelos loiros aparece em minha visão, lhe sorrio, ao que ela retribui. — Como se sente?

Nada mal.

O doutor virá vê-la logo. Até lá, tem algo que eu poderia fazer pela senhorita? Penso um pouco.

Eu gostaria de um pouco de água, se possível.

Claro!

A loira sai de minha vista, fecho os olhos deixando meu corpo descansar, eu gostaria de saber onde Aki está, ele deve estar inquieto, me pergunto por quanto tempo tenho estado aqui.

Ojou-sama. Abro os olhos ao ouvir a voz da loira e lhe sorrio grata, ela me ajuda a sentar, bebo um grande gole sentindo-me muito melhor.

Ichinose Fuyuki! A porta é aberta revelando uma mulher de aparência imponente, fazendo com que eu imediatamente corrija minha postura. — Finalmente decidiu nos agraciar com sua companhia.

Pisco surpresa algumas vezes, o que se espera que eu diga, afinal nem mesmo sei quem ela é.

Meu nome é Katerina Eve Campbell, caso esteja se perguntando.

É um prazer. Inclino levemente a cabeça em um cumprimento. — Como você já sabe, me chamo Ichinose Fuyuki.

E como se sente, Fuyuki? Abro a boca pronta a responder, porém ela continua. — Sente alguma dor? Algum desconforto? Qualquer coisa fora do comum?

Vou negando com a cabeça, é bem normal que depois de uma crise, eu melhore espantosamente, bom, normal não seria o termo, mas dentro das condições desta doença desconhecida, daria para chamar de quadro recorrente.

Não sinto absolutamente nada errado. Abaixo os olhos, mordendo levemente meus lábios. — Nii-chan, eu poderia…

Eu ouvi dizer que finalmente se recuperou. Levanto os olhos, sentindo minha boca se abrir em um perfeito “O”.

O que pensa que está fazendo aqui? Katerina-san parece prestes a expulsá-lo, entretanto, me levanto agarrando seu braço.

Tio Marian?! Jamais imaginei encontra-lo aqui.

Por alguma razão seu olho se arregala, ele sobe e desce os olhos por mim algumas vezes, como se não acreditasse que eu estivesse em sua frente, mas não foi ele mesmo que veio até aqui me ver?

Fuyu-chan? Aquiesço rindo, quem mais ele pensava que fosse. — Você…

O encaro aguardando que continue, porém ele parece demasiado chocado, após alguns longos segundos de silêncio, o ruivo começa a tatear seus bolsos, finalmente retirando algo de dentro de seu casaco, assim que vejo do que se trata, sinto um enorme sorriso tomar conta de meu rosto.

Você reconhece? Ele parece muito surpreso, porém me estica o lenço, o pego com as duas mãos sorrindo.

Claro que sim, este é o meu favorito, foi bordado por minha mãe. Viro o bordado para ele, sorrindo. — Vê, é um pinheiro, uma árvore de inverno e também tem as minhas iniciais.

Você me disse exatamente a mesma coisa… Sua expressão ainda é muito desconcertada. — Mas como se lembra?

Inclino a cabeça, o que será que ele quer dizer? Obviamente eu me lembraria, apesar de ter lhe emprestado o lenço, jamais me esqueceria, como disse antes, este é o meu favorito, e nem faz tanto tempo assim.