Notas iniciais
Boa leitura ^-^

Isso realmente não faz nenhum sentindo. Suspiro resignada deixando que Camille-san termine de abotoar o vestido.

Estico a mão e o reflexo faz o mesmo, porém ainda não consigo aceitar que seja o meu reflexo. Como posso ter crescido tanto? Tudo bem que eu estive desacordada durante todo o tempo, mas isso é mesmo possível?

Ichinose-hime.

Você sabe que prefiro Fuyuki. Digo sorrindo a Camille-san, que retribui.

A senhorita já está pronta. Olho-me no espelho pela última vez, 17 anos é muita coisa, já sou uma adulta, uma mulher, balanço a cabeça, se começar a pensar sobre isso vou terminar com dor de cabeça.

Aquiesço para a morena, que me guia para fora do quarto. Depois de diversos exames, finalmente concluíram que eu estava em perfeito estado, sendo assim, não fazia sentido me manter em um “quarto de hospital”, então fui transferida para um dos quartos de hospede da mansão. O que para mim foi uma surpresa, por que até agora ninguém me explicou por que me encontro na mansão Campbell, afinal, se eu estava doente, o esperado era que me levassem a um hospital, porém…

Senhorita? Camille-san segura meu braço de leve, sorrio sem graça, pelo jeito ela estava falando comigo e eu estava muito distante, ela sorri e depois indica a porta a nosso lado direito, pisco algumas vezes e depois anuo abrindo-a.

Assim que adentro o recinto, reparo no quão é elegante e luxuoso, sem dúvida os Campbell são nobres, me pergunto se tanto quanto os Ichinose, além do mais, por que nunca nem ao menos ouvi falar sobre eles?

Fuyu-chan. Reconheço o rapaz de ontem e engulo em seco dando um passo para trás, ele não pretende pular em mim novamente, certo?

Viu, ela até tem medo de você. Sinto meus olhos se arregalarem tanto que parecem não caber nas órbitas, sem pensar duas vezes atravesso a sala e atiro-me contra ela.

Mamãe! Nos desequilibramos, acabando por cairmos no sofá, ouço-a reclamar e tentar se soltar, o que faz com que eu me afaste, será que ela está brava comigo?

O que te deu na cabeça para se atirar sobre mim desse jeito, Fuyu? Se possível, meus olhos aumentam ainda mais, isso não é possível.

Na… Tsu-nee? Ela me olha com exasperação e balança a cabeça.

O Papai Noel é que não seria.

Hey, não seja tão malvada! Finalmente me dou conta, viro-me lentamente, sentindo meus olhos marejarem, se essa é a Natsu então… — Fuyu-chan.

Ele abre os braços e sem esperar um segundo, me atiro contra meu irmão. Eu me senti tão perdida e confusa com tudo que aconteceu, com tudo que me disseram, com tudo que vi, mas finalmente aqui, abraçada a Aki, sinto que tudo está bem.

Não acredito que já esteja chorando.

Mesmo sem olhar, sei que Natsumi deve estar balançando a cabeça, o que me faz rir, porém ainda não sinto vontade de sair dos braços de Aki, é incrível o como ele ficou alto. Obviamente Akihiko sempre fora mais alto que eu, não que isso fosse algo difícil, mas antes a diferença não era tanta, agora em compensação eu praticamente podia me esconder em seu abraço e provavelmente ninguém me veria, penso rindo.

Fuyuki. Percebo pelo tom de Natsu que se trata de algo sério, afasto-me de Aki só o suficiente para poder encara-la, mesmo que eu não me lembre, saber que passei todo esse tempo longe dele me parte o coração. — Tem duas pessoas que você precisa conhecer.

Sigo a direção de seu olhar, do outro lado da sala se encontram os dois rapazes de ontem, agora, com mais calma, analiso-os. Um é alto e tem cabelos compridos e pretos como ônix, seus olhos são pouco visíveis daqui, contudo sua expressão não é das mais amistosas. O outro é mais baixo, sua aparência é um tanto inusitada, tendo um estranho desenho no rosto, olhos extremamente azuis e cabelos surpreendentemente brancos, lembro-me agora que fora ele que me ajudara a deitar.

Parece neve! Solto-me de Aki, indo em direção aos dois, assim que me aproximo, sorrio-lhes e logo em seguida estico a mão, matando a curiosidade, de fato o cabelo dele é tão fofo quanto parece. — Uau!

Seu rosto se tinge de vermelho, o que me faz perceber que devo ter exagerado, sinto minhas bochechas se aquecerem e me desculpo, afastando-me.

Ah, tudo bem… Ele me olha, ainda parecendo levemente constrangido. — Você só me pegou de surpresa.

Ele sorri, o que me faz sentir alívio, então o acompanho, vendo-os de mais perto, suponho que ele seja mais novo, o que não faz sentido, visto que seu cabelo é branco, chacoalho a cabeça.

Eu me chamo Allen Walker. Ele estica a mão, sorrio e lhe estico a mão, ele a aperta, fazendo com que eu fique sem saber o que fazer.

Ele solta a minha mão, olho-a meio confusa, será que as coisas mudaram enquanto eu dormia?

É um cumprimento, Fuyu. Olho para Natsu que viera para o meu lado, contudo ainda me sinto perdida.

Mas é para rapazes. Aki que também se aproximara, desata a rir.

Me desculpe! Diz o Walker, pegando minha mão e a beijando, será que ele achou que eu era um garoto, mas estou de vestido.

Deixe de ser tão metódica, Fuyu. Até parece que faz diferença. Ralha Natsumi, ao que suspiro resignada.

É estranho. Lhe digo, desviando os olhos.

O que importa… Fala Akihiko, antes que Natsu tenha chance de rebater. — É que eles dois são seus escudeiros.

Novamente sinto meus olhos se arregalarem, meus escudeiros? Dois? Eles? Por quê?

Sim, eles dois. Responde Aki, me fazendo perceber que eu externara meus pensamentos. - Você é uma dama nobre, certo? Faz total sentido.

Cruzo meus braços sentindo suspeita crescer em mim, olho bem para meu irmão, apesar de não ter seu dom, sei muito bem quando ele está mentindo para mim.

Natsu também tem escudeiros?

Veja bem…

Natsu é uma dama nobre.

Ela é mais velha.

Então não tem nada a ver com minha doença?

Fuyu…

Aki!

Encaramo-nos, ele sabe que detesto dar trabalho aos outros, que espécie de ideia é esta de arranjar dois pobres coitados para tomarem conta de mim, irão morrer de tédio no mínimo.

Fuyu. Viro-me surpresa, é a primeira vez que o ouço falar, por sinal, ele me chamou de Fuyu, não que eu me importe, porém como meu escudeiro supõe-se que ele deveria usar meu sobrenome com algum honorífico, no máximo o meu nome, mas obviamente acompanhado de hime, ou sama…

Ele da um passo em minha direção, em reflexo recuo um passo, só então notando que o estive encarando enquanto divagada, fazendo com que minhas bochechas se tinjam de um leve tom de rosa.

Kanda Yuu. Suponho que seja seu nome, meio tardio como apresentação, mas visto as condições de nosso encontro… Sou tirada de meus pensamentos, por ele puxando minha mão e a beijando, por algum motivo sinto minhas bochechas esquentarem mais, por que ele me olha desse jeito?