The cute one
9 Capítulo 9
Férias. Finalmente, FINALMENTE, Férias! Jirou não sabia como conter a alegria ao pensar que ela poderia dormir mais e tomar vergonha na cara para terminar aquela música que ela começou no início do semestre.
Claro, dessa vez eles não tiveram a regalia de voltar para a casa como nas férias de inverno. Contudo, eles pelo menos teriam dois fins de semana livre para passar BEM longe da escola. A UA liberou a noite de sexta, o sábado e o domingo para os estudantes. Todos tinham que estar de volta aos dormitórios às 19h do domingo ou ficariam privados do próximo fim de semana.
As garotas da 2-A já tinham planos bem detalhados sobre esses dois fins de semana, e o primeiro deles seria passado no parque de diversões que chegou a cidade. Já estava tudo decidido. No sábado, todas iriam para a casa de Jirou, almoçariam e os pais da garota punk as levariam para o parque. No fim do dia, elas iriam para a casa de Yaoyorozu e fariam uma festa do pijama beeeeem longa.
Só para ter certeza, Kyouka enviou uma mensagem para o grupo das garotas no celular confirmando o passeio. Ashido mandou uma mensagem de áudio, fazendo Kyouka revirar os olhos. Mina parecia não saber escrever de tanto que usava a função áudio. Jirou colocou um de seus fones no celular para ouvir o áudio curto da garota rosa muito animada com o fim de semana e perguntando especificamente para Kyouka se seus pais as levariam mesmo para o parque de diversões.
Jirou enviou a resposta em áudio. Se Mina podia mandar, ela podia receber, e depois do anúncio oficial de férias, a preguiça se apossou do corpo de Kyouka.
— Sim, Mina. Não se preocupe, meu velho está mais animado que todas nós para ir nesse parque – Kyouka começou com a voz rouca e preguiçosa – Mamãe teve que o fazer prometer que não iria sem a gente na semana pa—MAIS O QUÊ?!
Jirou pulou da cama com a energia renovada ao ter sua porta quase destruída quando Bakugou invadiu seu quarto e pulou no assento da bateria.
— ESTAMOS FÉRIAS, PORRA! – Ele berrou antes de começar a bater violentamente na bateria.
— você quer me matar do coração?! – Ela gritou bem alto, tentando superar o barulho do instrumento.
Bakugou não parou um segundo de tocar até que Jirou tirasse as baquetas das mãos do garoto.
— Ei! Me devolve! – ele pediu.
Parecia uma exigência, porém, depois de tantos meses de convivência, Kyouka sabia que era um pedido quase educado.
— O que nós falamos sobre entrar sem bater?! – Ela exigiu apertando a ponta do nariz.
— Estamos de férias! Podemos fazer o que quiser! – ele argumentou irritado.
— Kyouka-cha, está tudo bem?! – Hakagure perguntou ofegante e assustada.
— Hakagure? O que foi? – Jirou arfou e aproximou-se da amiga.
– Eu ouvi seu áudio no grupo, você gritou e tinha um barulho, eu corri para ver se você estava ok – Explicou a garota com a voz preocupada.
— Desculpe por isso – Kyouka suspirou aliviada – Foi só o Bakugou – Ela olhou para o garoto com o cenho franzido e o nariz torcido. – Ele é muito infantil para saber bater na porta – ela cuspiu seu veneno.
— Ei! Eu bato na porcaria da porta! – Ele retrucou aos gritos – Além do mais, você é a única infantil aqui por reclamar disso.
— Bakugou! Você não pode entrar no quarto de uma menina sem bater – Hakagure arfou chocada.
— Eu não vejo o porquê – Katsuki cruzou os braços e empinou o nariz.
— Kyouka-chan podia estar trocando de roupa, ou saindo do banheiro! – Hakagure explicou em tom sério e acusador.
Bakugou não ia admitir, entretanto, ele precisou de algum esforço para não corar.
— Você não devia entrar sem bater no quarto de ninguém – Kyouka ponderou, admirando suas unhas – Mas é ainda pior em quarto de garota.
— Especialmente o de Kyouka-chan – concordou Hakagure agitando os braços – Você não tem como saber quando ela vai estar deitada só com suas roupas íntimas.
— Toru! – Jirou a repreendeu corando furiosamente.
— Bem, é verdade. – Hakagure gemeu como uma criança pega no flagra. – Não é minha culpa se você faz isso.
— É sua culpa se você entra sem bater! – Ela contrariou com a voz mais aguda do que esperava – É isso. Saiam daqui, os dois – Ela ordenou apontando para a porta.
— Uma porra que eu vou! – Bakugou se manifestou, sacudindo a cabeça para afugentar o rubor que apareceu brevemente em seu rosto – Eu vim aqui para tocar, e eu vou tocar!
— Só saia – Ela suplicou em um gemido ao desabar os braços – Eu quero dormir.
— Eu trago uma das bombas de açúcar da bruxa velha no domingo – Katsuki propôs olhando-a inquisidoramente.
— Duas – Kyouka barganhou com os olhos estreitos.
— Três se você tocar aquela merda – Ele apontou para o baixo no suporte.
— Fechado!
Jirou pulou para o baixo e passou a faixa pelos ombros. Hakagure escondeu uma risada antes de sair do quarto de Kyouka para avisar as outras garotas que tudo estava bem. Ainda tinham um par de horas até o toque de recolher e Toru sabia que quando esses dois começavam a tocar, nada fora da melodia interessava para eles.
Na sexta feira, todos puderam jantar em casa. Kyouka tinha esquecido o quanto sentiu falta dos seus pais. Claro, ela não estava admitindo isso, seu velho costuma ser muito melodramático, ela não queria dar mais motivos ainda para ele chorar como um bebê. Contudo, ela quase sentiu pena das garotas ao pensar que não ficariam com suas famílias o dia inteiro como ela.
Ainda assim, Jirou ficou ansiosa ao se aproximar o horário do almoço. Ela já havia ajudado sua mãe na cozinha e estava esperando no sofá as outras garotas chegarem. A primeira delas foi a pontual Yaomomo. Kyouka ficou feliz em mostrar sua casa para a amiga separadamente. Alguns detalhes ela preferia não mostrar para as outras meninas, como, por exemplo, seus instrumentos nada punk rock (ei, só por que Jirou é uma roqueira irremediável não quer dizer que ela não pode tocar violino, violoncelo e flauta transversal) e suas roupas de cosplay que seu pai a fazia vestir quando mais nova para irem em comic cons (Sim, Jirou-san era um otaku convicto).
Uraraka e Asui chegaram juntas. Hakagure logo depois e Ashido estava ofegante quando Kyouka abriu a porta para recebê-la, a garota rosa havia corrido para não se atrasar. Elas conversaram, foram apresentadas aos pais de Kyouka, ouviram algumas piadas sem graça de Kyoutoku e alguns gritos de Kyouka o repreendendo. Quando já estavam todas reunidas, Mika e Kyoutoku serviram a mesa, sentando cada um de um lado de sua filha e mimando Kyouka ao ponto da garota ficar ligeiramente envergonhada.
— Você pode comer mais se quiser, filha – Ofereceu Mika alisando o cabelo de Kyouka.
— Não, sério, eu já comi bastante – agradeceu a garota limpando o canto da boca com um guardanapo. Ela havia comido duas vezes, era o suficiente.
— Vamos, minha estrelinha – Insistiu Kyoutoku com o apelido de infância de Jirou – Quem sabe quando você vai poder comer a comida da sua mãe de novo?
— Pare de falar como se eu fosse morrer, velho – Jirou bufou cruzando os braços – Vocês vão me ver no próximo fim de semana de novo.
— Kyou-chan, eles só estão com saudades – Yaoyorozu riu – Honestamente, eu queria ter trazido meus pais para virem conosco – Ela suspirou com saudades.
— Viu? – Kyoutoku choramingou – Elas entendem o coração angustiado de um pai – Ele a abraçou com lágrimas nos olhos. Kyouka revirou os olhos enquanto as garotas escondiam uma risada – Obrigado por serem amigas da minha filha.
— Pai, para – Kyouka rosnou corada. Seu pai tinha a maior das habilidades em fazê-la passar vergonha.
— De nada – Ashido disse estendendo os braços para cima — Sua filha é demais, Jirou-san.
— É muito bom ver quer Kyouka finalmente fez tantas amigas mulheres – Sorriu Mika – tem sido só garotos desde o fundamental.
— Ei, Ichika era uma garota – Kyouka contrariou com beicinho ainda tentando se livrar de seu pai.
— Ela não conta. – Kyoutoku soltou sua filha e assumiu uma pose comicamente séria – Não é oficialmente um amigo até ter uma festa do pijama. Eu tenho que dizer, garotas, vocês são muito mais legais que aquele loiro rabugento do—Ai!
Jirou pisou no pé de seu pai com força, fazendo o homem pular em sua cadeira e bater o joelho na mesa.
— Se você já acabou de comer, velho, vem e me ajude a lavar a louça – Kyouka resmungou levantando da mesa e juntando os pratos de quem já havia terminado.
— Eu ajudo! – Se ofereceu Uraraka.
— Não precisa, Ochako-chan, nós fazemos isso. Podem continuar comendo, se quiser – Jirou sorriu tão serena que nem parecia ser a causa dos ganidos de seu pai ao seu lado – Mãe, você pode levar os pratos das meninas quando elas terminarem?
Mika acenou com a cabeça enquanto Kyouka e Kyoutoku saiam da mesa com uma pequena pilha de pratos nas mãos.
Assim que os dois chegaram a pia, Kyouka checou para ver se nenhuma das meninas estava por perto antes de por as mãos na cintura e encarar seu pai com as sobrancelhas franzidas em reprimenda.
— É melhor você começar a se explicar, mocinha – Kyoutoku começou com um beicinho.
Ele não conseguia ficar irritado com a sua pequena estrela do rock, entretanto, ele gostava de algum respeito por aqui.
— Olha, nós podemos ignorar o quanto você odeia o Bakugou só por hoje? – Jirou pediu acusadoramente – Melhor, vamos ignorar a existência do Bakugou, ok? Vocês não o conhecem, ele não conhece vocês. Nem Mitsuki nem Katsuki, nenhum dos dois Bakugous esteve aqui em casa, pode ser?
— Por quê? – Ele perguntou confuso. Kyouka gemeu com uma careta triste.
— As garota sempre vem com aquela história idiota de que nós somos um casal ou, sei lá. – Kyouka suspirou e desdenhou com um aceno – O lance é que eu realmente não quero ouvir mais nada disso. Então, por favor, você pode não mencionar nada sobre isso?
— Sério, aquele rabugento explosivo? – Kyoutoku perguntou com uma careta – Eles não têm ninguém melhor para shiparem com você?
— Argh, você parece uma garotinha – Kyouka puxou o rosto com as mãos – Eu agradeço se você nunca mais usar a palavra “ship”.
— Sério? Ninguém? Nem mesmo uma das garotas?
— Pai!
— Eu só estou perguntando! – Ele ergueu as mãos em defesa e revirou os olhos.
— É só por que nós passamos muito tempo tocando. E às vezes nós jogamos vídeo game também – Ela explicou cruzando os braços – Eu falo com metade dos garotos da sala, mas nós sentamos um do lado do outro nas aulas, então acabo falando com ele mais vezes. É tudo.
— Você gosta dele? – O pai da garota perguntou como uma garotinha pedindo doces.
— Eu não acredito que você está perguntando isso – Kyouka murchou – É, eu o aturo, como um amigo. É isso – Ela ligou a torneira da pia e começou a lavar os pratos de cabeça baixa (não foi para esconder o rubor, nem pense isso, ou pelo menos não em voz alta).
— Você não precisa aturar ninguém, estrelinha – Kyoutoku abraçou a filha delicadamente – Você nasceu para brilhar, para ser feliz. Não para fazer a vontade dos outros. Você lembra? – Ele a incentivou e a fez encara-lo
— Você pode ser o que quiser – Ambos disseram ao mesmo tempo.
— Eu sei, não se preocupe – Ela sorriu travessa – Eu sei que ele pode ser rude, arrogante e invasivo. Ele não é fácil de lidar – Kyouka bufou pensando no amigo – Mas ele também é muito protetor com os amigos, especialmente Kirishima – Ela apontou, seus fones gesticulando por ela – E, embora ele não admita, ele pode ser doce também, do jeito estranho dele – ela mordeu um sorriso ao lembrar-se da noite em que ele trouxe sorvete e assistiu filmes ruins com ela.
— Tem certeza que você não gosta dele? – Kyoutoku perguntou incerto. Jirou deu-lhe um olhar ameaçador que gritava para nunca mais repetir essa pergunta – Eu só confirmando! – Ele se defendeu – Da última vez que você falou assim de alguém, eu tive um genro por seis meses.
— Oh, sim. Esse é outro tópico que nós não estamos comentando – Kyouka ordenou secando os pratos.
— Eu não gosto quando você se tranca – Kyoutoku bufou cruzando os braços – Faz quase quatro meses e nós ainda não falamos sobre isso.
— Ok, primeiro – Kyouka secou as mãos no pano de prato e virou-se para seu pai – Eu já falei com a mamãe sobre isso, está tudo bem, não há nada com o que se preocupar; e segundo: Eu lavei a louça sozinha, a próxima leva é sua. Tchau.
Jirou ouviu os passos de sua mãe alguns segundos antes e sabia que novos pratos estavam vindo. E Kyouka estava certa, ela deixou seu pai sozinho protestando na cozinha e voltou para a sala, onde suas amigas agora estavam sentadas no sofá conversando animadas sobre o passeio que dariam em poucos minutos.
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