The cute one

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Cara, alguns são muito curtos mesmo. Porque são pequenas histórias, bem simples mesmo. Ainda tem muitas que eu não escrevi porque não dariam nem 500 palavras (tipo a do Bakugou tocando bateria em um tempo inconveniente e Jirou desparafusando a bateria e colocando na boca pro Bakugou não ter como tocar).

Bakugou estava gritando com sua mãe no carro. Aos olhos comuns, eles estavam discutindo, porém Masaru sabia que o filho estava se despedindo carinhosamente de sua mulher. Bakugou-san até sorriu ao ouvir seu filho o chamando de velho.

Depois de bater a posta do carro e sair com três sacolas nas mãos e uma mochila nas costas, Katsuki caminhou em direção ao portão da escola e esperava ouvir o som dos pneus no asfalto quando sua mãe partisse. Isso não aconteceu, pelo contrário, quando Bakugou virou-se para ver o que havia acontecido, ele reconheceu aquela cabeça roxa falando com a velha bruxa.

—Porra – Ele bufou ao ver que ela não estava sozinha.

A orelha-san estava lá e o velho rabugento também. Bakugou voltou para o carro de seus pais praticamente os expulsando dos portões da escola.

— É assim que você fala com seus pais? – Kyoutoku perguntou com uma careta desaprovadora e colocando as mãos nos ombros de Kyouka.

Bakugou trocou o peso das pernas e bufou emburrado. Não era nenhum segredo que o pai da garota punk não gostava de Katsuki. O velho rabugento sempre achava alguma coisa errada até no jeito que Bakugou respirava.

— Como vai, Jirou-san? – Katsuki perguntou com se as palavras azedassem sua língua.

Ser educado era doloroso para Bakugou. Contudo, tudo o que ele não precisava era piorar as coisas com o pai de Kyouka. A garota já era arisca o suficiente para manter por perto. Katsuki tinha certeza que, apesar de toda essa marra de Jirou, ela não hesitaria em ignorá-lo pelo resto da vida se isso fosse um pedido de seus pais.

— Bem – Foi Kyouka que respondeu – Agora, se você não se importa, nós estamos tendo uma conversa muito importante aqui, Bomberman – Ela fez beicinho e cruzou os braços.

— É, cala essa boca, Katsuki – Mitsuki gritou de dentro do carro – Eu estou tentando salvar o número da mãe da cabeça roxa.

— Sua mãe vai ensinar a minha a fazer aqueles cupcakes – Jirou explicou tamborilando os dedos uns nos outros de forma conspiratória.

— Qual é a porra do seu lance com aqueles cupcakes?! – Bakugou berrou confuso.

— Eles conquistaram meu coração – Brincou Kyouka esfregando seu estômago.

— Tch. Você se vende muito fácil.

— E ninguém quer comprar você – Ela retrucou – Agora me dê – Ela estendeu a mão e gesticulou para ele – Mitsuki-san disse que você está com eles.

— Tch. Você já jantou, pelo menos, orelha? – Ele perguntou colocando todas as sacolas em uma mão e retirando a mochila das costas com a outra.

— É, é, tanto faz.

— Ela jantou? – Bakugou perguntou para Mika apontando para Kyouka com o polegar.

— Ei, esse aqui é meu pai – Kyouka debochou apontando com as mãos para Kyoutoku – Não você.

— Eu não vou te essas bombas de chocolate assassino sem você ter jantado! – Ele berrou irritado – Você precisa de comida de verdade! E você vai ficar sem fome se comer isso agora.

— Ele tem um ponto – Kyoutoku concordou a contragosto.

— Ah, qual é! Você me faz comer brócolis todo dia – Ela gemeu – Eu mereço esses cupcakes – Ela apontou para Katsuki com um olhar ameaçador.

— Olha para mim assim de novo e você vai ter que engolir o Deku inteiro – Ele devolveu a ameaça no mesmo nível.

— Mitsuki-san – Kyouka gemeu com beicinho para a mulher no carro.

— Dê a ela porra dos cupcakes!

— Morre, bruxa velha! – Bakugou gritou com o punho erguido – Ela vira uma lesma preguiçosa quando come muito doce!

Mika e Kyoutoku mal respiravam no meio dessa conversa. Ambos estavam tentando não demonstrar medo, estava claro o porquê do temperamento de Bakugou. A mãe do garoto era pior que ele.

— Fui eu que fiz essa merda, e eu estou mandando você entregar! – Ela berrou com a cabeça do lado de fora da janela – Tem cinco aqui, querida. – Ela começou docemente falando com Jirou – Não coma todos de uma vez, sim?

— Obrigada, Mitsuki-san – Jirou sorriu tão inocente que Bakugou teve certeza que aquela cobrinha estava guardando veneno em algum lugar.

— Foda-se – Bakugou tirou uma sacola de papel da mochila e entregou à Koyuka – Não venha reclamar para mim quando estiver doente.

Kyouka aceitou o pacote mordendo um sorriso, abriu e entregou um para sua mãe e um para seu pai. Os dois agradeceram e provaram enquanto Jirou e Mitsuki esperavam pelo veredicto deles.

— Isso é tão gostoso – Gemeu Kyoutoku com os olhos brilhando.

— Verdade, você é muito boa nisso, Bakugou-san – Concordou Mika com um sorriso gentil.

Katsuki nunca entendeu como a mãe de Jirou podia ser tão tranquila no dia a dia e tão louca no palco. Kyouka mostrou alguns vídeos dos pais em shows, a mulher era uma punk completa.

— Você não vai comer, cabeça roxa? – Mitsuki perguntou passando o cinto de segurança, seu marido seguiu seus movimentos sem nenhuma palavra.

— Eu vou jantar primeiro – Kyouka respondeu coçando sua bochecha com um de seus fones e sorrindo levemente – Feliz agora? – Ela perguntou para Bakugou com uma expressão entediada.

— Tanto faz – Ele encolheu os ombros fingindo não dar importância – Tente não morrer no trânsito, bruxa velha – Ele resmungou para sua mãe – E me avise quando chegar, velho, ou eu vou ter que ir atrás de vocês no necrotério.

Ainda que Bakugou tentasse esconder, ele se importava com seus pais e sabia que a direção de sua mãe não era das mais seguras. Katsuki deu a volta e caminhou para o portão novamente. Desta vez ouviu sua mãe cantando pneu e sorriu.

Enquanto isso, Kyouka despediu-se de seus pais, contando cada segundo antes do horário máximo de entrada. Ela queria aproveitar mais um pouquinho dos dois. Bem, talvez nem tanto, por que ela teve que praticamente chutar seu pai para que ele não a abraçasse em público. Um pouco a contragosto, ela cedeu mais um cupcake para eles e guardou dois para si. Talvez sua paixão por açúcar fosse genética e ela tivesse mais em comum com seu pai do que gostaria de admitir.

Depois do jantar, Kyouka até tentou comer apenas um cupcake, não conseguiu. Ela prometeu para si mesma que iria deixar um para Yaomomo, porém seus pais levaram mais da metade dos doces e ela não resistiu. Mas tudo bem, ela mimou Yaomomo um pouco para secretamente aplacar sua culpa, a garota da criação não precisava saber que Kyouka ganhou cupcakes, certo?

Bakugou havia entregado um par de luvas vermelhas que ele comprou para o Kirishima em uma loja que ele foi com seu pai no fim de semana e agora eles estavam conversando, os dois tinham passado o fim de semana longe e o ruivo tinha muito para contar ao amigo. Katsuki fingiu não estar interessado, porém ouviu cada palavra que o garoto disse e até comentou sobre isso.

No final do dia, um fim de semana de folga fez maravilha para todos da turma A. As férias de primavera podiam não ser o tempo livre que todos desejavam. Entretanto, para ser um herói, não se pode parar por completo.