The cute one

11 Capítulo 11


Isso não estava indo bem. Não estava nada bem. Jirou estava muito impaciente e nervosa. Bakugou e Midoriya tinham lutado no último treino e, desde que ela entrou na UA, ela nunca tinha visto Bakugou perder tão feio.

Nenhum dos garotos estava particularmente inteiro quando a luta acabou. Entretanto, Bakugou era quem estava no chão e Midoriya em pé, ofegante, ainda pronto para lutar. Kyouka viu nos olhos de Bakugou a surpresa, confusão e decepção.

Todos da turma sabiam que os dois tinham uma rivalidade acima do normal. E todos também sabiam que Deku estava melhorando em um nível descomunal. Katsuki saiu atordoado do campo de treinamento. Kirishima tinha certeza que Bakugou queria explodir o prédio inteiro, e teria feito isso se não tivesse usado praticamente toda a sua força lutando contra Midoriya.

O garoto tinha o nariz sangrando, o rosto inchado onde Deku havia acertado um chute inteiro o fazendo atravessar uma parede, um corte no supercílio e um buraco no uniforme que Midoriya abriu com um soco. UM SOCO.

Não que Midoriya estivesse melhor. O garoto de cabelos verdes tinha tantos machucados que não sabiam como ele ainda estava em pé. Um dos dedos quebrados e o uniforme reduzido a uma mancha negra de tão queimado.

Honestamente, Kyouka estava preocupada com a saúde de Katsuki, ela pensou que o garoto tivesse ido para enfermaria, porém, descobriu que isso não era verdade. Ela ficou calada o jantar inteiro, ainda que todos estivessem muito empolgados com as lutas do dia. Bakugou não havia descido para comer, e Kyouka julgou ser por orgulho. Ela tinha certeza que ele desceria depois que todos terminassem de comer e jantaria sozinho.

Kirishima compartilhava de sua agonia, embora o ruivo expressasse mais sua preocupação, já que a única coisa inquieta em Jirou eram seus fones. Ela precisou segurá-los quando estavam sentados no sofá e ela percebeu que passava das nove e Katsuki ainda não tinha aparecido para jantar.

Quando Kirishima voltou do quarto do loiro pela terceira vez com uma expressão desanimada, Kyouka não se conteve e perguntou como ele estava. Kirishima disse que ele não abriu a porta para ninguém e não respondia com nada além de um “Dá o fora”.

Yaoyorozu já havia subido para dormir, no fim, era só ela e Kaminari. Os demais já estavam em seu quartos, a maioria na cama. Quando Denki resolveu deixar Kyouka sozinha (por que, obviamente a garota não estava com ânimo para conversa), Jirou se viu pensando que talvez essa fosse a hora de retribuir o favor para Bakugou.

Ela levantou-se, foi até a cozinha, olhou o que havia na geladeira e pensou o que poderia melhorar o humor de Katsuki. Infelizmente, cereais em barra, iogurte natural, pão integral e todas as coisas saudáveis que as pessoas guardavam não iriam ajudar. Todos os alimentos não saudáveis e terapeuticamente eficientes eram doces. Bakugou odiava doces.

Kyouka olhou no relógio, ela não tinha muito tempo, o toque de recolher iniciaria em menos de vinte minutos. Se ela conseguisse uma autorização para sair, talvez ela pudesse comprar batatas chips, amendoins e umaibos.

Com isso, Kyouka pegou seu casaco e algum dinheiro no case da sua guitarra e desceu atrás de algum professor. Talvez fosse melhor apelar para o Present Mic ou Midnight Sensei. Aizawa sensei não daria autorização e ela ficava muito intimidada para pedir qualquer coisa do Ectoplasma sensei e do All Might, mesmo nessa figura magrela, ele ainda era importante demais.

Ele acabou chegando a uma sala onde todos os professores estavam. Ela tentou não corar ao ver que eles estavam jogando cartas, Aizawa-sensei estava enrolado em seu casulo amarelo e Present Mic estava sem sua jaqueta, com uma camisa do Deep Dope, semelhante demais à camisa que Jirou vestia para a garota não morder uma risada.

— Com licença – Ela entrou na sala sem jeito e segurou a porta com força – Eu sei que está tarde mas... eu... anh... queria pedir uma autorização para sair. Eu não me importo se for com alguém, não vai demorar – Ela pediu enrolando os dedos nos fones de ouvido para disfarçar o nervosismo.

— Deixa eu adivinhar – Um suspiro saiu do casulo onde Aizawa estava falando com os olhos fechados – Sorvete e chocolate?

— Ohhhh, um deja vù – Comentou Mic fazendo todos olharem para Jirou.

Kyouka franziu o cenho e corou um pouco com toda atenção. Para completar, os professores mais intimidantes estavam na sala com a sobrancelha erguida para ela.

— Não, na verdade. – Ela respondeu com a cabeça inclinada para o lado.

Jirou queria perguntar que história é essa de deja vù, entretanto, achou melhor não fazer perguntas demais. Ela não tinha tempo.

— Para quê você quer uma autorização para sair quando já é quase o toque de recolher? – Aizawa perguntou saindo do seu casulo e indo em direção à pilha de papeis ao lado da mesa onde os professores estavam jogando baralho.

— Eu sei que é um pouco idiota, mas... – Ela juntou a ponta dos fones – Bakugou ficou realmente muito mal por causa da briga com o Midoriya, ele não quis nem falar com Kirishima. E como ele não jantou, achei que talvez levar algumas porcarias para ele comer. Mas ele odeia doces, então não tem nada na nossa dispensa que ele realmente goste.

— Você quer uma autorização para entupir um dos alunos com porcarias? – A voz de Aizawa parecia não concordar com a ideia, ainda assim, ele estava assinando o documento sobre a mesa.

— Sem querer ofender com a linguagem, sensei. Mas ele parecia uma merda hoje – Kyouka torceu o nariz – Ele precisa de algumas porcarias. E talvez umas duas horas de vídeo game.

— Own, isso é fofo – Midnight sensei suspirou apoiando o queixo nas mãos.

— Com certeza é um deja vù – atestou Yamada esticando os braços e estalando os dedos.

— Não é um deja vù se não é a mesma situação – ponderou All Might – Mas é semelhante.

— Desculpe, mas do que vocês estão falando? – Kyouka perguntou não contendo a língua

— ahn? Bem, você vem aqui, quase na mesma hora que Bakugou veio, pedindo a mesma coisa que Bakugou pediu, para consertar tristezas com comida... – Present Mic começou a pontuar.

— Uuuh, eu não soube disso – Midnight sensei manifestou interesse – Quando foi isso?

— Ah muito tempo – cortou Aizawa entregando a autorização à Jirou, às vezes seus amigos eram muito sem noção.

— Sim, já faz meses – Yamada desdenhou – Bakugou pediu autorização para comprar sorvete. A propósito, ele nunca nos disse o motivo.

— Já chega – Aizawa suspirou apertando a mão no ombro do amigo ao ver Kyouka corar como um tomate.

— Eu sabia que não tinha sorvete na geladeira naquela noite – Ela sussurrou inconsciente.

— É melhor você ir logo – Ordenou Aizawa guiando Jirou para a porta – Não fiquem acordados até tarde, vocês tem aula amanhã.

— Aizawa, espere – All Might interrompeu – Não é bom deixar uma jovem andar sozinha à noite, eu vou acompanha-la.

Jirou se encolheu com a autorização nas mãos e olhou para All Might de cabeça baixa enquanto o símbolo da paz se aproximava dela. Os dois saíram em silêncio pela porta e continuaram assim todo o caminho até o portão da UA.

— Não precisa ficar tão nervosa, sabia? – All Might sorriu levemente sem olhar para a garota.

Kyouka se remexeu um pouco, apertando o casaco ainda mais em torno de si, talvez ela devesse usar mais calças, shorts não protegiam suas pernas do frio.

— Desculpe.

— Está tudo bem. – Toshinori acenou com a cabeça calmamente – Jovem Bakugou tem um temperamento difícil de lidar algumas vezes. – Ele mencionou o garoto a fim de deixar a garota mais a vontade.

— Tch. Nem me fale – Ela bufou – Alguém precisa canonizar o Kirishima, sério.

— Sim, o jovem Kirishima é bem paciente – All Might riu – Mas você também parece se dar muito bem com ele.

— Não muito – Kyouka torceu o nariz – Eu não sou tão paciente, então eu quase morro pelo menos uma vez por semana. Aí ele fica irritado, nós gritamos, eu corro, Kiri me ajuda e no dia seguinte ele está na minha porta para tocar bateria como se nada tivesse acontecido – Kyouka riu ao perceber que esse ciclo resumia bastante o começo da amizade dos dois.

Toshinori riu bem alto e deixou Jirou um pouco envergonhada, ela ainda não estava tão à vontade assim. Era o All Might depois de tudo.

— Eu imagino – Ele suspirou para recompor-se da risada – Vocês dois são muito orgulhosos.

— Eu não sou orgulhosa – Kyouka fez beicinho.

— Tudo bem então. – Toshinori sorriu amigavelmente enquanto abria a porta da loja de conveniências – O que vamos comprar para ele?

— Ahn... Deixa eu ver... – Kyouka começou a olhar as prateleiras com um dos fones roçando seu queixo – Batatas Chips... Não, esse não, esse aqui... umaibo...umaibo... aqui! Queijo, presunto e pimenta – Ela foi selecionando e pondo todos nos braços.

Como sempre, ela não pegou uma cesta ou qualquer coisa para colocar as compras. Então All Might a ajudou segurando parte delas.

— Obrigada – Ela agradeceu com um sorriso sem jeito – Agora só preciso do sorvete.

— Eu pego – Toshinori se ofereceu – Chocolate?

— Não. Wasabi. – Kyouka pediu. All Might ergueu uma sobrancelha – Não olhe para mim. Aparentemente é o sabor preferido dos Bakugous – Kyouka encolheu os ombros. – Se algum dia for visitar a casa dos Bakugous e Mitsuki-san trouxer sorvete com uma cobertura vermelha, não aceite. Aquilo é pimenta, não cobertura de morango.

All Might fez uma careta e escolheu o pote de sorvete, só tinha um de Wasabi e ele ficou feliz de ainda ter.

— Mituski-san seria a mãe do jovem Bakugou? – ele perguntou quando estavam no caixa.

— Sim, ela é muito legal. Um pouco... Bem, Bakugou. Mas é divertido ver ela gritando “Katsuki, pare de ser um idiota e vá fazer tal coisa” – Kyouka escondeu uma risada com a mão – E foi tãaao divertido ouvir as histórias constrangedoras de infância. Ele não podia fazer nada, por que era a mãe dele que estava falando. – Ela quase engasgou com o próprio riso.

Jirou já estava tão à vontade e rindo tanto que nem percebeu quando All Might pagou as compras e pegou as sacolas, guiando a garota porta à fora.

— Eu realmente não entendo por que ele é tão Grrr com Midoriya – Kyouka confessou com uma careta enquanto rosnava – Eles pareciam ser bons amigos. Deku devia ser canonizado com Kirishima.

— Os dois tem uma longa história – Toshinori suspirou – Mas para resumir, o Jovem Bakugou se sente inseguro com relação ao Jovem Midoriya.

— Inseguro?! – Kyouka piscou. Bakugou era tudo menos inseguro. Ele era perfeito em tudo!

— Sei que parece difícil de acreditar. Mas, em algum lugar dentro de Bakugou, ele tem medo de não ser bom o suficiente.

Jirou baixou a cabeça e pensou sobre isso, completamente surpresa. Bakugou sempre foi bom em tudo, ela ainda não tinha visto nada que o garoto prodígio não podia fazer. No entanto, era o All Might que estava falando, ele devia estar certo, não? Mas por que Katsuki pensaria alguma coisa tão estupida como essa?

— Aquele idiota – Ela resmungou irritada – Parece que ele muito burro no final das contas – Ela bufou enfiando as mãos no bolso. – Alguém tem que consertar isso.

Toshinori sorriu levemente e olhou para a menina chutando uma pedra no caminho. Eles já podiam ver o portão da escola de onde eles estavam.

— É bom ver que o jovem Bakugou conseguiu uma garota que se importe com ele – All Might disse, fazendo Jirou perder um passo e quase cair.

— S-sim. Ele é um bom amigo e, e, e. – Ela gaguejou corando furiosamente — Bem, Ashido também é amiga dele. E – Kyouka limpou a garganta e se recompôs — ela também se importa com aquele imbecil.

— Sim, claro – All Might manteve o sorriso sereno – Bem, daqui você já pode ir sozinha – ele afastou-se dela entregando as sacolas para a garota. – Boa noite, Jirou-kun.

— O-obrigado, sensei – Ela agradeceu às pressas ao perceber que ele havia carregado as compras o caminho inteiro.

Ela ficou alguns segundos atordoada antes dar um suspiro determinado e caminhar bem rápido de volta ao dormitório. Ela tinha um idiota para cuidar.

Notas finais
I'M GONNA HIIIIIIGHWAY TO THE HEEELL.