The cute one

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Tenho 92% de certeza que Bakugou se preocupa com os amigos o tempo todo. Do tipo que quer o melhor para eles e se pudesse daria o mundo, desde que ninguém soubesse que foi ele hueueh

Quando Katsuki voltou para a UA ele escondeu na mochila os 12 cupcakes que sua mãe havia feito. A bruxa velha sempre fazia a mais do que ele pedia (talvez na esperança que ele comesse também).

Bakugou deixou seus sapatos no hall de entrada e percebeu que somente alguns dos alunos da turma A já haviam retornado. Katsuki havia voltado mais cedo, ele não queria que Kirishima visse os cupcakes, o ruivo também era louco por eles, entretanto, Bakugou precisava de todo o açúcar que conseguisse, afinal, ele não sabia o tamanho do problema.

Durante o fim de semana Bakugou passou por vários estados de espírito. Ficou frustrado por não saber o que aconteceu; irritado por Kyouka não contar a ele; envergonhado por ter fingido dormir e pensado que esse era o motivo da garota o ignorar; e chegou até a pensar que Jirou simplesmente decidira não ser mais sua amiga, afinal, a garota tinha dito que devia a ele e, naquela noite, teria quitado essa dívida, não tendo mais motivos para ser sua amiga.

Esse último pensamento ocorreu na noite de sábado, e quase fez Bakugou desistir da oferta de paz ao pensar que Kyouka nunca tinha sido sua amiga de verdade. Porém ele lembrou que a garota era sua amiga antes da noite do sorvete e filmes ruins.

Pelos sapatos no hall, ele sabia que Jirou já havia chego, então ele pensou em esperar depois do jantar para entregar os cupcakes (ele não queria que ela se entupisse de doce e não comesse direito). Contudo, quando ele percebeu a Rabo de Cavalo comendo sozinha com a Alien Rosa, ele resolveu perguntar onde Orelha estava.

Yaoyorozu contou a ele que Jirou já havia jantado e já estava dormindo porque no dia anterior seus pais a levaram a um show que só acabou no domingo de manhã.

— Dormindo meu cú. – Bakugou rosnou.

Fim de semana passado ela foi a última a entrar no dormitório. Ele sabia que ela estava o evitando, por isso chegou bem antes do horário necessário.

Katsuki subiu ao seu quarto e pegou os cupcakes (ele não ia arriscar deixar na cozinha, que é terra de ninguém). Por alguns segundos, a teoria da garota punk nunca ter sido sua amiga atacou sua paranoia e ele hesitou. Ela não merecia a merda dos cupcakes, ele deveria dar todos para o Cabelo de Merda. Ao menos ele é normal e não surta por causa de um pocky.

Ele sentou na cama e xingou Jirou mentalmente por um bom par de minutos. Então ele começou a pensar que talvez, só talvez, a culpa fosse dele. Talvez ela ainda estivesse brava com o lance da porta. Porra, mas já fazia semanas! Será que foi por isso que ela dormiu no quarto da Rabo de Cavalo? Porra, porra, porra. QUE MERDA QUE ESTAVA ACONTECENDO?

— Foda-se! – Ele decidiu levantando-se e pegando a sacola com os cupcakes.

Bakugou abriu a porta e parou por um segundo. Ele não trouxe nada para Kirishima dessa vez.

Katsuki abriu o saco de papel, retirou dois cupcakes e colocou em cima da sua escrivaninha. Ele entregaria depois que o Cabelo de merda jantasse e o faria escovar os dentes duas vezes (O quê? eram recheados de chocolate, uma bomba de açúcar ao cubo, e Kirishima tinha dentes muito afiados e fundos, as cáries o atacam mais fácil).

Ele atravessou o corredor quase como um ladrão, disfarçando o máximo que pôde a sacola com os cupcakes. Já era vergonhoso demais ele ter que estar se desculpando, a turma toda não precisava saber.

Quando Bakugou chegou ao quarto de Kyouka ele colocou a mão na maçaneta e se chutou mentalmente por quase entrar sem bater.

— Orelha, sou eu – Ele deu duas batidas na porta – Estou entrando – Ele abriu a porta e entrou. Ela não podia dizer que ele não bateu.

O quarto estava escuro e Bakugou franziu o cenho ao procurar o interruptor.

— Mas o quê? — Kyouka gemeu quando as luzes bateram em seus olhos. – Bakugou?

— Você estava dormindo – Ele constatou arregalando os olhos e engolindo em seco.

Então era verdade o que a Rabo de Cavalo havia dito.

— O que você quer? – Ela bocejou esfregando os olhos e sentando-se na cama.

— Eu... – Katsuki não tinha pensado nessa parte e, honestamente, ele imaginou que ela estaria acordada e fazendo alguma coisa, não dormindo com roupas de mendiga.

Sinceramente, ela não tinha nada mais decente para vestir que essa camiseta de alça e esse short? Puta merda. Era isso que a garota invisível estava falando que eram as roupas íntimas? O short era tão curto que se encaixava na categoria.

— O que isso? – Ela perguntou apontando para a sacola e levantando da cama e esfregando o rosto.

Bakugou desviou o olhar e tentou disfarçar o calor no seu rosto com uma tosse falsa.

— Bombas de açúcar da bruxa velha. – Ele empurrou a sacola no colo dela – Eu pensei que você estava acordada, por isso trouxe hoje.

— Wow, quantos tem aqui? – Ela perguntou abrindo o saco de papel e vendo vários cupcakes.

— 10. Estão com chocolate.

— Argh, eu já escovei meu dente – Ela gemeu frustrada – Ah, que seja, eu escovo de novo – Ela encolheu os ombros e puxou um para si.

— Então, nós estamos ok? – Ele perguntou ríspido.

— Quê? – Ela inclinou a cabeça para o lado em confusão.

— Eu não sou burro, orelha, você está me ignorando há dias – Ele bufou enfiando as mãos no bolso – Se isso é porque você não me deve mais, então, eu vou...

— Ah, meu deus, Bakugou me desculpe – Ela o interrompeu agitada e deixando os cupcakes em cima da sua cômoda – Eu não quis fazer isso. Eu... – Ela pretendia tocá-lo, mas recuou e baixou a cabeça – Me desculpe por ter afastado você. Eu precisei de um tempo sozinha, eu... tinha algumas coisas para pensar.

Jirou estava com os fones inquietos, ela não sabia exatamente o que falar. Bem, como você diz para o seu amigo que você estava evitando-o porquê desenvolveu uma paixonite por ele?

— Você não está irritada? – Ele franziu o cenho confuso.

— Não, claro que não – Ela o acalmou com a voz mansa – Me desculpe, eu não pensei que você não fosse se importar de eu me afastar por um tempo.

— Mas o quê? Você praticamente correu de mim como o diabo da cruz. Eu passei o fim de semana inteiro ouvindo da bruxa velha que eu tinha feito merda! – Ele resmungou mal-humorado – Você vai ter que ligar para ela e dizer que eu estava certo! – Ele apontou para ela com o olhar altivo.

— É só me dar o número dela – Kyouka concordou prontamente com um sorriso brincalhão e uma continência desleixada.

Bakugou sorriu e a encarou por alguns segundos. Ele não percebeu o quão tenso ele estava com essa história toda até finalmente se sentir aliviado.

Kyouka corou e se remexeu em seu lugar. Bakugou ainda a estava encarando e isso a deixava nervosa.

— Bem – Ela começou enrolando um de seus fones no dedo indicador – Eu realmente preciso dormir. Eu... Ahem, meus pais e eu, nós fomos a um show ontem à noite...

— É, ok. Dormir – Ele inspirou e esticou suas costas – Escove os dentes – Ele ordenou com os olhos estreitos ao lembrar que a garota havia mordido um cupcake.

— C-claro – Ela concordou com um aceno bem forte e basicamente o expulsou do quarto. – Boa noite – ela despediu-se fechando a porta atrás dele.

Kyouka ainda ficou em pé alguns segundo atrás da porta, olhando para nenhum lugar específico. Então ela pegou a sacola de cupcakes e sentou-se na cama com ela no colo. Jirou alisou o papel da embalagem delicadamente enquanto mordia um sorriso.

— Eu estou tão ferrada – Ela gemeu aflita antes de jogar suas costas na cama.

Ela havia evitado Bakugou desde aquela noite em que ela o consolou por ter perdido a luta para Midoriya. Honestamente, ela imaginou que Katsuki não iria se importar com ela se afastando. Seu plano era lentamente desfazer a amizade e voltar a vê-lo como o idiota prepotente que ela o imaginava antes do festival cultural. Então ela começou a dar desculpas para não falar com ele, fingir interesse em algum assunto das garotas mais próximas quando ele se aproximava e só se sentar ao lado dele quando sensei já estava começando as aulas. Ela até dormiu no quarto de Yaoyorozu para que ele não aparecesse em seu quarto para tocar.

Então ele vem e faz ISSO. Ele pensou que tivesse feito alguma coisa errada e a entupiu de doces como pedido de desculpas. E não qualquer doce, o doce que ele sabe que ela gosta. Argh, ela desejou nunca ter visto o lado fofo dele. Seria mais fácil se ele fosse só ameaças de morte e explosões gratuitas.

Não, ela tinha que ter visto o lado inseguro dele, o lado protetor, divertido, gentil. Bem, não exatamente gentil. Ah, que seja, ela estava ferrada no momento em que ele bateu na porta dela no meio da noite com sorvete e chocolates.

Kyouka deitou-se de lado, deixou o saco de cupcakes do lado da sua cama e agarrou seu travesseiro. Ela precisava chutar seu coração e fazê-lo acordar dessa loucura. Depois de Momo, Bakugou era seu melhor amigo, isso por si só já deveria excluí-lo automaticamente da fila do interesse amoroso.

Além do mais, era incrível demais para ela. Não é como se Jirou tivesse alguma chance, ela era a menos desenvolvida das garotas da turma, talvez até da escola inteira, e tudo o que Bakugou faz é perfeito, sempre entre os melhores. Ele nem sequer olharia para ela. Não quando alguém como Yaomomo existe. Sua amiga era o pacote completo: linda, inteligente e rica. Os dois mereciam só o melhor, e eles ERAM o melhor.

Tudo bem que Yaoyorozu está em uma novela mexicana com Todoroki. Mas ei! Não tem nada definido entre eles. E Bakugou, não é o tipo que espera alguma coisa. Se ele decidir que quer a Yaomomo, ele pode muito bem deixar o IceHot para trás.

Em algum momento de toda sua reflexão, o sono atrasado cobrou seu preço e Jirou nem sequer percebeu quando dormiu abraçada com seu travesseiro.