The cute one

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Bakugou é inteligente demais velho. Ainda assim, eu duvido que ele perceba que está apaixonado de primeira.

No dia seguinte, Bakugou estava mais rabugento que nunca. No café da manhã, nem mesmo Kirishima se sentou perto do loiro. Ele estava furioso consigo mesmo, ele falhou miseravelmente em consertar as coisas com Jirou e não tinha menor ideia de como fazer isso.

Ele gritou com Sero por simplesmente falar com Kaminari perto dele. Para Katsuki, o garoto estava atrapalhando seus pensamentos, quando na verdade ele só queria descontar a frustração em alguma coisa porque, agora, ao invés de ser completamente ignorado por Kyouka, Bakugou recebia um olhar dolorido e decepcionado da garota toda vez que se encontravam. Pior, eles sentavam lado a lado na sala, o que o fazia receber e muito esse olhar.

Toda a turma A agradeceu aos céus por ser sexta-feira. Eles não sabiam como aguentar toda essa tensão por mais um dia. Apesar de Jirou estar agindo normalmente com os colegas de turma, Bakugou parecia uma sentença de morte iminente para o primeiro que passasse em sua frente. Ao perceber que Momo estava levando comida para Jirou no quarto e Katsuki não havia jantado, Kirishima resolveu conversar com o loiro sobre a situação.

O ruivo abriu a porta do amigo e entrou lentamente, com seu sorriso cativante que derrubava muralhas. Katsuki apenas cruzou os braços emburrado e esperou pelo sermão de Kirishima.

— Ei, como você está? – Kiri perguntou esfregando a nuca.

—Bem – Ele grunhiu sem olhar para o amigo.

— Cara, eu sei que não está – Kirishima sentou-se ao lado de Katsuki — E talvez eu saiba como resolver isso. — Bakugou ergueu uma sobrancelha e o encarou – Ontem, quando você e Jirou estavam lutando, Yaoyorozu disse que você estava fazendo isso errado, que Jirou não estava brava...

— Ei! Vocês não estavam lá, não viram a cara dela, então não se metam! – Katsuki berrou com o punho erguido.

— Bakugou, se acalma! – Kirishima pediu segurando as mãos do loiro – Me deixe terminar. Yaoyorozu é a melhor amiga de Jirou, eu tenho certeza que elas conversaram sobre tudo isso. Yaomomo disse que tudo que você precisava ter feito era pedir desculpas. E se ela disse isso, é porque Jirou contou a ela, certo?

Bakugou estreitou os olhos e rosnou baixinho enquanto pensava sobre isso. Ele encarou Kirishima com um olhar mortal antes de suspirar e deslizar na cama.

— Como eu vou fazer isso? – Ele bufou frustrado – Ela não quer nem olhar na minha cara.

— Eu posso resolver isso! – Kirishima se ofereceu saltitante. – Me deixe pensar um pouco. – Ele pôs a mão no queixo e permaneceu o cenho franzido por alguns segundos – Já sei! Hey! Prepare seu discurso e me encontre amanhã no fim da tarde no salão comum, ok? – Ele declarou saindo do quarto do amigo.

Bakugou piscou confuso. Seja lá o que aquele Cabelo de Merda estivesse planejando, era melhor ele não fazer Katsuki passar vergonha, ou haveria mortes. De qualquer forma, ele confiava (um pouco) em Kirishima e começou a pensar na melhor forma de pedir desculpas. Obviamente a escolha de palavras era importante, porque ele só piorou as coisas quando finalmente conseguiu falar com a garota no dia anterior.

Ele passou das 22h da noite pensando sobre isso (o que era um feito enorme, Bakugou dormia às 20h30) e tinha todo um discurso de 10 linhas preparado. Ele pensou em mil coisas para dizer, todas foram ignoradas por serem estúpidas demais, vergonhosas demais, rudes demais ou simplesmente uma verdade que Katsuki não queria admitir.

Por fim, quando Kirishima o chamou para o salão comum, Bakugou desceu confiante, com plena certeza que teria Jirou ali, pronta para ouvir o que ele tinha a dizer. E ele iria fazer isso perfeitamente!

— Onde ela está? – Katsuki perguntou ao perceber que apenas Kaminari e Sero estavam no salão comum.

A TV estava ligada com um vídeo game e absolutamente ninguém, ninguém, além do Bakusquad estava ali.

— Está descendo – Respondeu Kirishima tomando fôlego – É o seguinte, eu a chamei ontem com a desculpa de vir jogar com a gente hoje. Eu fiz todo mundo liberar a sala principal e assim que ela descer e vocês conversarem, nós três vamos sair.

— O quê? Ela...

Bakugou não teve tempo de pensar que Jirou não estava sabendo de suas intenções. O elevador apitou e a porta se abriu para revelar Jirou com um casaco três números maior a cobrindo, o ombro esquerdo exposto e os pés com meias de caveira.

Ela estava com seu sorriso debochado de sempre até o momento em que viu Katsuki na sala. Kyouka arregalou os olhos e interrompeu o passo.

— E-e-eu ahn... – Ela gaguejou, engolindo em seco em busca de uma desculpa para sair dali — Eu volto daqui a pouco.

— Jirou, espera – Kaminari pediu.

— Kaminari, você não me disse que ele ia estar aqui – Ela rosnou baixinho.

— Qual é, vamos jogar! – O loiro elétrico insistiu segurando o pulso da garota delicadamente.

— Ei, orelha! – Bakugou chamou instintivamente, receando que a garota fugisse antes de qualquer coisa – Eu... Eu...

Nada. Absolutamente nada. Cada palavra decorada na noite anterior virou uma página em branco quando Jirou lhe direcionou aquele olhar para ele.

— Vejo vocês depois, garotos – Ela se despediu soltando-se do aperto de Kaminari.

— Você pode parar com essa porra e olhar pra mim?! – Bakugou gritou ofegante. Ele entrou em pânico – Já faz uma semana e você ainda está brava! Todo mundo já esqueceu isso, menos você! Por que você não deixa isso para trás?!

— Porque eu não consigo! – Ela vociferou como ele – Eu não posso, Bakugou! Eu não posso jogar com você, ou tocar alguma coisa lembrando que você é um idiota! – Ela suspirou e esfregou o rosto antes de continuar – Porque agora é só um jogo, só uma música, ou só um filme e quando eu perceber, você vai estar na minha vida o tempo todo como se isso fosse uma coisa normal de se fazer. Mas não é! Eu não estou brava com você Bakugou, nem um pouco. – Ela o encarou novamente, com aquele olhar triste que o machucava mais do que um soco do Deku – Eu realmente me importo com você. Mas como eu posso me importar com alguém que não se importa com os outros?

Bakugou não conseguiu argumentar contra aquilo. Ninguém conseguiu, todos os garotos baixaram a cabeça em condolências pelo loiro explosivo enquanto observavam Jirou voltar para o elevador.

— Me desculpa, ok?! – Bakugou berrou frustrado – É isso o que você queria ouvir?! Eu estraguei a porra toda, sim, eu sou uma droga nessas coisas, então me diz que porra que eu tenho que fazer para você me desculpar!

— Não sou eu quem tem que te desculpar – Foi tudo que Kyouka disse, de costas para todos, a voz calma e séria.

A porta do elevador do elevador fechou atrás dela e os garotos só puderam esperar a reação de Bakugou. Ele queria extravasar toda essa frustração, ele queria alguém para culpar, porém ele era o único responsável pela confusão toda. Katsuki fechou os punhos, as mãos fumegando, a cabeça baixa e a respiração ofegante.

— Bakugou... – Kirishima chamou, percebendo o rosto em conflito do amigo.

Katsuki rosnou o mais alto que pode, explodindo suas mãos para o alto, chamuscando o teto da sala comum.

— Onde é o quarto do coelhinho? – Ele perguntou, os olhos em chamas.

— Bakugou, se acalma! Não vai fazer nada...

— Onde?! – Ele repetiu, interrompendo Kirishima e segurando seu amigo pela camisa.

— Terceiro andar, cara – Kaminari respondeu assustado – Do lado do meu, no final do corredor!

Katsuki soltou Kirishima e subiu as escadas usando sua individualidade como propulsor. Ele precisava explodir algumas coisas antes de falar com o Coelhinho.

— Cara, porque você fez isso? – Sero perguntou preocupado – Bakugou vai matar o Kouda!

— Não – Kirishima negou segurando sua camisa onde Katsuki o havia segurado – Ele não está com raiva. Ele só quer conversar – Ele olhou solene para os amigos.

Kaminari e Sero não duvidaram, eles aprenderam que, se tem alguém que pode saber como Bakugou está se sentindo, é Kirishima, e se o ruivo estava dizendo que tudo ficaria bem. Eles confiavam no amigo.

No terceiro andar, Bakugou colocou a mão na maçaneta da porta de Kouda, entretanto, parou antes de abrir a porta e, suspirando um rosnado, bateu na porta do garoto gentil (ele estava aprendendo, no final das contas).

— Bakugou?! – Kouda perguntou, meio surpreso e meio assustado.

— Bom, você fala. Vai fazer as coisas mais fáceis – Ele bufou antes de entrar.

Kouda o encarou nervoso, esfregando a cabeça e hesitando em fechar a porta (poderia ser uma boa rota de fuga).

— Eu vim aqui para me desculpar – Confessou Bakugou com o cenho franzido e o olhar altivo. Kouda não moveu um músculo e Katsuki suspirou, crente que teria de ser mais elaborado – Porra, eu não gosto muito de fazer isso, então eu vou ser rápido. Eu gritei com você e te chamei de covarde, e eu estava errado – A última frase saiu amarga e Bakugou precisou desviar o olhar para dizê-la.

Kouda aproximou-se de Bakugou com a cabeça baixa e puxou uma cadeira para o loiro sentar. Katsuki o encarou com uma sobrancelha erguida antes de aceitar o assento.

– Olha, eu exagerei. Eu sei – Bakugou continuou, agora apoiado nos próprios joelhos e encarando Kouda – E eu não estou dizendo que não vou fazer de novo. Eu vou gritar, xingar e até bater em você. Mas isso é porque eu sei que você pode fazer melhor. E esse é o único jeito que eu conheço de te obrigar a fazer isso.

— Obrigado – Kouda disse baixinho.

— Então, nós estamos ok?

— Sim – Kouda confirmou de cabeça baixa — Isso... isso é pela, Jirou-san, não é? – Ele continuou, o rosto corado e um dedo roçando sua bochecha.

Bakugou piscou. Ele não esperava que o garoto realmente fosse falar com ele. Especialmente sobre isso.

— A maior parte – Bakugou confessou a contra gosto – Então, se você puder dizer isso para ela, eu não ia reclamar.

— Você... Você... Vai tomar conta dela?

— Que tipo de pergunta é essa, coelhinho?! – Bakugou perguntou desconfiado.

— Eu só quero ter certeza... – Kouda respondeu desenhando círculos em seus joelhos – De que você não vai mais machucá-la.

— Ei! Aquilo no treino não foi de propósito! Eu só tentei parar o ataque dela.

— Eu não estava falando de dor física.

Por essa Bakugou não esperava. Seus olhos estavam do tamanho de pratos. O Coelhinho podia não ser o mais corajoso daquela turma de idiotas, mas com certeza ele sabia das coisas.

— Tch. Isso também não foi de propósito – Ele resmungou baixinho – Eu não posso prometer. Parece que eu consigo acertar toda a merda que faz ela enlouquecer.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos antes de Kouda retesar a coluna e encarar Bakugou com toda a solenidade que conseguiu reunir.

— Você vai pelo menos tentar?

Bakugou bufou um sorriso antes de acenar com a cabeça. Kouda sorriu satisfeito e Katsuki levantou-se da cadeira. Eles se despediram e o loiro voltou para o seu quarto. Kirishima estava parado em sua porta, esperando por ele, sem nenhuma surpresa para Bakugou.

— Resolvi – Bakugou disse. Dando uma resposta para a pergunta não dita do amigo antes de entrar em seu quarto e fechar a porta.

Honestamente, Bakugou ficou surpreso que a mudança de clima fosse tão rápida. Claro, não é como se Jirou tivesse agido normalmente com ele no dia seguinte. Entretanto, pela manhã, ela sentou-se ao seu lado no café. Ela ainda não disse nada, mas ao menos ele pode ver um sorriso leve no rosto dela antes das aulas começarem. E aquele sorriso tirou um peso enorme que Katsuki nem tinha consciência de que estava carregando.

Notas finais
POrra, eles são mesmo um ship T-T