The cute one
20 Capítulo 20
Aizawa despertou de seu transe de monotonia quando ouviu um grito de dor vindo de um de seus alunos. Ele, Toshinori e Ectoplasma estavam supervisionando mais um treinamento de herói com a turma A, onde colocaram dois alunos com ataques semelhantes para se adaptarem uns aos outros (ataques de curta distância contra ataques de curta distância; ataques de longa distância com de longa distância etc).
Assim como os outros professores e alguns alunos, Aizawa chegou onde Jirou e Todoroki estavam. Kyouka sentada no chão, com o tornozelo em um ângulo desconfortavelmente errado enquanto o garoto derretia o gelo que prendia seus pés. Os dois alunos haviam sido escalados para se enfrentarem e, pelo que Todoroki contou culpadamente, ele acabou exagerando para conseguir prender Jirou com seu gelo.
— Eu precisei ser mais rápido para alcança-la – explicou o usuário do fogo e gelo – Quanto mais rápido o gelo, mais forte o impacto.
— Que porra que está acontecendo aqui? – Bakugou perguntou empurrando Uraraka e Iida para fora de seu caminho.
—Argh, tudo bem, a dor está passando – Kyouka inspirou para impedir uma careta de dor.
— Consegue se levantar? – Perguntou Ectoplasma – Está inchado, vamos precisar levar você para a enfermaria.
— Está tudo bem – Jirou levantou-se com a ajuda de Todoroki – Acho que eu consigo andar—Não, não consigo! – Ela gemeu agudo.
A garota havia tentando apoiar o pé machucado no chão e acabou caindo em cima de Todoroki em busca de apoio. Bakugou retesou o corpo e arregalou os olhos em preocupação antes de se aproximar dos dois colegas.
— Tch. Saí de perto – Bakugou empurrou Todoroki enquanto pegava Jirou no colo.
— Woa! Que porra você está fazendo?! – Kyouka exclamou surpresa se prendendo com firmeza na primeira coisa que suas mãos agarrando (o que foi a camisa de Bakugou).
— Levando você para a velha beijoqueira, o que você acha que eu estou fazendo?! – Ele latiu alto.
— Você podia ter me avisado antes – Ela resmungou fazendo beicinho e cruzando os braços.
— Com licença – Chamou Todoroki calmamente – Desde que eu fui o único a machuca-la, é minha obrigação leva-la para a enfermaria – Ele declarou solene, com uma pitada de culpa ao estender os braços na direção de Bakugou.
— Eu disse para sair de perto! – Ele gritou enquanto girava Jirou para longe do alcance do híbrido tão bruscamente que a garota se agarrou novamente com medo de cair – Você já fez o suficiente – Ele murmurou baixinho antes de sair com Kyouka reclamando em seus braços.
— Você realmente ainda acha que eles não são um casal? – Ectoplasma sussurrou para Aizawa.
— São seis contra um. – Aizawa disse monotonamente – Devíamos colocar juros nisso. Quando finalmente tivermos o resultado, eu vou ficar rico.
Enquanto isso, Bakugou estava colocando Jirou na cama da enfermaria, ao lado de uma garota do terceiro ano e discutindo com Recovery Girl sobre ficar na ala feminina. Jirou pediu que ele saísse e ele se recusou. Não fazia nem duas semanas que eles haviam brigado e ele a viu com sangue nas mãos por causa de um golpe que ELE deu.
Ele ficou paranoico no dia seguinte. Mesmo as feridas de Jirou tendo curado no mesmo dia e ele tendo descoberto por Kirishima que foram apenas arranhões, ele só realmente se acalmou quando o nosso baby shark fez Kaminari apertar Jirou pela cintura para que Bakugou visse que realmente não havia nada ali. Kaminari ficou com os ouvidos zunindo a noite inteira por isso, mas pelo menos Bakugou tinha um peso a menos na consciência.
Não havia quem o fizesse sair de perto dela enquanto não tivesse cem por cento de certeza que ela estava bem. No fim, as duas desistiram e Recovery Girl iniciou o atendimento com ele ali, perguntando o que aconteceu, quanto doía e pedindo para Jirou tentar mover o tornozelo em alguns ângulos antes de um diagnóstico.
— Hm, eu vou precisar tirar um raio X antes de te dar um beijinho, querida, se estiver quebrado, vou precisar colocar no lugar primeiro – A senhora explicou antes limpar delicadamente o tornozelo de Jirou – Parece que você vai ser útil aqui, afinal. Pegue ela e venha comigo – Ela disse para Bakugou.
Com alguns protestos de Kyouka pela brutalidade do garoto e algumas gritos rabugentos de Bakugou, Jirou foi carregada até uma sala do lado da enfermaria onde Recovery Girl fez alguns Raio X da torção de Kyouka e constatou que havia uma fratura em espiral na tíbia, em outras palavras, o osso trincou.
De volta à enfermaria, Recovery Girl posicionou o pé de Kyouka e deu um beijinho na garota. Jirou suspirou com alívio ao sentir a dor reduzindo.
— Não funcionou, velha. – Bakugou reclamou ao ver o tornozelo de Jirou ainda inchado e vermelho — Faz de novo.
— Vai levar alguns minutos para desinchar – Explicou Recovery Girl – Além do mais, fraturas assim não são como fraturas completas, eu não posso curá-las de uma vez ou o osso pode superproduzir e comprimir os músculos. Mas a dor já deve ter diminuído, não é, querida?
— Deixa eu ver – Bakugou cutucou o tornozelo de Jirou fazendo Kyouka gritar e espetá-lo com os fones – Ei! Por que você fez isso?!
— Você que começou! – ela retrucou irritada.
— Ela disse que não tinha mais dor! Se ainda tem é porque não fez efeito!
— Eu juro, Bakugou Katsuki, se você tocar nesse tornozelo mais uma vez eu vou quebrar os seus ossos – Jirou ameaçou com a voz grave e os fones prontos para dar o bote.
— Tch. – Ele cruzou os braços e encarou o tornozelo dela mais de perto, como se esperasse que isso ajudasse a acelerar a cura.
— Ok, já chega – Recovery Girl suspirou – Já está quase na hora do almoço de vocês. Em meia hora você vai poder sair, querida. Até a hora da aula da tarde você já vai estar bem, sem dor nem inchaço, mas não vai poder apoiar nesse pé pelas próximas oito horas, entendeu? – Ela alertou seriamente, Jirou assentiu – Use aquelas muletas ali se precisar. – Ela apontou para um canto da sala onde um par de muletas estava encostado antes de sair para ver a outra garota que estava na enfermaria.
Meia hora depois, Bakugou carregou Kyouka até o dormitório, ela disse que precisava tomar um banho e descansar um pouco antes de voltar para a aula da tarde, a cura acelerada estava cobrando seu preço. Katsuki avisou Yaoyorozu sobre tudo isso e a garota da criação fez questão de levar o almoço da amiga para que ela pudesse descansar o máximo possível e estar bem na aula da tarde.
Quando Kyouka entrou na sala acompanhada de Hakagure e com o par de muletas, seus amigos a rodearam perguntando se estava bem. Bakugou a observou calado enquanto ela contava que não sentia mais dor e estava bem recuperada, entretanto, Recovery Girl a proibira de apoiar no pé torcido pelas próximas oito horas, ou seja, restavam cerca de seis horas para que ela realmente pudesse caminhar normalmente.
Felizmente a aula agora seria na sala. Na UA, perder uma aula sequer atrasa e muito o progresso dos estudantes. Quando todas as aulas acabaram, ainda restavam duas horas para que Jirou pudesse pisar normalmente. Ainda assim, Bakugou pegou a garota andando sem as muletas e apoiando seu peso na perna machucada para caminhar ao lado de Yaoyorozu.
— Ei, orelha! – Ele a chamou se aproximando autoritário – O que você pensa que está fazendo?!
— Ahn... Andando? – Ela ergueu uma sobrancelha debochada para ele.
— Ainda faltam duas horas para você poder fazer isso, então use a porra das muletas!
— Mas elas são muito lentas – Ela gemeu com uma careta emburrada – Além do mais, já está tudo bem com o meu tornozelo. Eu posso andar sozinha – Ela meneou com um aceno e voltou a andar.
— Uma porra que pode – Ele resmungou quando a colocou em seus ombros como um saco de batatas.
— B-Bakugou! – Ela guinchou com o susto – O que você está fazendo?!
— Você não disse que as muletas são lentas? Eu não sou – Ele respondeu virando-se de costas.
— Bakugou, me põe no chão! – Ela ordenou erguendo o tronco e com o rosto corado. Era uma situação embaraçosa demais.
— Cala a boca aí, orelha! – Ele retrucou empurrando as costas da garota para que ela se curvasse sobre seu ombro e não batesse a cabeça no batente da porta.
— Para com isso! – Ela pediu segurando-se na porta e debatendo-se.
— Fica quieta! – Bakugou a sacudiu para que soltasse a porta e continuou andando pelo corredor da escola.
— Seu filho da mãe – Ela bufou nas costas dele, sua mochila batendo na sua nuca e seus cabelos voando em seus olhos – Me põe no chão ou todo mundo vai saber das histórias da Mitsuki-san! Midoriya! Me tira daqui, são suas histórias embaraçosas também! – Ela tentou apelar para o garoto de cabelos verdes.
Com um movimento rápido e brusco, Bakugou a mudou de posição, colocando-a deitada em seu colo, um de seus braços a segurando nas costas, por baixo da mochila, e o outro perfeitamente ajustado para prender a saia da garota de forma a preservar a dignidade da pobre coitada.
— Quando você vai aprender que eu sou melhor que o Deku? – Ele rosnou a encarando irritado.
Ok, ela se esqueceu da parte insegura dele que sempre é ativada quando se trata de Midoriya. Como um pedido de desculpas, Jirou cruzou os braços e deixou ser envergonhada em frente de toda escola ao ser carregada novamente até o dormitório.
Ninguém teve realmente muito tempo para reagir à cena. Todos estavam tão acostumados com Bakugou gritando que ninguém deu importância no começo. Nem mesmo Midnight sensei, que estava na sala quando tudo começou. Eles só perceberam que alguma coisa estava acontecendo quando Kyouka começou a segurar em tudo que suas mãos alcançavam enquanto Bakugou a arrastava pelo corredor.
Katsuki levou Kyouka até o quarto dela e a colocou na cama calmamente.
— Pronto, você já poder pisar direito quando for jantar – Ele declarou satisfeito.
— Obrigada – Ela murmurou irritada.
Ela não estava feliz por ter sido carregada tão bruscamente, porém, sabia que Bakugou só queria o melhor para ela (e havia pensamentos conflitantes por estar no colo dele também). Jirou sentou-se na cama para tirar a mochila das costas.
— Ei! Fique aí! – Ele aproximou-se rápido demais, fazendo Jirou encolher com sua reação – Nada de levantar! Eu vou ter que apagar para você ficar quieta, orelha?!
— Eu só estava tirando a mochila! – Ela bufou mal-humorada – Pare com isso, é assustador – Ela murmurou jogando a mochila de lado.
— Só... só mantenha a porra do tornozelo quieto – Ele pediu enfadado.
— Eu não vou me mexer, eu prometo – Ela sorriu levemente, uma pitada de diversão em seu rosto ao perceber a paranoia de Bakugou.
— Bom. Eu já vou. Rabo de Cavalo vai vir checar você depois – Ele informou saindo, contudo, parando na porta e virando-se para ela – Ei, orelha – Ela olhou para ele com atenção – Você lembra quando você estava brava, e teve aquele treinamento extra, e aí nós lutamos... – Ele a olhou esperando que ela entendesse onde ela queria chegar.
— Sim, eu lembro. – Ela enrolou um dos fones de ouvido entre os dedos – As coisas ficaram meio feias.
— Eu... – Ele desviou o olhar e limpou a garganta – Quando eu... você sabe – Ele a olhou de soslaio e Kyouka acenou em confirmação – Quão ruim ficou?
— Não muito, na verdade – Ela esfregou a mão onde antes havia sido ferida – Foram só uns arranhões. Depois que eu saí da enfermaria era como se nem tivesse acontecido.
— Sem cicatrizes nem nada?
— Não – ela confirmou sem olhar para ele.
Silêncio.
— Posso ver? – Bakugou pediu desconcertado.
— Quê?!
— Eu quero ver – Ele resmungou olhando para todos os lugares exceto para Kyouka.
— Por quê?! – Ela perguntou aperto os braços ao redor de seu tronco protetoramente.
— Às vezes parece que você ainda está machucada. – Ele explicou enfiando as mãos no bolso – Só quero ter certeza.
Kyouka piscou em surpresa. Não era exatamente o tipo de declaração sincera que ela esperava de Bakugou. Pensando bem, agora algumas coisas faziam sentido, como quando ele pulou da cadeira da bateria quando ela puxou sua guitarra favorita da mão de Kaminari e a mesma bateu em suas costelas, ou quando Jirou colocou seu livro sobre o peito enquanto estava no sofá da sala comum fazendo o trabalho de geografia com Ashido, Uraraka e Tokoyami, Bakugou o havia retirado com pressa assim que entrou na sala. Ele estava preocupado, pensando que a havia machucado permanentemente! Não é atoa que seu pedido foi tão direto e não cheio de desculpas orgulhosas, fazia dias que ele estava com essa dúvida.
Com isso, Jirou suspirou antes de se acomodar melhor na cama e, hesitante, segurar a barra de sua camisa.
— Eu vou fazer isso rápido, então é melhor prestar atenção – Ela murmurou envergonhada.
Bakugou assentiu e deu dois passos para frente, esperando por Kyouka. A garota virou o rosto corado antes de erguer a blusa e mostrar a pela branca e lisa de suas costelas, isso era vergonhoso demais para ela ver a reação de Bakugou.
Katsuki suspirou aliviado ao ver que realmente não havia nada ali. A pele estava íntegra, sem nenhuma marca. Ele esticou a mão e roçou os dedos ali só para ter certeza.
— Ei! Eu não disse que podia tocar! – Kyouka estapeou sua mão ao sentir o toque em sua pele.
Jirou cobriu-se novamente e se aninhou completamente envergonhada. Seu rosto estava tão vermelho e seus fones tão inquietos que Bakugou percebeu a indelicadeza do que tinha feito. Katsuki corou e começou a gaguejar palavrões, envergonhado. Ele saiu dali com um rápido “Eu tenho que ir”, deixando Kyouka corada e com o cérebro a mil por hora.
Ótimo, tudo o que ela precisava para alimentar seu pequeno conflito emocional era ver aquela expressão assustada e envergonhada no rosto de Bakugou. Bem, pelo menos ela sabia que seu tornozelo iria curar corretamente, porque ela nunca mais sairia do quarto depois disso.
Fale com o autor