The cute one
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Dá o fora! – Foi a resposta de Bakugou à batida de Kyouka.
Jirou revirou os olhos e girou a maçaneta da porta. Para sua surpresa, estava destrancada. E os garotos disseram que não conseguiram entrar! Bem, faz sentido se você parar para pensar. Ninguém entraria no quarto de Bakugou sem a permissão do loiro explosivo. O suicídio parece menos fatal.
— Bakugou, sou eu, Jirou – Ela abriu a porta e olhou para dentro do quarto, não se atrevendo a entrar por inteiro.
Bakugou estava deitado na cama, com suas uma calça de moletom e uma blusa preta com uma caveira, a cabeça apoiada nos braços e as pernas cruzadas.
— Você não me ouviu, orelha? – Ele resmungou deitando de bruços – Dê o fora.
— Eu trouxe sorvete – Ela cantarolou entrando no quarto – É de wasabi, e eu trouxe alguns lanches. Tem até molho de pimenta – Ela anunciou fingindo grande alegria.
Bakugou grunhiu na cama e enterrou a cara no travesseiro. Kyouka sentou do lado do garoto na cama e esperou para que ele se movesse. O que não aconteceu. Jirou estava curiosa quanto ao estado do amigo, ela sabia que ele havia levado alguns golpes fortes no rosto, e ela podia ver algumas manchas roxas pelos braços dele.
— Qual é, você não jantou. Que moral você tem para me manter em uma alimentação saudável se você não faz isso? – Ela provocou mexendo nos cabelos dele.
Ela não faria isso normalmente, entretanto, ela realmente queria saber como estava os machucados do rosto e imaginou que, afastando disfarçadamente os cabelos do garoto ela conseguiria ver alguma coisa.
— O que você tem aí? – Ele a olhou desconfiado, com apenas um olho fora do travesseiro.
Kyouka recuou a mão e mordeu o lábio, havia uma mancha arroxeada nas maças do rosto e alguns arranhões na testa.
— Você vai ter que abrir para ver. – Ela deixou as sacolas do lado da cama.
Bakugou não se moveu muito, ele apenas esticou a mão dentro da sacola e pegou a primeira coisa que sentiu. Ele moveu o suficiente para que metade de seu rosto ainda estivesse no travesseiro, porém ele conseguisse comer.
— Eu não disse que você podia parar, orelha – ele murmurou mordendo um umaibo.
— Hm? – Kyouka gemeu em confusão.
Bakugou soltou um estalido e pegou a mão da garota e jogou bruscamente sobre sua cabeça. Kyouka bufou uma risada do jeito tosco do garoto de pedir um cafuné. Ela continuou a afagar os cabelos espetados do loiro e percebeu que eles eram até macios. Pelo jeito bagunçado e disperso dos fios, ela imaginou que eles espetassem. Jirou se pegou se perguntando a última vez que Bakugou penteou os cabelos.
Ela estava distraída demais para segurar a língua quando Katsuki virou-se para pegar mais besteiras na sacola e acabou deixando todo o seu rosto exposto.
— Puta merda – Ela exclamou com os olhos arregalados e cobriu a boca com as mãos.
— Tch. Não está tão feio assim – Ele rosnou envergonhado.
— É, não, não está ruim – Ela disfarçou desviando o olhar, os fones deixando claro sua mentira – Oh, quem eu estou tentando enganar. Você está horrível – ela fez uma careta preocupada e aproximou-se para olhar melhor o rosto dele – Por que você não foi para a enfermaria? Você poderia estar bem agora!
— Morre! – Ele gritou sem argumento – Já deixou as coisas aqui, então cai fora. – Ele virou-se de lado novamente.
Kyouka suspirou e corou envergonhada.
— Desculpe – Ela murmurou aproximando-se do rosto dele.
— Saí
— Ei, quer saber? Midoriya estava muito pior – Ela comentou enrolando um dos fones no indicador. – Mesmo depois de ir à enfermaria.
— Eu não sou estúpido, orelha, eu não preciso de consolo, agora saia – Ele rosnou novamente olhando para ela por cima dos ombros.
— Mas o sorvete vai derreter – Ela gemeu – Qual é, você tem que me deixar te pagar aquela vez. Não é por você, é por mim – Ela tentou com a voz séria.
Bakugou passou quase um minuto quieto. Ele não a mandou embora de novo, então Kyouka esperou pela resposta definitiva do loiro explosivo. Quando ela pensou que ele a iria ignorar pelo resto da noite ele resolveu falar com ela.
— Tá! – Ele gemeu descontente e sentando-se na cama – Cadê o sorvete de Wasabi? – ele pediu mal-humorado.
Kyouka prendeu o riso e pegou o sorvete e duas colheres. Embora ela duvidasse que iria comer, não doía trazer uma extra.
— Eu não vou assistir nenhum filme idiota – Ele apontou para ela com a colher – E eu só estou comendo essa merda para ficarmos quites.
— Ok, então – Ela ergueu os braços fingindo que acreditava – então o que você quer que eu faça?
Katsuki jogou pimenta no pote de sorvete, comeu uma colher e encarou Kyouka com os olhos estreitos enquanto saboreava a estranha mistura.
— Você pode fazer aquela coisa de novo – Ele respondeu contraindo e esticando os dedos.
— Cafuné? – Ela perguntou com o cenho franzido. Bakugou encolheu os ombros e virou o rosto com uma expressão emburrada tentando fingir indiferença – Ok então. Afasta.
Ela levantou da cama e gesticulou para Katsuki deslizar na cama. Ele não ficou muito contente com o jeito mandão da garota, porém, fez mesmo assim. Jirou sentou-se no topo da cama de pernas cruzadas e colou os travesseiros no colo, dando dois tapinhas neles para que Bakugou colocasse a cabeça ali.
Ele revirou os olhos e grunhiu como se aquilo fosse uma tortura, e não algo que ele mesmo escolhera. Ele deitou-se de bruços e a garota começou a mexer na bagunça que era seus cabelos.
Bakugou continuou comendo o sorvete, tomando cuidado para não derrubar na cama.
— Como eu estou me saindo? – Ela brincou com uma careta divertida.
A última coisa que Jirou imaginou estar fazendo esta noite era estar com Bakugou em seu colo, tomando sorvete de Wasabi com pimenta enquanto ela lhe fazia cafuné.
— Seria melhor com as duas mãos – Ele disse de boca cheia.
Kyouka revirou os olhos e repousou as duas mãos na cabeça do garoto. Ele continuou a comer e ela se viu entediada em poucos minutos.
— Ok, me dê alguma coisa — Ela pediu inclinando-se para ver a sacola.
— Suas duas mãos estão ocupadas, orelha – Ele negou abrindo a batata chips.
— Oh, cala a boca, fui eu quem trouxe isso – Ela revirou os olhos e se esticou sobre ele para alcançar a sacola.
— Ai! – Ele gemeu e se encolheu.
Kyouka havia batido em seus machucados com o movimento anterior.
— Ai meu pai, desculpa, desculpa – Ela pediu com um gritinho – Doeu muito? – Ela perguntou encolhendo os dedos para resistir a tocar no rosto do garoto.
— Só mexa a mão na minha cabeça, droga – Ele resmungou gesticulando para que ela se apressasse.
Ela obedeceu rapidamente, os ombros ligeiramente tensos. Eventualmente checando o rosto do garoto.
— Você tem que me prometer que vai à enfermaria amanhã de manhã – Ela suspirou.
— Ou o quê? – Ele debochou um estalido.
— Ou eu vou te levar até lá. – Ela resmungou fazendo beicinho – Nem que eu tenha que fazer uma trilha de sorvete com pimenta – Ela brincou com um sorriso.
— O que você acha que eu sou, um cachorrinho? – Ele moveu um pouco a cabeça para olhar para ela.
— Um dos mais ranzinzas – Ela riu dele fazendo o garoto estalar um “Tch” e deitar de costas no travesseiro.
Ela não percebeu que estava mordendo o lábio inferior e franzindo as sobrancelhas enquanto observava o rosto do garoto com mais atenção agora que ele estava de frente para ela.
— Deku estava pior? – Ele perguntou em um resmungo ao perceber a expressão da garota.
— Uhum. – Ela confirmou com pressa.
Bakugou não ficou muito convencido, porém, decidiu ignorar isso enquanto a garota tivesse com as mãos nos seus cabelos e houvesse algo em sua boca.
— Eu... posso fazer uma pergunta? – Kyouka pediu depois de um tempo.
— Você já fez. – Katsuki respondeu antes de abrir um pacote de amendoins.
— É sério – Ela bufou com um revirar de olhos. Parecia que isso seria um resumo da noite.
— Desembucha.
— Qual o seu lance com o Midoriya? – ela perguntou aprofundando o cafuné (vai saber, talvez isso a ajudasse a sair dali viva).
— Não tem “lance” nenhum – Ele rosnou se remexendo.
— É, claro. É por isso que você ele morto todo dia – Ela debochou balançando a cabeça – Por que não tem nada aí.
— Eu quero que todo mundo morra, orelha.
— E ainda assim, Midoriya ainda te irrita mais. – Kyouka não recebeu nenhuma resposta – Qual é, vocês cresceram juntos, eu ouvi todas as suas histórias embaraçosas – Bakugou tentou protestar, contudo Kyouka ergueu a mão – Eu só quero saber como vocês saíram de melhores amigos para ódio profundo.
Bakugou bufou e enfiou uma porção bem grande amendoins na boca. Ele olhou de relance para Kyouka duas vezes enquanto mastigava, a garota ainda o encarava esperando por uma resposta. Ele mastigou lentamente e engoliu antes de satisfazer a curiosidade da garota.
— Ele é um idiota – Bakugou respondeu afundando a cabeça ainda mais no travesseiro – Um nerd de merda. Aquele lixo sempre se achou melhor que todo mundo, mesmo quando ainda não tinha individualidade.
— Midoriya? – Kyouka franziu o cenho em confusão – Nós estamos falando do mesmo Midoriya?
— Tch. Claro que sim, idiota. Eu estou dizendo, não importa o que eu fizesse, o que eu dissesse, ou o que acontecesse. Aquele imbecil sempre voltava, com a mesma cara idiota de sempre, como se nada tivesse acontecido.
Kyouka ficou em silêncio por um tempo, pesando as palavras de Bakugou e as de All Might. Claramente Katsuki se sentia ameaçado por Midoriya, mesmo o garoto de cabelos verdes praticamente idolatrando Bakugou.
— Bem, nesse caso, você deveria odiar o Kirishima também – Ela comentou fingindo desinteresse – E Sero, e Kaminari, até mesmo eu – Ela contou todos os amigos de Bakugou, tentando abrir os olhos do garoto para a verdade.
— Cabelo de merda é burro, Cara de Fita é retardado e Pikachu não tem cérebro.
— E eu?
— Você é completamente doida – Ele respondeu como se fosse óbvio.
— Ei!
— Você comeu a porra de um parafuso da bateria!
— Eu não comi! – Ela cruzou os braços – Eu só coloquei na boca.
— É, é, tanto faz – Ele desdenhou gesticulando para que ela voltasse as mãos para sua cabeça.
— Eu não entendo, como você consegue odiar o Midoriya? – Um de seus fones cutucou sua bochecha – Quer dizer, ele parece um cachorrinho. Como você consegue odiar algo tão fofo?
— Mas que porra? Deku faz seu tipo? – Ele perguntou com a sobrancelha erguida.
— Não é disso que estamos falando! – Jirou o repreendeu com as orelhas vermelhas e a voz aguda – E não. Ele não é o meu tipo. Ele é muito doce e certinho para mim – Ela fez uma careta.
— Tch. Claro que a garota punk gosta de um bad boy – ele debochou antes de virar o restante do amendoim na boca.
— Só por que eu gosto de punk rock eu tenho que gostar de idiotas que acham que o mundo foi feito para eles? – Ela bufou – Eu prefiro um meio termo.
Os dois ficaram em silêncio.
— O idiota covarde era o meio termo? – Bakugou perguntou olhando para ela com o canto dos olhos.
— Você está mudando de assunto – Ela fez beicinho.
— E você está fugindo da pergunta.
— Ok, entendi – Ela cruzou os braços irritada – Você não quer falar sobre isso e eu não quero falar sobre ele, então vamos só ficar calados.
Bakugou virou-se de lado e encarou Kyouka com um olhar fulminante. A garota engoliu em seco, vendo sua vida passar diante dos seus olhos e tentando adivinhar quais de suas palavras tinham causado seu funeral. Katsuki segurou seus pulsos e colocou suas mãos bruscamente de volta na sua cabeça.
Jirou soltou uma respiração que nem sabia que tinha prendido. Ele só estava irritado que ela parou o cafuné. Honestamente, Jirou já estava mentalmente despedindo-se de seus pais e pensando se Katsuki pouparia seu rosto para que o seu caixão fosse velado aberto.
Agora Katsuki estava suavizando sua expressão enquanto Kyouka massageava seu couro cabeludo. Ele estava aninhando seu rosto no abdômen da garota enquanto bocejava. Já passava e muito do toque de recolher e Jirou sabia que Bakugou dormia cedo. Provavelmente a fome e os machucados o mantiveram acordado até essa hora. Talvez fosse o orgulho ferido também. Kyouka não conseguia acreditar que seu amigo era tão incrível e ainda assim conseguisse ser inseguro.
— Ok, eu sei que você não quer falar sobre isso, mas ao menos ouça – Jirou começou um pouco receosa. Ela queria ajudar seu amigo, contudo, teria que ser com cuidado – Eu duvido que Midoriya se ache melhor do que você. Que ALGUÉM se ache melhor do que você. Você é forte, inteligente e sempre consegue o que quer. Bakugou, você é perfeito em tudo o que você faz, argh, às vezes eu te odeio – Ela rosnou frustrada enquanto puxava um pouco os cabelos do loiro e sorria brincalhona – Você roubou todos os talentos da fila antes de nascer, seu bastardo sortudo. – Ela suspirou e mexeu na orelha de Katsuki. Kyouka não quis olhar para ele enquanto continuava a falar –
— O lance é que você inspira as pessoas. Você tem essa... coisa intimidadora que faz todo mundo querer ser melhor, só porque você está por perto. Como se só a sua presença mostrasse para todos nós que ainda não somos bons o suficiente para existir no mesmo lugar que você. Então, se você estiver com raiva do Midoriya só porque ele está ficando melhor, você devia odiar a si mesmo, porque isso é tudo culpa sua. Midoriya te idolatra, e cada progresso que ele faz tem uma parte de você nele também.
Jirou corou um pouco, esperando uma resposta de Katsuki, ela imaginou que ele debocharia dela ou algo do gênero. Entretanto, nada aconteceu. Kyouka olhou para baixo e percebeu que Bakugou havia dormido em seu colo.
— Tch. Seu idiota. Eu cobrindo você de elogios e você dorme sem nem me ouvir – Ela disse, sua voz não continha nenhuma irritação, ela apenas sorriu. – Iida vai me matar se souber que eu fiz você comer um monte de porcarias e dormir sem escovar os dentes.
Kyouka esfregou novamente o lóbulo da orelha de Bakugou e delicadamente tocou os arranhões do garoto. Olhando assim, nem parecia o maluco explosivo que ela conhecia. Era até... fofinho. Jirou deslizou um polegar pela bochecha de Katsuki enquanto a outra mão afagava seus cabelos.
Ele é tão bonito. Jirou pensou com um sorriso. Ela desenhou padrões circulares no rosto do garoto e roçou o polegar no lábio inferior do loiro.
— Oh, merda, não – Kyouka congelou e arregalou os olhos em pânico.
Não, não, não, não. Isso não estava acontecendo de novo. Ela não olhou para o seu amigo desse jeito, e ela definitivamente não pensou como seria beijá-lo. Não, isso NÃO. ACONTECEU. Nada de pânico. NADA DE PÂNICO.
Ela tinha que sair dali, e rápido. Ela se moveu o mais devagar que o seu desespero permitia e saiu da cama de Katsuki, deixando a cabeça do garoto na cama lentamente. Com um pouco mais de pressa, ela juntou toda a bagunça de embalagens que haviam no chão e caminhou na ponta dos pés para fora do quarto.
Quando ela se viu no corredor do piso, pôs-se a correr para seu quarto o mais rápido que pôde. Jirou jogou as embalagens vazias no lixo da cozinha e subiu pelas escadas até seu quarto, onde trancou a porta e se escorou na parede.
— Tudo bem, está tudo bem – Ela disse em voz alta para se acalmar – É mais de meia noite, você passou a tarde toda preocupada com ele e você teve aquela conversa estranha com o All Might sensei. Você não está apaixonada pelo seu melhor amigo, você só está cansada e ouviu demais essa besteira das suas amigas. – Ela respirou fundo e começou a trocar de roupa – Tudo o que eu preciso é dormir e tudo isso vai passar.
Com essa convicção, Kyouka deitou na cama e dormiu.
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