The beginning of tomorrow
4 Outros como nós e acidente
Notas iniciais
Eu estava vigiando o acampamento, todos já estavam dormindo, meus primos foram os últimos a dormir, eles estava sem sono e muito agitados, quando finalmente dormiram, me candidatei pra vigiar o acampamento, fui até a fogueira e me sentei ali perto, transformei meu colar em arco e meu anel em uma bolsa com flechas, eu estava sem sono, por isso me ofereci pra ficar de vigia, eu estava olhando as estrelas, eram milhões de estrelas, tornando o céu ainda mais bonito, eram tantas que chegavam a iluminar o acampamento, quando eu olhava pra as estrelas, eu me sentia livre, era como se nada disso estivesse acontecendo, o céu estrelado me trazia boas lembranças dos meus passeios no meio da noite com o Logan, ou quando eu ficava sem sono, chamava ele pra minha casa, a gente subia no telhando e ficávamos olhando as estrelas, o Logan, Thalita e o Ethan, pareciam ser uma das poucas pessoas que me entendiam, ficavam ao meu lado, me consolavam nos momentos difíceis, e não importava a hora, eles sempre estava do meu lado, esses pensamentos só aumentaram minhas saudades do Logan, então eu ouvi um barulho de galhos se quebrando, eu olhei de uma vez pra floresta ao meu lado, o barulho cessou, eu me levantei devagar, sem fazer nenhum barulho eu andei devagar até a floresta, então os barulhos se transformaram em passos, eu fiquei imóvel, tirei uma flecha e coloquei no arco, o mais bizarro era que eu não sentia perigo, os barulhos foram aumentando e se aproximando, então não parecia mais só uma pessoa, e sim umas 3 ou 4, não sei, eu dei alguns passos pra trás, fiquei perto do pessoal, caso alguém se aproximasse, então algumas sombras apareceram na floresta, elas caminhavam em direção a nós, eu mirei a flecha na direção das sombras, então, duas meninas e um menino saíram da floresta, as meninas tinham cara de serem da mesma idade dos meus primos, elas eram exatamente iguais, parecia um espelho, assim que me viram, o menino afastou as duas pra trás dele em forma de proteção.
— Ei, calma aí — disse ele, ele era moreno e tinha olhos negros, não tinha muita certeza pois estava escuro, ele tinha provavelmente a mesma idade que eu, eu continuei mirando neles.
— Quem são vocês? E o que fazem aqui? — perguntei sem parar de mirar, as meninas seguraram os braços dele.
— Sou Victor — ele disse se aproximando devagar — Essas são minhas irmãs, Caroline — ele apontou pra menina da esquerda, ela tinha cabelo bem comprido, ele ia até a cintura e estava preso a uma trança de lado — E Penélope — ele disse apontando para a da direita, ela tinha cabelo na altura dos ombros, ambas as duas tinha cabelos negros e olhos verdes intensos, seus cabelos eram bem lisinhos — Estávamos procurando abrigo na floresta, e vimos uma luz, então seguimos até aqui, não estamos infectados — ele explicou, eu estreitei os olhos, ele realmente estava falando a verdade, eu abaixei o arco e fui até eles.
— Sou Ally, prazer em conhecê-lo — disse erguendo a mão, ele apertou e sorriu pra mim — Por que não sentam e me contem melhor a história — perguntei, ele assentiu e segurou as mãos das irmãs, eu me sentei perto da fogueira e ele se sentou a minha frente, a Penélope se sentou ao meu lado, eu sorri e acariciei seus cabelos, a Caroline se sentou ao lado do Victor e deitou no seu colo — Então, me conte sobre vocês e como vieram parar aqui — disse olhando pra ele.
— Bem, nós somos órfãos, nossos pais morreram quando elas tinham apenas 2 e eu 16 anos, foi em um acidente de carro, então tive que cuidar das minhas irmãs sozinho, e de mim mesmo também, eu não ia para a escola mais, eu estudava em casa e ensinava umas coisas a elas, quando completei 17 anos, eu comecei a fazer faculdade de astronomia e arquitetura, eu fazia as duas, quem pagava para mim era a mãe de um amigo, ela também pagou um ano escola das meninas, depois de 1 ano, eu estava voltando da faculdade e fui pegar as meninas na escola, quando cheguei lá, a escola estava pegando fogo, e algumas pessoas gritavam e corriam pela rua, eu corri até a entrada, mas a porta estava trancada, eu arrombei a porta e entrei, as pessoas estavam loucas, elas atacavam umas às outras e gritavam, eu corri até a sala das meninas e elas estavam se escondendo em baixo da mesa, eu peguei as duas e tentei sair dali, mas toda hora as pessoas tentava me matar, elas pulavam em cima de mim e me perseguiam, tentavam nos machucar, quando eu finalmente consegui sair dali, todos estavam loucos pelas ruas da cidade, eu fui até nosso apartamento, em todos os jornais, as pessoas diziam para sairmos de nossas casas e procurarssemos abrigo, arrumei as coisas das meninas e as minhas e saímos de lá, nós andamos por toda a cidade, nos escondendo em certos locais e roubando comida onde achávamos, então nós chegamos em uma abrigo, lá eles nos deram comida e um local pra descansar por 2 anos, depois disso, eu e as meninas fugimos pra a cidade outra vez, então chegamos nessa floresta, achamos poucos infectados até agora na floresta, toda a noite a gente andava pela floresta, tentando achar ajuda, então essa noite, estávamos andando como outra noite qualquer, mas enxergamos a luz da sua fogueira, vimos andando até aqui e quando chegamos, achamos você, e o resto você já sabe- ele disse, eu assentia tudo, prestava bastante atenção nas suas palavras, quando ele acabou, olhou pra mim esperando alguma reação, mas eu não estava nada surpresa, pois já estava tinha me acostumado com essas bizarrices e coisas malucas acontecendo.
— Bom, você ficar com a gente se quiser, amanhã irei apresentar você aos meus amigos — disse me levantando e colocando o arco nos ombros.
— Quem são eles? — perguntou a Penélope, ela tinha uma voz fina e doce.
— Meus dois amigos, Thalita e Ethan, e meus sobrinhos, Alexandre e Luccas — disse, a Penélope abriu um sorriso enorme assim que falei a palavra sobrinhos, provavelmente ela devia estar com saudades de brincar com alguém.
—Vocês podem descansar um pouco se quiserem meninas — disse o Victor, a Caroline e a Penélope foram até um canto e se deitaram no chão, eu fui até o Victor e parei ao seu lado, ele olhava pensativo para a fogueira.
— Não está com sono? — perguntei me sentando ao seu lado.
— Não — ele disse olhando pra mim.
— Nem eu, por isso fiquei como vigia essa noite — disse olhando pra fogueira.
— Eu não sei nada sobre você, eu já te contei sobre mim, agora é sua vez — ele disse.
— Hum... Eu tenho 20 anos, meu nome na verdade é Allyson, não sei se sou órfã pois não sei se meus pais estão vivos, mas provavelmente estão mortos, hã... esse apocalipse começou no meu aniversário de 18 anos, uns polícias levaram a mim e meus amigos para um abrigo, ficamos lá por 2 anos também, mas decidimos fugir, viemos parar nessa floresta, hum.... eu estava indo caçar um dia, então eu achei os infectados atrás dos meus sobrinhos, na verdade eu nem sabia que eu tinha sobrinhos, pois nunca mais tive contato com minha irmã desde que ela foi estudar fora, nunca mais deu notícia, er.... estamos andando pela floresta também, paramos todas as noites para acampar, quando amanhece continuas nossa caminhada, estamos tentando chegar na cidade, então hoje paramos aqui, eu estava vigiando o acampamento, quando ouvi passos e barulhos, foi quando você e suas irmãs apareceram, e o resto você já sabe — disse, ele assentiu e olhou pro céu.
— Você conhece os puros? — ele perguntou cortando o silêncio, no mesmo tempo eu gelei, com ele sabia sobre os puros?, eles desconfiava de mim?
— Sim — disse — Mas como você.... — eu comecei dizendo, mas ele me interrompeu.
— Minhas irmãs e eu somos puros, descobrimos isso quando elas tinham 2 anos de idade, então desde aí, eu venho estudando e pesquisando sobre eles — ele disse olhando para as irmãs, que agora estavam dormindo, eu fiquei em choque, ele era um puro também? (Show *-* ).
— Sério?! — eu perguntei surpresa, ele olhou pra mim e assentiu — Eu... Eu também sou pura, mas só descobri isso quando já tinha 18 anos — eu disse olhando pra fogueira, eu olhei pra ele, e agora ele que estava chocado, surpreso, e parecia feliz ao mesmo tempo.
— Jura?! — ele perguntou abrindo um maior sorriso, eu sorri e assenti — Você é a primeira que encontro, e também é a primeira que virou minha amiga, eu nunca fui muito sociável — ele disse olhando pra fogueira, eu ri fazendo ele olhar pra mim.
— Eu também, nunca fui muito amigável, meus únicos amigos ficaram pra trás, apenas a Thalita e o Ethan continuam comigo — disse olhando para meus amigos dormindo.
— Sortuda — ele disse sorrindo, eu ri e dei um leve empurrão nele com meu ombro, ele riu também e voltou seu olhar pra fogueira outra vez.
— Meus amigos também são puros — eu disse, ele sorriu outra vez, mas continuou olhando pra fogueira.
— Então vamos nos dar muito bem — ele disse sorrindo pra mim, eu sorri e concordei com a cabeça, ele voltou seu olhar para a fogueira (Mas esse menino amou essa fogueira não foi?), não falamos mais nada, de vez enquanto trocávamos olhares e sorriamos, na verdade estávamos fazendo uma brincadeira mentalmente.
" Tem cinco letras " — ele disse, eu olhei pra ele.
" Cinco " — disse, ele olhou pra mim e sorrimos.
" Acertou " — ele disse.
" Minha vez " — disse e pensei um pouco — " Tem 6 letras ".
" Amigos " — ele disse e olhou pra mim, dessa vez rimos, essa brincadeira era idiota, mas viciava.
Continuamos com essa brincadeira até amanhecer, quando já estava ficando de manhã, resolvi fazer o café da manhã.
— Vou fazer o café — disse me levantando.
— Ok — ele disse, eu fui até a minha mochila e peguei alguns potes, neles tinham frutas e alguns sanduíches com carne de coelho cervo, eram os animais que caçávamos, eu levei tudo até a fogueira já apagada, separei tudo nos potes, cada pote tinha um sanduíche e algumas frutas, eu deixei os potes para os outros, quando eles acordassem o café já estava pronto, eu peguei uma maçã e entreguei um pote ao Victor, eu não comia muito, apenas uma fruta no café, um sanduíche no almoço e um alguma outra frutinha no jantar, eu comi minha maçã rápido, o Victor estava comendo devagar, ele parecia não estar com muita fome, ou ele estava só pensando mesmo.
— Sem fome? — perguntei olhando pra ele, ele olhou pra mim meio envergonhado.
— Um pouco — ele disse olhando pra mim — E que... Não estou muito acostumado a comer tanto assim, geralmente como apenas uma fruta assim como você — ele disse olhando pro pote, eu ri.
— Você se acostuma — disse, ele olhou pra mim e sorriu, estava fazendo um pouco de calor, eu decide trocar de roupa, eu fui até minha mochila e peguei umas roupas leves: uma regata branca, um short jeans, uma bota de cano curto preta, e um colete verde água — Olha, eu só vou ali me trocar e já volto — disse ao Victor, ele olhou pra mim e assentiu, e fui até um canto da floresta e me troquei, deixei o colete aberto pois estava fazendo muito calor, parecia que meu corpo iria entrar em combustão, amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo alto, eu peguei minhas outras roupas e voltei pro acampamento, quando voltei, o Victor estava dando o café para suas irmãs, o cabelo da Penélope estava todo bagunçado, já o da Caroline que bem arrumadinho, eu coloquei minhas roupas na mochila e vou até eles, eu me sento atrás da Penélope e arrumo seu cabelo com a mão, eu fui fazendo algumas tranças bem pequenas em seu cabelo.
— Minha mãe fazia isso comigo — disse Penélope olhando pra mim sorrindo, eu sorri pra ela, então ela fez algo que me deixou um pouco surpresa, ela me abraçou, eu tinha acabado de conhecê-la, e ela me tratava como uma amiga muito próxima dela, eu retribui o abraço, eu não consegui me segurar e soltei algumas lágrimas, eu logo enxuguei com as costas da mão, eu olhei em seus olhos verdes intensos e dei um beijo em sua testa, a Caroline me olhava esquisito, como se tivesse ódio de mim, não entendi muito o porque, mas resolvi deixar isso pra lá, o Victor me olhava sorrindo, como se dissesse " Obrigado ", eu não entendi no começo, mas então ele moveu os lábios e disse sem produzir som " Ela quase não sorri desde os 3 anos ", ele fez o número três nos dedos, eu olhei assustado pra ele, eu tinha muita dó delas, devia ser difícil ficar sem os pais desde os 2 anos de idade, eu abracei a Penélope mais forte, eu queria poder cuidar dela, era como se eu fizesse qualquer coisa por ela, eu me sentia assim com meus primos, eu sou assim desde os 7 anos, quando meus priminhos iam a minha casa, eu era como mãe deles, minha avó dizia que era espírito materno, ela disse que puxei isso dela, eu na época não entendi muito, só tinha 7 anos, não sabia nem fazer uma conta simples ainda, eu apenas fiquei abraçada com a Penélope, ela estava sentada em meu colo e me abraçava também, eu fazia carinho em seus cabelos negros, ela suspirou e chegou perto do meu ouvido.
— Você se parece com minha mãe — ela disse, eu dei um risinho baixo — Queria que você fosse minha mãe, você é carinhosa e gosta de mexer no meu cabelo, só a mamãe fazia isso, o Victor é carinhoso às vezes, mas a Caroline me ignora o tempo todo, é como.... — ela disse dessa vez em um tom normal, e olhando em meu olhos, o Victor olhou pra mim e pra ela na espera dela continuar — É como se minha mãe tivesse voltado — ela disse com lágrimas nos olhos, eu não sabia o que dizer, aquilo foi uma das coisas mais lindas que já ouvi na minha vida, eu comecei a chorar junto com ela, ela limpou as lágrimas do meu rosto e sorriu, eu sorri de volta e dei um beijo em sua cabeça, eu abracei ela forte.
— Isso foi lindo — eu disse, ela deu uma risada super fofa e se jogou pra trás, eu fiz cócegas em sua barriga, ela ria igual uma desesperada e muito alto.
— PELO AMOR DE DEUS ALLY! MANDA SEUS PRIMOS IREM.... — berrou a carinhosa da Thalita já se levantando, mas assim que ela viu o Victor e as meninas parou de uma vez, ela arregalou os olhos e abriu a boca várias vezes, mas nada saia — Eu posso saber o que tá acontecendo aqui? — ela perguntou depois de um tempo, eu e a Penélope caímos na risada, a cara de bunda que a Thalita fez foi hilária, até o Victor deu um riso baixo, ela fez uma cara de mais confusa ainda — Que foi Jesus? Minha cara é assim mesmo, ok? — ela disse apontando para seus rosto, então todos até a Caroline caímos na risada, o Ethan se levantou em um pulo assim que começamos a rir, ele fazia uma cara mais confusa ainda que a da Thalita.
— Gente esses são Victor — disse apontando pro Victor — E as irmãs dele, Penélope e Caroline — disse apontando para as meninas, ambos acenaram, já a Penélope saiu correndo igual uma louca, eu não estava entendo absolutamente nada, então eu prestei atenção onde ela estava indo, eu vi o Mike correndo na direção dela, ele apenas ficou pulando em cima dela e lambendo seu rosto, a Penélope ria igual uma descontrolada e ficava falando " Que fofinho ", enquanto ela brincava com o Mike, o Ethan e a Thalita se sentaram ao nosso lado, eu expliquei a eles tudo que tinha acontecido noite passada, assim que eu disse que eles eram puros também, a Thalita pulou em cima do Victor.
— AGORA TENHO UM PRETENDENTE! — ela disse abraçando ele com força ( discreta né? ), eu e o Ethan começamos a rir muito, a Thalita com sempre, direta e nada discreta, o Victor estava muito corado e sorria um pouco tímido, mas eu pude ver que ele ficou feliz quando a Thalita disse isso ( Ti fofis ), meus amigos se deram muito bem com o Victor, e ele também se deu muito bem com meus amigos, principalmente com a Thalita, eles dois não desgrudavam nem um segundo, ficavam se olhando e rindo, o Ethan também percebeu o clima dos dois.
— Aposta quando que eles ficam juntos? — ele perguntou baixinho pra mim, eu ri e disse em seu ouvido.
— Eles vão ficar juntos, tenho certeza — o Ethan sorriu pra mim e eu sorri de volta, ficamos um tempo nos encarando sem dizer nada, eu fiquei hipnotizada com seus olhos azuis, eles pareciam mudar de cor, ficavam bem claros um hora e bem escuros outra hora, por mim podia acontecer qualquer coisa, que eu não ia prestar atenção, não conseguia olhar pra outra coisa, era como se eu estivesse presa ao olhos dele, mas eu não queria sair.
— Sabe — eu disse me tirando do transe — Você já se apaixonou por alguém? — eu perguntei, isso foi algo super aleatório, mas eu e ele já estávamos acostumados, mas na verdade eu queria saber.
— Sim, e eu ainda estou — disse ele, então franzi as sobrancelhas, mas depois dei um sorriso, eu tinha um pressentimento de que..... Affz sei lá, só comecei a ter esperanças.
— Eu também — eu disse com um sorriso bobo no rosto também, então meu coração parou por um instante, ele também estava apaixonado por alguém, eu fiquei imaginando quem era, meu sorriso se desmanchou, comecei a ficar um pouco triste, raiva e ódio ao mesmo tempo, não sei porque senti isso, será que eu estou com ciúmes?.... não PERA LÁ!.
— Quem? — ele perguntou, eu não podia simplesmente dizer " Por você, legal né? Hahaha ", eu fiquei calada, eu estava ficando nervosa e suava frio, eu comecei a entrar em modo desespero, então eu lembrei que ele podia ler meus pensamentos, eu comecei a pensar em várias coisas, menos nele — Ally? Você tá bem? — ele perguntou tocando meu ombro, eu assenti rapidamente pra ele, então a Thalita avisou que já tínhamos que ir, e graças a Deus ela disse isso, pois se ela não tivesse falado nada, eu acho que iria ter um troço, eu me levantei em um pulo e fui até minha mochila, eu comecei a arrumar ela o mais rápido que podia.
— Ally o que aconteceu? — perguntou o Ethan do meu lado, eu dei um pulo e cai sentada no chão.
— Nada er... Tá tudo b-bem — eu disse gaguejando um pouco, eu peguei minha mochila e me levantei, mas o Ethan me puxou pelo braço, fazendo eu sentar ao seu lado.
— Ally não está tudo bem, você ficou pálida de repente, o que foi? — ele perguntou olhando nos meus olhos, eu só pensei uma coisa " Ferrou geral ", eu não iria sair dali sem ter que contar pra ele, eu não podia mentir, ele sabia quando eu mentia ou não, então eu comecei a suar frio de novo, eu estava me tremendo, as borboletas em meu estômago não paravam quietas, eu não iria conseguir dizer o que eu sentia pra ele, eu estava muito nervosa, eu queria falar mas nada saia da minha boca, ele entrelaçou sua mão na minha, eu estremeci ao toque, ele olhou pra mim — Você pode contar qualquer coisa pra mim, sabe disso — ele disse, eu o olhei em seus olhos, mero erro, então não tinha mais vergonha, eu não estava mais com medo, era como se eu pudesse dizer qualquer coisa, então respirei fundo, mas lá no fundo eu ainda tinha medo de dizer, e se ele não fosse mais meu amigo igual antes?
— Ethan, quando você me perguntou por quem eu estava apaixonada.... — eu comecei, ele apertou levemente minha mão, me encorajando a continuar — Eu fiquei assim porque estava com medo de dizer — eu disse olhando pro chão.
— Porque? Qual o problema? — ele perguntou, eu continuei a olhar pro chão, então com o dedo indicador, ele segurou meu queixo e levantou meu rosto, fazendo eu olhar em seus olhos outra vez.
— Eu estou apaixonada por... você — eu disse a última parte bem baixinho, quase que eu não consegui ouvir.
— Han? Não ouvi — ele disse, sua expressão era pouco curiosa.
— Você — eu disse um pouco mais alto, eu corei violentamente, o Ethan ficou surpreso, eu olhei pro lado na tentativa de passar menos vergonha, eu estava preste a chorar, mas então o Ethan segura meu rosto e olha pra mim sorrindo, eu tava boiando completamente, eu acho que minha cara foi realmente estranha, pois ele riu.
— Ally.... — ele disse acariciando meu rosto, eu involuntariamente sorri com o carinho, ele chegou perto do meu ouvido — Eu também estou apaixonado por você, você me faz sorri mesmo sem queres, sua presença me alegra, seu olhar me anima, seu toque me acalma, só de ter você ao meu lado, eu já me acho um home de sorte — ele disse, então uma alegria enorme se abriu dentro de mim, eu me segurei pra não chorar, aquilo tinha são lindo, eu não sabia o que fazer nesse momento, se chorava de alegria, se ria, se gritava, eu estava muito feliz, o Ethan me olhava sorrindo, então fiz uma coisa que nunca vou me arrepender de ter feito, eu segurei a gola da camisa dele e o puxei para um beijo, ele envolveu minha cintura com as mãos e eu entrelacei meus braços em seu pescoço, as borboletas do meu estômago estavam loucas, pareciam que ia sair de dentro de mim a qualquer instante, quando nos separamos, começamos a rir, eu abracei ele com força, eu só podia estar sonhando, mas fomos interrompidos por uma certa criatura.
— HÁ! EU SABIA! — berrou a Thalita, ela começou a gritar e dançar a dança da vitória, eu e o Ethan começamos a rir, o Victor apenas ria vendo tudo isso, a Thalita veio correndo e me abraçou — Eu sabia desde o começo — ela disse em meu ouvido, eu ri e abracei ela de novo, ela foi até o Ethan — Se machucar o coração da minha amiga, se considere um homem morto! — ela disse com um olhar mortal, o Ethan assentiu rapidamente meio assustado, a Thalita riu e abraçou ele — Bem pombinhos, agora temos que ir — a Thalita disse se afastando junto com o Victor, quando ela saiu de vista, o Ethan me puxa pela cintura, eu entrelacei minhas mãos em seu pescoço e fiquei olhando em seus olhos, ambos sorriamos.
— Você não sabe o tanto que sonhei com isso — ele disse chegando mais perto de mim.
— Eu sei, eu também sonhei — disse e beijei ele, eu apenas queria ficar ali, abraçada com ele, mas a doce Thalita tem que estragar nosso momento.
— Chega de romantismo pestes! Temos que ir! — ela gritou de longe, eu dei um selinho no Ethan e entrelacei minha mão na sua, fomos até o pessoal, eu não tinha percebido, mas meus sobrinhos já tinham acordado, eu vi que o Luccas brincava com a Penélope, ele fazia cócegas e corria atrás dela, o Alexandre conversava com a Caroline, ambos estavam rindo, quando cheguei perto deles, a Penélope veio correndo em minha direção, eu peguei ela no colo, o Luccas fez o mesmo com o Ethan, nesses últimos dias, o Luccas tem ficado mais próximo do Ethan do que o Alexandre, eu dei um beijo na bochecha dela e coloquei ela no chão, ela segurou minha mão direita, com a mão esquerda eu dei a mão ao Ethan, nós fomos andando outra vez pela floresta.
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Nós estávamos andando a 3 horas, então a Thalita parou bruscamente, e eu entendi o por que, perigo, eu dei sinal para as crianças ficarem em silêncio e paradas, elas fizeram o que eu mandei, eu peguei meu arco, a Thalita tinha um arco na mão também, o Ethan tinha seu machado, o Victor tinha uma faca que mais parecia um facão de tão grande, a gente formou um círculo, onde as crianças estavam no meio junto com o Mike, ficamos todos imóveis esperando ouvir alguma coisa, um silêncio se formou na floresta, deixando o clima tenso, então começamos a ouvir passos, pessoas correndo, e eram muitas, eu e a Thalita ficamos ao lado das crianças mirando nos barulhos, os meninos estavam mais à frente, então as pessoas começaram a aparecer, eram tantas que não tinham como contar, começamos a atacar, os meninos correram na direção das pessoas, o Victor era incrivelmente rápido, ele corria e fincava a faca em todos em sua frente, o Ethan não era nada diferente, eu e a Thalita atirávamos 4 flechas de uma só vez, enquanto os meninos atacavam corpo a corpo as pessoas, eu e a Thalita ficávamos atirando de longe, o número de pessoas foi diminuindo incrivelmente rápido, mas elas ainda se aproximavam cada vez mais, toda vez que uma chegava muito perto eu dava uma rasteira com a perna e atirava, uma hora um cara se aproximou, eu não consegui atirar, então parti pro soco, ele tentou me chutar, mas eu pulei e dei um chute em seu rosto, ele caiu no chão e eu atirei em seu peito, a Thalita também mandava bem na luta, um outro garoto chegou perto das crianças, mas eu dei uma cambalhota levando ele pro outro lado, ele deu um soco em meu ombro, não doeu muito, mas não consegui segurar um grito, eu peguei toda a minha força e soquei seu nariz, ele desmaiou, eu me levantei e atirei nele, então quando eu finalmente achei que tinha acabado, eu parei pra respirar um pouco, eu olhei pro Ethan, ele sorria, mas então ele arregalou os olhos, sua expressão era de desespero, ele olhava pra algo atrás de mim.
— ALLY! — ele gritou, eu me virei e no mesmo instante uma mulher pulou em cima de mim, eu segurei seu pescoço, eu gritava desesperada, a mulher tentava me morder ou me arranhar, ela praticamente me espancava, ela deu um soco muito forte em minhas costelas, eu gritei muito alto, acho que ela quebrou um osso meu, eu gritava cada vez mais alto, ela deu outro soco no mesmo lugar, dessa vez não gritei, eu berrei com todas minhas forças, eu comecei a chorar de dor, gritava sem parar, então ela socou de novo minhas costelas, no mesmo lugar, eu berrei tão alto que meu grito ecoou pela floresta, eu ouvia meus amigos gritando, então a mulher simplesmente parou e caiu em cima de mim, então pude ver, o Ethan tinha fincado o machado nas costas dela, ele tirou o machado e empurrou a mulher de cima de mim, ele me abraçou com força, eu soltei um grito fino, minhas costelas doíam.
— Você se machucou? — perguntou, eu comecei a chorar, ele segurou minha cintura e me levantou, a Thalita arregalou os olhou ao olhar para minha blusa encharcada de sangue.
— Santo deus — ela disse olhando pra mim, o Ethan seguiu seu olhar e ficou em desespero, suas mãos tremiam em minha cintura, então minhas pernas ficaram bambas, eu quase cai no chão, mas o Ethan me pegou no colo, ele me botou com carinho no chão, a Thalita tirou o meu colete, a minha visão foi ficando turva, meus olhos foram fechando lentamente, a dor me consumia, eu quase não sentia mais meu corpo.
— Ally! Ally! Olha pra mim! Não feche os olhos! — dizia o Ethan segurando meu rosto, sua voz me fortalecia, eu abria meus olhos, então a dor passou assim que olhei nos olhos dele, era apenas eu e ele, nada mais importava, ele sorriu e ficou acariciando meu rosto, eu me perdi naqueles olhos azuis, era como o céu em um dia ensolarado, eu me acalmava e minha respiração ficava mais leve, eu consegui ficar mais forte, um leve sorriso se formava em meus lábios, então senti uma pontada nas costelas, eu gritei de dor, eu chorava e gemia, a dor voltou a me consumir, a dor ficava cada vez mais forte, meus gritos ficavam cada vez mais altos, então o Ethan selou nossos lábios, a dor parou outra vez, minha respiração voltou ao normal, ele se separou de mim e olhou em meus olhos, ele parecia estar em pânico, eu juntei todas as minhas forças e li seus olhos, ele estava em desespero, parecia que ia ter um ataque a qualquer instante, ele faltava chorar, eu xinguei mentalmente por fazer ele sofrer.
" Por favor Ally, não me deixa " — seus olhos diziam, então eu fechei meus olhos de uma vez, e tudo apagou.
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Eu acordei com um barulho de metal, eu não me mexi, abri meus olhos lentamente, eu vi a Thalita andando de um lado pro outro, o Victor tentava acalmar ela, o Ethan estava sentado ao meu lado, ele estava um pouco afastado de mim, ele apoiou a cabeça nas pernas, eu pude ver que ele chorava, minha vontade era de me levantar e ir abraçar ele, dizer que está tudo bem, eu tentei me sentar pelo menos, mas assim que mexi meu braço, meu corpo todo estremeceu, uma dor horrível percorreu minha espinha, eu gritei de dor, todos olharam pra mim, o Ethan se levantou em um pulo e se sentou ao meu lado, ele coloco minha cabeça em seu colo.
— Ally... Você... — ele disse olhando nos meus olhos, eu pude ver desespero em sua voz, não entendi porque, eu só dormi por algumas horas, e minhas costelas não doíam tanto.
— O que foi?... — disse com a voz rouca, eu estava super confusa, eles perceberam isso, o Victor ficou do lado onde eu estava deitada.
— Ally, você ficou desacordada por 6 meses — ele disse, eu quase desmaiei de novo, eu DORMI POR 6 MESES?!, eu queria gritar isso, mas a voz não saia, eu estava em estado de choque, não conseguia dormir nem até 12:00 nos finais de semana ( O QUE VOCÊ NÃO LEMBROU FOI QUE QUEBROU A COSTELA E QUASE TEVE UMA HEMORRAGIA GRAVÍSSIMA SUA ANTA! )ainda tem esse detalhe, mas eu não estava entendendo nada, eu não consegui dizer nada, eu perdi 6 meses da minha vida?, PERDI 6 MESES COM O ETHAN?!, FIQUEI 6 MESES SEM COMER?!?! ( #MORRI X~X ), eu só podia estar sonhando, e esse é um pesadelo dos ruin, mas não, era real, a Thalita disse que quebrei 3 costelas ( AGORA ME DIZ!, NÓS TAMO NA MATA! CUMÉ QUE A BIXA SOUBE DISSU!? ), ela disse que perdi muito sangue e que só sobrevivi porque eu sou uma pura, eu não disse nada, apenas prestei atenção em tudo que ela dizia, ela disse que continuaram a caminhada, o Ethan me carregava, mas então me liguei em uma coisa, se fiquei 6 meses acordada, eles já deviam ter chegado na cidade, e olhei em volta ( EITA! ), então só aí me toquei, a gente não estava na floresta, estávamos em uma sala, ela parecia mais um quarto, tinha um armário, um sofá, uma estante com livros e outros móveis de madeira, eu estava deitada na cama do quarto ( QUE VIAGEM É ESSA VÉI? ), o Ethan percebeu a confusão em minha cabeça e sorriu.
— A gente conseguiu sair da floresta, a gente achou essa empresa, aqui temos alimentos e suprimentos que precisamos, ela foi um refugiu por uns tempos, mas ela foi abandonada outra vez, resolvemos ficar aqui, tínhamos esperanças que você acordasse — ele disse quase chorando outra vez, eu toquei seu rosto.
— Victor vamos deixa eles conversarem — a Thalita disse puxando o Victor pela mão, ele assentiu e saiu do quarto junto com ela, eu olhei pro Ethan, meus olhos encontraram os seus, minha dor passou, todo o sofrimento, a tristeza que sentia, foi tudo embora, só de olhar em seus olhos, eu já me sentia outra pessoa, ficamos apenas nos olhando, então ele encostou os lábios nos meus, foi um beijo calmo, cheio de amor e saudade, quando nos separamos, eu me afastei pro lado para que ele se deitasse comigo, ele entendeu e se deitou ao meu lado, eu fiquei olhando pra ele.
— Pensei que nunca mais fosse ver seus olhos outra vez — ele disse tocando meu rosto, eu sorri e me aproximei mais dele, eu me aconcheguei em seu peito, ele me envolveu com os braços, eu conseguia sentir seu coração bater levemente, seu cheiro me acalmava, apenas sua presença já me fazia ficar melhor, eu queria poder ficar ali para sempre, nunca mais sair, era como se fosse nosso último momento juntos e eu não queria desperdiçar, eu acabei dormindo de novo.
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