The beginning of tomorrow
5 Acordando com novos problemas
Notas iniciais
Acordei sozinha em minha cama, olhei em volta, mas não vi o Ethan, me sentei na cama e esfreguei os olhos, olhei para minha blusa, eu não estava com a mesma blusa, usava uma blusa de frio preta, estava usando uma calça jeans clara e meias, eu levantei a minha blusa um pouco, eu prendi a respiração ao ver o que tinha por baixo, na verdade me assustei em não ver o que eu esperava, na área das costelas tinha apenas uma grande cicatriz fina, ela quase sumia, mas ainda dava para ver, a minha pele ao redor estava normal, eu pressionei de leve o corte, não sentia mais nada, achei aquilo muito estranho, ontem mesmo eu sentia uma dor insurportável, agora eu não sentia absolutamente nada, eu abaixei minha blusa novamente, me levantei da cama e fiquei em pé, eu não senti nada nas minhas pernas, eu conseguia me equilibrar super bem, arrumei minha cama e voltei minha atenção para o quarto, as paredes eram brancas assim como teto, o chão era de madeira, meu quarto tinha um sofá médio, um guarda roupas pequeno, uma mesa redonda e pequena no centro, minha cama mais ao lado, e mais pra frente tinha a porta, na parede ao lado da porta, tinha um espelho grande, eu me dirigi até ele e me observei, meu cabelo tinha crescido bastante, ele estava bem abaixo do quadril, tinha ficado mais liso esses anos, agora ele estava totalmente liso, parecia um pouco mais claro também, minha cintura tinha afinado um pouco, eu parecia um pouco mais alta, além disso, tudo estava como antes, eu me sentei no sofá e fiquei pensando, eu devia ter sido um grande problema pro meus amigos, imagina só, eles tendo que se defender de infectados, e ainda me defender também, mas o problema era que eu estava em coma, e ainda tinha que me carregar, eu me senti um pouco mal, mas eu não podia fazer nada, eu estava inconsciente, parei de pensar em coisas ruins e tentei pensar coisas boas, como meus primos.... Será que eles estão bem?, e se aconteceu alguma coisa? ( Parar de pensar coisas ruins né? Hum... Sei ), tá parei, agora posso ficar com o Ethan, passar mais tempo junto com ele, sei que não vai ser fácil, mas não custa tentar, posso botar o papo em dia com a Thalita, saber mais sobre o Victor, ver as meninas e os meus primos, eles já devem estar maiores, mais fofos ainda, o Mike, estou com saudades dele, eu só percebi agora que estava sorrindo, eu soltei um suspiro e sorri mais ainda, me levantei e ajeitei meu cabelo, fiz uma trança fina embutida, joguei ela pra trás, até que ficou bonito, às vezes eu não gosto de prender meu cabelo, sei lá, acho que fico um pouco estranha, talvez seja porque sempre ( na maioria das vezes ) uso ele solto, apenas prendia quando fazia muito calor, a Thalita dizia que ele ficava lindo preso e que era pra mim parar de infantilidade, eu deixei esse pensamento de lado, percebi que tinha uma bota ao lado da porta, ela era toda preta, sem nenhum detalhe, apenas dei de ombros e calcei ela, coube direitinho em mim, mas eu não reconhecia essa bota, me dirigi a porta e abri, como toda empresa tem salas, aquela não era diferente, eu dei de cara com um corredor, com várias portas de madeira assim como a minha, devia ser outros quartos que antes eram salas ou escritórios, eu fechei a porta e olhei pelo corredor, tinha dois lados, os dois davam a algum lugar, eu pensei em meus amigos e segui para a direita, o corredor acabou com um elevador quebrado obviamente, e uma porta vermelha ao lado, eu abri a porta, e tinha uma escada que apenas descia, eu comecei a descer, acho que 3 andares depois, comecei a ouvir vozes, na verdade apenas uma voz, mas não parecia ser de nenhum de meus amigos, era uma voz feminina, não consegui reconhecer, eu cheguei mais perto da porta, fui devagar sem fazer barulho, encostei o ouvido na porta e pude ouvir uma parte da conversa.
— Ela nem se recuperou ainda, vocês não podem levá-la — rosnou alguém, reconheci com os voz do Ethan, espera! Vocês?, WTF?! — Primeiro porque não vamos deixar, nem que tenhamos que lutar, vocês não vão levá-la.
— Não me importa! Ela vai vir conosco por bem ou por mal! Sabe que todos os puros devem ser levados ao laboratório! — disse a voz feminina quase gritando.
— Só por cima do meu cadáver — gritou a Thalita, então escutei um barulho, pratos e copos de mexendo, acho que a Thalita deu um murro em uma mesa, com copos e pratos em cima, ela é bem calma né?.
— Olha aqui... — a voz começou a dizer, mas foi interrompida.
— OLHA AQUI NADA! ELA NÃO VAI E PRONTO! SE TENTAR TOCAR NELA, EU JURO QUE ACABO COM VOCÊ! — berrou o Ethan, eu teria achando aquilo lindo, se eu não estivesse tão confusa e que se tratasse de algo sério, e eu estava envolvida nisso, então não pensei duas vezes, eu chutei a porta com toda a força, fazendo ela arrombar e sair se arrastando pelo chão, então pude ver, a mulher que falava, estava vestida como uma militar, não sabia muito bem descrevê-la, pois estava com uma boina na cabeça, vários outros militares como ela, acho que uns 5, estavam na sala, ela olhou pra mim e sorriu.
— Parece que já se recuperou — ela disse com um sorriso sarcástico, eu cerrei os dentes e fechei os punhos.
— Da pra alguém explicar que merda está acontecendo?! — eu quase berrei.
— Bem, você é pura certo?, você precisa ir conosco, apenas iremos fazer uns exames — ela disse em um tom gentil e foi se aproximando de mim.
— Mais um passo e as coisas não vão ficar legais pro seu lado — eu disse laçando um olhar mortal a ela, que apenas recuou um pouco — Acha que sou idiota?, acha que não sei que vão mexer no meu cérebro?, que vão acabar me matando?, como já fizeram com um monte de pessoas inocentes, que podiam viver por um tempo ainda? — eu comecei a gritar, a mulher pareceu surpresa por eu saber disso, ela arregalou os olhos e olhou para os outros militares, eles apenas ficaram imóveis me observando.
— M-Mas é claro que não, não v-vamos machucar você — ela disse tentando disfarçar, eu apenas soltei um risada.
— Sabe, eu sou mesmo pura, e eu consigo saber muito bem quando as pessoas estão mentindo, e você está mentindo nesse momento — eu disse cruzando os braços, ela fez uma expressão de mais surpresa ainda, mas logo desfez, ela sorriu maldosa e olhou para os militares.
— Pessoal, se não vai por bem, vai por mal — ela disse, então o militares tiraram das costas várias armas, e apontaram todas para mim, eu gelei na mesma hora, eu podia ser mais forte que um humano, mas levar uns 100 tiros, não seria uma coisa legal sabe?, eu fui levantando minhas mãos devagar, o Ethan tentou vir em minha direção mas o Victor segurou seu braço, a mulher riu.
— Podemos ir agora? — ela disse se aproximando, eu não sabia o que fazer, pensa Ally, pensa Ally, então lembrei do meu anel, ele podia se transformar em adaga, eu olhei para minha mão, meu anel estava ali, então eu pensei " Adaga ", ele começou a se transformar em adaga, então em segundos eu girei, agarrei o ombro da mulher e pressionei a adaga em seu pescoço, os militares ficaram confusos, uns continuaram mirando, outros abaixavam e miravam a arma, outros não sabia se mexia algum músculo.
— E agora?, ou você vai embora daqui por bem, ou vai por mal — eu disse no ouvido da mulher, ela tremia, começou a soltar todo o ar de seus pulmões, eu já conhecia esse truque, ela soltava todo o ar, fazendo a lâmina da adaga se soltar um pouco do pescoço, então eu pressionei mais a adaga, então ela levantou a mão e fez um movimento de cima pra baixo, os militares abaixaram as armas e deram passos pra trás, eu soltei a mulher e dei um chute em suas costas, ela caiu de joelhos no chão, se virou pra mim, parecia que ia voar no meu pescoço, ela se levantou e veio pisando duro em minha direção, então em um movimento rápido, o Ethan ficou em minha frente, tinha os punhos cerrados, ele parecia fazer força, a mulher deu alguns passos pra trás um pouco assustada, então um onda de choque percorreu meu corpo, no mesmo instante eu revirei os olhos e cai no chão.
**********
Eu abri meu olhos devagar, o Ethan me sacudia de leve e me chamava, então minha consciência voltou, eu abracei ele com força, não queria mais me soltar, era como se ele fosse desaparecer a qualquer instante, seu cheiro de maresia me acalmava, então me separei dele, examinei seu rosto, eu encostei meus lábios nos seus, quando me separarei dele, sorri, não tinha percebido antes, mas ele parecia mais forte, seu rosto tinha uma expressão mais madura, seu sorriso ficara mais radiante, seus cabelos negros estavam bagunçados como sempre, passei a mão em seu rosto, a saudade tomou conta de mim, pensei em todo esse tempo sem ele, como ele foi forte, se fosse eu, já estaria em depressão, percebi que estava deitada em um sofá, olhei em volta, mas não estava em meu quarto, parecia um galpão abandonado.
— Onde estamos? — perguntei a ele.
— Um galpão, fugimos daquela empresa — ele me disse, eu franzi as sobrancelhas, não entendo porque fugimos.
— Mas porque?
— Quando você desmaiou, err... Eu meio que.... fiz você desmaiar, eu transmiti uma onda de choque, onde os mortais iriam ficar desacordados por um bom tempo, aproveitamos essa chance, catamos nossas coisas e fugimos de lá, chegamos nesse galpão, resolvemos ficar por um tempo aqui, mas você só ficou desacordada pois ainda estava se recuperando, seu corpo ainda estava fraco.
— Ok, mas.... Como você fez isso?, não sabia que conseguia fazer esse tipo de coisa — disse supresa, eu não sabia nem que um puro podia fazer isso.
— Eu também não, apenas fiz, não sei como — ele disse dando de ombros, eu me sentei no sofá, uma dor de cabeça enorme se formou, gemi alto botando a mão na testa — O que foi? — o Ethan perguntou.
— Enxaqueca — disse respirando fundo, ele não disse nada, apenas se levantou e foi pra um lugar onde eu não conseguia ver, percebi que estava mais alto também, depois voltou com um saco de gelo na mão e se sentou ao meu lado, eu só sorri, ele botou o saco ao lado da minha cabeça, tinha uma expressão de preocupação.
— Tá tudo bem? — perguntei, então ele sorriu.
— Sim, tudo ótimo — ele disse olhando pra mim — É só que... — ele começou a dizer e assumiu a mesma expressão, eu apenas observei ele, esperando-o continuar — Estou ficando preocupado, e se conseguirem te achar?, não quero que levem você — ele disse em um tom triste, de partir o coração, eu odiava ver ele assim, era como se fossemos ligados, o que ele sentia eu sentia, eu sofria se se sofresse, eu tomei seu rosto em minhas mãos.
— Ninguém vai me achar, vai ficar tudo bem — disse, ele olhou nos meus olhos e eu nos seus, ele acariciou minhas mãos em seu rosto com as suas, eu dei um selinho nele e me virei, deitando a cabeça em seu peito, ele me envolveu com os braços.
— Onde estão os outros? — perguntei.
— A Thalita e o Victor estão no andar de cima cuidando das crianças — ele respondeu.
— Eles estão bem? — perguntei, queria saber se tinha acontecido algo ou não com meus sobrinhos, com as meninas e com meus amigos.
— Estão todos bem, seus sobrinhos ficaram super felizes quando souberam que você estava viva e tinha acordado bem, a Penélope mais ainda, era queria ver você, mas entendeu que você estava "dormindo" — ele respondeu, eu sorri ao saber que a Penélope queria me ver, ela parecia ser minha filha, me tratava como tal também né?, falando na Penélope, eu lembrei do Victor, que me lembrou da Thalita, que me lembrou uma coisa, eu achei que eles iriam ficar juntos, então queria tirar minha curiosidade.
— A Thalita e o Victor estão bem? — perguntei em um tom irônico, o Ethan entendeu o que eu quis dizer pois deu uma risada baixa.
— Estão ótimos, pode se dizer até mais que isso — ele disse piscando pra mim, então eu entendi, finalmente a Thalita encontrou alguém.
— Já sabia, você me deve um beijo — disse sorrindo de orelha a orelha, o Ethan riu.
— Não sabia que tínhamos apostado, mas isso eu te dou mesmo sem você pedir — ele disse se aproximando, ele me beijou calmamente, foi um beijo doce , nos separamos e ficamos nos olhando, nunca me cansava de olhar pra esses olhos azuis, eles estavam bem claros hoje, um azul bebê, o Ethan parecia calmo, seus olhos transmitiam isso, como um oceano sem ondas, um céu sem nuvens, um campo sem vento, apenas paz, ele entrelaçou sua mão na minha.
— Está com fome? — ele perguntou encostando o queixo em meu ombro — Porque eu estou — ele disse, eu ri, o Ethan conseguia me fazer rir a qualquer momento.
— Era pra mim estar né? Não comi durante meses — disse rindo.
— Verdade, mas "alimentávamos" você com soro, a Thalita injetava uma certa quantidade na sua veia todo dia — ele disse, então foi por isso que eu não fiquei muito magra, o soro tem vários nutrientes, tirando as impurezas e mantendo seu sangue saudável, é como me alimentar, só que com outra coisa e de maneira diferente.
— Ok, mas agora eu quero comida de verdade — disse fazendo biquinho.
— Tipo o que? — o Ethan perguntou dando um selinho no meu biquinho.
— Tem Doritos, chocolate e coca cola? — disse morrendo de vontade, eu estava com um, apetite enorme, o Ethan riu.
— Temos frutas, sanduíches, comida enlatada e sardinha, serve? — ele disse segurando o riso, eu fiz cara de emburrada.
— Fazer o que — disse ainda emburrada, o Ethan riu mais ainda, ele me abraçou e me beijou, eu mesmo emburrada correspondi, eu amava o Ethan, ele tira meu mal humor rapidinho, apenas com carinhos, amor, beijos e apenas estando ao meu lado, droga!, eu não conseguia ficar zangada com ele durante 1 minuto, ignorei isso, tentei apenas aproveitar meu tempo junto com ele, como não tinha Doritos nem chocolate ( #AcabouMundo ), tive que me contentar com o que tinha, eu achei uma lata que tinha frutas dentro, era simplesmente a melhor coisa do mundo.
— A não! Essa é a última, você não vai comer! — disse o Ethan assim que me viu comendo, ele ficou tentando pegar a lata de mim.
— Não! Sai! — disse correndo e comendo ao mesmo tempo — Eu mereço! Fiquei 6 meses só no soro! — gritava, ria, corria, comia, tudo ao mesmo tempo, então uma hora o Ethan pegou a lata de mim, ele esticou a lata no alto, e ele era mais alto que eu, fiquei pulando tentando alcançar a lata.
— Ethan! Isso não é justo! — disse cruzando os braços, então parei de tentar pegar a lata e me virei de costas pra ele, então ele ficou na minha frente, eu me virei de costas pra ele outra vez, ele me abraçou por trás, eu tentava sair mas ele era mais forte que eu.
— Me solta Grace! Estou de mal com você! — disse tentando sair, então ele me virou, me fazendo olha pra ele, eu olhei pro lado, evitando olhar em seus olhos, ele virou meu rosto e me beijou, eu tentei mas não aguentei e correspondi, a raiva se dissipou dentro de mim, não estava mais zangada, ele se separou de mim e me olhou nos olhos.
— Assim não vale, sabe que esse é meu ponto fraco — disse sorrindo de lado.
— Não sabia, agora vou usar ele sempre — ele disse e me beijou de novo, minhas mãos envolveram sua nuca, e as deles minha cintura, abracei ele forte, eu amava aquele garoto mais do que tudo na minha vida, espero que ele sentisse o mesmo, era como se fossemos um só, se nos separássemos, era o fim do mundo, não aguentava ficar um segundo sem ele, tinha medo de perdê-lo, era como se eu fizesse qualquer coisa, apenas pra estar ao seu lado sempre, eu me separei dele, então ele me entregou a lata, eu sorri e me sentei na mesa, consegui comer tudo em paz, o Ethan comeu apenas uvas, ficávamos conversando sobre coisas idiotas (nenhuma novidade), ele me contava o que tinha acontecido nesses dias também, ele disse como foi que a Thalita ficou com o Victor, o que faziam, como cuidaram de mim, disse que cuidava bastante das crianças, de acordo com o que ele dizia, eu achava que o Ethan seria um pai maravilhoso, apenas de você ver como ele age com crianças, já dá pra perceber isso, eu não disse nada, apenas sorria, continuamos conversando tranquilamente, então ouvimos gritos finos, nos levantamos em um pulo, eu olhei pro Ethan e começamos a correr, subimos correndo as escadas e quando chegamos no andar de cima vimos .....
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