The Zephyr
11 Ventania
Ventania
Há uma ventania lá fora...
É quase uma agonia fria,
Que com sua álgida companhia,
Torna esse cômodo mais solitário.
Ouço os ruídos fracos do trovão ao longe,
Sinto sua inércia consumir-me distante,
Como água escorrendo de um monte.
Sempre constante o ritmo dessa agonia angustiante,
Dilacera as feridas expostas pelos ventos uivantes.
Acho que a ventania lá fora traz chuva...
Traz dúbia dúvida se amanhã estarão sujas as ruas.
Talvez deva cancelar minha caminhada matinal,
E assista preocupado os diversos lixos carregados
Desde a cidade até o litoral.
A praia deve agora estar inundada,
Suja pela maré alta,
Espólio de uma tempestade não calma
Que só perturba com sua constância avassaladora.
Tenho medo dela,
Assim como no varal tem as minhas roupas.
A ventania lá fora levanta poeira...
Como soprando o sujo câncer que permeia,
Toda a areia que compõe a praia.
O pôr-do-sol tem sutis pincéis marrons,
Uma cor análoga em sua supremacia laranja,
Me estranha quando a analiso ainda sublime,
Com os ventos desbandando em sua tola ignorância.
Eu desligo todas as luzes da casa,
Desativo qualquer tomada,
Na escuridão da cozinha álgida,
Eu me escondo da ventania cálida.
Quase paradoxal meu misto de sentimentos,
Todavia, talvez seja antítese.
A ventania levanta poeira marrom e cinza
E me agita as crises de alergia.
Lá fora, a ventania sopra com sua intrépida tirania...
Acanhando minha tola devoção,
A uma lâmpada fria.
~Gabriel.
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