Devaneio

Depois de tantas mentiras.

Eu me vejo inebriado...

Não sei se estou dormindo ou acordado,

Nesse maldito quarto.

Há um cheiro impregnado,

Como rosas colhidas num passado,

Há tanto passado.

Sei que caído e derrotado,

Eu pareço mais um de seus caprichos,

Quase beijando o bico de seus sapatos altos.

Tão escuro e solitário...

Estou perdido nesse ato,

Onde suas ações são de todo um dramático.

Enquanto me vejo deitado no chão,

Diga-me, no meio de tanta confusão...

Você conseguiria responder o que eu significo pra você?

Oh, não responda, querida...

É tão incerto imaginar se tudo continuará,

Ou se apagado será.

Com o lápis eu nos vejo desenhados,

Mas a borracha nos apaga nesse quadro.

Há tanto para questionar,

Mesmo quando aqui, no quarto, você não está.

Deixemos isso de lado...

E vamos continuar a ser como você foi,

Ou como você era comigo?

Mais tarde, naquela noite...

Eu pensei nisso como uma espécie de castigo.

Tão pífio e tão íntimo que me sinto perdido...

As palavras duras não bastam,

E os olhares se olham cabisbaixos.

Oh, contudo, você me olha de soslaio...

Enquanto meu pensamento está naquele banho quente,

Que irá arrepiar-me da pele até os dentes.

Só um ignorante deveria perguntar...

Se enquanto estirado aqui no chão eu ainda penso,

Em um meio de recomeçar.

Talvez eu seja igual aos outros,

E enquanto eu penso com o pesar,

Há uma fragrância da magia no ar.

Quase como se essa madrugada,

Fosse muito a se questionar.

~Gabriel.