The Zephyr
13 Fogo
Fogo
Quase mágico o destoante luar,
Me fazia quase aclamar o brilho.
As luzes acessas na estrada,
E o espelho refletindo seu sorriso.
À noite num carro velho...
Correndo pela madrugada.
Ouvia o vento rosnando incrédulo,
Sobre nossa quase perfeita escapada.
Seus lábios vermelho vinho,
Sua jaqueta escura no banco ao lado;
Eu atrás ouvindo um blues,
Com fones de ouvido e jeans rasgados.
O frio era tocável,
E meus dedos no imaginário.
As malditas luzes da estrada,
Escurecendo todos os lados.
Ela estava a 160...
Numa pista quase deserta.
Passamos por uma placa a 90,
Mas eu já não a julgo certa.
Estrelas eu só não enxergo,
O mais próximo que chego é olhar ao teto
Com foro rasgado.
Imagino o seu cabelo,
Enquanto meus olhos estão fechados.
Abraço o frio e peço a ele uma amostra dos teus amassos.
Mas você só olha à frente,
Fumando um de seus cigarros.
O pouco que faço é admira-los,
Jogados no tapete do carro.
As faíscas que saem deles,
Me faz propício a experimenta-los.
O proibido de seu cheiro me infecta,
E penso que deveria estar sentado ao seu lado.
Você relaxa as pernas,
E deixa a velocidade nos guiar.
Eu me ajeito no banco de trás,
E pergunto se não é hora de pararmos.
À beira da estrada eu vejo beleza...
Nas covas de suas bochechas.
O rubor quente e fedorento daquele cigarro,
Que agora acendo com meu isqueiro.
O fogo é paradoxo das suas mãos frias,
Tão frias que eu as toco.
Não sou insano para larga-las,
Olhe pra mim, não percamos o foco.
Sou quase fascinado e estou distante...
Nessa estrada sem destino,
Me admira olhar ao seu semblante,
E perceber seu refletido rosto sorrindo.
Estamos longe de uma casa velha,
Somos sobreviventes de uma determinada época.
Ela dirige sobre uma serena estrada...
E me mostra o amanhã balançando uma caixa de fósforos.
Agora eu sento no banco ao seu lado,
E trago um pouco do seu fedorento tabaco.
Acima de nós paira um vento fraco,
Quase destoante da nossa fuga aos fatos.
~Gabriel.
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