The Zephyr
15 Giulia
Giulia
Você já foi algo importante...
E eu quase sei que o que sentia era o bastante.
Parece uma sinfonia que toca toda vez,
Que penso no passado como uma andorinha em um verão.
É complicado dizer certas coisas,
Quando o ritmo que nos impulsiona é tão lúdico e cordial.
Sinto a epifania de te ter,
Com a realidade de ter que te perder.
Sei que muito do que nós fomos,
Não dependia só de você.
Gosto de lembrar nossas conversas,
Que eram quase eternas,
E recita-las em ideias num mundo sensível.
Onde nossos sentidos entrariam em êxtase,
E onde nós seguiríamos vivos.
Os planos eram tão simples,
Enquanto éramos sutis com nossa ingenuidade.
Creio que estivemos presos numa idade,
Que nem a mais doce canção nos cantaria a verdade,
Entre você e eu.
Gosto de lembrar as tardes,
E as noites que perdemos andando sob estrelas,
Comigo te levando para casa.
Você me indicou uma música calma,
Que sempre acaba por lembra-la,
Chamo-a de Valsa do Bate-estaca.
Onde o ritmo produzido,
Traz uma pureza tão única,
Quanto a que te fez com clamor,
A garota que foi meu primeiro amor.
O tempo é inútil nessas lembranças...
A imagem materializada me faz pensar em você,
Sentada na cadeira atrás de mim,
Reclamando de coisas tão bobas,
Que eu perdia tempo em ouvir.
A culpa da distância não é só minha...
E nem só sua.
Admito minhas falhas pelo caminho,
Mas certas coisas me afastaram da boca tua.
O suor ainda cai da minha nuca,
Quando vem uma pergunta sobre você.
Já pensei que seria melhor te esquecer...
Todavia, algum sentido tem aqui,
Pois me lembro da mecha azul de seu cabelo,
De seu rosto banhado pelo dourado da manhã,
Algo quase belo,
Que, vez ou outra, me faz sorrir.
~Gabriel.
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