The Zephyr
3 Câncer
Câncer
Ela é como um sonho de uma pintura...
Suas cores são vivas e trazem ternura,
Que me aquece quando os admiro em sua conjuntura.
Quase como a verdadeira face do amor,
Ou Afrodite em suas juras com clamor.
Os olhos enigmáticos ainda questionam,
Se o sentimento é mútuo e recíproco.
Se as palavras que digo condizem,
Aos que os ouvidos dessa dama escutam.
Ela é como a manifestação de uma deusa...
Envolta em um manto branco, contendo toda sua beleza.
Há quem a procure como santa através da aspereza,
Que contém cada cântico nobre,
De uma princesa da realeza.
Os cabelos são louros como ouro,
E longos e lisos como fios da mais sedosa lã.
Pouco se questiona acerca dessa estonteante deusa pagã,
Vide que sua imagem confronta toda a matéria sã.
Ela é um milagre feito do divino...
Tudo que é preciso para que ela exista, é só mais um motivo.
Dos mais simples, dos mais reais.
Tudo que é preciso para que ela exista, é só uma razão.
Das mais incertas, das mais racionais.
Ela se desenvolve em mim como um câncer...
E drena toda a vitalidade de uma alma moribunda.
Ela circula meus pensamentos com soturna
Intensidade provinda de uma dama noturna.
Compreendo sua magnitude quando o escuro do quarto me circunda,
E quando a solidão grita mesmo em sua prisão muda.
Posso ouvir seus incessantes ruídos resmungando,
Como uma ideia martelando em minha cabeça.
Tudo o que eu preciso, é só de mais um passo.
Tudo o que eu preciso, é só de mais uma força.
Mas eu não posso deixa-la se desenvolver dentro de mim...
Pois ela suga as coisas vivas que ainda residem aqui.
Ela é um anjo caído do sétimo paraíso do céu,
Que faz a existência pouco mais que mártir,
Ainda que não saia do papel.
Mas eu não posso deixa-la se desenvolver dentro de mim...
Porque ela continua como um parasita, sugando...
Esperando drenar tudo que ainda resta aqui.
Pouca força me faz resistir e conflitar,
Quando o que minha alma pede é que me entregue.
E o desejo é forte em me entregar.
E viajar...
Através dessa corrente de vento irregular.
Que dá forma ao pensamento que ela representa.
Ó, minha dama emoldurada, minha deusa dos sonhos...
Por que me deixas sozinho?
Por que deixas que esse vento me sopre frio?
Por que não estás aqui comigo?
Porque eu não posso deixar você se desenvolver dentro de mim.
~Gabriel.
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