Comentários em “The Zephyr”: “Câncer”

T
Tess
Destacado pelo autor

Profundidade digna de perdição; é isso que encontrei aqui. Talvez seja o motivo de ter se tornado tão difícil formular um comentário...

A forma que você descreveu essa dama de origem mítica, cada adjetivo e comparação que fomenta a crença de ser alguém distante do que se tem como humano, é intrigante. E digo isso porque mesmo no auge de seu poder, mesmo querendo parecer imparcial ao que é puramente humano, ela não parece conseguir.

Quando você diz que seus "olhos enigmáticos ainda questionam, se o sentimento é mútuo e recíproco", é aí que vejo uma rachadura na armadura brilhante. É uma prova de que ela foi atingida por um "mortal". Isso me lembra um trecho de Crying Lightning... "Mas o seu perfil não conseguia esconder o fato de que você sabia que eu estava me aproximando do seu trono".

Na verdade, lembra-me mais do que esse fragmento, não é estranho pensar que deuses tem seus passatempos constituídos do "estranho, perverso e insano", não é? E isso tem a capacidade de fazê-la se desenvolver como um câncer. É a sua natureza tornando-se aparente. Mas também servindo como escudo, acho...

"Ela é um anjo caído do sétimo paraíso do céu, que faz a existência pouco mais que mártir, ainda que não saia do papel. Mas eu não posso deixá-la se desenvolver dentro de mim..." Isso é um masterpiece. Vejo o ponto central de toda a narração aí e sinto a carga emotiva de cada palavra.

É um desalento tão grande... A resposta final, a ação necessária, se mostra absoluta: "não posso deixar você se desenvolver dentro de mim." Isso lembra outro pedacinho de música: "Eu nunca encontrarei paz em minha mente enquanto ouvir meu coração."

Depois disso o que é absoluto, ao menos para mim, se desfaz. Ficam algumas dúvidas, algumas contradições... Mas isso é papo para outro dia.

Desenvolvimento muito bem estruturado. Escrita maravilhosa. Tá de parabéns, sério ♡

Gabrielus
Gabrielus Autor

A ideia do misticismo é, basicamente, centrada no misterioso, no que nos é desconhecido ou no que não pode ser facilmente visto, idealizado e encontrado. A análise sobre a dualidade divina e humana da personagem que você enxergou também é peculiar... algo quase como a idealização ruindo por simples trejeitos humanos. Humanos e falhos? Provavelmente... O centro da ideia do que o Câncer representa e no quanto isso é uma metáfora ao próprio sentimento de se deixar adoecer, de se deixar padecer com a ideia de algo inatingível. Isso, sem dúvidas, deixa um amargo de desolação e perda, perda da fé em si e perda na fé das coisas, quase como se a existência fosse mais que puro mártir.

Gostei da sua interpretação no todo, capturou muito dessa ideia "inalcançável" e humanidade, remetendo a figura feminina do poema à uma Deusa, mas aflita com sua carnalidade, explorando um ser não menos carnal e dependente. Creio que todo o discorrer e as comparações atribuídas ao poema se tornam contundentes ao analisar, e fica claro uma excelente perspectiva do "querer poético" nessas estrofes.

Enfim, muito obrigado pelos elogios e pelo comentário, de fato, você sabe o quanto os aprecio, por isso, muito obrigado de novo ♥. Bem, acredito ser tudo, até a próxima~