Baixista

Cada nota que eu toco,

É mais que um simples acorde nesse baixo.

É quase um espiado, um cordial soslaio,

Que me faz enxergar a melodia.

Cada composição que arrisco,

São mais que barulhos ou simples rabiscos,

Compreendo que entendê-los é difícil,

Contudo, me aprecia quem perde tempo os ouvindo.

Cada corda que eu dedilho,

É mais, oh, muito mais que simples fascínio;

O instrumento soa vivo e eu não consigo ouvi-lo

Chorar ou criar sua assinatura sonora.

É triste quando nem mesmo dessa forma você a explora...

Cada casa é um espaço intermitente,

Que me faz presente num ritmado constante.

Me desconserta quando seu som não soa gentilmente

Constante aos ouvidos de minha amante.

Parece que eu falho em reproduzir,

Aquele pequeno sentimento de nostalgia,

Presente nas músicas que te desejo fazer ouvir.

Cada movimento que faço,

Cria um ato plástico e involuntário,

Que tenta, oh, é, tenta fazê-la admira-lo.

Me machuca quando, toda a vez, eu falho em alcança-lo...

Isso me tira a vontade de envia-lo,

E faz com que eu esconda todas as minhas ilusórias habilidades,

Com meu desafinado baixo.

Só esqueça...

Esqueça-se disso tudo antes que nosso problema floresça.

~Gabriel.