Areia

A praia ainda deixa areia presa em meus chinelos...

Enquanto caminho atento à ampulheta.

Esse seria mais um conto de Eros?

No qual me apaixono por areia e mar,

Deixando minha psique questionar,

Se as minhas histórias podem se tornar Epopeia.

O melancólico pôr do Sol me encanta como olhar a medusa,

Como Narciso, admirando seu reflexo sob álibi da lua.

Afundo-me nos mares que escurecem em azul pluma.

O questionamento mais complexo traz a imagem de uma chama,

A um louco plebeu que a prometeu.

Os raios ao longe me afastam da ideia de Deus ou Zeus.

Ou do pecado tão carnal que cometeu,

Ao dizer-vos aos homens sobre os contos do Rei.

Em seu templo, há sangue nos atalhos,

E segredo de seus seguidores.

Hábeis e fiéis a Salomão.

Cronos me observa do alto, em minha caminhada...

A verdade crua e sensata me afasta da terra.

Ó mãe Gaia.

Espero ser guerreiro eterno,

Nos ilustres salões de Valhalla.

Todavia, não morrerei em guerra ou batalha aflita,

Tampouco doente em meus últimos instantes de vida.

Talvez, morrerei queimado naquela fogueira como Joana.

E esperarei eterno pelas intermináveis guerras santas,

Como templário, soldado ou pagão.

Seria tão aproveitador quanto João Romão?

Ou, talvez, sádico em minhas declarações,

Deixando a dúvida transparecer em sino,

Traindo meus ideais como Capitu a Bentinho?

Escrevi na areia da praia...

“Aproveite o dia”.

Senti-me meio barroco pela manhã,

Mas ao meio-dia já não mais sentia.

A Realidade me acompanhava em minha sina,

E dizia algumas verdades nos folhetins,

Sobre tal Sargento de Milícias.

Aquele trovão de Zeus já não me alicia,

Pois trovadores pertencem a uma era das trevas,

Onde o idealismo era sinônimo de belas donzelas.

Enfim...

Aqui jazem minhas póstumas memórias,

Em respeito ao verme das areias sujas,

Que provou primeiro da carne de Brás Cubas.

~Gabriel.