The Young Wolf

2 O Herdeiro de Winterfell


Notas iniciais
Olá, pessoas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, peço um milhão de desculpas pela demora, mas a faculdade estava acabando comigo e com todo o meu tempo. De qualquer forma, espero que não tenham desistido da fic e que gostem do capítulo! ♥

O herdeiro de Winterfell nasceu em Correrrio. Há quem diga que era um Tully dos pés a cabeça. Com seus pequenos cachos ruivos e olhos tão azuis quanto os da mãe, não era difícil deduzir que o primogênito de Eddard Stark tinha muito pouco do pai em si. Não poderiam estar mais enganados. Embora família, dever e honra fossem se tornar preceitos muito importantes para o pequeno Lorde, Robb tinha o Norte em sua alma. Isso, contudo, demoraria alguns anos para se tornar evidente, ainda assim, não há dúvidas de que o rapaz era filho de seu pai e, assim como seu progenitor, a honra fora sua grande ruína. No entanto, acredito que estou me precipitando e podemos deixar as lágrimas para outro momento.

Para a jovem senhora Stark, o filho fora sinônimo de alegria, um verdadeiro presente dos deuses para preencher seus dias vazios e toda espera a qual fora condenada. Talvez Catelyn Tully – agora Stark – já devesse estar acostumada à dolorosa agonia de esperar que os homens de sua vida voltassem de viagens ou batalhas. Ainda assim, algo lhe dizia que sua alma jamais conseguiria se aquietar durante suas longas e silenciosas vigílias. Era estranho esperar pelo marido, e orar fervorosamente por seu retorno, enquanto parte de si ainda estava em luto pela morte do noivo.

Fora prometida a Brandon por tempo suficiente para amá-lo, o rapaz era charmoso, galante e a fizera suspirar por anos, imaginando como seria a vida ao seu lado e os filhos que iriam ter. No entanto, o Rei Louco não se importara com nenhum de seus estúpidos sonhos infantis ao assassinar o rapaz, partindo em pedaços o coração da pequena Cat. Independe de seus sentimentos, no entanto, a aliança entre Tullys e Starks se mantinha e precisava ser selada. Catelyn sabia disso e não fez objeções a se casar com o irmão de seu noivo. Eddard. Um homem que ela mal conhecia e que parecia tão fechado e frio quanto o Norte. Ainda assim, a ruiva cumpriu seu dever, se casando por sua família e honra.

Sequer tivera tempo de conhecer o marido, que partira para a guerra pouco depois de fazerem os votos de matrimônio. Estava casada com um estranho, aguardando seu retorno e sentindo-se confusa sobre como tudo aquilo acontecera e o que viria em seguida. Seu mundo estava em chamas, mas Robb viera apaziguar todos os demônios que se instauraram em seu coração. A descoberta da gravidez lhe dera algo a que se agarrar e, por mais que também lhe condenasse a meses de espera, era maravilhoso sentir aquele pequeno ser humano crescendo dentro de si.

O garoto viera ao mundo a sangue e dor, pequeno, vermelho e perfeito de todas as formas possíveis. O filho fora tudo o que a mulher precisava para seguir em frente, ainda assim, a criança não era suficiente para fazer seu medo desaparecer. Pelo contrário. Rezava todos os dias para que Robb viesse a conhecer o pai. Ned deveria ensiná-lo a ser um homem, a ser um guerreiro, a ser um Lorde. Acima de tudo, Ned deveria ser um pai, o filho merecia conhecer uma figura paterna. Os medos de Catelyn, contudo, iam muito além. Não havia um dia em que ela não se questionava o que aconteceria se o marido perdesse a guerra. Se aquela rebelião falhasse estavam todos condenados, o Rei Louco teria prazer em vê-los queimar. A moça sabia que não seria poupada, mas já não se preocupava consigo mesma, todas suas preocupações e medos envolviam seu bebê.

Foram meses e meses de agonia, até que tudo se resolvesse. A guerra finalmente acabara, haviam saído vencedores – ou tão vencedores quando possível, considerando todas as perdas sofridas – e Ned retornara para Catelyn. Com um bastardo nos braços. A mulher não pode evitar a raiva. Passara meses esperando fielmente por ele, ansiando pelo momento em que o apresentaria a Robb. Ela havia dado ao marido um filho, um herdeiro homem que continuaria seu legado, uma criança linda, saudável e forte. Havia dado a ele tudo o que um Lorde poderia querer, havia lhe esperado pacientemente e orado por seu retorno. E ele lhe retribuíra, trazendo a criança de outra mulher para casa.

Enquanto a ruiva passava noites em claro, cuidando do filho de ambos, o marido se deitava com outra. Aquela imagem a perseguiu por anos. Catelyn poderia perdoar a traição, poderia perdoar um milhão de traições – afinal, homens eram homens e ela queria fazer seu casamento dar certo –, se não fosse forçada a encarar todos os dias o fruto dela. Se não soubesse que fora o filho da outra que Ned conhecera primeiro, carregara primeiro, amara primeiro... Um bastardo qualquer se sobressaindo a seu precioso Robb, o herdeiro legítimo. Isso ela jamais aceitaria.

Ned, por sua vez, guardara seus segredos, abrira mão de sua honra e cumprira a promessa que fizera a irmã em seu leito de morte. Criaria o filho de Lyanna como se fosse dele, o protegeria e amaria, Jon, afinal, era sangue de seu sangue. Robb, no entanto, era o filho que ele queria conhecer desde que recebera a carta informando sobre a gravidez da esposa. Era seu herdeiro, a criança que muitas vezes imaginou que nunca chegaria a conhecer, o fazendo implorar aos deuses parar ter a chance de segurar o garoto nos braços ainda que por uma única vez. Passara noites em claro imaginando como o menino seria, idealizando cada um de seus detalhes, imaginando como seria ser um pai.

Sendo assim, finalmente conhecer o filho lhe causou uma comoção que ele não poderia descrever. De repente, todas as perdas de guerra se tornaram pequenas e tudo o que o homem conseguia ver era o bebê que lhe sorria calorosamente. O menino se parecia com Catelyn, mas Eddard sabia que havia algo de si no pequeno Lorde. Seu herdeiro, que não nascera em Winterfell, mas crescera ali e aprendera a amar cada pedra do castelo, cada pedaço de terra e cada floco de neve que caía no Norte. Que cresceu sabendo que precisava se preparar, porque o inverno estava chegando e que aprendeu, desde muito cedo, que a honra era a maior das virtudes. Porque Robb Stark poderia até parecer com uma truta, mas sua alma sempre fora de lobo.

Notas finais
Bom, eu realmente adorei escrever esse capítulo. Talvez ele tenha se focado um pouco mais na Catelyn, mas eu realmente amo a personagem e a relação dela com o filho e não há muito a falar sobre o baby Robb! De qualquer forma, espero que tenham gostado e prometo não demorar muito a postar o próximo! ♥ Beijinhos... Thaís