The Young Wolf

3 Criança Inocente do Verão


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, esse capítulo acabou demorando mais do que eu queria. Primeiro, porque precisei reler alguns capítulos de "A Guerra dos Tronos". Segundo, porque acabei perdendo o capítulo inteiro (quando ele estava quase pronto) e precisei reescrever tudo do zero. De qualquer forma, acho que acabou ficando melhor na reescrita e espero realmente que vocês gostem! ♥

Histórias trágicas nem sempre se iniciam em lágrimas. Às vezes, o princípio é apenas doce, inocente e repleto de adoráveis risadas pueris. Talvez seja isso que torne seu desfecho tão insuportavelmente cruel. Ou talvez eu esteja apenas me perdendo em suposições. O importante é que a história de Robb Stark começa em meio a sorrisos e a mais genuína felicidade. Como uma criança do verão, o pequeno lorde não teve muitas preocupações durante os primeiros anos de sua infância. Seus dias eram repletos de brincadeiras e preenchidos com as gargalhadas dos irmãos e as histórias da Velha Ama.

À medida que crescia, no entanto, suas obrigações também aumentavam. O garoto era o Herdeiro de Winterfell, afinal, e um dia seria o Protetor do Norte e de todas as pessoas que ali residiam. Sendo assim, havia muito que aprender e o menino tinha consciência disso. Desde muito jovem, Robb entendera o peso de ser o primogênito de Eddard Stark. A responsabilidade era grande demais para uma criança. O pequeno Lorde, contudo, esperava estar pronto quando seu momento de governar chegasse. Se os deuses fossem bons, décadas se passariam até que isso acontecesse.

De qualquer forma, o menino desejava com toda sua força infantil ser um governante tão bom quanto pai. Algumas vezes isso significava passar horas e horas em reuniões intermináveis, ouvindo os problemas de outras pessoas. Significava perder dias de sol trancafiado dentro do castelo, estudando mapas, letras e números. Significava conhecer cada pedaço de terra do Norte e reconhecer cada um de seus vassalos pelo nome. Significava ter conhecimento a respeito de cada família minimamente importante de Westeros e entender sobre diplomacia, história e guerra. Muitas vezes significava simplesmente abdicar de seus desejos e se concentrar em suas obrigações. Era aquilo que um bom Lorde fazia e Robb seria um bom Lorde. Não que tivesse realmente alguma outra opção.

O destino do pequeno lobo fora traçado no momento em que chegara ao mundo. Talvez antes disso. Sequer havia aberto os olhos pela primeira vez e seu futuro já estava selado. Seria Senhor de Winterfell e Protetor do Norte, mantendo-se leal a coroa e assegurando a paz e a justiça do rei. Casar-se-ia com uma moça de alguma casa influente, promovendo alguma aliança política importante e teria herdeiros que continuariam o legado de sua família. Ninguém nunca questionou a opinião do garoto a respeito de tudo aquilo e, honestamente, ele sequer sabia se tinha uma opinião sobre o assunto. Tudo o que sabia era que faria exatamente o que lhe fora designando, porque aquele era seu dever e destino. O que o jovem Stark não poderia imaginar, no entanto, era o que o dever o levaria por um caminho muito diferente e que seu destino era ser rei.

De qualquer forma, em alguns momentos, refletir sobre sua sina fazia com que Robb sentisse inveja de Jon. Bastardo ou não, o irmão ao menos tinha algum controle sobre a própria vida e a possibilidade de escolhas. Não muitas, é verdade, mas elas ao menos existiam. Pensar nisso fazia com o que o rapaz se sentisse instantaneamente culpado. O Snow crescera sem nunca conhecer a mãe, em um mundo que não era justo ou gentil com bastardos. Não herdaria nada e não tinha sequer um sobrenome para chamar de seu. Os dois tinham a mesma idade, cresceram juntos e estiveram sempre lado a lado. Eram irmãos e nada mudaria isso. Mas Jon não possuía coisa alguma, enquanto Robb tinha tudo que era possível desejar. Não era justo, mas era assim que as coisas eram.

Vivendo em um mundo justo ou não, o importante é que o menino chegou à adolescência da forma mais feliz que lhe foi possível. Era um rapaz de sorrisos fáceis e capaz de inspirar amor e devoção por onde passava. Aos 14 anos, Robb Stark era alto e musculoso, mas ainda assim gracioso e ligeiro. Tinha as cores dos Tully, com os cabelos acobreados e os profundos olhos azuis herdados da mãe. Era um jovem bonito, isso ninguém seria capaz de negar, e arrancava suspiros de Fosso Cailin até a Última Lareira.

A história do Jovem Lobo, contudo, se inicia realmente em uma tarde quase comum de verão. Seu pai havia sido chamado para executar um criminoso, algo que Robb já havia presenciado incontáveis vezes. O grande diferencial era pela primeira vez se considerara que Bran tinha idade suficiente para ver a justiça do rei ser feita. O menino havia chegado ao sétimo dia de seu nome, o que indicava que estava na hora de começar a crescer. Era provável que soubesse disso, porque sentado em seu pônei, entre os cavalos de Jon e Robb, Brandon Stark se esforçava para manter toda sua dignidade infantil.

— Mantenha rédea curta sobre o pônei — o Snow sussurrou para o irmão mais novo — E não afaste os olhos. O pai saberá se assim fizer.

Robb conseguia ver toda a seriedade no rosto do menino e reprimiu o sorriso de diversão e orgulho que queria se formar em seus lábios. Manteve-se impassível, enquanto o pai executava o homem que se revelara um desertor da Patrulha da Noite. Ainda assim, os pensamentos do ruivo se voltavam constantemente para a primeira vez que estivera naquela posição. Era engraçado como as lembranças soavam tão nítidas mesmo após sete anos.

Parecia que fora na tarde anterior que cavalgara com um misto de medo, expectativa e orgulho entre os demais homens de Winterfell. Por um lado, sentia-se em pânico pelo que estava prestes a acontecer, por outro havia a presunção infantil de finalmente ser visto como mais que uma criança. Jon vinha ao seu lado, as emoções conflitantes também evidentes no rosto do bastardo. De certa forma, Robb sempre se sentira grato por compartilhar a mesma idade que o meio-irmão, afinal isso fazia com que não precisasse enfrentar qualquer coisa sozinho. Independe do que fosse, o Snow estava sempre ali.

De todo modo, não foi até Lorde Eddard brandir a espada que a situação se tornara real. Havia um homem prestes a morrer. Seu pai iria tirar uma vida. Ao seu lado, Jon desviou o rosto. Robb, por sua vez, permaneceu estático, incapaz de se mover ou fechar os olhos. As mãos seguravam as rédeas de forma trêmula e todo o sangue fugiu de sua face. Sentiu o estômago se embrulhar, o oxigênio fugir de seus pulmões e um arrepio frio percorrer sua espinha. Ainda assim, se manteve obediente e assistiu a justiça ser feita. No fim, fora rápido. Tão rápido que poderia ter perdido se houvesse piscado. Em um segundo o homem estava ali e no outro partira. De joelhos. Humilhado. Decapitado.

Embora breve, aquela cena permaneceria com o garoto pelo resto de seus dias. Se fechasse os olhos ainda seria capaz de ouvir a voz do pai, lhe explicando de modo sério, porém não sem gentileza, sobre o costume antigo.

“O sangue dos Primeiros Homens ainda corre nas veias dos Stark, e mantemos a crença de que o homem que dita a sentença deve manejar a espada. Se tirar a vida de um homem, deve olhá-lo nos olhos e ouvir suas últimas palavras. E se não conseguir suportar fazê-lo, então talvez o homem não mereça morrer.”

Robb escutara atentamente as palavras de Ned e concordou com um silencioso aceno de cabeça. Entendia que aquela era uma lição importante, no entanto, o verdadeiro peso daquelas palavras só seria realmente compreendido pelo rapaz muitos anos mais tarde.

De todo modo, aquela fora a primeira vez que o herdeiro de Winterfell pensara verdadeiramente sobre a morte e, na época, o conceito lhe soara assustador. Com o tempo, contudo, o menino acabara entendendo que a morte era inevitável. A única coisa que um homem poderia ansiar, sendo assim, era partir com alguma coragem e dignidade. O traidor da Patrulha da Noite, que acabara de ser executado, ao menos havia mostrado valentia.

— O desertor morreu com bravura. — comentou com Jon, enquanto se afastavam a galope — Tinha coragem, pelo menos.

— Não — o meio irmão discordou — Não era coragem. Este estava morto de medo. Podia-se ver em seus olhos, Stark.

Robb não se convencera. Talvez houvesse medo no homem, mas certamente havia coragem.

— Que os Outros levem seus olhos — comentou — Ele morreu bem. Fazemos uma corrida até a ponte?

A justiça do rei havia sido feita. O desertor morrera com dignidade. Não havia motivos para passar o resto do dia remoendo o assunto.

— Fazemos — o Snow concordou, impulsionando o cavalo para frente.

O Stark praguejou, mas o seguiu. Os rapazes galoparam juntos pela trilha afora, com Robb aos gritos e assobios, e Jon silencioso e concentrado. Os cascos levantavam nuvens de neve por onde passavam. A corrida continuou por algum tempo, até o ruivo parar abruptamente, após ver algo estranho na margem do rio. Havia algo ao lado norte da ponte e a curiosidade foi maior que qualquer coisa.

— Jon! — chamou, fazendo o outro jovem se voltar para ele.

O irmão explicou o que havia visto e os dois caminharam até o local, afundando boa parte do corpo na neve. O que encontraram ali surpreendeu a ambos. Uma forma gigantesca e cinzenta encontrava-se enterrada no gelo, manchando o branco imaculado de vermelho sangue. O cheiro de putrefação começava a impregnar o ar e os olhos da coisa haviam sido tomados pelos vermes. De qualquer forma, o que mais impressionava era o tamanho do animal, que facilmente teria o dobro do maior cão de caça que qualquer um dos garotos já tivesse visto. Robb e Jon trocaram um olhar horrorizado por meio segundo. Estavam diante de um lobo. Um lobo gigante e sem vida.

O Stark se abaixou ao lado do animal, incapaz de conter a curiosidade. Há duzentos anos não se viam lobos gigantes ao sul da Muralha. O Snow também se aproximou, enquanto o irmão tateava o bicho admirado. Havia algo abaixo da mandíbula, perfurando a garganta do lobo, certamente fora aquilo que causara sua morte. Ainda assim, Robb não teve muito tempo para pensar sobre o assunto, pois um pequeno lamento atraiu sua atenção, assim como algo se movendo próximo às suas pernas. Ao olhar para baixo teve uma surpresa ainda maior. Cinco filhotes de lobo se encolhiam junto ao corpo morto da mãe. .

A cena fez um sorriso surgir nos lábios do herdeiro de Winterfell. O garoto trocou um olhar com o Jon, em pé ao seu lado, e percebeu que o irmão estava tão encantado quanto ele. Cinco lobos gigantes ao sul da Muralha. Aquilo certamente não era algo que não se via todo dia.

— Vou avisar ao pai e aos outros. — o bastardo informou empolgado, correndo em direção ao cavalo.

Robb apenas assentiu, incapaz de tirar os olhos das pequenas criaturas e de parar de sorrir. Foi quando algo incrível aconteceu. Um dos filhotes começou a caminhar em sua direção. Era uma pequena bola de pelo cinza-escuro, ainda com os olhos fechados, farejando algo – o rapaz nunca soube exatamente o que – e tropeçando em direção ao Stark. O lobinho foi direto até as mãos do garoto, que não hesitou em pegá-lo, sentindo uma emoção que nunca seria capaz de descrever. O animal se aninhou no peito do menino, produzindo um pequeno lamento. Era uma coisinha minúscula, desamparada e provavelmente faminta pela qual Robb se apaixonou em cinco minutos.

Um lobo gigante cinza em um campo branco de gelo era o símbolo da casa Stark. E ali estava o primogênito da família, cercado pela neve branca, segurando um lobo cinzento nos braços. Aquilo deveria significar algo, certo? Mesmo se não significasse, o rapaz já havia se apegado ao filhote. Havia uma conexão entre o menino e o lobo forte demais para ser traduzida, mas que se estenderia até o último suspiro de ambos.

Robb Stark nunca soube dizer se ele escolhera o lobo, ou se o lobo o escolhera. Sabia que haviam seis filhotes – afinal, Jon acabara encontrando um lobinho que se perdera da matilha –, um para cada criança Stark. Sabia, com uma certeza que nunca entendeu de onde vinha, que era seu destino encontrar Vento Cinzento. Os irmãos Stark eram crianças inocentes do verão, mas o inverno estava chegando. E no inverno toda proteção se faz necessária. Os deuses do Norte, então, enviaram a cada um deles um presente especial. Aquele lobo pertencia a Robb, do mesmo modo, que Robb pertencia ao lobo.

Notas finais
Vento Cinzento! ♥ Eu juro que escrever essa fic acaba comigo, porque não consigo deixar de lembrar do final trágico do Robb. Aliás, fiz o favor de reler o capítulo do Casamento Vermelho para conferir se as últimas palavras do meu Stark favorito eram realmente "Vento Cinzento" e fiquei acabada. Ah, os diálogos entre o Robb e o Jon foram tirados do livro. Assim como a citação do Ned sobre o costume antigo dos Stark. De todo modo, espero que tenham gostado do capítulo! ♥ Criei um grupo no Facebook para as minhas histórias e para poder conversar e interagir com os leitores das minhas histórias. Se alguém se interessar: [https://www.facebook.com/groups/313775488965548/] Beijinhos... Thaís
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.