The World Can Be Wonderful
5 Chapter 4
Notas iniciais
Pois é, vocês devem estar pensando: Ué, e a história de postar no domingo?
Então, né. Etto... Eu estou quase terminando de escrever a fanfic (falta uns três capítulos no máximo), então não tem problema eu postar a fanfic todos os dias.
Muito muito muito obrigada por tudo pessoal! Fico muito grata pelo carinho de vocês.
Nem vou falar que o capítulo é de vocês pois todos são *3*
Boa leitura o/
Shion-kun foi de grande ajuda. Ordenou e cordenou meus passos. Fomos até atentidos rapidamente pela emergência.
Ficamos até a noite. Megurine ainda não tinha acordado. Ela batera a cabeça várias vezes na sua queda. Foram feitos exames e exames nela. Nada de grave de acordo com os médicos.
Shion-kun não perguntou como Megurine caira, ou porquê eu vira, ou porquê não falara nada. Não interessava. Ele sabia que Megurine não caira simplesmente. Fora empurrada por alguém. Quase dava para ver sua mente trabalhando tentando encaixar as peças do quebra-cabeça.
A mãe de Luka, ou melhor, a dona do Orfanato viu Megurine. Eu não sabia que Megurine era órfã. A dona do Orfanato agradeceu inúmeras vezes pelo meu plano (Megurine estava desfrutando de meu plano de saúde) e agradeceu a Shion-kun por ter salvado Megurine. Ele ficou sem graça e gaguejou até. Sorri. Era até fofo.
Levou duas semanas para Megurine receber alta. Nesse período, Shion-kun e eu intercalávamos entre as idas ao hospital, mas só falávamos sobre a Megurine, o estado da Megurine, o que a Megurine faria sobre isso. Megurine ficava muito feliz, e sem os óculos e sorrindo, ela era muito bonita.
Todos os dias um de nós levava os exercícios. Poucas vezes Shion-kun e eu fomos juntos, e quando isso acontecia, nós três estudávamos e brincávamos um com o outro. Megurine era uma pessoa amável, e eu nunca me perdoava por ter tratado-a mal tantas vezes. Mas, era necessário. Precisava ter certeza que ela não estragaria meu futuro, ou me abalaria. Eu não sabia ainda ao certo.
Ela não falou nada sobre o fato de ser órfã. Não perguntamos nada. Fomos somente nós mesmos essas duas semanas. Bem, eu fui quase eu mesma.
Quando Megurine voltou ao colégio, estava muito contente. Ela realmente pertencia aos livros e tudo que envolvesse estudo. Não era obrigada a estudar só porque o pai ordenava.
Era um jeito feliz de aprender.
Pela primeira vez conversei com alguém na sala. Megurine sentava perto de mim agora, e como estava sem os óculos, não tinha dinheiro para comprar outro, pedia para emprestar-lhe os cadernos.
Foi a primeira vez, sem qualquer instrumento, que fiquei feliz em estar na escola.
Mesmo assim, fui extremamente rígida comigo mesma. Não conversei sobre futilidades. Foco. Mantenha o foco, Miku.
Na hora do almoço, Megurine sentou sozinha. Vi Gumi, Meiko e IA lançando olhares malévolos para Megurine, então resolvi me sentar com ela e olhar feio para o trio.
- Desejam algo? — perguntei.
Elas desviaram o olhar.
Peguei minha maçã e mordi. Quem elas achavam que eram? Virei para Megurine. Ela estava com lágrimas nos olhos.
- Tudo bem? — perguntei. Sim, pergunta idiota, mas não sabia o que dizer. Sempre me perguntei o porquê que as pessoas perguntavam isso quando não ligavam, ou aparentemente, sabiam que nada estava bem. Deveria ser porque não sabem o que dizer.
Ela assentiu. Duas lágrimas rolaram pelas bochechas.
- Ei, ei, ei. Megurine, não chore. — pedi. Realmente, chorar não é uma boa coisa. — Faz assim, vamos comprar seu óculos hoje, tá?
Ela negou.
Suspirei. É claro que ela achava que era um incomodo. Mas não era. Além do mais, me sentia culpada por ter visto tudo e não ter feito nada.
Shion-kun surgiu do nada e sentou do outro lado de Megurine.
- Você a fez chorar? — perguntou.
- Não-o-o! — exclamou Megurine. — Eu sou uma idiota.
- Estava brincando. — corrigiu Shion-kun. — E você não é uma idiota. Idiotas fazem isso:
Nesse momento ele colocou uma banana entre o nariz e a boca e começou a bater palmas. Megurine riu e me esforcei pra não sorrir.
- Tem razão, seu Bakaito. — concluí o assunto. Comemos em silêncio.
O resto da aula passou rápido.
No final da aula, Gumi tentou cercar Megurine, mas a empurrei.
- Saia daqui, sua monstra. — falei calmamente. Gumi saiu me olhando feio. Dei de ombros. Recebia olhares como esse todos os dias. — Por que não revida?
Megurine suspirou.
- Não consigo. — disse baixinho. — Não consigo fazer mal a ninguém.
- Mas ela fez mal pra você! — retruquei. — Você precisa agir!
- Me desculpe! — ela começou a chorar.
Eu não esperava por isso.
Caminhei dois passos, passei meus braços por ela e a abracei. Nunca tinha abraçado uma pessoa. Era... estranho, um pouco bom, mas estranho. Como existia pessoas que abraçavam sem serem obrigadas? Ela me abraçou também e começou a chorar ainda mais.
- Muito obrigada pelo que está fazendo! — disse Megurine entre soluços. — Muito obrigada por não me deixar sozinha! Muito obrigada mesmo!
- Ei, não estou fazendo nada que não queira. — argumentei. — É isso que amigos fazem, não?
Megurine se desvenciliou do meu abraço e me encarou.
- Somos amigas, não somos? — perguntei. Eu queria muito que ela dissesse sim. Queria tanto, tanto finalmente ter uma amiga. Tanto... Mas eu não podia. O que eu estava fazendo? E os sonhos de papai pra mim? E o meu futuro? Se Megurine e eu fôssemos amigas, nós algum dia brigariamos e então eu me abalaria. Isso atrapalharia.
Decidi deixar pra lá. Já estava na hora de ser um pouco normal. Mesmo que envolvesse decepções. Estaria pronta. Ou achei que iria.
Ela sorriu. Nunca a vi sorrir tanto.
- Sim! Somos sim! Hum, Mi-Miku-chan! — disse Megurine.
- Certo! Bem, Luka-san! — quase berrei.
Eu tinha uma amiga!
Finalmente!
Luka foi embora depois de um tempo. Combinamos que ela iria na minha casa no dia seguinte. Enquanto via seus cabelos rosa desaparecerem, alguém colocou as mãos nos meus olhos. Tentei tirar, brincadeira estúpida.
- Amigas escondem segredos? — sussurrou ele no meu ouvido. O hálito de menta batendo em meu ouvido com força.
- Não sei. — sussurrei. — Por que não sai da minha vida?
- Você quer que eu saia? — perguntou.
- Não sei. — e estava sendo sincera. Não queria, mas ao mesmo tempo queria.
Silêncio.
- Não dá. — sussurrou. Aquele cheiro de menta estava me deixando nervosa.
- Por que não?
- Porque eu devia ter parado antes.
- Com o quê? — perguntei. Realmente curiosa.
- Shhh... é segredo. — sussurrou ele por fim. — Um dia você ainda descobre, mas até lá, estarei seguindo seus passos.
- Como um stalker? — questionei. A ideia era tão ridícula que quase ri.
- Sim, porém mais perigoso ainda. — falou em tom alto e claro.
Quando Shion-kun parou de vendar meus olhos, não os abri por um instante. O que ele queria dizer? Estava me assustando.
Abri meus olhos, mas a única coisa que restava era a minha mochila.
Notas finais
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