The World Can Be Wonderful
6 Chapter 5
Notas iniciais
Esse capítulo e o próximo são curtos, mas é porque estou chegando no clímax, boa leitura ^-^
Eu estava ensaiando meus passos de dança quando bateram na porta. Soltei meu cabelo e ele caiu. Uma cascata verde-água. Fui com minha roupa de bailarina mesmo. Provavelmente deveria ser um dos empregados. E todos já me viram com roupa de bailarina.
Andei lentamente até a porta. Estava exausta e queria muito dormir. Mas não podia. Deveria treinar duro mais e mais. O Concerto se aproximava. Eu tinha só seis meses para fazer a coreografia perfeita. Quem sabe papai pudesse vir?
Abri a porta.
Gritei.
- O que está fazendo aqui? — perguntei, tentando esconder meu corpo. Não que precisasse esconder algo. Sou incrivelmente magra e desprovida dos termos de beleza dos garotos. Não que me importo. Detesto quase todos os garotos, tirando certas exceções.
Shion-kun estava vermelho. Muito vermelho. Parecia um tomate. Ele tampou o rosto com as mãos.
- Eu... eu esqueci. — disse ele.
Fiquei corada.
- Responda logo. — resmunguei.
- Se troque logo. — retrucou ele.
Se tinha um lado meu que Shion-kun não conhecia, era que eu sabia lutar. Desferi um golpe em seu estômago. Ele se inclinou e colocou as mãos na barriga. Ficou assim por um tempo.
- Agora responda. — esbravejei.
Ele assentiu.
- Eu vim te chamar pra tomar um sorvete. — falou após respirar fundo várias vezes.
Fiquei mais vermelha. Em um gesto impensado, o empurrei e bati a porta. Tranquei.
- Hatsune? — chamou a voz abafada.
- O que foi? — perguntei, ainda vermelha demais.
- Você bateu a porta no meu nariz! — reclamou.
Sorri.
- Bem feito. Isso que dá ficar espiando garotas desprotegidas que ensaiam balé. — gritei.
- Pelo que eu saiba, você não é desprotegida. — disse. E depois de um tempo completou. — E está linda de bailarina.
- Ba-baka. — murmurei.
Ele riu do outro lado.
- E então, vamos? — perguntou.
- Quer dizer, só nós dois? — questionei.
- Não seja boba, a Luka vai estar lá. — respondeu.
Por um momento fiquei desapontada. Depois balancei a cabeça e concordei. Estava sendo estúpida.
- Certoo. Só vou pela Luka, que fique bem claro. Me dê cinco minutos. — pedi.
Realmente, só demorei cinco minutos. Peguei uma calça meio larga, não gosto de coisas justas, na minha opinião só desvaloriza as pessoas que usam, e uma blusa preta com pandas. Coloquei um sapatinho vermelho e deixei meu cabelo solto. Passei perfume e escovei os dentes. Estava pronta.
Destranquei a porta e vi Shion-kun com um caderno, escrevendo rapidamente.
- Onde você guarda esse seu caderno? — perguntei. Sério, não queria imaginar onde seria.
- E o que isso influenciará na sua vida? — perguntou, os olhos tristes. Seu cabelo estava meio despenteado e ele estava com uma jaqueta, com calça jeans (larga, quem diria?), e all-star.
- Não está meio velho pra all-star?
- Não. Nunca estarei velho para usar all-star. Não está meio velha para pandas?
- Não. Nunca estarei velha para pandas.
E então ficamos em silêncio por alguns minutos até finalmente lembrarmos de Luka-san.
Não sei quando realmente fizemos as pazes, ou se brigamos mesmo, mas era bom conversas normalmente com Kaito, quis dizer, Shion-kun.
Fomos para fora seguidos pelos olhares maliciosos que Leonard e as empregadas mandavam. Corei e os xinguei em francês.
- Por que está os chamando de fofoqueiros? — perguntou Shion-kun, quando passamos pela porta.
- Sabe francês? — aquilo me pegou de surpresa.
Ele deu de ombros.
- Um pouquinho.
Andamos no meu imenso pátio.
- E então, como vamos? — perguntei depois de um tempo.
- Espere e verá. — disse.
Eu esperei e vi o que não queria.
Lá estava uma moto, daquelas que os caras loucos tem.
Shion-kun sorriu.
- Essa aqui é Alice. — mostrou a moto.
- Não me diga que vamos nessa coisa. — implorei.
- Não. Não vamos em coisa algumas. Vamos em Alice. — disse Shion-kun. Ele subiu na moto e ficou me olhando. — Você não vem?
Olhei para meus pés.
- Nunca andei de moto. — murmurei.
Shion-kun riu por um longo tempo.
- Idiota! Cale-se. — ordenei.
- Certo, majestade. Só suba.
Tentei subir de várias formas mas não conseguia. É uma droga ser baixinha e é uma droga nunca ter andado em uma moto de loucos. Ou em moto normal. Ou em qualquer coisa de duas rodas.
Shion-kun estava irritado e desceu, me levantando e colocando na garupa.
- Agora tente não cair até eu subir. — alertou.
Concordei, mas quando ele sentou na minha frente, soquei-o.
- Ai! O que você está fazendo? — me perguntou.
- Você me levantou sem permissão. — bufei.
Ele revirou os olhos.
- Segure a minha cintura. — disse.
- O quê?
- Segure minha cintura. — repetiu.
- Ah, não, obrigada, eu dispenso e — comecei.
- Anda logo, Hatsune. — seu olhar foi tão sombrio que nem reclamei. Só segurei em sua cintura enquanto ele colocava seu capacete e colocava um capacete preto em mim.
- Vamos. — disse.
Eu não sei como nunca andei de moto antes. Foi simplesmente maravilhoso. Sentia como se voasse. Poderia fazer tudo.
E Shion-kun estava ali.
Eu estava muito feliz por tudo.
Paramos depois de uns vinte minutos em frente a uma sorveteria. Eu desci e joguei o capacete pra ele.
- Obrigada. — E entrei no lugar.
Uma música muito alta balançava o lugar. Rock explodia em meus ouvidos e fiquei dançando ao som da música. O lugar era incrível. Todo iluminado com luzes de diversas cores e mesas redondas com notas em cima. Cadeiras estofadas por todo lado.
Era um sonho.
Avistei Luka acenando furiosamente em uma mesa bem no fundo. Como sempre, ela estava tentando se esconder.
Corri até ela.
- Yo! — disse Luka.
Ela sorriu. Estava com lentes de contato. Eu comprei pra ela depois de ela tanto reclamar e falar que não precisava. Usei a desculpa do: "Presente de aniversário".
Sorri de volta.
- Onde está o Kaito? — perguntou. Desde o incidente, nós três éramos um trio inseparável. Apesar de tudo, eu pouco sabia sobre Luka ou mesmo sobre Shion-kun. Pensando bem, eu não sabia nada sobre Shion-kun.
- Ah, eu não sei. — falei. Comecei a ficar preocupada.
- Está preocupada? — perguntou ele atrás de mim. Quase gritei de susto, por isso virei para socá-lo. Ele segurou minha mão. — Vamos pedir sorvete???
Concordamos e fizemos nosso pedido.
Depois de um tempo foi anunciado um karaokê. Muita gritaria inclusive na nossa mesa.
Duplas foram se enfrentar em músicas de diversos países.
Duas horas depois, Meiko e Gumi chegaram. Avistamos elas de longe, pela decadência das vestes que estavam usando. Não sei se sou uma exceção, mas onde estava a roupa daquelas duas?
Fechei a cara. Gumi ficava encarando Luka e Luka olhava pro seu sorvete.
- Luka, não se rebaixe. — mandei.
Fiquei encarando Gumi.
Meiko veio até nossa mesa e ignorou a Luka e a mim.
- Kaitinho, vem sentar com a gente, vem? — Meiko piscou seus olhos com cílios postiços.
- Não, obrigado. Vou ficar com minhas amigas. — respondeu.
Meiko praticamente se jogou pra cima dele.
- Ah, tudo bem então, depois você vai lá tá? Está rolando uma festa na casa da Sweet Ann, que tal ir conosco?
- Bem, eu vou pensar. Obrigado pelo convite.
Meiko saiu, desnorteada. Sorri. Aquilo estava ficando interessante.
Gumi ainda encarava Luka e ela ia murchando cada vez mais. Gakupo chegou com Rin e Len Kagamine, os gêmeos, e se sentou na nossa mesa.
Luka o evitou.
- O que está acontecendo? — perguntaram os gêmeos.
Gakupo estava com um ponto de interrogação na testa.
Shion-kun encarou Gumi e pegou na mão de Luka.
- Vem. — disse e a arrastou até a competição do karaokê. Luka ficou parada.
- O que ele está fazendo? — perguntaram na mesa.
O que Shion-kun estava fazendo?
- Você, a de cabelo verde, Luka Megurine te desafia na competição de canto. — falou Shinon-kun, em um microfone. Todos da sorveteria se viraram para olhar.
Luka estava incrivelmente vermelha e encarava o chão.
Luka sabia cantar?
Gumi se levantou e foi até o palco. Ela vivia se gabando dizendo que era a melhor cantora que o mundo poderia ter.
- Eu aceito. — respondeu, arrancando o microfone da mão de Shion-kun. — Só se for competição de dupla de garotas.
Meiko então subiu no palco ao lado de Gumi.
- Quem será sua parceira? — perguntou o jurado do karaokê.
Luka ficou olhando seus pés.
Rin se levantou.
- Eu!
O jurado negou. Era muito nova. Precisava ser mais velha.
Rin sentou, se desculpando.
Senti o olhar de Shion-kun sobre mim.
E então fiz o que ele queria.
- Eu. — falei, levantando e erguendo a mão. — Eu aceito o desafio.
Poderia pagar minha dívida por ter visto o acidente de Luka e não ter feito nada. Poderia dormir em paz finalmente.
Mas aquilo sairia bem mais caro.
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