Notas iniciais
Eaí galera tudo bem com vocês? Eu queria me desculpar com vocês ("pela demora de novo?" "Não dessa vez!!" "mas você demorou de novo" "sim, sim, eu sei, ok desculpa pela demora de novo" "hunf") porque até então eu não usava travessão, a verdade é que eu não sabia usar travessão mas agora eu finalmente aprendi!! yeeeeey. Enfim, aproveitem.

Meus pais me olharam pelo que pareceu uma eternidade.

— Como assim, filha, do que você está falando?

Eu precisava mais do que nunca ser forte agora. Por mim e por eles.

— É melhor vocês se sentarem, é uma longa história.

Assim que eles se sentaram, eu comecei a explicação mais difícil da minha vida.

~’’~

Ele saiu de dentro do espelho e olhou furtivamente para os dois lados. Não havia ninguém no pequeno quarto de decoração simples e meticulosamente arrumado, para sua sorte. Procurou rapidamente a janela mais próxima. Havia uma justamente dentro do quarto que dava vista para um pequeno jardim muito verde, um rio mais a frente e algumas árvores além dele. Uma vista encantadora, ele tinha de admitir.

Luke pulou a janela e correu rapidamente pelo jardim com sua mochila de viagem nas costas enquanto pensava pra onde iria em seguida. Decidiu vir para essa cidadezinha em um impulso, ele simplesmente não aguentava mais, tinha que sair de lá e esse vilarejo isolado era justamente o que ele precisava, então abriu um portal pelo espelho. Essa não era a opção de portal mais conhecida, segura ou utilizada, mas ele simplesmente detestava viajar por lagos, era extremamente incômodo ficar todo encharcado e demorava horas pra secar completamente, então ele começou a estudar mais os métodos de viagens por portais e descobriu esse método bem desconhecido e menos ainda utilizado. Por espelhos.

O problema de viajar por espelhos é que normalmente dão em casas de cidadãos comuns e existe uma grande possibilidade de eles te verem. É algo muito arriscado e perigoso, por isso, esse método caiu no esquecimento.

Cerca de 10 minutos depois de vagar pelas ruelas do vilarejo, Luke avistou um café e decidiu entrar e descansar um pouco. Pode notar duas jovens cochichando uma para outra e olhando na direção de Luke enquanto ele andava até o caixa para pedir um café, mas ele não ligou, era relativamente comum esse tipo de coisa acontecer e ele já se acostumara.

Andou até uma mesinha perto da janela e olhou para fora. O dia estava bem nublado e provavelmente começaria a chover a qualquer minuto. O clima tão típico da Inglaterra.

O que significava que ele teria que achar uma estadia logo.

Nunca era fácil se adaptar a uma cidade nova, apesar de Luke conseguir fazê-lo com certa rapidez. Levantou de sua mesinha e se aproximou da mesa das duas meninas que, notando isso, fingiram estar ocupadas conversando sobre um assunto sério.

— ... Ficou preocupada porque a polícia... — A menina de cabelos ruivos parou abruptamente e as duas olharam para Luke como se fosse a primeira vez que elas o vissem.

— Olá, desculpe-me interrompê-las, mas eu sou novo na cidade e preciso muito de ajuda. ­­— Ele fez uma cara de inocente e sorriu sem jeito.

As meninas se entreolharam rapidamente e a loira falou:

— Claro! Nós podemos te ajudar, pode sentar nessa cadeira. — Ela apontou para a cadeira sobrando na mesa. — Eu sou Fran e ela é Elinor.

O menino se sentou e colocou a mochila pendurada no encosto da cadeira.

— Muito obrigado, eu me chamo Luke a propósito. — Abriu um largo sorriso no qual as duas meninas retribuíram. — Eu preciso achar algum lugar para dormir por alguns dias até eu conseguir me estabilizar nessa cidade, vocês sabem de algum lugar?

As meninas pensaram por uns instantes até que Elinor quebrou o silêncio.

— Eu sei de um albergue que tem a umas ruas daqui, nessa cidade minúscula ele é tudo o que temos para abrigar forasteiros. — Ela sorriu de maneira sugestiva. — Ainda vamos nos esbarrar muito por aí.

Ele apenas sorriu como se não tivesse entendido a provocação.

— Então tá, muito obrigado Elinor e Fran, vou procurar esse albergue antes que chova. — Ele se levantou e se despediu das meninas com um simples aceno.

Porém quando passava por Elinor em direção a porta, ela segurou seu braço e sussurrou em seu ouvido:

—Vamos nos encontrar amanhã novamente, faço questão. —Deu um último sorriso provocador para Luke que por sua vez se virou e andou para a porta.

Enquanto saia do café, os primeiros pingos de chuva começavam a cair ao mesmo passo que seus pensamentos começavam a se multiplicar.

Talvez chuva não seja a minha única preocupação em Bibury*.

~’’~

Caminhei pelas ruas escuras enxergando tudo embaçado sentindo que o peso da lembrança recente de meus pais chorando e não compreendendo completamente a situação era simplesmente grande demais para que eu pudesse aguentar e nunca me abandonaria.

As instruções de Avery eram bem claras: “vá para a casa de seus pais e volte direto para essa clareira para não arriscar que alguém te veja, é muito perigoso”. Mas eu tinha que passar em aum lugar antes, precisava vê-lo, sabia no fundo de minha alma que não poderia partir sem antes me despedir dele.

Antes que me desse conta, estava parada em frente a casa dele que agora não passava de um borrão. Andei até a porta, toquei a campainha não me importando se ia acordá-lo. Depois de uns 15 minutos a luz da sala acendeu e ele abriu a porta com uma cara sonolenta e levemente irritada. Seus cabelos ruivos estavam adoravelmente desgrenhados e ele estava com umas roupas velhas que provavelmente ele usava de pijama.

— Dale... — Não sabia o que falar em seguida, eu não tinha pensado no que eu iria falar.

— Lucy!! — Seu tom de voz estava preocupado.

Ele pegou minha mão e me puxou levemente para dentro de sua casa, em seguida, me conduziu para o sofá. Mas eu tive apenas uma breve noção disso tudo, meus pensamentos pareciam estar enevoados.

— O que houve? — Eu sabia que ele me olhava, mas eu não conseguia desviar o olhar das minhas mãos e nem parar de contorcê-las.

— Eu... eu vou embora... — Fechei os olhos quando senti as lágrimas vindo.

— Como assim Lucy? — Ele estava aflito.

Eu entendia a aflição dele, eu não conseguia dizer mais nada do que vagas frases desconexas.

— Estou metida em problemas que eu nunca vou poder explicar, por favor entenda. — Finalmente arrisquei olhar pra ele e uma lágrima caiu sem a minha permissão.

Ficamos alguns segundos quietos e eu pude quase sentir o silêncio me esmagando.

— Eu precisava me despedir de você, vou sentir tanto a sua falta, não sei com... — Não pude terminar a frase que eu criei com tanto cuidado pois ele me beijou.

De alguma forma isso fez com que eu chorasse mais ainda e a dor no meu peito fosse ainda mais esmagadora. Não achei que isso fosse possível.

Por baixo de toda a tristeza do beijo, das minhas lágrimas deixando-o salgado, da preocupação dele, da minha falta de explicação, ele me fez sentir que tudo ficaria bem de novo. Talvez essa fosse a última vez que eu o visse em bastante tempo. Ou talvez para sempre, eu não sabia dizer.

Havia um leve toque de urgência em seu beijo. Entrelacei minhas mãos em seu pescoço enquanto a mão esquerda dele apertava levemente a minha cintura e a direita fazia um caminho angustiantemente lento até o fecho do meu sutiã. Eu sabia o que viria em seguida e por mais que fosse contra tudo o que respondia por mim, eu sabia que não poderia dar continuidade a isso. Ironicamente parar agora parecia ir até contra a minha própria razão.

Como se ele tivesse lido meus pensamentos, ele disse:

— Se quiser que eu pare fale agora, depois não acho que eu vá conseguir. — Ele olhava intensamente nos meus olhos.

Aquela era a hora. Me afastei dele e olhei para baixo.

— Não posso fazer isso com você. Com nós dois. — Corrigi.

Essas poucas palavras saíram a duras penas. Isso estava se provando ser bem mais difícil do que deveria ser.

— Iria apenas piorar as coisas, tornar o que vem depois da despedida bem mais doloroso. — Acrescentei tentando explicar o que nem mesmo eu entendia.

— O que vem depois da despedida? — Vi pela minha visão periférica que ele também abaixou o olhar.

— Tristeza...

E principalmente incertezas.

Notas finais
*Bibury é um vilarejo na Ingleterra. FELIZ ANO NOVO GALERA UHUUUUUL