The Witches

4 Capítulo 4


Quinn suspirou ruidosamente. Ela andava de um lado a outro do cômodo, ficando mais impaciente a cada minuto. A loira podia sentir os olhos de Brittany sobre si. Ela sabia que estava deixando a menina nervosa, mas não conseguia parar. Ela precisava manter-se em movimento pra conseguir um mínimo de controle sobre suas emoções.

Ao longo das últimas horas, sua mente ficara refém de Rachel Berry, sem chance de fuga. Seus pensamentos envoltos no encontro que ocorreu na escola, a atitude irritante da morena, a falta de explicações, como Rachel flertou com Santana e Brittany. Quinn não conseguia parar de repetir esses episódios uma e outra vez em sua mente, tentando achar uma explicação para a mudança radical na morena. Mas tudo havia sido inútil. Ela tinha algumas teorias, mas nada conclusivo. Por isso ela estava tão ansiosa para hoje a noite, agora ela poderia ter todas as respostas que procurava. Ela só não contava com a morena não aparecendo. Por mais mudada que Rachel estivesse, Quinn nunca poderia imagina-la com coragem suficiente pra deixar a Trindade Profana esperando.

As cheerios estavam na sala de estar da mansão Fabray. Rachel deveria ter chegado há 40 minutos, mas não apareceu ou enviou qualquer recado. As três tentaram obter o número da morena com os outros membros do Glee, mas ninguém sabia. Puck que certamente saberia, considerando o estranho bromance que os dois desenvolveram nos últimos meses, não atendia o celular.

— Quinn, se você continuar fazendo isso vai abrir um buraco no chão — Santana falou, irritada. Ela estava furiosa com a espera e o comportamento da loira não estava ajudando em nada.

Brittany saltou ao ouvir a namorada, e correu para abraçar Quinn. — Pare, pare! — pediu afoita. — você não ouviu o que a Santy disse? Eu não quero que você vá parar na China, eles comem cachorrinhos enlatados.

— Espera! — Santana gritou divertida. — Você está preocupada por que Quinn é uma cadela?

Revirando os olhos para a amiga, Quinn tentou tranquilizar Brittany, mas suas intenções foram interrompidas pelo toque de um celular. Santana e ela verificaram os seus, mas não havia nada, só restava...

— Britt-Britt, onde está o seu celular?

— Na geladeira.

— Certo — Quinn disse devagar. — Você sabe por quê? — perguntou a Santana, enquanto Brittany ia até a cozinha pegar o aparelho.

— Caso um pato fique preso lá dentro e precise pedir ajuda. — a latina respondeu, vendo a namorada voltar para sala atendendo a chamada.

— Alô, quem fala?

— Brittany? — uma voz soou do outro lado da linha.

— Não, EU sou Brittany.

— Eu sei, eu só estava confirmando se era voc-

— A não ser que... — a loira interrompeu pensativa — Se você é a Brittany, então quem sou eu?

— Brittany, eu nã-

— Isso deve ser coisa dos homenzinhos que vivem no cabelo do Sr. Schue.

Santana, ouvindo a parte de Brittany na conversa, achou que era hora de interferir. — Britt, deixa que eu assumo daqui. Dê-me o celular — a latina pediu, chegando à namorada.

— Como vou saber se você é a Santana?

— Na terceira série eu dei um soco no Puck quando ele tentou convencer você que havia um pato nas calças dele e te pediu para acaricia-lo.

— Santy, é você mesmo! — a loirinha exclamou, se jogando nos braços da namorada.

Pegando o celular, Santana atendeu: — Quem é o idiota?

— Santana?!

— RuPaul! — a latina vociferou quando reconheceu a voz. — Quem diabos você pensa que é pra nos deixar esperando?

— Sinto muit-

— Você vai sentir muito mais depois que eu te amarrar numa cadeira e obrigar a ouvir Justin Bieber até que tudo sobre Broadway escoe do seu cérebro pelos ouvidos.

As outras ameaças de Santana teriam que esperar, abruptamente Quinn arrancou o celular de suas mãos.

— Berry, você tem cinco minutos pra chegar aqui.

— Desculpe, Quinn, mas eu não posso.

— O que você quer dizer com “não pode”? É melhor vir pra cá agora.

— Eu já disse que não posso. — a morena reiterou. — Como você sabe, hoje é meu aniversário e alguns amigos decidiram preparar uma festa surpresa.

— Que amigos? Você não tem nenhum.

Rachel ignorou a interrupção e continuou: — Eu não posso ir até aí, mas se vocês quiserem vir pra cá posso encontrar um lugar reservado para falarmos.

— Tudo bem, onde você está?

— Me passa pra Santana.

— Por quê?

— Só faça o que eu digo.

Muito a contragosto e com resmungos de: “anã idiota”, Quinn fez o que foi pedido.

— O quê você quer? — Santana respondeu ao telefone.

— Você sabe onde fica o “Galpão”?

— Eu sei tudo em Lima Heigths.

— Sim, tenho certeza. — veio em tom escarnecido.

— O que você quis dizer com isso?

— Nada. Estou esperando vocês aqui. Quando chegarem à porta diga que são convidadas da Rae-B.

— De onde você conhece a Rae-B? — Santana perguntou impressionada. — Ela é a garota mais badass de Lima Heigths. — realização atingiu a latina. — Não, sem chance. Não pode ser você.

— Seu poder de dedução é impressionante — Rachel respondeu sarcástica.

— Merda! — Santana praguejou. — É errado que eu esteja ligada agora?

— Você não seria a primeira a ficar assim só ouvindo meu nome — Rachel respondeu. A latina tomou um susto, ela não sabia que havia dito a última parte em voz alta. — Vejo vocês em breve. — a linha ficou muda.

— Wow, essa garota é cheia de surpresas. — Santana disse ainda um pouco atordoada, entregando o celular a Brittany.

Quinn batia o pé, impaciente — Então, para onde vamos?

— Você não acreditaria se eu dissesse — Santana se dirigia à porta. — Vamos passar na minha casa antes, Britt e eu precisamos nos trocar, sugiro que você vá até o seu quarto e faça o mesmo.

— Como vou saber o que vestir se não sei para onde vamos?

— Coloque algo sexy o suficiente pra que queiram agarrar você, mas não o bastante para alguém fazê-lo.

* * *

Algumas horas antes

— Vocês devem ter uma razão muito boa pra me chamarem aqui. — Noah disse entrando irritado em uma das salas de aula vazia do Mckinley. Era horário de almoço e a maioria dos estudantes estava no refeitório. — Depois de meses de caçada o Puckssauro estava a um elogio de tirar a saia da Ashley Davies.

— A primeira delas se revelou — Karofsky respondeu grave.

— Oh — Puck deixou escapar, ficando imediatamente sério e ao mesmo tempo excitado — Quando? Como?

— Hoje. — Sam respondeu. — Ela usou um feitiço de cura no Dave. Nós vimos tudo.

— Mais do que isso, nós sentimos. — Mike acrescentou e os outros assentiram em concordância.

— Quem?

— Puck... — Sam começou incerto.

O judeu franziu a testa, confuso com toda a hesitação — Vamos lá, vocês não me trouxeram até aqui pra me deixar nesse suspense, não é?

— Ele tem razão. — Karofsky disse aos outros dois, dando um passo a frente o jogador se aproximou de Puck. — É Rachel Berry.

Noah olhou para trás esperando que talvez a garota tivesse entrado sem que ele percebesse, mas não havia mais ninguém na sala — O que tem a Rachel? Não me diga que você jogou raspadinha nela de novo.

— Eu... — Dave ficou nervoso.

— Eu já disse que ela está fora dos limites.

Karofsky engoliu em seco e olhou diretamente nos olhos de Noah. — Puck, Rachel Berry é a bruxa que se revelou hoje.

A voz do guardião estava carregada de certeza, e um pouco de outra coisa. Respeito. Um brilho de admiração se refletia em seus olhos.

A sala ficou em silêncio após a revelação. Os três esperavam ansiosos pela reação do judeu. Não era segredo pra ninguém que Puck e Rachel se tornaram muito próximos. O modo como os dois interagiam era quase sobrenatural. Eles podiam ter uma conversa inteira em uma troca de olhar e não importa o quanto de um badass Puck é, ele sempre ouvia com muita consideração o que a morena tinha a dizer, exceto quando se tratava de garotas.

As emoções no rosto de Noah eram difíceis de ler. Ele parecia perdido em pensamentos profundos. Os outros não eram totalmente ignorantes ao que estava causando tanto conflito ao judeu. Ser escolhida pelo circulo era uma grande honra, mas havia seus contras. Afinal, não é sem razão que as bruxas precisam de guardiões. No momento em que você abre seus olhos e aceita o mundo do ocultismo ele passa a olhar de volta pra você, e por vezes isso pode ser perigoso.

Apesar da ansiedade, nenhum dos três, em qualquer momento pensou em interromper seu momento de contemplação. Embora ainda houvesse uma dica de preocupação em seus olhos, após alguns minutos um sorriso verdadeiro abriu-se em seu rosto, Noah parecia ter chegado a um acordo com tudo e decidiu ver as coisas de forma positiva.

— Eu sempre soube que a minha princesa judia era especial — ele disse. — Você a tocou? — perguntou a Karofsky. — Ela é sua bruxa?

Depois que o poder do circulo é desperto, quando todas as bruxas passam pelo amadurecimento mágico, a primeira vez que um guardião toca a bruxa a qual é destinado uma tatuagem nasce no guardião no lugar onde suas peles se encontrarem.

— Não, mas eu senti um instinto de proteção muito forte com relação a ela. — Dave explicou. — Eu quase arranquei a cabeça do Azimio quando ele tentou ameaça-la.

— Você devia ter arrancado.

Apesar de cada guardião ser designado a uma única bruxa, eles sentem-se muito próximos a todas as mulheres do círculo. Afinal o círculo, e consequentemente sua protegida, é mais poderoso quando todas estão bem e juntas.

— Você melhor do que ninguém sabe o quanto Rachel odeia violência. — Mike interveio. — Não acho que isso teria ajudado em uma futura aproximação.

— Vocês não conhecem Rachel Berry tão bem quanto pensam — o judeu replicou. — Agora que todos seremos mais próximos, vocês vão se surpreender com a minha princesa.

Sam o olhou conscientemente por um momento. — Como assim? — perguntou curioso, o loiro sempre sentiu que Rachel era mais do que permitia às pessoas verem.

— Vocês terão tempo pra descobrir mais tarde. O que faremos agora?

— Precisamos confirmar se as outras três bruxas são quem pensamos ser — Mike respondeu — e a quem cada um de nós está ligado.

— Ok, como faremos isso?

— Nos aproximaremos de cada uma delas separadamente. — o asiático explicou. — Primeiro vamos tentar aquelas com quem temos mais afinidades. O que seria Puck e Rachel, Sam e Quinn, Brittany e eu, Karofsky e...

— Espera! — Dave interrompeu — Por que eu tenho que ficar com Santana? Desde quando você e Brittany se tornaram melhores amigos?

— Desde que o Sr. Schue nos pediu para ajudar com a coreografia do Glee e nós começamos a passar muito tempo juntos. A dança foi o que nos uniu, mas depois disso nos tornamos bons amigos.

— Aguente como um homem — Sam provocou Karofsky. — você está preso com Santana.

— Devo levar água benta? Talvez alho.

— Cara, ela não é um vampiro — Noah disse. — Você estaria mais seguro com um.

Dave olhou assustado e os outros três caíram na gargalhada.