The Wiltshire' Mission
8 Capítulo 8 - Pansy Parkinson
Ainda estava com um sorriso quando Granger fechou a porta do quarto. Eu sei o que ela estava a fazer, mas realmente precisava daqueles momentos sozinha, era para o meu bem psicológico. Fixei novamente a janela sem realmente olhar para o que se passava la fora.
Eu odiava perder o controlo das minhas emoções e que as pessoas viam a minha fraqueza, mas aquele assunto ainda mexia muito comigo.
Nisto tomei a decisão de ligar para casa e falar com o meu pai, a nossa relação não era perfeita mas tentávamos. Ele atendeu-me ao terceiro toque e como sempre parecia tão distraído quando falava, imaginado que ele estaria no escritório de casa a mexer em papéis. Foi uma conversa rápida de trivialidades, até falar do que realmente me interessava naquela conversa toda.
— Como está a mãe?
— Melhor… — e o tom desta vez ficou mais baixo e ausente – Saiu hoje de casa para o jardim, diz que precisava ver como estava o tempo lá fora… — ouvi ele a suspirar – Pegou num livro e está sentada na varanda – eu sabia qual varanda ele falava: era na parte de trás da casa virada para o jardim e piscina e a janela do escritório dele tinha vista para lá. No meu íntimo ficava feliz porque sabia que o meu pai nunca tinha deixado de se preocupar com ela. Quando o questionei sobre isso ele tinha dito que era o seu dever como marido e amigo, e se ela estava assim era por sua culpa. Eu perguntei o porque de ser culpa dele e ele disse para eu não ligar, as vezes ele só dizia disparates.
— Isso é óptimo – e senti-me um pouco mais de alívio e avancei para o próximo assunto – Pai, preciso de falar consigo sobre uma coisa… Lembra-se dos Malfoy? – e do outro lado ficou mudo e eu olhei para o ecrã achando que a chamada tinha caído – Pai?
— Sim, estou – o tom era duro – O que tem eles?
— Lembrei-me porque Narcisa Malfoy veio aqui à escola – era uma mentira mas era melhor que a verdade já que os pais não sabiam o que Hogwarts criava – Descobri que era uma das patronas que irá financiar o laboratório da escola e o director mencionou a família Malfoy… Nunca mais falou com eles?
— Não – foi muito rápido a responder e eu senti que ele mentia ou escondia algo – Nunca mais vi essa gente – pigarreou – Tenho que ir, Pansy, preciso de resolver uns assuntos.
— Certo, adeus pai, diz à…
— Adeus, até amanhã – e desligou, antes que eu acabasse de concluir a minha frase.
— … mãe que a adoro – completei eu para o telemóvel mudo e suspirei.
Estava chateada por não ter consigo mais nenhuma informação mas ficava contente por a minha mãe não ter piorado. Desde que tinha vindo da clinica à um ano depois os médicos dizerem que ela estava pronta para voltar para casa e veriam o progresso dela voltar a casa. Um processo lento mas eu via a minha mãe a melhorar dia após dia durante as férias. Já não havia aquele olhar vago e sem vida. E a era óptimo não ter que colocar os pés mais naquela clinica sempre que a visitava, vinha mais deprimida no fim da visita por deixar a minha mãe ali sozinha. Mas esses dias negros já tinham passado, devia era centrar-me no presente.
Resolvi responder algumas mensagens que tinha, olhar nas redes sociais e colocar-me a par das notícias do dia. Cheguei à conclusão que a parte divertida daquela missão era o facto não haver aulas e ter o tempo disponível para não fazer nenhum.
Ponderei se me juntaria a elas no almoço como pedido, mas eu não tinha fome e o pequeno-almoço ainda estava as voltas no estomago.
Quando dei por mim, acordava sem saber onde estava, ano e dia. Resmunguei enquanto me levantava, tinha adormecido e já era quase três da tarde. Tomei um duche e trocava de roupa para uma roupa mais prática, Granger tinha falado dos estábulos e era para lá que me dirigia agora. Tinha ouvido as vozes de Granger e Narcisa a virei na direcção da escadaria, e antes que me vissem virei em direcção à porta de entrada que dava ao lado traseiro da casa.
Atravessei o jardim da parte de trás da casa, lembrando-me da plana, passando pelo chalé e pela estufa de vidro, até chegar aos estábulos. Era uma estrutura enorme, o cheiro e os sons atingiram quando me aproximava e libertando um sorriso no meu rosto. Aquilo trazia memórias da minha infância, quando andei pela primeira vez de cavalo. Bunny, o cavalo de pêlo cinza tinha sido meu e deixava saudade.
Avancei para dentro do estábulo, vendo algumas das cabeças dos cavalos a sair das baías. Não havia pessoas por ali, reparei quando avançava pelo meio do estábulo. Tinham cinco baias de cada lado, contei. Um balde tinha algumas maças, cenouras e eu peguei em algumas, aproximei-me de um cavalo de cor branca que abanava a cabeça chamando atenção.
— Estavas à espera de um doce, não é? – erguendo a maça até a boca do animal que agarrou logo, deixando-me fazer uma festa. Olhei em volta para os restantes seis que ali estavam e foi o que estava na última baia mais afastada de todos, de pelagem negra que me chamou a atenção. Senti um bafo perto do meu rosto fazendo cócegas e olhei para aquele de cor branco, que procurava por mais uma maça – Já tiveste direito a uma, seu guloso… — ri-me sem lhe deixar a segunda maça.
Encarei novamente a fera negra que estava no fundo do estábulo e olhava-me de volta, fixamente. Era um ser lindíssimo e peguei mais duas maças do balde, indo até ele. Havia desafio no olhar dele e eu sorri encantada. Era uma bela espécie.
Estendi a mão com a maça para lhe dar.
— Se fosse a ti não fazia isso — Assustei-me, recolhendo a minha mão como se estivesse a fazer alguma asneira.
Julguei que estava sozinha ali.
Virei-me para olhar para junto da porta onde estava um rapaz moreno que não devia ser mais velho que eu, encostado junto da porta e com um sorriso torto no rosto. Bufei irritada por ter sido apanhada ali nos cavalos. Não ter o notado, mostrava que estava distraída, mal o tinha ouvido a chegar. Que raio de espia seria eu?
— Julguei que não estivesse aqui ninguém, estou apenas a ver – justifiquei.
— Pareceu mais “estar só a ver” o que estavas a fazer.
— Bem era apenas uma maça…
— O Thunder não gosta de maças – percebi-me que estava a falar do cavalo, o rapaz devia trabalhar ali – e o mais certo é que ficasses sem o braço. Ele não gosta de pessoas, também.
Virei-me para o cavalo e enruguei os olhos para ele – Serias mau a esse ponto, seu lindo? – vi o cavalo a relinchar como compreende-se o que tinha perguntado. Eu gostava daquele animal – Se eu te tocar, mordes…? Ele é importante para mim, por favor, não me mordas – perguntei quando estendi o meu braço com alguma hesitação mas ele não se mexeu, eu tomei isso como iniciativa e coloquei a mão perto do rosto dele, suspirei alivia por não ter sido mordida.
— Ele gosta de ti – murmurou o rapaz ao meu lado fazendo dar-me um salto para o lado mais para junto do cavalo e olhei chateada com aquela aproximação, quem pensa que é para chegar perto de mim assim?
Agora estava junto da porta da baia e comecei a passar a minha mão pelo longo pescoço do animal, a vontade de escova-lo foi grande e num segundo estava abrir a porta da baia — Vou escova-lo lá fora.
— Penso que deves pedir ajuda, princesa…
— Eu sei como se faz, muito obrigada – estreitando o olhar para o empregado, não lhe tinha dado aquela confiança para me tratar assim. Nada daquilo era novo para mim, na minha mão tinha o arreio e a corda que estava junto da porta pendurados e apressei-me a colocar no cavalo. O rapaz continuava a olhar para mim com um sorriso e eu bufei irritada. Não gostava de ter assistência e ele estava a irritar-me por continuar ali com aquele sorriso torto no rosto, como se estivesse a divertir com algo – Podes parar de olhar para mim?
— Não precisas de ser tímida, princesa, só estou aqui para garantir que nada mal aconteça.
— Eu dou-te a timidez… Não tem uma baia para ir limpar ou outros cavalos para tratar? – perguntei para aquele empregado intrometido – Então faça o favor de fazer o seu trabalho e deixe-me em paz!
Bufei enquanto puxava aquele lindo cavalo negro para fora da baia até ao exterior, sentido o olhar do moreno a seguir-me até lá fora.
Estava bom tempo para dar uma volta com ele, mas o meu espirito não era o melhor para cavalgar por aí fora. Ficava para outra altura. Aquele lindo garanhão ia ter o melhor tratamento de sempre, pensei eu. Com uma escova que tinha pegado de uma estante, comecei a passar no seu lindo e lustroso pêlo.
Quando terminei, procurei pelo empregado intrometido mas não encontrei. Foi outro empregado com ar mais velho e simpático que apareceu, era o capataz disse quando se apresentou, disse que era hora do treino de Thunder e tinha que o levar para o cercado. Eu ofereci-me para o levar até lá e fiquei a assistir encostada às barras de madeira, quando o homem fazia o treino do cavalo.
Quando voltei para a mansão já escurecia.
Depois de um banho e de Granger entrar pelo meu quatro adentro a resmungar que não tinha nada para vestir para o jantar formal que Narcisa ia dar naquela noite.
Coloquei o brinco quando murmurava — Vamos logo despachar com isto – olhei para Granger que olhava para as calças largas negras que lhe tinha emprestado com a blusa branca que tinha colocado por dentro, longe das roupas básicas jeans e t-shirts que ela usava – Sério Granger, estás óptima!
— Não me sinto confortável com esta roupa – murmurou olhando mais uma vez pelo espelho e eu não consigo evitar revirar os olhos exageradamente.
Quando saímos do quarto, ela contou-me que Narcisa tinha nos inscrito no colégio do filho e eu gemi de dor, eu pensava que aquela missão significava estar longe de aulas, ao contrario de Granger que parecia que tinha ganho a lotaria de saber que continuaria a estudar. Haja alguém feliz com essa noticia.
Quando chegamos junto da sala de jantar, Narcisa já lá estava junto de uma mulher de longos cabelos encaracolados e eu soube logo quem era.
— Meninas, que bom que chegaram, deixem-me apresentar a minha irmã Bellatrix Lestrange. Bella, estas são as raparigas que vieram de intercâmbio e ficarão connosco este ano – intercâmbio era uma boa resposta visto que teríamos mesmo que frequentar a escola. Sorri para a mulher que passava os olhos em nós as duas, como raio-x.
— Boa noite Mrs. Lestrange… — começou Granger e eu acenei em cumprimento.
— A minha irmã disse que vocês estudam em Hogwarts, muito simpático da parte dela ter-vos acolhido aqui na Mansão, não é todas que tem essa sorte – deu um sorriso que soube que não era muito agradável – Uma querida a minha irmã, sempre pronta a estender a mão aos pobrezinhos…
— Bella! – mumurou Narcisa para a irmã que ignorou-a, dando costas para nós – Desculpe, ela não está nos seus melhores dias… Vejo que estás melhor, Pansy. O Theodore disse-me que estiveste nos estábulos – eu não sabia quem era o Theodore mas devia ser algum empregado e comecei a dar razões à sabe tudo da Granger, havia olhos por todo o lado. Devíamos tomar cuidado.
— Sim, tem cavalos lindíssimos.
— Fico contente, são do meu marido, é uma das paixões dele. E por falar nele – sorriu quando viu o homem loiro, acenando para se aproximar. Este tinha entrado junto de outros dois homens morenos, um deles apenas acenou para Narcisa e saiu como se tivesse um fogo do lado de fora e ele necessitava de ir apagar, mal tinha reparado nele. Os homens aproximaram-se de nós – Meninas, o meu marido Lucius e o meu cunhado, Rodolphus Lestrange – este era o marido de Bellatriz, podia ser um homem bonito mas o olhar negro era assustador, e eu odiei o olhar que nos mandou, foi repugnante e perverso. Já o marido de Narcisa, um homem alto e elegante, era só sorrisos quando nos cumprimentou.
— Finalmente as conheço-as, Narcisa não pára de falar nas meninas de Hogwarts – disse Lucius, sorrindo para a esposa, cumprindo a sua parte de anfitrião. Voltou-se para nós – Sintam-se em casa, e no que precisarem é só dizer… Acredito que Narcisa já tenha dito isso.
— Obrigada Mr. Malfoy – disse – Agradecemos pela vossa hospitalidade – será que Narcisa tinha dito quem eu era?
— Não iremos atrapalhar… — começou Granger.
— Não atrapalham nada – interrompeu Narcisa – é um prazer que estejam aqui! Assim que chegarem todos iremos jantar, pedi que fizessem uma ementa especial para hoje — virou-se para o marido – O Draco? Eu disse que queria todos para jantar…
— Querida, ele está lá em cima – dando um beijo na testa, murmurou mas nos ouvimos bem – Ele já desce, não te enerves, preocupação faz rugas… — virei-me para Granger tentando não me rir. Eles eram tão estranhos com aquela intimidade visível, tão diferente do outro casal que pareciam dois estranhos – Oh finalmente Theodore, rapaz, pensei que vocês nunca mais pareciam, já estavam a deixar Narcisa preocupada!
Virei-me para olhar para quem tinha chegado, e fiz beicinho.
O que ele estava a fazer ali?
E que confiança era aquela cumprimentar os donos da casa como se fossem amigos?
Deviam gostar muito do trabalho dele para mandar o rapaz das cavalariças jantar connosco.
Narcisa olhou para nós com um sorriso começando com as apresentações – Meninas, Theodore Nott, um amigo, ele está temporariamente no chalé perto dos estábulos… — informou ela e quase que arregalei os olhos, mas mordi o lábio quando aquele parvalhão me sorria de lado. Devia ter sido muito divertido para ele, eu ter tratado com um criado da casa. Ainda bem que ele se divertiu com isso.
— Boa noite princesa – piscando o olho quando se inclinava, que confiança era aquela, para dar dois beijos e eu revirei os olhos quando cumprimentava sem muito entusiasmo.
Dei um, foi o suficiente e afastei-me logo, olhando para Granger que me encarava eu abanei a cabeça, e ela murmurou uma palavra “depois” e virou-se para cumprimentar o rapaz com dois beijinhos no rosto.
— Olá Theodore, sou a Hermione – disse com um sorriso simpático.
— Theo, por favor, Theodore é demasiado formal e faz parecer mais velho do que realmente sou, temos a mesma idade! Theo é para os amigos e amigas – disse com um sorriso todo galanteador para cima da Granger, e eu revirei os olhos. Haja paciência – São as protegidas da Narcisa que irão morar connosco durante este ano, certo?
— Não somos protegidas – Granger riu — Sim, se tudo correr bem este ano, ficaremos por aqui… Talvez possamos estender a estadia por mais um ano se gostarmos — conversou Granger à vontade com o rapaz, eu apenas ouvia aborrecida.
— Por mim podem ficar para sempre – disse enquanto olhava para mim a alto a baixo, diferente do Lestrange, aquele era apenas desenvergonhado e perverso – Podem até mudar para o chalé, eu não me importo… Tem espaço para os três.
Dei-lhe um sorriso fingido e sarcástico – Ahaha só nos teus sonhos, querido.
— Seria um sonho bastante prazeroso, diga-se de passagem… — murmurou.
Deus, não tinha paciência para aquilo. Onde estava o filho predilecto de Narcisa Malfoy para nós irmos comer? Estava a começar a aborrecer-me com o tempo a passar e, sinceramente, já começava a ter fome visto ter passado quase um dia sem comer.
— Boa noite família – virei-me para a voz e sorri, finalmente o filho querido tinha o desprazer de aparecer e virei-me para comentar isso com Granger que estava ao meu lado, mas antes que pudesse eu dizer algo a Granger, ela estava estática encarando o rapaz loiro que tinha acabado de entrar, corando como um tomate.
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